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Posts Tagged ‘Teologia’

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A vida cristã é repleta de aparentes paradoxos. Digo aparentes pois em Deus não há contradições. A nossa lógica é que está fora do eixo e, por isso, a sabedoria perfeita de Deus nos parece, muitas vezes, loucura.

Dentro da lista dos paradoxos do cristianismo, está o perder para ganhar, morrer para viver, negar-se para se encontrar. C.S.Lewis expõe de maneira brilhante este conceito em seu livro “Cristianismo puro e simples” quando afirma: Entregue-se, pois assim você encontrará a si mesmo. Perca a sua vida para salvá-la. Submeta-se à morte, à morte cotidiana de suas ambições e dos seus maiores desejos e, no fim, à morte do seu cor­po inteiro: submeta-se a ela com todas as fibras do seu ser, e você encontrará a vida eterna. Não guarde nada para si. Nada que você não deu chegará a ser verdadei­ramente seu. Nada que não tiver morrido chegará a ser ressuscitado dos mortos. Se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a ruína e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e, junto com ele, encontrará todas as coisas.

Se no tempo de Lewis a humanidade já buscava o cristianismo na tentativa de satisfazer seus interesses e necessidades pessoais, muito mais hoje, com o advento do “neo-pentecostalismo”.

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Multiplicam-se indiscriminada e assustadoramente comunidades cristãs com seus nomes criativos e promessas que vêm ao encontro aos anseios do ser humano pós-moderno: prosperidade a curto prazo, saúde, casa própria, relacionamentos perfeitos sem muito esforço, solução para todos os dilemas da vida. Sem absolutamente nenhuma compreensão do seu estado de perdição espiritual, o fiel é levado a acreditar que o seu relacionamento com Deus pode ser resumido na seguinte premissa: você dá uma oferta em dinheiro para a igreja, e Deus lhe dará tudo o que você quiser.

Tais comunidades cristãs vendem um evangelho barato e distorcido, embrulhado num pacote de presente bastante atraente. Não economizam em divulgar em todas as mídias possíveis sua teologia prostituída. E assim, suas doutrinas vão se popularizando a cada dia mais, fazendo com que estes conceitos façam parte do senso comum acerca do cristianismo.

O Cristianismo tem se fragmentado despudoradamente, e hoje é cada vez mais comum encontrarmos “igrejas” totalmente descaracterizadas do Evangelho, doutrinas contraditórias, líderes espirituais perdidos e cristãos confusos e frustrados…

Um dos motivos de toda essa celeuma no “mundo gospel” é a distância cada vez maior entre a igreja institucional e a essência do Evangelho. Programas, planos, projetos e estratégias cada vez mais sofisticadas têm tomado o lugar da simplicidade pregada por Cristo.

Neste contexto, as pessoas normalmente têm se posicionado de duas formas: parte se convence de que o plano de Deus para a humanidade é abençoar materialmente àqueles que dispõem seus bens para a igreja. E outra acredita que a igreja cristã não passa de uma agência mercenária de estelionato, sem nada a oferecer para sua vida.

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No meio deste fogo cruzado está a igreja remanescente, que luta para não se deixar contaminar por tantos ventos de doutrinas ao mesmo tempo em que, como uma voz solitária no meio do deserto, persevera em apregoar o evangelho da cruz.

É fato que, quando se ouve algo muitas e repetidas vezes, corre-se o risco daquilo acabar se infiltrando em nossas mentes, tornando-se verdade. Daí a necessidade de vigilância constante e constante comprometimento com as Escrituras.

Não é difícil hoje subtrair Jesus Cristo dos púlpitos. Mas, sem Cristo, não há evangelho, não há salvação, não há igreja. Sem Cristo, não há espiritualidade, pois só Nele o espírito, morto pelo pecado, pode ser vivificado.

Precisamos hoje de homens e mulheres intrépidos, que não se incomodem em nadar contra a correnteza, e estejam dispostos a pregar o evangelho puro e simples, sem sensacionalismos, obras mirabolantes ou promessas vazias. Homens e mulheres que insistam na loucura da cruz, na importância de se buscar primeiro o Reino de Deus, no ensino da santificação e de valores como retidão, temor e amor.

É preciso ensinar que a fé não pode ser reduzida a um mero atalho de se conquistar bênçãos. Fé é o caminho através do qual é possível vislumbrar o Criador e nos reconciliar com Ele através de Cristo.

Há mais de um século, Henry Law escreveu: “Sem Cristo, a saúde não serve de cura para a enfermidade da alma; e a enfermidade é o prelúdio de uma dor sem mitigação. Sem Cristo, a prosperidade é uma maré adversa, e a adversidade é a prefiguração de uma miséria mais profunda. O nascimento não é festivo se Cristo não nascer no íntimo. A vida não é ganho, exceto se for vivida para Cristo. À parte Dele, Deus é adversário; as Escrituras ribombam condenação; Satanás espera pela sua vítima; seu cárcere espera de prontidão. Poderia eu saber disso tudo, e não implorar aos homens que façam de Cristo o seu tudo?”.  Isso é religião! Isso é cristianismo! Isso é espiritualidade!

