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Archive for the ‘Comportamento’ Category

Muitas vezes, enfrentamos momentos tão difíceis em nossas vidas, que a sensação é de estarmos num “deserto”. Relacionamentos, emoções, saúde, finanças, parece que nada dá certo. Onde está Deus? Por que Ele não faz alguma coisa? Até quando vamos suportar tanta dor?

Esta mensagem fala um pouco sobre estes “desertos” e nos ajuda a enfrentá-los e vencê-los sobre uma perspectiva correta.

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Mulheres

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Sempre que leio a descrição da “Mulher Virtuosa” no livro de Provérbios (versículos 10 a 31 do capítulo 31), minha primeira reação é deduzir que se trata de um padrão inalcançável de perfeição descrita num contexto machista e simplesmente impossível de se seguir em pleno século 21. Mas então me lembro de que não se trata de um livro qualquer, mas da Palavra de Deus, que não muda, não falha, não passa. Então, sou levada a reler o texto com o espírito e sob a direção do Espírito, e compreendo que os princípios contidos ali também não mudam, não falham e não passam.

Então, vamos entender melhor o que significa ser virtuosa, e aplicar estas verdades à mulher do terceiro milênio.

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1. A mulher virtuosa tem Deus como seu Senhor (Pv 31:10, 25, 26, 30)

Por definição, o vocábulo “virtuosa”, no original hebraico é  חיל chayil, que significa força, poder, eficiência, fartura, habilidade. Por sua vez, a palavra “chayil”, tem sua origem em חיל chiyl: torcer, girar, dançar, trabalhar, se contorcer, dar à luz, estar com dor (fonte: Dicionário Bíblico Strong – Lexico Hebraico, Aramaico e Grego).

Assim, podemos entender que virtuosa, neste contexto, seria: “trabalhar arduamente para a eficiência”. Mas, mais que um trabalho externo, traz o sentido de uma pré disposição interna para se fazer o bem, uma inclinação para a excelência, um contínuo mover na busca pela força.

Sabemos que o ser humano é, naturalmente, inclinado para o mal devido à sua natureza ter sido corrompida pelo pecado. Consequentemente, a virtude seria, então, algo naturalmente inacessível a nós. Entretanto, a Graça Salvadora de Jesus nos presenteia com seu Espírito. E é Ele quem nos atrai para Deus, imprime em nós a natureza de Cristo e nos capacita, não só a desejar o bem, como também a agir com ele. Deus nos atrai para a sua virtude, faz nascer em nós o desejo da virtude e nos torna capazes de agir virtuosamente.

E assim descobrimos a primeira característica de uma mulher virtuosa apenas na definição do termo: ela tem a virtude de Cristo dentro dela.

A dedicação ao estudo da Palavra e a busca pela sabedoria (verso 26) são essenciais para que esta virtude seja forjada e manifesta em nossas vidas. Portanto, o crescimento espiritual e a busca pelo conhecimento de Deus são a base de toda mulher que a Bíblia descreve como sendo “mais preciosa que finas jóias.

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2. A Mulher Virtuosa, quando casada, honra o seu marido (Pv 31:11-12, 23)

Claro que a mulher virtuosa não precisa necessariamente de um esposo. Muitas mulheres hoje criam sozinhas seus filhos, sustentam a casa e governam suas famílias. Mas se ela o tem, o trata com honra e respeito. Independentemente se ele é truculento ou carinhoso, temente a Deus ou incrédulo, a postura dela não muda. Ela está firmada em Deus, sua virtude vem Dele, por isso, ela não está sujeita à circunstâncias ou alterações hormonais. Suas ações são controladas pelo Espírito.

Fazer o mal no contexto do casamento é muito fácil (principalmente para a mulher): manipular, irritar, reclamar, ferir, magoar, acusar, abusar, murmurar, se vingar, se emburrar… ah, como é fácil. Mas a virtude de Cristo em nós nos capacita, não só a não fazer o mal, mas a ir além e fazer o bem. E fazer o bem não em algumas, mas em todas as áreas do relacionamento: intimidade sexual, comunicação, companheirismo, confiança, finanças. Inclui também o cuidado com os pertences dele, o respeito aos gostos e escolhas dele, e o tratamento com a família dele (isso mesmo).

Toda mulher sabe como agradar um homem, como deixá-lo feliz. E a mulher virtuosa é livre em Cristo para isso, sem se deixar dominar por ressentimentos ou desejos egoístas. 

Não estamos aqui falando de subserviência ou servidão. A mulher moderna expõe sua opinião, diz o que pensa,  e contribui para o sustento da casa. Mas a mulher moderna que teme o Senhor, entende que a liderança do lar cabe ao marido e se submete a ele com fé, alegria e amor. Sabendo que Deus, a seu tempo, a recompensará. O amor e a submissão são valores imutáveis e sempre serão, não importa o quanto o tempo passe ou os valores da sociedade mudem.

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3. A Mulher Virtuosa é trabalhadora e habilidosa (Pv 31:13-19, 24)

O texto de Provérbios escrito pelo Rei Salomão aproximadamente mil anos antes de Cristo, descreve uma mulher empenhada, que vence a preguiça todos os dias e encontra forças para fazer o que precisa ser feito.  

Sabemos que o trabalho das mulheres naquele tempo era bastante restrito em comparação aos dias de hoje. No lugar da roca surgiram as máquinas, no lugar do fuso os tablets e no lugar dos navios mercantes vieram os automóveis, mas o dilema entre a preguiça e o trabalho continua o mesmo.

