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Como os judeus comemoram a Páscoa?

A Páscoa é uma festa instituída pelo próprio Deus para o seu povo, por volta do ano 1.400 a.C., quando os descendentes de Israel padeciam como escravos no Egito. Conta-nos a Bíblia que Deus enviou 10 pragas para que o faraó libertasse o povo, e a 10a praga foi um decreto de morte sobre todos os primogênitos. Deus então disse a Moisés, seu mensageiro, que os israelitas deveriam matar um cordeiro, e passar seu sangue nos batentes das portas. Assim, quando o anjo da morte chegasse e visse o sinal, passaria por cima daquela casa e não feriria de morte nenhum primogênito que ali morasse. Daí o nome “Páscoa”, que em hebraico significa passagem ou passar por cima. As famílias deveriam então assar o cordeiro e celebrar, seguindo um ritual estabelecido pelo próprio Deus, repetindo esta celebração todos os anos na mesma data (leia na Bíblia a história completa da origem do povo de Israel até a instituição da Páscoa: do capítulo 12 de Gênesis, até o capítulo 12 de Êxodo).

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A PRIMEIRA PÁSCOA

Segundo as orientações de Deus a Moisés, a festa da Páscoa deveria obedecer rigidamente a alguns preceitos:

  1. No dia 10 daquele mês (Nisã), que ficou estabelecido como o primeiro do ano, cada família deveria separar para si um cordeiro. Se a família fosse pequena para um cordeiro, convidaria outra família para cearem juntos – Ex. 12:3-4
  2. O cordeiro ou cabrito deveria ser escolhido cuidadosamente e apresentar as seguintes características: macho, sem defeitos e de aproximadamente um ano – Ex. 12:5.
  3. No dia 14 de Nisã (ou Abibe), o cordeiro seria morto ao entardecer – Ex. 12:6.
  4. O sangue do cordeiro deveria ser recolhido numa bacia, e passado nos batentes da porta com um molho de hissopo – Ex. 12:7, 22-23.
  5. Enquanto isso, o cordeiro ou cabrito seria assado inteiro, nenhuma parte poderia ser cozida ou deixada crua – Ex. 12:8-9.
  6. À noite, a família reunida comeria o cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães ser fermento. Caso sobrasse alguma coisa, deveria ser queimado no fogo antes do amanhecer – Ex.12:8-10.
  7. As famílias deveriam permanecer dentro de suas casas e comerem “apressadamente”, todos prontos e vestidos para a viagem que seria em seguida – Ex 12:11,22.
  8. No dia seguinte (15 de Nisã), teria início a Festa dos Pães Asmos, uma outra celebração que se seguia à Páscoa. Durante 7 dias, todo Israel deveria, não só se abster de qualquer alimento fermentado, como retirar do arraial todo fermento. O primeiro e o último dia (dias 15 e 21) seriam celebrados como o Shabat, dia de descanso e dedicação ao Senhor – Ex. 12:15-17.
  9. A Páscoa e a Semana dos Pães Asmos deveriam ser comemorados todos os anos, nesta mesma data, como um memorial do grande livramento do Senhor aos primogênitos de Israel no Egito – Ex. 12:14,24-27.

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O CERIMONIAL NO TEMPLO

Encontramos na Bíblia várias referências do povo de Israel comemorando a Páscoa em diversas ocasiões depois que saíram do Egito: no Sinai (Nm 9:1-12), chegando na Terra Prometida (Js 5:10-11) e em Jerusalém (2Re 23:21-23, 2 Cr 30:1-3). Entretanto, esta festa só passou a ser de fato celebrada anualmente com seriedade depois do cativeiro babilônico e a reconstrução do templo destruído por Nabucodonozor.

