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Posts Tagged ‘Cotidiano’

 

cinzas

Por David Riker 

De fato, nossas “cinzas” têm muitos tons. Esse pó que se levanta e nubla o mundo. Símbolo de uma angústia gemidora que se dispersa por toda a realidade. Desafortunadamente, tão típica desse território do infeliz homem que se basta.

Mesmo lá no sexo – território tão divino, vivaz, rico, íntimo e gentil em seu poder. Até aí, as cinzas são violência desumanizadora. Tal película de cinzas cobre ruínas daquilo que já foi Éden. Caem como nuvem de corrupção no humano que se desfaz em solidão faminta.

Quando foi que nos tornamos predadores de vida alheia para alimentar nossos gostos bizarros?

Não há esperança para o homem, no homem. Somos, sem o Criador, cacos. Somos “Des-criação”. No fundo, não somos. O que nos sobra são cinzas. Em seus diversos tons. Formas diferentes de experimentar-se como cadáver.

Talvez foi por isso que doeu-se o poeta inglês T. S. Eliot:

“Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!”

Concordo com ele, contudo desejo concluir este inquietante texto, em outro tom. Para tal, uso-me do profeta — porque não também chamá-lo de poeta? — que descreve o anseio divino:

“… ordenar a cerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas…” (Is 61.3).

Assim exultamos. Nosso Criador, em seus múltiplos tons de cor, nossa vida é.

 

• David Riker é formado em Arte-Educação (UFPA), em Teologia (STEBNA) e graduando em Filosofia (UNIASSELVI). Pastor auxiliar da Igreja Batista da Amazônia, em Belém (PA) e diretor do Ministério “Sexualidade e Restauração”.

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Quem dentre vós que tenha sobrevivido, contemplou esta casa em sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos?” – Ageu 2.3

Ageu profetizou cerca de 66 anos depois da destruição do templo. Certamente havia, entre os que o ouviram, alguns homens mais velhos que tinham visto o templo de Salomão em seu esplendor. Esdras 3.12,13 descreve o que aqueles que tinham visto o primeiro templo sentiram 16 anos antes, quando o trabalho de reconstrução começou:

Porém muitos dos sacerdotes, e levitas, e cabeça de famílias, já idosos, que viram a primeira casa, choraram em alta voz quando a sua vista foram lançados os alicerces desta casa” (Esdras 3.12).

Os homens de Esdras 3, choraram porque viram o templo em sua primeira glória. Quando Salomão construiu o primeiro templo, ele não economizou em materiais, e reuniu os melhores talentos que pode encontrar para fazer a obra. Agora, eles olhavam os fundamentos do novo templo e lembravam do antigo e não tinham como comparar. De fato eles diziam: “…em comparação com o antigo templo, este é como nada aos nossos olhos”.
Esta comparação entre os “bons tempos” e o presente – ou entre a obra de Deus em várias ocasiões e lugares – raramente é benéfica.

 

Não foi nada bom para o povo dos dias de Ageu pensar em quão grandioso era o templo de Salomão em comparação com o seu próprio trabalho de reconstrução. Isto lhes foi desencorajador naquele momento. Freqüentemente nossas comparações conduzem-nos ao orgulho ou ao desencorajamento.

Quando nossos dons e recursos são pequenos,nós somos freqüentemente tentados a pensar que não podemos fazer nada de bom para Deus.

Nós olhamos para os outros com grandes recursos e talentos e pensamos que eles são aqueles que Deus pode realmente usar e não pessoas como nós – porque tentar então? Nós pensamos que se nós não podemos construir um templo tão grande como o de Salomão, nós deveríamos nos incomodar, construindo de jeito nenhum.

A verdade disto tudo é que nada que nós fazemos é realmente digno de Deus – todas as nossas obras, inclusive as de Salomão, não alcançam a perfeição da glória dEle. Então, nós realizamos o que nós podemos e confiamos que o Senhor está tão satisfeito com nosso coração e esforço quanto com a grandiosidade do resultado final.