A futilidade, o entretenimento fácil e as facilidades da era moderna não podem nos roubar o privilégio de usar as nossas mãos para produzir, frutificar, e abençoar outras pessoas. O trabalho foi criado por Deus antes mesmo do surgimento do pecado, quando Adão e Eva ainda estavam no Paraíso (Gn 1:28, 2:15). O trabalho é uma bênção, enquanto que a ociosidade é uma perigosa armadilha.

Mas não me refiro aqui ao trabalho como um fim em si mesmo. Vivemos um tempo onde a mulher muitas vezes é extremamente cobrada em seu desempenho profissional e as exigências surgem em dimensões quase desumanas. Diante desta realidade, há mulheres que, no acúmulo de papéis e tarefas, fazem do trabalho o seu deus, e sacrificam casamento, família, amigos, ministério, lazer, descanso, tudo, em favor da carreira e do dinheiro. Os filhos são criados por parentes ou professores, o esposo assume todas as tarefas domésticas, o envolvimento na igreja é negligenciado, e assim a carreira vai lhe roubando sorrateiramente até mesmo sua verdadeira identidade.

Mas há também aquelas neuróticas pela limpeza da casa, que sacrificam o bem estar das pessoas e o delas próprias para que os objetos permaneçam perfeitamente limpos e arrumados.  De uma forma ou de outra, a obsessão pelo trabalho é tão, ou mais, destrutivo que a preguiça e a ociosidade.  A sabedoria de Deus consiste em fazer tudo com moderação, diligência e amor, sem inverter valores e prioridades.

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4. A Mulher Virtuosa é uma dona de casa cuidadosa (Pv 31:15, 18, 21, 27)

Parece que nada ofende mais uma mulher hoje em dia do que “reduzi-la” à posição de dona de casa.  O mundo, a cada dia mais, exige que a mulher evolua, cresça e conquiste sua igualdade com os homens; assim, tarefas básicas como lavar, passar, cozinhar, costurar e limpar vão sendo, a cada dia mais, terceirizadas.

Claro que, no ritmo do século 21, não há nada de errado, biblicamente falando, que a mulher tenha ajudadoras, providencie o almoço no “disque marmitex” e mande suas roupas para a lavanderia. Tudo depende das condições e necessidades de cada um. O problema, a meu ver, é quando a mulher negligencia e terceiriza, inclusive, o papel de administrar o seu lar.

A casa é o refúgio da família, aquele lugar seguro que chamamos de nosso, que tem a nossa cara, nosso jeito, nosso cheiro. E Deus deu à mulher o privilégio de reger tudo isso.  É o lugar mais importante do mundo para a nossa família, e está sob os nossos cuidados.  A saúde física e emocional das pessoas depende, e muito, da limpeza e organização do lugar onde moram. Portanto, cuidar da casa não pode ser visto como  algo desonroso! Ao contrário, é uma atitude de amor e cuidado para com o próximo, que engrandece e exalta a pessoa responsável por tarefa tão importante e árdua. Não permita que a falácia do discurso feminista o convença do contrário. 

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5. A Mulher Virtuosa cuida do próximo e de si mesma (Pv 31:20, 22)

Ah, que criação linda e perfeita é a mulher! Com que qualidade maravilhosa Deus presenteou a natureza feminina: o instinto materno em sua multiforme capacidade de cuidar. Cuidar do esposo, dos filhos, da casa, da família, das pessoas.

A mulher do século 21 tem vários desafios, como os tinham as mulheres de todos os séculos. A mulher é mais sensível e mais facilmente movida pelas emoções que o homem, por isso, a possibilidade de permitir que o sofrimento as endureça e amargue está sempre presente. Mas a mulher virtuosa é diferente. Ela tem dores, lutas, decepções, frustrações, mas aprendeu a transformar seus problemas em oportunidades para amadurecer e se sensibilizar diante dos problemas alheios. Por isso, o engajamento em projetos sociais e gestos de solidariedade, sempre.

E tudo isso de “salto alto”! Mesmo numa agenda sempre lotada, o item cuidar de si mesma tem sempre um espaço. A mulher virtuosa de Provérbios se vestia de púrpura, um tecido caro e especial naquele tempo, e que refletia o capricho daquela que o possuía.

Não é uma busca desenfreada pela perfeição física ou para se enquadrar num padrão de beleza absurdo imposto por homens que não gostam de mulheres. Mas pelo  simples prazer de se olhar no espelho e ficar feliz com o que vê.

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Conclusão

Mulher virtuosaA dona de casa, estudiosa das Escrituras, crente fervorosa, esposa dedicada, mãe de filhos, que trabalha fora, faz faculdade, tem um ministério próspero na igreja e ajuda os necessitados, ainda acha tempo para ir à manicure, pintar o cabelo, fazer maquiagem, comprar um sapato novo e encontrar um brinco que combine com aquela blusa. Como ela faz isso? Voltemos ao significado original da palavra virtude: força, poder, eficiência, fartura, habilidade. Não suas, mas do Deus que nela habita.

Claro que, de vez em quando, esta mulher “surta”, se estressa, fica deprimida, esgotada, chateada, mas, se sete vezes ela cai, oito vezes se levanta, ainda mais linda e perfumada do que antes.

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.”

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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O texto é um pouco longo, mas convido você a viajar pelos desertos comigo, e descobrir as belezas ocultas num tempo aparentemente tão sombrio. Boa leitura!

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Deserto é um lugar. Um lugar geográfico caracterizado por pouca ou nenhuma chuva, hostil, ermo, vazio, seco.