Com o passar do tempo, o cerimonial da Páscoa foi se tornando mais elaborado e agregando outros elementos e exigências à ceia. Observe o quadro abaixo:

Dia 13 (pôr-do-sol do dia 12 até o pôr-do-sol do dia 13)

        • Início dos preparativos para a Festa

Dia 14 (pôr-do-sol do dia 13 até o pôr-do-sol do dia 14)

        • Até 12h =Encerrar todos os preparativos
        • Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro

Dia 15 (pôr-do-sol do dia 14 até o pôr-do-sol do dia 15)

        • 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho (também sem fermentar), ervas amargas e outros elementos do Pessah.

Dia 17 (pôr-do-sol do dia 16 até o pôr-do-sol do dia 17)

        • O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias.

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Documentos históricos descrevem como os judeus comemoravam esta festa no Templo de Jerusalém:

No dia 14 de Nisã, pela manhã, todo alimento fermentado era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para a Pessach (Páscoa). Tudo precisava ficar pronto a tempo, pois todo trabalho secular encerrava-se ao meio dia e os sacríficios tinham início às quinze horas. Segundo o Talmude, quando o dia 14 de Nisã coincidia num sábado, todos os preparativos para a Ceia deveriam ser feitos no dia anterior.

Nesse momento, os chefes de família iam ao Templo com o cordeiro ou cabrito para ser imolado. As pessoas se colocavam em fila e um abatedor (shochet) efetuava o abate do animal segundo as leis judaicas.

O sangue era recolhido pelos sacerdotes em recipientes especiais de prata ou ouro, que passavam de um para outro até o sacerdote próximo ao altar, que derramava o sangue na base do altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso.

Em seguida, o animal era pendurado e esfolado. Uma vez aberto, tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins, a cauda e a costela eram retirados, colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

Como não havia lugar suficiente no pátio dos israelitas para acolher todo mundo, esse ritual era realizado em grupos, cada um com aproximadamente 30 homens. O primeiro grupo entrava e, quando o átrio estivesse cheio, os portões eram fechados. Os sacerdotes tocavam três toques no shofar e os levitas entoavam o Hallel (Salmos 113 a 118) em louvor a adoração a Deus. Os cânticos e os toques do shofar eram repetidos (se necessário) até que todos houvessem sacrificado seus animais.

Após as partes da oferenda serem queimadas, os portões eram abertos, o primeiro grupo saia, e entrava o segundo e de igual maneira iniciava-se novamente o processo. E assim sucessivamente. De tempos em tempos, no intervalo entre um grupo e outro, lavava-se o pátio da sujeira que, claro, ali se acumulara.

Depois cada um voltava para casa, levando o animal para ser assado.

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A PÁSCOA EM FAMÍLIA

Enquanto o homem, responsável pela família, ia ao templo levar o cordeiro para ser oferecido no altar, em casa, sua mulher terminava os últimos preparativos para o início da festa.

Um dia antes, muitos seguem a tradição de distribuir dez pedaços de pão fermentado ao longo da casa. A procura por estes alimentos fermentados é feita com uma vela, prestando atenção especial nas ranhuras e lugares onde normalmente se encontra. O chefe da família recolhe este pão em uma bolsa pequena especial e varre as migalhas usando uma pena. Após a procura, o chefe de família pronuncia a seguinte declaração: “Qualquer fermento ou levedura que estão em minha posse e que não vi, nem joguei fora, podem ser considerados como nulos e sem dono como o pó da terra”.

No dia seguinte, as migalhas são queimadas junto com a bolsa e a pena. Todos os utensílios utilizados para fazer pães e bolos são lavados, escondidos ou purificados no fogo. Todo fermento que não pode ser desperdiçado é vendido a uma pessoa não judia, e readquirido após a festa Pessach.

Algumas famílias fazem desta ocasião uma divertida brincadeira para as crianças, que têm de encontrar os pães e alimentos fermentados carinhosamente “escondidos” pela casa. Quando o último alimento fermentado é encontrado e retirado, faz-se uma grande festa!