A.W.Tozer, considerando a nossa tendência de competir e fazer comparações, sugeriu a seguinte oração:

Querido Senhor, de agora em diante eu me recuso a competir com qualquer um dos teus servos. Eles têm congregações maiores do que a minha. Que assim seja. Eu regozijarei com seu sucesso. Eles têm maiores talentos. Muito bem. Isto não está no poder deles nem no meu. Eu sou humildemente agradecido pelos seus grandes talentos e pelos meus pequenos também. Eu somente peço que eu possa usar, para Tua glória, este modestos dons que eu possuo. Eu não irei comparar a mim mesmo com ninguém, nem tentar elevar minha auto-estima por algo em que eu exceda um ou outro em Teu santo trabalho. Com isso, eu nego completamente que possua qualquer merecimento próprio. Eu sou somente um servo inútil. Eu me coloco alegremente aos pés da cruz e eu sou o menor do Teu povo. Se eu errar em meu próprio julgamento e realmente subestimar a mim mesmo, eu não me importo. Eu proponho orar pelos outros e regozijar em sua prosperidade como se fosse a minha própria. E de fato é minha se ela é tua também, porque o que é Teu é meu, e enquanto um planta e outro rega, é Tu somente que dá o crescimento.”

Autor: David Guzik
Fonte: Estudos Gospel

 

 

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“Não temais; estai quietos e vede o livramento do Senhor.”
Êxodo 14:13

homem desesperado

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Parece-nos, muitas vezes, que Deus coloca seus filhos em profundas dificuldades, conduzindo-os a algum beco sem saída; armando situações que nenhum juízo humano admitiria, caso fosse previamente consultado.  A própria nuvem os conduz para mais longe. Talvez isso lhe esteja acontecendo neste exato momento.

Parece desconcertante e muito grave; mas está perfeitamente correto. O motivo é mais que suficiente para justificar aquele que o trouxe para esse beco. Trata-se de uma plataforma para que Ele lhe apresente sua graça e poder onipotentes.

Deus não somente há de livrá-lo, como também, ao fazê-lo, ensinar-lhe-á uma lição inesquecível que, mais tarde, reverter-se-á em muitos salmos e cânticos. Você jamais poderá agradecer a Deus por ter Ele agido exatamente como agiu.

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Autor: F.B.Meyer

Fonte: Pensamentos para horas tranquilas, de D.L. Moody

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Ser Igreja

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Ao despertar de cada manhã, percebo que Deus confiou em mim mais uma vez. Não quero desapontá-lo deixando que os dias passem sem que eu semeie seu Reino nesta terra fétida, mas tão fecunda.

Para isso, preciso aprender a fazer as escolhas certas. Que minhas ações não sejam aleatórias, mas fruto da reflexão: é eterno ou é efêmero? é bom ou é fútil? é divino ou diabólico? E que as palavras do antigo soneto, escrito há quatro séculos atrás, pelo Pe. Antônio da Fonseca, soem como trombeta no meu caminhar:

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CONTA E TEMPO

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Deus pede estrita conta de meu tempo.

E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.

Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.

Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

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Para dar minha conta feita a tempo,

O tempo me foi dado, e não fiz conta.

Não quis, sobrando tempo, fazer conta.

Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

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Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,

Não gasteis vosso tempo em passatempo.

Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

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Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,

Quando o tempo chegar, de prestar conta

Chorarão, como eu, o não ter tempo…

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Cristã
Marília/SP

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Colossenses 3:5-11

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INTRODUÇÃO

• Será que é necessário dizer a verdade em qualquer situação?
• A retenção da verdade é, necessariamente, uma mentira?
Há duas espécies fundamentais de mentira: “jactância, que consiste em exagerar a verdade; e a ironia, que consiste em diminuí-la. Nestes dois casos não se trata de simples mentira, mas de vícios mais graves”.Conforme os dicionários, mentira é engano, impostura, fraude, falsidade, erro, ilusão, juízo falso, fábula, ficção etc. Mentir é contar ao próximo aquilo que se sabe ser falso, como sendo verdadeiro. É interessante lembrar que há, no calendário popular, o “Dia da Mentira”: 01 de abril.