A Bíblia fala muito de desertos: num deserto Moisés fugiu de faraó (Ex 2:15) e ouviu Deus na sarça ardente 40 anos depois (Ex 3:1-14), no deserto Israel peregrinou por 40 anos (Nm 32:13), para o deserto Jesus foi levado após seu batismo para ser tentado (Mt 4:1), no deserto João Batista viveu (Mt 3:1-4), e no deserto tantas outras histórias aconteceram: Davi, Abraão, Jacó, Elias, etc…

Mas o deserto também é um lugar simbólico. Refere-se à fase da vida em que nos encontramos sós, em luta, imersos em aflição.  Um tempo onde nos falta algo que consideramos essencial: felicidade, saúde, tranquilidade, companhia.

Há vários tipos de Desertos:

  • Deserto existencial – quando, por algum motivo, tudo o que acreditávamos sobre nós mesmos desmorona, e perdemos nosso referencial. Não sabemos mais quem somos, qual nosso chamado, quais os propósitos da nossa vida;
  • Deserto emocional – quando algo tão forte nos acomete que somos tomados pela depressão e angústia, ou por um vazio. Diante de um amor não correspondido, de uma traição, uma perda. Não conseguimos nos alegrar ou demonstrar amor pelos outros;
  • Deserto espiritual – quando nos distanciamos de Deus e perdemos a fé;
  • Deserto financeiro – quando tudo dá errado, e você se vê sem recursos para pagar suas dívidas e suprir suas necessidades mais básicas;
  • Deserto na área familiar – acontece quando a família enfrenta sérias dificuldades, diante da rebeldia de um filho, adultério, falta de entendimento, falta de apoio, incompreensão…
  • Deserto na área física – quando nosso corpo físico fica seriamente debilitado por enfermidades, quando somos tomados por uma dor crônica, uma enfermidade incurável;
  • E outros…

Raramente o verdadeiro deserto é numa área só. E o que acontece muito também é precisarmos atravessar vários desertos, um após o outro… Falamos muito de quando Deus abriu o Mar Vermelho para o povo atravessar; mas o quê os aguardava depois do mar? Outro deserto. Assim também é em nossas vidas. Entretanto, nem sempre o que achamos que é deserto, de fato é.

O que um deserto não é:

  • Tédio/rotina – muitos gostariam que suas vidas fossem cheias de emoções, de grandes proezas, grandes milagres, grandes feitos sobrenaturais. Mas nem sempre é assim. Moisés passou 40 anos no deserto de Midiã cuidando das ovelhas do seu sogro; João Batista, Isaías, Jeremias, e tantos outros grandes homens de Deus nunca operaram nenhum “grande milagre” em seu ministério… Deus passou mais tempo polindo Paulo do que o usando na obra (dos seus 35 anos de cristão, passou 17 no deserto: 3 anos rejeitado pelos cristãos, 10 anos no anonimato e 4 anos preso.) O próprio Jesus, viveu aqui durante 33 anos: 30 anos no anonimato, numa vida comum, e só 3 deles foram vividos no ministério. Deus tem um chamado para cada um. Não importa o que você faça ou o que aconteça com você; o que realmente importa é quem você é diante de Deus. Não despreze a simplicidade.
  • Deserto não é “castigo”, nem maldição, nem sinal de que Deus nos esqueceu. É um tempo difícil, de muita dor, mas com um propósito que redundará em glória nas nossas vidas.
  • Deserto não é uma armadilha de Satanás – desertos são tempos especiais preparados POR DEUS para seus filhos. Temos que pedir discernimento ao Senhor para compreender isso, e não tentar “repreender” ou “rejeitar” algo que o próprio Deus tem agendado para nosso crescimento e edificação.
  • Deserto não é consequência de um pecado que você cometeu.
  • Deserto não é um lugar de permanência – eles são feitos para atravessar.
  • Deserto não é um acidente de percurso ou falta de sorte. Se você é filho de Deus, Ele mesmo te enviará ao deserto, como fez com Jesus. Nosso Bom Pastor não nos conduz somente por pastos verdejantes, mas também nos leva pelos desertos, porque deseja nos ensinar preciosas lições, que só são aprendidas lá.

De todos os fatos descritos na Bíblia, que aconteceram em desertos, o mais marcante e emblemático talvez seja a travessia do povo de Israel pelos desertos do Sinai. Principalmente porque, em 1 Coríntios 10, lemos que esta narrativa deve ser vista como um sinal para as nossas vidas hoje. Então, vamos refletir em três importantes lições sobre isso, não só para nos ajudar em nossos próprios desertos, mas também para saber como ajudar aqueles que estão passando por momentos difíceis.

Êxodo 13:17-18:

E aconteceu que, quando Faraó deixou ir o povo, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus, que estava mais perto; porque Deus disse: Para que porventura o povo não se arrependa, vendo a guerra, e volte ao Egito. Mas Deus fez o povo rodear pelo caminho do deserto do Mar Vermelho; e armados, os filhos de Israel subiram da terra do Egito.

É Deus quem nos conduz para o deserto. Ele fez isso com Israel, fez isso com Jesus (Mt 4:1), e fará comigo e com você. Se Deus é bom, e tudo o que Ele faz é bom, e se é verdade que Ele faz com que todas as coisas contribuam para o nosso bem, não tema o deserto. O deserto é a olaria de Deus.

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Por ser coberto somente por pedra e areia, é muito fácil se perder no deserto. Lá não há estradas, placas de sinalização ou postos de informação. É um lugar de confusão, de incertezas. Mas…

1. Com Jesus, o deserto é direção  – Êxodo 13:20-22

Assim partiram, e acamparam-se à entrada do deserto. E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem a coluna de fogo, de noite.

Sem nenhum ponto de referência, os israelitas dependiam só de Deus para caminhar. No deserto nos encontramos sós. Os amigos desaparecem. Não encontramos uma solução para o problema que estamos enfrentando. Não enxergamos uma luz no fim do túnel. Mas o Senhor quer ser a nossa bússola no deserto: “Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” (Is 50:10).