Além de resistir aos ataques maciços dos ventos de doutrinas, podemos também facilmente nos distrair com os acessórios da igreja moderna: edifícios estruturados, templos confortáveis, sonorização acústica eficiente, música de qualidade, sistema informatizado, uma boa gestão administrativa, departamentos, ministérios, eventos, encontros de treinamento, shows, programas, festas… a lista é interminável. Não é difícil se perder diante de tantos recursos e desafios e, mesmo cercados de boas intenções, desviarmos o foco daquilo que é essencial.

Muitos temem que, num mundo dinâmico e repleto de novas descobertas a cada momento, só Cristo não seja suficiente para atrair os pecadores à mensagem da Salvação. Ledo engano.  Eis aí a verdadeira contradição: querem oferecer um cristianismo desprovido de Cristo.

Aqueles que são trazidos para a igreja movidos por promessas de prosperidade ou por um marketing atraente, logo perceberão que suas necessidades espirituais não foram supridas e continuarão numa busca sem fim até que Cristo finalmente lhes seja revelado.

Manter Jesus Cristo como o centro da mensagem do Evangelho é o único modo de manter o Evangelho vivo e eficaz. E crer nesta verdade é a base para se construir um ministério próspero e saudável. Simples assim!

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Márcia Cristina C. Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília – SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Excelente artigo!

Compartilho com vocês.

 

Quem quer fazer teologia, não ciências da religião, filosofia ou literatura, nem apologia de teólogo ou de teologia, sejam quais forem, precisa ter consciência que a diferença entre o Criador e a criatura é ontológica, isto é, a diferença entre eles não é de gênero, tamanho ou grau, é de espécie.

Há uma infinita diferença qualitativa entre eles que a razão não pode decodificar e um abismo que lhes separa que não pode ser transposto pela piedade humana, se não vier acompanhada da Fé. Por isso, ao se falar de Deus a razão, a emoção e a intuição não podem estar em outra posição se não a de joelhos a Fé, que não é outra senão a revelada na encarnação da Palavra de Deus – Jesus Cristo.

Quando não há consciência disso, ao invés de se fazer teologia, o que será feito, na melhor das hipóteses, é filosofia. Na pior, a reflexão do pretenso teólogo será um tratado de si sobre si mesmo, um acerto de contas com sua biografia, uma tentativa de elaboração de seus traumas, seus complexos e desejos reprimidos.

Quando a fé é subordinada a razão ou tenta se explicar os mistérios dela seguindo lógicas e padrões de justiça humanos, de Deus se falará como se estivesse falando do ser humano nas suas versões, real e idealizada. A razão, no máximo, pode servir para fazer uma boa teologia negativa, isto é, dizer o que Deus não é. Desconstruir as imagens e as idéias falsas associadas a ele e a sua Revelação. Mas só servirá como ferramenta para fazer uma teologia positiva, isto é, dizer o que Deus é, se for admitida a sua insuficiência e incompletude para tratar os mistérios da fé.

Quando o pretenso teólogo se ilude a respeito da razão e pensa que ela dá conta de explicar Deus, que a fé pode ser racionalizada, ele sem querer querendo ou querendo por querer, caíra em idolatria, o pecado de reduzir Deus a uma coisa, no caso uma coisa passível de explicação, de encapsulamento doutrinário.

Quem quiser refletir sobre o Deus revelado em Jesus Cristo e hospedar a sua Palavra para poder transmiti-la outra posição não pode ter senão a de joelhos.

De joelhos diante do Pai para receber o poder do Espírito e poder se levantar e caminhar com a humanidade sob o sopro divino e servi-la por amor e no amor do Filho para ai sim fazer uma teologia viva, uma teologia que nasce no céu e encarna na terra. Caso contrário suas teologias serão meros sistemas filosóficos abstratos, cheios de explicações, mas vazios de aplicações pra vida. Teologias que instigam muito discussão, mas pouco serviço. Algumas delas são muito sacerdotais, mas pouco proféticas outras delas têm muita profecia, mas pouca piedade e devoção, outras têm muita poesia e pouca Realidade, e ainda outras tem muita doutrina – e doutrina formalmente correta – mas pouca Palavra.

Quem quiser fazer teologia centrada no Deus revelado em Jesus Cristo precisa parar de especular e passar a caminhar nas trilhas ensinadas por Ele, pois é no caminho que saberá se o que o Filho ensina vem do Pai. “Se alguém decidir fazer a vontade de Deus descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo”. (João 7.17). Assim, sua teologia não será mais do eu idealizado ou do Deus desconhecido, mas do Deus encarnado, revelado e experimentado em espírito. Desistirá em paz de explicá-lo e nem terá mais a pretensão de medi-lo usando suas réguas, porque sua confiança, sua Fé no caráter de Deus revelado em Cristo o fará descansar na verdade de que: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei”. (Deuteronômio 29.29).