Às 18h têm-se início à festa propriamente dita, com todos vestidos de branco em volta da mesa. O primeiro rito do Pessach é o acender das velas. Neste jantar festivo, o vinho (mosto) é obrigatório: se alguém não tinha condições de adquiri-lo, o Templo lhe cedia o suficiente para encher as quatro taças do cerimonial. Lembrando que este vinho trata-se, na verdade, de suco de uva, já que o vinho alcoólico é o suco de uva fermentado e, na Páscoa, todo fermento deveria ser extirpado.

Durante a refeição, são cantados pela família os Salmos do Hallel, entrecortados de bênçãos dadas pelo pai de família ou por aquele que faz as vezes dele, sobre as taças de vinho. Os filhos, simulando surpresa, diante deste jantar, fazem perguntas: “Porque esta noite é diferente das outras noites?” “Todas as outras noites comemos pão com ou sem fermento e esta noite só comemos Matzah (pão sem fermento)?” “Todas as outras noites comemos todos tipos de ervas, por que está noite comemos ervas amargas?” “Todas as outras noite nós não molhamos nossas ervas na água salgada, por que esta noite nós molhamos as ervas com água salgada 2 vezes? Nas outras noites comemos sentado ou reclinado porque está só comemos reclinado?” Então o pai explica o sentido dos diferentes ritos e descreve sobretudo as intervenções de Deus em favor do seu povo.

Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite. Com a destruição do Segundo Templo, a celebração da Páscoa passou aser uma noite de lembranças, feita essencialmente em família, sem o sacríficio pascal.

 

Veja um resumo geral da sequência que é observada na ceia de Páscoa, ou Sêder de Pessach, nos dias de hoje:

1. Recitação do Kidush (leitura de Gênesis 2:1-3 e uma oração feita pelos sábios especialmente para este momento, com declarações específicas de bênção sobre Israel, lembrança do êxodo do Egito, palavras em aramaico e a bênção do vinho) e a ingestão do primeiro copo de vinho.

2. Lavagem de mãos. Mergulha-se o salsão, batata, ou outro vegetal, em água salgada. Recita-se a benção e o salsão é comido em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel.

3. A matzá (pão ázimo) é partida ao meio. O pedaço maior é embrulhado e deixado de lado para o final da cerimônia.

4. Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach. Inclui a recitação das “Quatro perguntas” e bebe-se o segundo copo de vinho.

5. Segunda lavagem de mãos. O chefe da casa ergue os pães asmos e os abençoa. Eles são então partidos e distribuídos.

6. São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.

7. É realizada a refeição festiva e é comida a matzá que havia sido guardada.

8. É recitada uma benção após as refeições e bebe-se o terceiro copo de vinho.

9. Hallel – Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.

10.  Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa’á B’Yerushalaim – “Ano que vem em Jerusalém” como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Além da lembrança da aliança de Deus com Israel, a Páscoa, desde que foi instituída, trazia em si o símbolo profético do Cordeiro de Deus que seria morto para nos livrar da morte. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da páscoa para a libertação dos judeus do Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: “…Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt.1:21); “…pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Ap.1:5); “…Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (I Co.5:7). Cristo se fez oferta de uma vez pelo pecado. Aleluia!

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Sugestão de leituras complementares sobre o assunto:

  • A Palestina no tempo de Jesus. Christiane Saulnier e Bernard Rolland; São Paulo: Paulus, 1983. (Cadernos Bíblicos; 27)
  • As Festas do Senhor. Pr Sóstenes Mendes; BH: Ed Vision Rhema
  • Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. Tenney, Packer e William White Jr; Ed. Vida
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Leia também:

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Sites para consultas:

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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A Páscoa, em sua origem, é uma festa judaica familiar, onde basicamente se comemora o livramento dos primogênitos no Egito, mas foi adotada pelos cristãos porque, justamente durante esta festa ocorreu a crucificação de Cristo (não por coincidência, mas por cumprimento profético).