Mesmo que não pareça, Deus sempre está por perto. Só precisamos ouvir a sua voz e obedecer.

O deserto é a melhor oportunidade para exercitarmos nossos músculos espirituais, e buscarmos a Deus com mais intensidade. As maiores revelações do Senhor são feitas no deserto. “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração”, diz o Senhor em Oséias 2:14.

Deus quer nos conduzir pelo deserto até a Terra Prometida, mas precisamos aprender a não dar ao problema maior atenção do que damos a Ele. Deus nos conduzirá passo a passo até a saída, mas precisamos voltar nossos olhos para Ele. Muitas vezes nos desesperamos diante das dificuldades, gastamos tempo buscando a solução por nós mesmos, e ficamos andando em círculos pela areia (fazemos bobagens que prolongam nossa permanência no deserto).

Deserto não é lugar para se ficar parado ou ziguezagueando, é lugar para marchar (Ex 14:15), mas marchar na direção certa. Muitos começam a andar na direção contrária, voltando para o “Egito”, se distanciando do Senhor.

Aprenda a ouvir a voz de Deus através da sua Palavra (Bíblia). Não se deixe vencer pela situação, creia que Deus dará o escape.

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LUZ

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Os desertos também são sombrios e extremamente perigosos. Mas…

2. Com Jesus, o deserto é um lugar seguro – Ex 14:13-14.

Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis.

Entenda que, com Jesus, o deserto muitas vezes é um lugar de livramento. O deserto foi um livramento para Israel, que estava fugindo da escravidão do Egito. Para o rei Davi, o deserto foi um lugar de fuga da ira de Saul. Quando estiver em meio ao deserto, dê graças (1 Ts 5:18), Deus está protegendo você. O deserto pode ser o livramento de um pecado, de uma tragédia maior, livramento da morte. Talvez você nunca saiba o que teria acontecido se Deus não o tivesse levado para o deserto. Confie que Deus está cuidando da sua vida. Em Jeremias 31:2-3 está escrito: “Assim diz o Senhor: o povo dos que escaparam da espada achou graça no deserto. Israel mesmo, quando eu o fizer descansar. Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí.”

Entre o povo de Israel, muitos pereceram no deserto e não conseguiram sair dele, porque estavam ocupados demais reclamando, murmurando, olhando para seus problemas, e não enxergaram o livramento de Deus: “E não murmureis, como também alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor. Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (1 Coríntios 10:10-13).

Também não devemos nos esquecer de que nem sempre o nosso deserto tem a ver só com a nossa própria vida. Muitas vezes Deus está operando em outras instâncias, em outras pessoas através dos nossos problemas. A ida de Israel para o deserto, não só os libertou, mas serviu também para desacreditar os falsos deuses do Egito e destruir os inimigos de Deus. Alguém já disse que “Quanto menor o seu mundo, maiores os seus problemas e mais intenso seu sofrimento”. Confie que Deus está operando.

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Outra característica dos desertos é que são áridos, secos, cobertos de areia e pedras. Mas…

3. Com Jesus, o deserto é terra fértil – Ex 16:4 e 35.

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã.

No deserto Deus transforma água amarga em doce, faz jorrar água da pedra, faz chover pão do céu, faz com que as nossas roupas não envelheçam; ele nos supre, ensina, fortalece; no deserto amadurecemos, aprendemos a reconhecer nossa limitação, nossa pequenez, e também a grandeza de Deus. O deserto é o local em que aprendemos que é Deus quem supre todas nossas necessidades. No deserto aprendemos a depender tão somente do Senhor, e a nos deleitar nele por quem Ele é.

Lembro-me de certa vez, quando eu enfrentava um problema muito sério por conta de um tumor que surgira no meu pé esquerdo. Este tumor me causava dores terríveis, e durante anos eu me submeti a tratamentos dolorosos que de nada adiantavam. Um dia, eu estava orando e meditando no texto de Isaías 40:31, que diz que “os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.” Então comecei a orar e clamar ao Senhor que tivesse misericórdia de mim, e cumprisse essas Escrituras na minha vida, me trazendo cura. Foi quando ouvi aquela voz, me chamando pelo nome, e dizendo: “Márcia, águia não precisa de pé para voar.” Simples assim! Deus queria que eu aprendesse que a minha vida e o meu relacionamento com Ele não precisavam de nada mais além Dele mesmo! Deus estava me ensinando, através da dor, a me deleitar Nele.

No deserto também nos conscientizamos de que não somos nada sem Deus. “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Tudo o que temos vem do Alto. E no deserto podemos perceber isso de maneira indubitável. O próprio Jó, reconheceu seu tempo de deserto como sendo bênção em sua vida: “Deus, antes…” (antes de perder a família, os bens, a dignidade, a saúde…) “Antes, eu te conhecia de ouvir falar, mas agora, eu te conheço de contigo andar.”

Os maiores milagres, as maiores lições, os testemunhos mais impactantes são daqueles que atravessarem os mais terríveis desertos, e venceram. Mas, para isso, precisamos admitir o tratamento do Senhor. E permitir que Ele opere o seu poder em nossa fraqueza. “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” (2 Co 12:9-10). Sim, se estivermos em Cristo, nosso deserto se tornará num manancial de milagres.

Faça do seu deserto uma terra fértil, frutifique para a Glória de Deus, para crescimento pessoal e para abençoar outras vidas.

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CONCLUSÃO

Um tempo de deserto pode durar 40 min, 40 dias ou 40 anos. Como apareceu para Jesus, Satanás sempre aparecerá no deserto para nos tentar, nos fazer duvidar da nossa própria identidade e nos levar a desistir da fé. Mas passar pelos períodos longos com fé e integridade é o que fará toda a diferença.