O pior é que a mentira faz parte do cotidiano de muitas pessoas, de uma forma até costumeira ou inconsciente, tornando-se um costume ou um hábito negativo, gerando sérios prejuízos.

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BREVE ANÁLISE DO TEXTO

Paulo, dirigindo-se aos cristãos de Colossos, que estavam ameaçados por ensinos errô­neos difundidos pelos falsos mestres (Cl 2.16-23), apresenta verdades de suma importância, em forma de mandamentos, dentre as quais encontra-se esta: “Não mintais uns aos outros” (v. 9). Esta recomendação está inserida no contexto do “novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (v. 10).O apóstolo realça, neste trecho bíblico, uma série de imperativos relativos à conduta cristã, convocando cada um a demonstrar, na prática, que o cristão está morto para o pecado e vivo para Deus. O desejo e as orientações paulinas dizem respeito àqueles que haviam se convertido do paganismo e que, agora, deveriam revelar uma nova vida, colocando em prática aquela profissão de fé no ato da conversão (Cl 2.13). É nesse sentido que ele fala sobre “fazer morrer a natureza terrena”, “se despojar” e “se despir do velho homem com os seus feitos”, pois agora a vida não é mais como “noutro tempo” (v. 8,9). Na língua original, a idéia paulina refere-se ao ato de despir e ao ato de vestir. Isso porque os cristãos são convocados a demonstrar que não pertencem mais ao “reino das trevas”, mas sim, que foram “transportados para o reino do Filho” (Cl 1.13). Trata-se do grande desafio de renunciar a vida antiga, ou seja, abrir mão dos velhos hábitos e viver o agora, de modo novo. Nesse contexto, ele menciona, de modo inicial, o mandamento: “Não mintais”.

Esse mandamento, que ocorre também em Efésios 4.25, é o assunto central deste estudo, o qual tem como objetivo mostrar que o cristão, que é nova criatura, precisa ter uma postura diferente, eliminando qualquer tipo de mentira em sua vida, revelando-se uma pessoa com­prometida com a verdade.

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TÓPICOS PARA REFLEXÃO

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1. TIPOS DE MENTIRA

Olhando para a própria Bíblia, verifica­mos a menção de alguns tipos de menti­ra, os quais são obstáculos que precisam ser transpostos: Falsas acusações contra o próximo (Pv 6.16-19; Mt 5.11); Mentirinhas”, ou meia verdade (At 5.3,4); Enfeitar ou exagerar a verdade (Pv 30.6); Gabar-se de atitudes que, na reali­dade, não foram executadas (Pv 25.14); Desculpar o pecado praticado (Pv 17.15); Brincadeiras enganadoras e que pre­judicam o próximo (Pv 26.18,19); Deixar de cumprir as promessas fei­tas a Deus e ao próximo (Ec 5.4-6; Tg 5.12); Inversão da verdade divina (Rm 1.25).É preciso ser vigilante nesta área, pois uma mentira sempre leva a outras menti­ras, isso para que se encubra a primeira. Porém, seja qual for o tipo de mentira, ela deve ser enquadrada neste mandamento: “Não mintais”.

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2. PREJUÍZOS DA MENTIRA

São vários os prejuízos que a mentira provoca, e aquele que profere mentiras não escapa deles (Pv 19.5). Torna-se impos­sível mencionar todos eles, mas é preci­so destacar os seguintes:2.1. Prejudica o relacionamento com Deus– Deus é verdadeiro e abomina a mentira, pois ele é a própria verdade (Jo 17.3). Ele não pode mentir (Hb 6.18). A Bíblia afirma que Jesus é a verdade (Jo 14.6) e que o Espírito Santo é o “Espírito da verdade” (Jo 16.13). Portanto, quando a mentira prevalece, o relacionamento com Deus fica prejudicado. O profeta Isaías disse que os pecados fazem separação entre as pessoas e Deus (Is 59.2,3). É impossível relacionar-se bem com Deus, usando de mentira.