Os judeus comemoravam a Páscoa da seguinte maneira: um cordeiro era escolhido como oferta pelo pecado (Ex.12:2,6), o animal precisava ser sem defeito nem manchas, e devia assado por inteiro. No dia da Páscoa, dia 14 do mês de abibe – março/abril no nosso calendário (Lv.23:15; Ex.13:4), entre 15:00h e 18:00h, este cordeiro era sacrificado e comido juntamente com ervas amargas e pão sem fermento.

Leia também para entender melhor:

A Páscoa dos Judeus

A Paixão de Cristo

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A fixação da data

Como se calcula, a cada ano, o dia da Páscoa?

A Páscoa é sempre no primeiro domingo depois da primeira lua cheia seguinte à entrada do equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte (ponto da órbita da Terra em que se registra uma igual duração do dia e da noite: dia 20/21 de Março). Esta datação da Páscoa baseia-se no calendário lunar em que o povo hebreu se baseava, razão pela qual  a Páscoa é uma festa móvel no calendário romano, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

Várias outras datas são determinadas a partir do dia da Páscoa, tais como Carnaval, Pentecostes e Corpus Christi, dentre outras.

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Símbolos ocidentais

Desde o primeiro século, a celebração da Páscoa no Ocidente agregou dois fortes símbolos: o ovo de chocolate e o coelho.

O ovo simboliza a ressurreição (surgimento de uma nova vida de algo que parece estar morto), e o coelho representa a capacidade da Igreja em multiplicar seus fiéis, devido o coelho ser um animal extremamente fértil. Calcula-se que as lendas relacionadas ao coelho da Páscoa surgiram por volta de 1215, na região francesa da Alsácia. No Brasil, chegaram no início do século 20 por meio dos imigrantes europeus. O chocolate foi uma criação meramente comercial, apenas um subterfúgio para os comerciantes lucrarem um pouco mais nesta época do ano.

É sugerido por alguns historiadores que tais símbolos ligados à Páscoa (ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra a Eostre, deusa germânica. Um ritual importante ocorria nessa época, onde os participantes pintavam e decoravam ovos (símbolo da fertilidade) e os escondiam e enterravam em tocas nos campos. Este ritual teria sido adaptado pela Igreja Católica no início do 1º milênio, fundindo-o com a Páscoa.

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Jesus e o cordeiro pascal

De acordo com o Novo Testamento, Jesus Cristo é o sacrifício da Páscoa, conforme profetizado por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29) e ensinado pelo apóstolo Paulo: “Purificai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.” (1Co 5:7).

Jesus é o Cordeiro de Deus que foi morto para salvação e libertação de todo aquele que crê. Para isso Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado.

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PÁSCOA DOS JUDEUS

PÁSCOA DOS CRISTÃOS

Sangue nos batentes das portas dos hebreus no Egito (“pinceladas” no sentido vertical e horizontal. Este gesto já indicava profeticamente o formato da cruz de Cristo.
Escolha de um cordeiro sem manchas, perfeito Jesus é o Cordeiro de Deus, sem pecado ou dolo (Jo 1:29, II Co 5:21, I Pe 1:18-19)
O cordeiro era sacrificado simbolicamente no lugar dos primogênitos que foram poupados, ou seja, devido à morte expiatória de um animal, os primogênitos que tiveram suas casas pintadas com sangue não precisaram morrer. Jesus tomou sobre ele os nossos pecados, por isso a sua morte precisou ser tão traumática e terrível. Sobre ele, naquela cruz, estava todo o pecado da humanidade (Lv 17:11, Is 53:6, Jo 3:14-15)
O cordeiro era servido juntamente com ervas amargas e pães sem fermento.
  • Ervas amargas = símbolo de tristeza e agonia
  • Fermento = símbolo de pecado
  • Pães asmos = símbolo de limpeza, santidade

A morte de Jesus foi algo terrível para Ele, quase insuportável: dor física, dor emocional, dor espiritual (Is 53:10), sendo que Ele mesmo não possuía em si mesmo pecado algum (pão sem fermento)