O milagre é para aquele que vai até o fim no deserto: Daniel 12:13 – “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.” Então, mantenha o coração agradecido, ouça e seja obediente à direção de Deus e permita que o Espírito Santo frutifique através de você.

No momento certo, aquele que venceu o deserto porá um fim ao seu sofrimento. Permaneça fiel, e a vitória virá.

“Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos. Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente. Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” 2 Co 4:6-11, 16-18.

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Não poderia deixar de registrar aqui algo sobre os acontecimentos que marcaram o país nestes últimos dias. O que começou como protesto contra o aumento das tarifas de ônibus em São Paulo, evoluiu para uma marcha nacional contra a corrupção no Brasil.

Excessos e vandalismos à parte, todo esse movimento tem sido algo LINDO de se ver. Em plena Copa das Confederações, o povo cantando o hino nacional e fazendo tremular o verde amarelo da nossa bandeira não por causa do futebol, mas declarando seu amor pelo país, e pedindo mais educação, saúde, segurança, honestidade política… Sinceramente, embora este fosse meu desejo há décadas, não pensei que viveria para ver esta cena.

“Da copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro pra saúde e educação!” Nada poderia ser mais emblemático que este grito. Orgulho de ser brasileiro!!

Mas, este é um Blog sobre Igreja. O que a Igreja de Jesus tem a ver com Copa do Mundo e aumento da tarifa de ônibus?

Como filhos de Deus e cidadãos do Céu, sabemos que não somos deste mundo (João 14:2-3), que nossa mente deve estar nas coisas que são “de cima” e não nas que são da terra (Colossenses 3:1-3) e que Igreja e Estado são instituições que não se misturam (Mateus 22:21, João 18:36).

Como filhos de Deus e cidadãos do Céu, vivemos em coerência aos ensinos de Cristo, e por isso somos contrários à violência (Mateus 5:44), contendas (1 Timóteo 2:8) e confusões (Efésios 4:31).

Como filhos de Deus e cidadãos do Céu, devemos respeitar e honrar nossos governantes (Tito 3:3), nos sujeitar às leis estabelecidas (Romanos 13:1-7) e interceder constantemente por todos aqueles que exercem algum tipo de autoridade sobre nós (1 Timóteo 2:1-3).

Como filhos de Deus e cidadãos do Céu, nossa prioridade são as coisas espirituais, somos adeptos da paz e respeitamos nossos governantes, MAS concomitantemente a isso, não podemos nos omitir diante da injustiça (1 Coríntios 13:6). Como João Batista, precisamos denunciar o pecado, mesmo que isso nos custe a própria vida (Lucas 3:19-20, Marcos 6:21-27).

A Bíblia usa uma linda analogia comparando a Igreja como a Noiva de Cristo, e nos exorta a manter nossas “vestes limpas” ou seja, sem pecado. Entretanto,  o medo de sujar as nossas vestes têm nos mantido longe, muitas vezes, não do pecado, mas do pecador.

Com o argumento de não nos contaminar, temos nos omitido e preferido comodamente permanecer dentro dos nossos “saleiros”, e assim, nos perdido da razão pela qual estamos neste mundo. O Mestre se “sujou” ao tocar em leprosos, abraçar prostitutas, carregar criancinhas no colo, conversar com mendigos. Nosso lugar é NO MUNDO, onde os pecadores estão. Fazendo diferença, como sal e luz, testemunhas do que Cristo pode fazer.

É verdade que o sistema político no nosso país está contaminado e corrompido, e que muitos cristãos que tem adentrado por este caminho para fazer diferença, acabam engolidos por ele. É verdade também que muitos de nossos irmãos têm entrado para a carreira política com motivações erradas, dentre elas, a de representar os interesses da igreja.

Precisamos entender de uma vez por todas que a Igreja não precisa da política, é a política que precisa da Igreja. A nação se perderá na podridão do pecado se os cristãos se calarem e se limitarem a seus templos-saleiros. Cristo nos chama para guerrearmos contra o pecado, para mostrarmos ao mundo as características do Reino de Deus e sermos agentes de transformação desse mundo com o poder do Evangelho. Esta é a vida de adoração que Deus procura ver em seus filhos: eu o busco, sou cheio do  Espírito, e suas águas vivas fluem através de mim levando vida à terra seca.

Se eu não creio que o mundo pode ser transformado por Cristo através de mim, então é vã a minha fé, é vã a minha pregação (Tiago 2:26).

Como filhos de Deus e cidadãos do Céu, somos também (mesmo temporariamente) cidadãos brasileiros, e princípios como retidão, justiça, igualdade social, honestidade… são marcas do Reino pelas quais precisamos buscar nesta vida. Eu creio que é possível sim construirmos juntos um país melhor, com um governo mais justo, cujo propósito não seja enriquecer os próprios bolsos, mas gerenciar os bens públicos com equidade e solidariedade.

Nosso conformismo e comodismo nunca mudarão nada.  Mas nossas orações aliadas à atitudes e envolvimento político são um flash de esperança para que, finalmente, as velhas promessas de campanha se concretizem. Investimentos em saúde, educação, segurança, infraestrutura, distribuição de renda, e amplas reformas em nossos sistemas tributário, politico-partidário, previdenciário, carcerário, poderes legislativo e judiciário… A lista é interminável. Há muito o que ser feito e estamos muito, muito longe de onde queremos chegar, mas nos levantar do lugar onde estamos é o primeiro passo para chegarmos lá.

Que o nosso futebol continue em segundo plano, e esforcemo-nos para que valores bíblicos como igualdade, solidariedade, bondade, justiça, ética, moralidade, pureza e honestidade sejam a marca, não só do nosso governo, mas também de cada cidadão desta nação. E que a Igreja de Cristo volte a ser um referencial de tudo isso. A começar em mim… A começar em cada um de nós!