2.2. Dificulta o relacionamento com o próximo– A mentira possui a faculdade de colocar as pessoas em situação conflituosa. Ela promove inimizades, con­tendas e separações. Muitos relaciona­mentos interpessoais estão quebrados por causa da mentira (Pv 25.18; 26.18,19,28).

A mentira provoca a perda da confiança mútua, prejudicando o bom relacionamento com o próximo. Isso ocorre entre mui­tas pessoas, que chegam até a dizer: “Agora eu não confio mais em ninguém. Eu não confio mais em você”. Conforme o comentarista Ralph R Martin, “a menti­ra leva ao rompimento da comunhão cris­tã, porque engendra a suspeita e a des­confiança, e assim destrói a vida em co­mum no corpo de Cristo, mediante a qual somos membros uns dos outros”.

2.3. Destrói o próprio mentiroso– Com certeza, o prejuízo mais drástico que a mentira causa é a morte. Isso está claríssimo no episódio bíblico de Ananias e Safira. Este era um casal, até certo ponto bem intencionado. Mas, devido à prática da mentira, ele tombou morto aos pés de Pedro (At 5.1-11). A palavra profética de Oséias apresenta um povo rebelde, cor­rupto e mentiroso, e, por causa disto, ele declara: a “terra está de luto” (Os 4.1-3).

Quantos tentam adquirir riquezas utili­zando a mentira como sua arma princi­pal! Mas a Bíblia diz que isso é laço mor­tal (Pv. 21.6). Aqui está a seriedade deste delito, levando à morte e ao castigo final (Ap 21.8; 22.15). Realmente, a mentira não pode ser to­lerada dentro da comunidade cristã.

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3. A VERDADE NO LUGAR DA MENTIRA

O ensino central deste estudo reside aqui, pois a vontade de Deus, os princípi­os bíblicos e aquilo que promove a felici­dade entre o povo de Deus, é que a ver­dade reine absoluta. O sábio Salomão dis­se que os lábios mentirosos são abomi­náveis ao Senhor (Pv. 6.16-19; 12.22).Pau­lo oferece o seu exemplo pessoal, decla­rando: “Não minto” (Gl 1.20). Jesus dis­se, com clareza, que a palavra do cristão é esta: “sim, sim; não, não” (Mt 5.37). É bom lembrar que a recomendação paulina quanto ao perfil de um oficial de igreja tem muito a ver com uma vida íntegra, verda­deira e sem falsidade; ele diz que os diáconos devem ser “de uma só palavra” (I Tm 3,8).

Fica evidente que toda pessoa que se chama pelo nome de cristão possui o de­ver de refletir a natureza e o caráter do Deus que é verdadeiro, e não a imagem de Satanás, o enganador e o pai da mentira (Jo 8.44). Deus escolhe cada um para ser se­melhante à imagem do seu Filho (Rm 8.29).

Quando a mentira dá lugar à verdade, é possível perceber os resultados: Paz com Deus, com os outros e con­sigo mesmo; União, amor e alegria na igreja; Pleno funcionamento do Corpo de Cristo; Autoridade e capacitação para se pregar o evangelho ao mundo; Progresso humano e a preservação da vida.

Finalmente, não se pode esquecer que é impossível se esconder de Deus. Ele sabe e ouve tudo o que se fala. Por isso, mais cedo ou mais tarde, a mentira será descoberta (Pv 12.19).

 

REFLEXÃO PESSOAL

1. Você tem cumprido a recomendação de Colossenses 3.9, contribuindo, assim, com o bem-estar de sua comunidade?

2. Você já enfrentou alguma situação em que teve dificuldade para falar a verdade? Como você reagiu? A sua atitude foi correta?

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Autor: Josias Moura
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Antes de murmurar,  agradeça.

Antes de criticar, elogie.

Antes de maldizer, louve.

Antes de trair, ame

Antes de xingar, abençoe.