Morte do cordeiro entre as 15:00h e 18:00h Jesus foi crucificado para pagar pelos nossos pecados (Hb 9:22, Is 53:4-5, Gl 3:13). Ele morreu depois das 15:00h e foi sepultado antes das 18:00h.
Festa das Primícias três dias depois da Páscoa Ressurreição de Cristo três dias depois da sua morte (Mt 28:7, At 2:24, I Ts 1:10)
O sacrifício do cordeiro precisava se repetir continuamente A morte de Jesus foi suficiente, e não é mais necessário que Cristo morra novamente ou que nenhuma outra pessoa tente outros métodos para conseguir a sua redenção (Hb 9:11-28, I Pe 3:18, I Jo 2:2)

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Nós cristãos, devemos comemorar a Páscoa como os judeus?

Como já foi dito, a Páscoa em si é uma festa judaica. Foi instituída por Deus para o povo de Israel, como um símbolo da salvação messiânica. Assim sendo, nós cristãos brasileiros, não precisamos comemorar a Páscoa, assim como não comemoramos a Festa das Trombetas, a Festa dos Tabernáculos ou a Festa do Purim. Algumas igrejas evangélicas judaizantes têm implantado a celebração da páscoa judaica em seus cultos, inclusive com os rituais culturais que foram acrescidos à festa com o passar do tempo. Entretanto, entendemos que Bíblia é bem clara ao ensinar que nós, cristãos, não precisamos seguir as leis e rituais dados ao povo de Israel – veja Atos 15:1-30; Cl 2:13-17; Gl 3:1-14; Rm 14:14-18.

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É errado comer ovo de páscoa?

Certamente que, pensando no significado transcendental da morte e ressurreição de Cristo, um ovo de chocolate, por mais caro e delicioso que seja, não é nada! Essa deve ser uma decisão pessoal, segundo o costume de cada família. Pessoalmente não vejo problemas em presentear pessoas queridas com chocolate, desde que o verdadeiro sentido da Páscoa seja lembrado, e que as crianças sejam ensinadas a perceberem que a ressurreição de Jesus é infinitamente mais preciosa do que qualquer ovo de chocolate.

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Entre a sexta-feira e o domingo

Muitas igrejas enfatizam em demasia a Via Dolorosa e a crucificação de Jesus, e praticamente se esquecem do principal: sua ressurreição.

A morte de Cristo não deve ser vista com penúria ou pesar, mas como a maior prova de amor de Deus por nós. Jesus foi traído por Judas Iscariotes, acusado pelos fariseus, julgado pelos sacerdotes, desprezado pelo povo e considerado culpado pelos romanos. No entanto, tudo isso aconteceu apenas e tão somente porque Ele mesmo permitiu. Jesus poderia, a qualquer momento, desistir da cruz. Mas, por amor a mim e a você, e em obediência ao Pai, Ele amou e amou até o fim.

Mas a cruz de Cristo não é derrota, antes, é o caminho para a vitória. Vitória não só do próprio Jesus, mas de todo aquele que nele crer. Sim, Ele foi crucificado na sexta-feira de Páscoa, mas ressuscitou no domingo das Primícias! Ele não está na cruz nem permaneceu no túmulo, mas venceu a morte e abriu o caminho para quem o aceitar.

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Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo!  1 Co 15:17-20; 54-57

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Jesus Cristo, o homem que dividiu a História da humanidade foi crucificado no ano 29  da nossa era. Milhares de pessoas foram sentenciadas a este tipo de morte durante séculos, entretanto a crucificação de Cristo diferencia-se de todas as demais em pelo menos três aspectos: a causa da condenação, seu desfecho e sua conseqüência na vida das pessoas.

Jesus Cristo, o Verbo de Deus, abriu mão de toda a sua glória e fez-se homem! O Deus encarnado nasceu criança, foi alimentado, cresceu, e viveu uma vida limitada aos limites do homem sobre este solo contaminado pelo pecado. Mas, com uma grande diferença: mesmo sendo em tudo tentado, ele jamais pecou.