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Estamos no século 21 – As mulheres conquistaram o direito de estudar, discordar, discursar, votar, trabalhar… Vivemos numa sociedade privilegiada onde temos acesso às mais diversas invenções para facilitar o dia a dia: ferro elétrico, lavanderia, fogão à gás, forno elétrico, micro-ondas, freezer. Temos acesso também a todo avanço da indústria de cosméticos:  creme antirrugas, escova progressiva, maquiagem definitiva, depilação a laser, botox, etc, etc, etc… Deveríamos ser a geração mais feliz e realizada que viveu nesta terra, com nossa autoestima nas alturas, entretanto, pesquisas indicam que apenas 2% das mulheres se acham bonitas.

Somos bombardeados por imagens o tempo todo, pela TV, internet, cinema, revistas… imagens que refletem um padrão do que é ser bonito, o que é ser inteligente, o que é ser bem sucedido. E essas imagens vão formando no nosso subconsciente uma espécie de banco de dados sobre estes conceitos. Criamos então uma imagem artificial na nossa mente e a imagem real começa a ser rejeitada.

Somos então acometidos com o câncer dos estereótipos: bonito é alguém que… inteligente é alguém que, bem sucedido é alguém que…, espiritual é alguém que, etc… E esse câncer vai corroendo nossa autoestima, nos adoece emocionalmente, fisicamente, nos paralisa, confunde, e nos afasta da boa, agradável e perfeita vontade de Deus para as nossas vidas. Isso tem feito de nós, mulheres infelizes, amargas, insatisfeitas e gerado uma série de problemas para nós mesmas e para os que estão perto de nós.

E como mudar isso? Ouvindo palestras sobre autoestima? Ouvindo como somos especiais e únicas? Nos olhando no espelho diariamente e afirmando: eu sou bonita, eu sou legal, eu sou competente, eu posso, eu consigo, eu…. ?

A resposta é: não! Aliás, vamos ver que quanto mais olhamos para nós mesmas, mais sofremos e nos amarguramos e alimentamos nosso complexo inferioridade.

A cura para a nossa autoestima não está na psicologia, não está no salão de beleza, não está na ponta de um bisturi. A cura para a nossa autoestima está em Cristo.

Um trecho da Bíblia que pode nos ajudar bastante aqui é o Salmo 73. Este Salmo foi escrito por Asafe. Ele era um levita, músico e cantor, um dos líderes dos quatro mil levitas responsáveis pelo culto no tempo de Davi. E passou por uma terrível crise existencial, entrou em depressão e quase desistiu da fé. Vamos aprender com ele.

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1. Nossa autoestima é comprometida quando começamos a olhar para a vida dos outros.  

Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração. Quanto à mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei. Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade dos ímpios. Eles não passam por sofrimento e tem o corpo saudável e forte. Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como outros homens. Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas.” (Salmo 73:1-5, 12)

Os problemas com a nossa autoimagem começam quando deixamos de olhar para Cristo, autor e consumador da nossa fé, e começamos a olhar para a vida dos outros. A comparar o que os outros tem com o que temos.

O corpo da mulher vende tudo hoje em dia, e quando vemos imagens de mulheres super-magras, com pele e unha e cabelos perfeitos, começamos a comparar com nossa própria imagem e nos desesperamos! Isso porque as imagens que chegam até nós são falsas, frutos do trabalho intenso de fotógrafos, cinegrafistas, iluministas, maquiadores, cabeleireiros… São imagens pro-du-zi-das.

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Nós recebemos essas imagens e a alimentamos com pensamentos destrutivos, construindo nosso senso de beleza em cima da mentira, do photoshop, de uma ditadura imposta por homens, de uma ditadura imposta pelo próprio satanás. Assim, o corpo da mulher vende tudo hoje em dia, só não vende autoestima para elas mesmas.

Asafe entrou em crise porque ficou observando o que os outros tinham e ele não. Começou a se comparar com eles, a se ressentir e isso foi terreno fértil para que ele perdesse sua própria identidade. Nós, mulheres, precisamos nos disciplinar a não ficar olhando para nossas amigas ou para as modelos e atrizes, com o propósito de fazer comparações e cobiçar o que elas tem (ou o que achamos que tem). Deus, em sua infinita criatividade, nos fez diferentes, cada uma com sua beleza, cada uma com seu propósito. Querer ser como outra pessoa é, é desperdício de vida.

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2. Nossa autoestima é comprometida quando nos concentramos em nós mesmas. 

Assim são os ímpios, sempre despreocupados aumentam suas riquezas. Certamente me foi inútil manter o coração puro e levar as mãos na inocência, pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado.” (Salmo 73:11-14)

Além de vivermos a era da imagem e da tecnologia, vivemos também na era do humanismo, onde tudo dever ser centrado em nós mesmos, “eu” preciso ser feliz, “eu” sei o que é melhor pra mim, algo só faz sentido se for me trazer algum benefício.