Antes de julgar, perdoe.

Antes de desfalecer, creia.

Antes de destruir, dance.

Antes de brigar, cante.

Antes de ignorar, ajude.

Antes de romper, abrace.

Antes de desistir, ore.

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A atitude correta diante do pecado que está à porta,

determinará o final feliz de cada história.

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“Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”  (Dt 30:15, 19b)

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***

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ERRAR É HUMANO

Sim, errar é humano.

Não reconhecer que errou é canalhice.

Não aceitar que o outro erre é arrogância.

Não admitir a possibilidade de errar é estupidez.

Não corrigir o erro é imbecilidade.

Não enxergar o que deu errado é patifaria.

Justificar o próprio erro é covardia.

Sentir prazer com o erro alheio é mórbido.

Errar de propósito é imoral.

E persistir num mesmo erro… é burrice.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
desde que citada fonte e autoria.
 

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De repente, meu esposo e eu nos entreolhamos e o riso brotou instantanemente: – NÃO, NÃO É POSSÍVEL!! DE NOVO??!!!

Nosso novo vizinho colocara o CD do Lázaro no último volume. Não seria engraçado não fosse o contexto da “bendita” casa…

🙂

 

Na rua onde moro há uma casa “especial”. Perdi a conta de quantas famílias mudaram e desmudaram de lá nos últimos cinco anos. Foram muitas. O mais intrigante é que todas elas tinham algo em comum: frequentavam uma igreja evangélica e gostavam de música alta. Nenhum problema não fosse o vizinho da tal casa, que ODEIA barulho e ADORA confusão. Certa vez ele ameaçou chamar a polícia porque meus filhos estavam brincando em frente à casa dele…

A esta altura você já deve estar imaginando a tortura pela qual o Sr. Florisvaldo (nome fictício) passou nos últimos anos. Pelo menos três bateristas de banda de rock já moraram na bendita casa. Saía um e entrava outro, intercalando com fãs de Cassiane, Voz da Verdade e Rodox. Brigas, discussões, processos, boletins de ocorrência, xingamentos, provocações, a cena é sempre a mesma. E hoje, alguns dias após a chegada do novo morador, o “Ainda bem que eu vou morar no Céu”, do Lázaro, retumbou por toda a rua.

Coincidência ou não, creio que há algo a mais entre o céu e a terra. Talvez um Ser Superior esteja dando ao Sr. Florisvaldo, a oportunidade de aprender a conviver com o diferente e desconfortável, assim como a flor aprendeu, no livro O Pequeno Príncipe: “É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”.

Isto me faz lembrar da história dos irmão de José, aquele que foi vendido para o Egito como escravo e acabou se tornando Governador de toda a região (Gênesis 39 a 50). Os dez filhos de Israel (Jacó) não se conformavam com o fato de serem preteridos pelo pai, que não disfarçava sua preferência por José. Indignados com situações do cotidiano que faziam com que eles se sentissem menosprezados, alimentaram ressentimento, mágoa e inveja. Sofreram e provocaram muita dor e sofrimento (leia a história). E finalmente, quando tudo acabou bem, eles simplesmente tiveram que enfrentar exatamente a mesma situação: o Grande Governador José, privilegiando o irmão Benjamim em detrimento dos outros dez (Gn 43:34 e 45:22).

Talvez José tenha agido mal dando mais presentes a Benjamim do que aos outros, e o pai Israel tenha agido mal dando mais atenção a José do que aos seus irmãos. Mas o fato é que isso lhes serviu como uma grande lição de humildade e resignação.

Da mesma forma que os irmãos de José e o Sr. Florisvaldo, muitas vezes nos indignamos com atitudes que agridem nossos direitos e nosso amor próprio. Mas o fato é que são justamente tais situações que irão moldar nosso caráter e desenvolver em nós virtudes que, de outra forma, não seria possível. Paciência, tolerância, longanimidade, bondade, mansidão, humildade… são qualidades forjadas em meio a conflitos.