Aos 30 anos iniciou seu ministério e três anos depois entregou sua vida para cumprir o principal propósito de seu nascimento: a morte expiatória pelo pecado de toda a humanidade.

O próprio Cristo afirmou que sua morte se daria na Páscoa (Mt 26:2), uma grande festa judaica celebrada anualmente por todo o povo desde sua saída do Egito. Veja os detalhes desta festa no post “A Páscoa dos Judeus”

Os quatro Evangelhos narram a crucificação de Cristo, entretanto não é pequena a controvérsia acerca de duas questões: Jesus foi crucificado mesmo na Páscoa ou um dia depois? E em qual dia da semana isso aconteceu?

Jesus Cristo foi crucificado na Páscoa, numa sexta-feira!

Não tenho dúvidas de que a morte de Cristo cumpriu integralmente todos os sinais proféticos contidos na festa da Páscoa. E, como o cordeiro pascal era morto na tarde do dia 14 de Nisã e deveria ser totalmente consumido antes do nascer do dia seguinte, creio que assim aconteceu com o nosso Jesus.

Alguns defendem que a crucificação teria sido um dia depois da Páscoa, pois na noite em que Jesus foi traído, pouco antes ele instituiu a Ceia e celebrou a Páscoa com seus discípulos (Mt 26:20-30; Mc 14:17-26; Lc 22:14-23; Jo 13:1-5). Mas, na verdade, não se tratava da Páscoa propriamente dita, mas os rituais que antecediam a imolação do cordeiro. Naquele ano (26 d.C.), o dia 14 de nisã caiu num sábado, por isso, as celebrações que antecediam a morte do cordeiro precisaram ser transferidas para o dia anterior, conforme orientação do Talmude, para que não houvesse a violação do sábado. Nesses casos, toda a preparação da Ceia, os rituais de purificação do fermento, o acender das velas e as orações eram realizadas um dia antes, visto que, no Shabat é proibido trabalhar (o que inclui carregar velas).

Isto fica claro no Evangelho de João, que diz: “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Estava sendo servido o jantar, e o Diabo já havia induzido Judas Iscariotes, filho de Simão, a trair Jesus.” (Jo 13:1-2). Note que o texto não deixa dúvidas: um pouco antes da festa da Páscoa, ou seja, a Ceia não foi no dia da Páscoa, mas “um pouco antes”, mais precisamente: um dia antes. O próprio ritual judaico nos esclarece esta questão. Como a Páscoa coincidira com o Shabat, o ritual teve início na quinta-feira, às 18h e todos os preparativos deviam ser concluídos antes do meio-dia da sexta-feira. Ou seja, até o meio-dia tudo deve estar pronto e todos os rituais realizados. Veja o quadro:

RITUAL DA PÁSCOA

CORDEIRO JESUS

Dia 12 – QUARTA FEIRA

(pôr-do-sol de terça ao pôr-do-sol de quarta-feira)

Início dos preparativos para a Festa
Dia 13 – QUINTA FEIRA

(pôr-do-sol de quarta-feira ao pôr-do-sol de quinta-feira)

Até 12h = Encerrar todos os preparativos. Às 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho, ervas amargas e outros elementos do Pessah).

Estes rituais deveriam ser feitos no dia 14, mas foram transferidos devido ao  Shabat que se iniciaria às 18h de sexta-feira.