E esse fator cultural é tão forte que facilmente arrasta toda a sociedade, inclusive nós, cristãos. Buscamos o nosso bem estar, procuramos uma igreja que satisfaça nossas expectativas, nos empolgamos com a teologia da prosperidade. Na tentativa de justificar essas posturas, pinçamos alguns textos da Bíblia, os retiramos do seu contexto e damos a eles a interpretação que nos convém. Exemplos:

a)  Mt 22:39 diz “ame ao seu próximo como a si mesmo” – a ênfase está em amar ao próximo, mas na maioria das vezes usamos este mandamento para explanar sobre a necessidade do amor próprio.

b) 1 Co 6:19 diz que o nosso corpo é o templo do Espírito – a ênfase está em manter a santidade do nosso corpo nos mantendo longe de práticas imorais, mas usamos este texto para justificar a necessidade de cuidar bem de nós mesmos.

c) Jo 10:10 diz que Jesus veio para nos dar “vida, e vida em abundância” – Jesus é A VIDA, Ele veio para se dar a Ele mesmo por nós, mas preferimos acreditar que essa “vida abundante” é sinônimo de beleza, fama, sucesso, fartura…

Impressionantemente, em nenhum lugar da Bíblia encontramos Deus nos orientando a nos amar a nós mesmos. Mas sim “cada um considere os outros superiores a si mesmos” (Fl 2:3), “ame o teu próximo” (Rm 13:9), “Cada um busque o que agrada ao seu próximo (Rm 15:2-3),  “sujeitai-vos uns aos outros” (Ef 5:21), e assim por diante. Disse Jesus: “Se alguém quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo… Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará” (Mt 16:24).

Parece contraditório, mas como a sabedoria de Deus é bem diferente da nossa, quanto mais buscamos suprir nossas próprias necessidades e desejos, mais nos tornamos insatisfeitos e infelizes. Quanto mais focamos em nós mesmos, mais nos deprimimos! Isso porque quando concentramos nossas atenções em nós mesmos, tiramos Cristo do trono do nosso coração, e a ação dele na nossa vida fica limitada.

O conhecido pregador Paul Washer é bem radical neste sentido, ele afirma: “Nós não precisamos de auto estima, precisamos de conhecimento da Palavra”.

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3. Nossa autoestima é curada quando buscamos a Deus.

Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim, até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios. São como um sonho que se vai quando acordamos. Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante. A quem tenho nos céus senão a Ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a Ti. Para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; e proclamarei todos os seus feitos.” (Salmo 73:16-17, 20-22, 25, 28).

É na presença de Deus que nossa identidade é curada.

Asafe se afligiu quando olhou a prosperidade das outras pessoas, se encheu de autopiedade quando olhou para si mesmo, e foi transformado quando “entrou no santuário de Deus”. Habitar no escoderijo do Altíssimo, se deleitar em Sua presença, ouvir a sua voz, obedebecê-lo, servi-lo de todo o coração, é isso que trará cura para a nossa identidade.

A solução para nossa autoimagem não está no botox, mas em algo que se chama metanóia. Metanóia não é um novo produto de beleza, Metanóia é mudança de mente – Rm 12:1-12.  Não dá pra fazer plástica no cérebro, só Jesus pode nos transformar.

Em Romanos 11:36 está escrito: “Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas”. Fomos criadas para o louvo da glória de Deus. Não se trata de mim ou de você, mas DELE. E enquanto não compreendermos isso, continuaremos seres humanos miseráveis, vivendo uma vida medíocre à procura de uma felicidade que nunca virá.

  • Quem pode definir o que é beleza e o que é feiura?
  • Quem tem a capacidade de afirmar quem é inteligente e quem não é?
  • Quem tem o direito de decidir o que está na moda e o que não está?

Você é o que a Bíblia diz que você é e só o Criador tem a capacidade e o direito de te julgar. Temos nos deixado escravizar por mentiras. Por padrões impostos por fantasmas perdidos. Mas quando olhamos para a cruz, nos lançamos no abraço de Deus e nos deleitamos em sua Palavra, tudo muda.

Em Cristo somos livres. Nele sabemos quem somos e quão especiais e amadas somos. E então todo jugo é quebrado e as prisões são abertas. Em Cristo somos libertas da escravidão das dietas, dos medicamentos, da necessidade de elogios e reconhecimento humanos, da obrigação de retocar a raiz toda semana, enfim, somos livres!

Somos livres porque a nossa autoestima não é mais baseada no que os outros pensam e dizem, não é mais baseada em imagens idealizadas, não é mais baseada no espelho e nos meus próprios conceitos de beleza, não é mais baseada em minhas ilusões de conto de fadas, mas é baseada Naquele que me criou, que me formou, que me sustenta e tem um propósito para a minha vida.

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CONCLUSÃO

Cada um de nós tem sua história de vida, e suas cicatrizes no corpo e na alma. Mas independente do estado em que você se encontra hoje, Deus te convida hoje a um novo recomeço. A um novo estilo de vida. Nada está tão ruim que não possa ser consertado nem tão bom que não possa ser melhorado.

Continue se cuidando, continue se arrumando, se perfumando, mas não dependa disso para se amar e se aceitar. Deus te ama com muito amor. E te fez com um propósito especial, do jeito que você é.

Ter uma boa autoestima não é ser perfeita, mas justamente saber que não é, e aprender a usar essas imperfeições para compreender as limitações da vida e amadurecer.

A beleza está nos olhos de quem a vê. Precisamos exercitar nosso olhar para enxergar em nós mesmos e nos outros, a beleza inerente de cada um.

Seja livre! Seja linda! Seja você mesma! 

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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Jesus, me dá uma luz!!!

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Quantas vezes nos encontramos em dúvidas sobre as escolhas nossas de cada dia: desde o simples “com que roupa eu vou?” até decisões mais complexas como: “devo começar a namorar esta pessoa?”, “é hora de mudar de ministério?”, “qual faculdade escolher?”, “devo pedir a conta ou esperar ser despedido?”…

Algumas respostas nos parecem fáceis, outras nem tanto. E aí temos a impressão de estarmos tateando num breu.

Vai daí surge a tal luz no fim do túnel. “Oh, glórias!!! Nossos problemas foram resolvidos!”, pensamos. Mas, como saber se essa luz é mesmo de Deus ou não?