E, o mais incrível, é que algumas situações vão se repetindo ao longo de toda a nossa vida até que, finalmente, nossa ficha cai, e a gente aprende que a mudança precisa acontecer primeiro dentro de nós.

O fato é que a graça e misericórdia de Deus não permitirão que nos livremos de certas situações e/ou indivíduos incômodos, até que aprendamos o que precisa ser aprendido. Então o jeito é agir com inteligência e entender o recado logo na primeira lição. Caso contrário, a casa ao lado do Sr. Florisvaldo ainda vai ser palco de muita confusão…

“Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” Provérbios 27:17

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria do mesmo.

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Todo ano é a mesma coisa: enchentes, alagamentos, desabamentos, terremotos, maremotos, furacões, nevascas, florestas em chamas, secas implacáveis, mortes, muitas mortes. Ricos e pobres, barracos e mansões, ninguém escapa aos ataques da natureza em fúria.

Além dos desastres naturais, as festas de final de ano, as comemorações em grupo e os passeios de férias, normalmente também chegam à manchetes de maneira trágica, onde muitos são vitimados em incêndios, naufrágios, afogamentos, arquibancadas que desabam, shows que terminam mal, e nos deixam um enorme saldo de mortos e feridos.

Diante de cada nova tragédia o mundo pára, estupefato, diante dos veículos de comunicação; procura-se culpados;  jornalistas saem à busca da melhor reportagem; sensacionalistas de plantão fazem chover comentários em Blogs e Redes Sociais, especialistas procuram justificativas técnicas para o ocorrido; políticos prometem resolver a situação; a solidariedade humana aproveita para sair um pouco do costumeiro esconderijo; e bandidos de todas as categorias descobrem oportunidades de tirar vantagens da situação.

Enquanto isso, a população atingida chora seus mortos e suas perdas e alguns desabafam: “É… se Deus quis assim, né…”

Não, amados, DEUS NÃO QUIS ASSIM!

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NEM TUDO QUE ACONTECE É VONTADE DE DEUS

Deus opera e intervém no Universo e na vida das pessoas (1 Cr 29:11-12) conforme sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12:2). Entretanto, Deus deu ao homem liberdade para traçar seus próprios caminhos, plantar suas próprias sementes e colher seus respectivos frutos.

Claro que é possível, como aconteceu antes de Cristo, que Deus intervenha na história destruindo reinos e cidades, trazendo juízo sobre o pecado e a desobediência (Gn 6:5-7, Gn 18:20-26; Jr 25:9; Ez 25:16). Mas essa não é a regra, pois vivemos no tempo da Graça. Muito menos cabe a nós a tarefa de julgar arbitrariamente sobre essas questões, rotulando cada catástrofe como castigo divino. Não podemos inferir que desastres, tragédias ou doenças decorram sempre de uma culpa anterior (Lc 13:1-9).

Além do pecado original que tornou maldito o nosso planeta (Gn 3:17-19), durante séculos o ser humano vem inundando o mundo com seu lixo, poluindo céus e terra, ocupando as cidades desordenadamente, exalando fumaça tóxica, desmatando florestas, canalizando rios, exterminando animais, buscando o lucro pessoal acima da segurança coletiva, alterando todo o ecossistema do planeta, ignorando leis. Tudo isso tem um preço.

Deus deu ao homem a tarefa de cuidar do lugar onde mora, esta era a vontade de Deus. Mas o homem não obedeceu.

A vontade de Deus é que o ser humano escolha sempre o bem, ame, respeite, aja com bondade e justiça (Sl 34:14). A vontade de Deus é que todos se salvem mediante o arrependimento e a fé em Cristo Jesus (1 Tm 2:4). A vontade de Deus é que a Terra seja livre do pecado e suas consequencias (Rm 6:22-23).

Mas Deus PERMITE que as tragédias ocorram. Deus é o Criador e Senhor Soberano sobre todas as coisas, e absolutamente nada acontece sem a permissão divina. Satanás não pode agir fora dos limites estabelecidos por Deus (Jó 2:1-7). Nem um só pássaro cai na terra sem a permissão do Pai (Mt 10:29). Deus reina supremo sobre reinos e nações (Sl 93) e nada escapa ao seu senhorio (Sl 24:1).