Os apóstolos preparam a celebração da Páscoa (Mt 26:17-17-19; Mc 14:12-16; Lc 22:7-13). Última Ceia de Jesus com os 12 apóstolos (Mt 26:20-30; Mc 14:17-26; Lc 22:14-23; Jo 13:1-5). Jesus é preso no Getsêmani
Dia 14 – SEXTA FEIRA

(pôr-do-sol de quinta ao pôr-do-sol de sexta-feira)

Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro Jesus é crucificado às 9h da manhã, às 15h é morto e antes das 18h é sepultado (Mt 27:32-65; Mc 15:21-47; Lc 23:26-56; Jo 19:17-42.
Dia 15 – SÁBADO

(pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado)

Shabath (dia de descanso)
Dia 16 – DOMINGO

(pôr-do-sol de sábado ao pôr-do-sol de domingo)

O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias. Jesus ressuscita, como as primícias dentre os mortos (Mt 28:1-10; Mc 16:1-13; Lc 24:1-12; Jo 20; 1Co 15:23)

Obs: O que dificulta um pouco a nossa compreensão dos fatos é a diferença da contagem dos dias em relação aos nossos dias. Hoje, o dia começa às 00:00h. Para os judeus, o mesmo tinha início às 18h, no pôr-do-sol.

Jesus, após cear no início da sexta-feira judaica (ou quinta depois das 18), foi preso e interrogado durante toda a madrugada e julgado por Pilatos na manhã da sexta. Por volta de 9h Jesus foi açoitado e entregue ao governo romano. Houve mais um julgamento, incluindo os judeus, e após este, Jesus foi crucificado ao meio-dia. Note que, até aí, a participação judaica aparece sempre. Mas, depois do meio-dia, os judeus (sacerdotes) desaparecem da narrativa. Por que eles não acompanharam a execução?

 Justamente porque os rituais do Pêssach deviam ser terminados antes do meio-dia e eles ficaram impossibilitados de continuar acompanhando o processo de julgamento e execução de Jesus devido a essa lei. Vejam que Jesus foi entregue pelos líderes judeus ao governo romano logo cedo. A partir daí, ele foi pregado, levantado, morto e enterrado exclusivamente pelo governo romano. Os únicos judeus que estão junto a Jesus depois do meio-dia são sua mãe, João e as outras mulheres. O restante são todos romanos, que não participavam do Pessach. Portanto, Jesus foi morto e sepultado na sexta-feira e sepultado às pressas devido ao Shabat (sábado, que tem início às 18h da sexta-feira).

Três dias e três noites depois…

O próprio Jesus havia dito de si mesmo: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12:40). “…vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará.” (Mt 20:19-20)

Surge daí um detalhe intrigante sobre a sua ressurreição: Se Jesus morreu na sexta à tarde, como ele pôde ressuscitar no domingo de manhã, e ficar 3 dias e 3 noites sepultado?

Esta questão tem sido base para várias conclusões equivocadas. Alguns usam isso para dizer que a Bíblia não é confiável, ou tentam explicar afirmando que Jesus foi crucificado numa quinta-feira e não sexta. Vamos aos fatos.

As línguas originais em que a Bíblia foi escrita – hebraico e grego – também têm suas frases figuradas e expressões idiomáticas, como qualquer outra. E a expressão “um dia e uma noite” é um exemplo disso. No nosso português, “um dia e uma noite” possui sentido literal, mas para os judeus não. Trata-se de uma expressão idiomática e não um relato minucioso de tempo.

Qualquer parte de um dia era considerado como um dia completo. Conforme consta noTalmude de Jerusalém: “Temos um ensino – Um dia e uma noite são um Onah e a parte de um Onah é como o total dele” (Mishnah, Tractate, J. Shabbath, Chapter IX, Par. 3). O Rabi Eleazar bar Azaria explicou: “um dia e uma noite fazem um ‘onah’ (24 horas), mas um ‘onah’ começado, vale um ‘onah’ inteiro”.

Há vários exemplos na Bíblia onde parte de um dia é contada como se fosse um dia inteiro:

Ester falou que ia falar com o rei depois dos judeus jejuarem por três dias, e ela entrou na presença do rei “ao terceiro dia”, e não ao quarto dia, que seria literalmente depois dos três dias de jejum (Et 4:16; 5:1).