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Autor: Julio César Silveira, psicólogo e mestrando em Ciências da Religião

Fonte: Biblia World Net 

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A igreja evangélica produziu em seus celeiros uma leva de pastores/pensadores que, decepcionados com as teologias vigentes, resolveram inventar novas.

A teologia, por ser humana, nunca conseguiu nem conseguirá responder a todas as inquietações e anseios do nosso espírito. É preciso, pela fé, aceitar as dúvidas. Mas há os que não se conformam com a finitude humana e tentam, dentro da nossa burra “sabedoria”, encontrar respostas para as indagações da fé.

Nessa onda, a idéia de “desconstruir” vem acompanhada de novas filosofias, novas formas de interpretar a Bíblia, novos retratos de Deus. Tempos atrás, tentaram convencer o mundo de que o diabo era uma invenção da era medieval; agora tentam convencer a igreja de que o pecado é uma invenção da religião. Isso me dá náuseas. Unem-se a tais pseudo-pensadores uma leva de gente descontente com a Igreja, com Cristo e consigo mesmo.

Nesse mundo gospel marginal não estão aqueles que foram injustiçados pelos fariseus modernos, mas sim aqueles que não tiveram coragem para negarem-se a si mesmos ou forças para carregarem suas próprias cruzes.

Sim, pois seguir a Cristo é coisa pra “macho”! Não há espaço para covardes ou almáticos. Há que se ter coragem para lançar a mão no arado e não olhar prá trás, para não se amoldar aos padrões do mundo, para ser crucificado com Cristo dia após dia.

Corruptos, imorais, intelectualistas, alcoólatras, mentirosos, pessoas presas aos próprios vícios, ao invés de enfrentar a dor oriunda da renúncia à concupiscência dos olhos, à concupiscência da carne e à soberba da vida, optam pelo caminho mais fácil: “se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”. Vai daí que surge então esse bando de descontentes, achando-se os “donos da cocada preta”, os mente-abertas iluminados, o grupo privilegiado o bastante para receberem do Céu as novas revelações, o novo evangelho.

Não senhores, não vou pelo caminho largo! Essa ladainha de cristianismo light é “conversa pra boi dormir”, discurso de enganar trouxa. Eu quero é Deus!!! Simples assim :)!

 

Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça.” Rm 6:12-13

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e em Educação Religiosa

Marília/SP

 

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

 

 

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Cada dia cresce o número de informações que chegam até nós. Os veículos se multiplicam e são aperfeiçoados a cada momento: Correio, Rádio, Revista, Jornal, TV, Telefone, SMS, Email, Twitter, Mensenger… a lista é interminável!

Com um só click na frente de um computador é possível se ter acesso a centenas e mais centenas de notícias e informações. Mas, como já é sabido: informação não é conhecimento.

No mundo gospel as possibilidades também são vastas: Sites, Blogs, DVDs, Programas Televisivos… púlpitos de todos os gêneros para todos os gostos. Caio’s, André’s, Feliciano’s, Silas’s, Estevam’s, Waldomiro’s… pregadores de todas as linhas teológicas para todos os tipos de “fiéis”.

No meio dessa micelânia “evangélica”, como podemos saber quem está com a razão? Existem verdades absolutas? Qual o referencial desta Verdade?

A resposta é uma só: um livro chamado Bíblia. Ela é a luz do nosso caminho.

Enquanto seguirmos homens, estaremos andando no escuro. Quem já teve a experiência de andar num lugar desconhecido e sem iluminação sabe o quanto é difícil. Nestas condições ficamos suscetíveis o tempo todo a cair num buraco, pisar em sujeira, dar de cara com uma árvore, ou ser mordido por algum animal. Uma fonte de luz no caminho é garantia de que podemos enxergar onde estamos colocando os pés, e assim evitarmos os perigos.

Em nossa jornada espiritual, mais do que templos e púlpitos precisamos de Bíblia. Ela é a revelação do Criador para toda a humanidade. “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para o meu caminho” Salmo 119:105.

Pastores, bispos e apóstolos são feitos de carne e osso. E todos igualmente estão sujeitos a cometer erros, falar bobagens, fazer interpretações equivocadas, e até usar seu poder para manipular, controlar, distorcer e tirar proveito da situação. Nestes e em outros casos, o excesso de informação só traz mais desinformação!

Gosto de saber quais as “novas teologias” do momento, as frases de efeito da moda e os discursos dos apologetas midiáticos, mas o meu referencial precisa continuar sendo a Bíblia. Homens, idéias e teologias passam, precisam ser constantemente atualizados. Mas a mensagem bíblica é sempre apropriada para qualquer tempo, pois Deus não muda, e a natureza humana não se altera.

Sejamos sábios. Ao invés de informação, busque conhecimento. Ao invés de opiniões, busque a Palavra da Verdade. Ao invés de seres humanos, busque a revelação divina. Simples assim 🙂 !

Porque a simplicidade do Evangelho nos conduz à essência do Cristianismo: amar a Deus e ao próximo.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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