Oh, mas se é luz, claro que é de Deus... logo concluímos. E é aí que cometemos nossos maiores erros. A luz no fim do túnel pode ter vindo da nossa própria consciência, do nosso coração, de um amigo, ou até de um anjo. A luz da nossa consciência pode estar equivocada. A luz do coração é enganosa. O amigo pode estar com sua visão comprometida. E até mesmo um anjo de luz pode ser, nada mais nada menos, que o diabo disfarçado (2 Co 11:14).

Frequentemente ouvimos pessoas afirmarem categoricamente: “Deus me mandou fazer tal coisa!” Masssssss…. será que foi Deus mesmo?! Nele não há confusão nem inquietude. Tudo o que Deus faz é perfeito! E aí, vez após vez, as escolhas terminam em caminhos frustrados e só então caímos na real: é, realmente aquela luz não era de Deus. Tarde demais.

SE PERDER É MUITO FÁCIL. Então, fique atento ao TIPO DE LUZ em que você tem baseado suas direções. Há lindas e atraentes lâmpadas, cujo brilho é quente e intenso, mas foram projetadas especialmente para ATRAIR MOSCAS e depois destruí-las. Há também as lâmpadas que gastam menos energia, são ECONÔMICAS, mas por dentro possuem altas taxas de mercúrio que podem ser fatais se inaladas. Há luzes que causam CEGUEIRA. Outras há que indicam o CAMINHO ERRADO. Então, para não se perder certifique-se se está realmente seguindo a luz certa. “LÂMPADA PARA OS MÉS É A TUA PALAVRA, SENHOR, E LUZ PARA OS MEUS CAMINHOS”. Fica a dica!

Antes de confiar na primeira luz que aparecer, precisamos consultar Aquele que é o “Pai das Luzes” (Tg 1:17). Perguntar a direção de Deus sobre uma decisão a tomar é apenas o primeiro passo. O mais importante é  ouvi-lo e obedecer.

Não se trata de abrir aleatória a Bíblia e “sortear” um versículo, ou fazer provas infantis com o Senhor. Trata-se de passar tempo em oração, com os ouvidos bem abertos e prontos para ouvir a voz de Deus.

Nem sempre essa voz será coerente com nossos sentimentos ou nossa lógica, nem sempre nos levará por um caminho fácil, nem sempre nos deixará confortáveis. Mas uma coisa é certa: a voz de Deus sempre nos conduzirá à sua boa, agradável e perfeita vontade.

Da próxima vez que precisar de respostas, e uma luz aparecer no fim do túnel, não se precipite, e só avance se o próprio Deus o conduzir.

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“Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” Isaías 50:10

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
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Opinião. Ao cristão, quanto vale ter e manifestar uma opinião? Eclesiastes 3 nos manda falar e também calar, porque ficar calado é tão importante quanto falar. Mas, cada uma dessas duas ações possui seu momento ideal e são extremamente eficazes quando aplicadas corretamente.

Saber usar o tom, momento e direção corretamente para opinar são características de sábios. Muitas vezes testemunhei pessoas irritadas, em fila de banco, a reclamar com o funcionário operador de caixa pela demora. O pobre atendente não é capaz de resolver o problema. Esse modo de enfrentar a situação dificilmente desemboca em solução. A pessoa com autoridade para solucionar é o gerente da agência e é para ele que o cliente incomodado deveria manifestar o descontentamento.

Certa vez, ouvi um depoimento sobre determinado evangelista, que em uma viagem de trem por acaso encontrou-se com um ateu. Eles conversaram bastante, até que entrou o assunto Evolução Versus Criação e iniciou-se um debate. Ele seguia o translado acompanhado de um jovem, que ficou bastante admirado ao perceber que o evangelista não apresentava diversos argumentos sobre o tema que dominava muito bem. Quando saltaram do trem, o jovem lhe perguntou a razão para não apresentar tudo o que sabia. E ouviu: “Meu amigo, meu interesse não era ganhar o debate, mas a alma daquela pessoa para Jesus. No momento ideal o informarei.”

A música possui sete notas. Para que seja possível haver melodia e harmonia musicais, entre as notas são postas o silêncio, chamado de tempo. Assim como na música, em nosso cotidiano existe tempo para falar e tempo para manter-se calado, cada qual em seu momento para que o resultado final seja excelente. Mas muitas vezes o capricho que temos para manter nossa imagem em posição de superioridade, nos tornamos incômodos e pedras de tropeços. Destruímos os momentos que nos são postos para silenciar. Estragamos os planos de instrumentalização que  Deus traçou em nossas vidas porque abrimos a boca fora do momento oportuno.

Nem sempre é momento para calar, assim como nem sempre é preciso emitir o parecer. Quantas vezes nos adiantamos e o que pensamos é apenas presunção do saber e falamos equivocadamente? E quantas vezes somos guiados pela opinião pública, que não é o conceito de Deus para o que pensamos de maneira coletiva, e nos silenciamos quando precisávamos manifestar o conteúdo da Palavra de Deus exatamente como ela é?

A opinião cristã não será ouvida se dita em momento que o correto seria calar. O evangelista fora de hora será visto como alguém chato, inconveniente, inconsequente. Em outro extremo, também de nada valerá ter a Palavra de Deus no coração, guardá-la para si e apenas falar sobre outras coisas conformadas com as ideias que estão em curso neste mundo.

Enfim, a lâmpada não brilha eficazmente debaixo do sol, e o sal deve ir à panela de acordo com a recomendação da receita culinária. É preciso orar e pedir sabedoria ao Senhor para viver em nossa geração como sal e luz apropriados às necessidades, salgando e iluminando de maneira exemplar.

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Autor: Eliseu Antonio Gomes
Fonte: Blog Belverede
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