José do Egito deixou seus irmãos presos durante três dias. E “no terceiro dia” José lhes disse… (Gn 42:17-18)

Roboão mandou que Jeroboão voltasse a ele “após três dias”, e Jeroboão obedeceu quando voltou “ao terceiro dia” (2 Cr 10:5,12).

Um jovem egípcio, servo de um amalequita, falou a Davi que “tinha ficado três dias e três noites sem comer e sem beber”, depois explicou que fora abandonado por seu senhor há três dias atrás (e não quatro, se fosse literal). (1 Sm 30: 12-13)

Assim, “um dia e uma noite” era uma expressão idiomática usada pelos judeus para indicar um dia, mesmo quando indicava somente parte dele. Em outras palavras, a expressão “um dia e uma noite” representava tanto o período total de 24 horas do dia, como apenas uma parte dele.

Jesus falou que ressuscitaria “no terceiro dia” (Mt 16:21; 17:23; 20:19), ou “depois de três dias” (Mc 8:31; 10:34). Até os inimigos de Jesus entenderam o significado das profecias sobre a ressurreição. Para eles, “depois de três dias” significava “ao terceiro dia” (Mt 27:63-64).

Entendendo esta maneira de se expressar, compreendemos que os “três dias e três noites” que Jesus permaneceu no coração da terra foram:

  1. O período que inclui parte da sexta-feira (das 15h às 18h)
  2. O sábado inteiro (das 18h de sexta até 18h de sábado)
  3. E parte do domingo (das 18h de sábado até o nascer do sol de domingo)

Tragada foi a morte na vitória

Aleluia! A cruz não conseguiu deter o Autor da Vida! Ele ressuscitou!

Jesus Cristo, o Rei dos Judeus, cumpriu em si mesmo toda a Lei Mosaica. “Está consumado”, bradou em alta voz no momento em que entregou o seu espírito. Sim, tudo consumado está. Consumou-se o fim da maldição através daquele que fez-se maldição por nós (Gl 3:13). Foi consumado com sangue o salário do pecado (Rm 6:23). Consumado também foi o castigo que nos traria a paz (Is 53:4-7). Consumou-se ainda o final da história de Abraão e Isaque, onde Deus poupou Isaque e proveu um cordeiro para ser sacrificado (Gn 22:13). E consumada também foi a promessa de que a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). Sim Jesus, tudo consumado está! E, tendo cumprido todas as coisas, Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. A nós, pecadores, resta o caminho do arrependimento e a decisão de nascer de novo espiritualmente, fazendo deste Cristo o Salvador e Senhor de nossas vidas. Feliz Páscoa!

Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Uma Rosa Vermelha na crucificação…

Este é um hino muito antigo, de autoria desconhecida, mas com uma bela poesia. Foi gravado por Luiz de Carvalho, Mara Lima e outros artistas. Um lindo texto para refletirmos sobre a crucificação de Cristo e,  principalmente, na postura pessoal de cada um de nós diante dessa cruz.

Essa “Rosa” foi esmagada pela minha mão, pela sua mão… O que temos feito com esse sangue que ficou em nossas mãos? Temos crido para a nossa salvação ou sido indiferentes para a nossa condenação? Faça a sua escolha. Eu escolhi JESUS!

*

&

Olhando este mundo Ele viu grande multidão,

Andando sozinho sem nada na mão.

Sua vida foi rosa vermelha cravada na cruz,

Quem passou por Ele sentiu compaixão.

A rosa murchando e sangrando esvaindo-se em dor,

Perdendo a cor, sem respiração.

Mas o seu perfume se apega à mão que a esmagou,

E quem a feriu recebeu o perdão.

 

Agora seu sangue vertendo caindo no chão,

Três dias morrendo, sentiu solidão.

No terceiro dia o mundo encheu-se de flores

e a rosa vermelha de novo brotou.

Jesus é o lírio dos vales Rosa de Sarom

e até seus espinhos são marcas de amor.

E hoje Ele vive a plantar um grande jardim,

se você quiser serás uma flor. ..

*

*

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