A outra pergunta que surge então é: se Deus tem poder para evitar as grandes tragédias, porque nem sempre Ele o faz? Porque permite que tantas coisas ruins aconteçam?

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POR QUE DEUS PERMITE O MAL?

Porque Ele é justo, e o que o homem semear, isso ele colherá (Gl 6:7). Como dito anteriormente, o ser humano tem administrado o planeta e a sociedade em que vive de modo egoísta, imediatista e inconsequente. Tal comportamento tem seus frutos que, muitas vezes, são colhidos por pessoas “inocentes”, mas não deixam de ser decorrentes das sementes que alguém, em algum lugar, um dia plantou. Outros acidentes e incidentes acontecem por pura fatalidade mesmo. Não poderia ter sido evitado ou previsto. Acontece porque vivemos num mundo cheio de falhas e injustiças causadas pelo pecado.

Além disso, aflições e dificuldades são uma oportunidade para praticarmos o amor e a solidariedade, nos dão a chance de amadurecer, de desenvolver a nossa sensibilidade, aumentar a nossa fé, produzir humildade (Tg 1:2-4; 1 Pe 1:6-7).

Catástrofes e tragédias também nos aproximam de Deus, lembram-nos de que nada somos e que em tudo dependemos do Pai (Mt 11:28; 1 Co 1:5).

Finalmente, os problemas deste mundo nos fazem ansiar pelo Céu. Cooperam para o desprendimento desta vida que é passageira, e nos lembram que nossa verdadeira vida está escondida com Cristo, em Deus (Rm 8:18; Cl 3:3).

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Sim, no mundo teremos aflições. Ninguém, absolutamente ninguém, está isento de sofrer uma tragédia em sua vida pessoal (Ec 7:15). Entretanto, há uma esperança:

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“DEUS é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã.” Salmos 46:1-5

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 Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
  
Permitida reprodução, sem fins lucrativos,
desde que citada fonte e autoria.

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Todo ano é a mesma coisa. Na contramão dos sentimentos de fraternidade e solidariedade, típicos do Natal, não é preciso procurar muito para encontrarmos pessoas em situações de tristeza e dor.

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papainoel

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Não me refiro às carências dos pobres que em tempos de festa se evidenciam.

Mas às safadezas e à crueldade daqueles que, indiferentes ao “espírito de Natal”, concentram-se em praticar as maquinações de suas mentes doentias.

Alguns se deixam vitimar pelo álcool, pelas drogas, pelos sentimentos de depressão e melancolia, e abusam. Abusam no volante, nas palavras, nas atitudes, e acabam por gerar desafetos, discussões, agressões e, por vezes, até a morte.

Outros vêem no Natal uma oportunidade para furtar, assaltar, destruir, seqüestrar. Aproveitam-se da distração e simplicidade dos homens de boa vontade para usurpar o que não lhes pertence.

Além de mostrar reportagens sobre as mais belas Árvores de Natal, compras dos presentes e exemplos de solidariedade, os jornais não conseguem se eximir das más notícias. Massacre no Suriname, assaltos, seqüestros, brigas em família, overdoses, naufrágios, acidentes nas estradas…

A solução? A presença do Evangelho em cada coração.

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O fim da violência virá em decorrência da prática do cristianismo: o amor a Deus e ao próximo. Simples assim 🙂 !

Enquanto a igreja concentra seus recursos (humanos e materiais) na organização de eventos e programas internos, as pessoas continuam perdidas, causando mal a si mesmas e à sociedade.

É tempo de nós cristãos, acordarmos para nossa verdadeira missão, e contribuirmos de forma mais efetiva para natais menos violentos.

Talvez no próximo final de ano tenhamos menos Cantatas mas, com certeza, mais canções natalinas estarão nos lábios e nos corações daqueles por quem Jesus nasceu.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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