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Posts Tagged ‘Israel’

Todo aquele que costuma ler a Bíblia Sagrada, vê logo que Israel é o povo escolhido de Deus que herdou, do próprio Criador, a Terra de Canaã. Aprendemos a amar essa terra e esse povo através das histórias de Abraão, Moisés, Josué, Davi, João Batista e tantos outros. Cada relato sagrado remete nosso imaginário a inúmeros cenários de milagres como Belém, Nazaré, Caná, o Mar da Galileia, o Monte Sião. E a história bíblica termina com a igreja cristã prosperando em Jerusalém e toda a região de Israel, depois da ressurreição de Cristo.

Mas, quando fechamos as Escrituras e abrimos o jornal, nos deparamos com um Israel totalmente diferente daquele dos tempos bíblicos. Afinal, o que aconteceu neste intervalo de tempo? O que mudou nos últimos dois mil anos para que o cenário se transformasse de maneira tão radical? Como entender o atual conflito entre Israel e Palestina?

Dada a complexidade da situação, tais respostas poderiam facilmente render uma biblioteca inteira para que tudo fosse devidamente explicado. Mas vamos tentar aqui responder às dúvidas mais comuns, de maneira simples e concisa, para que o leitor tenha uma visão geral da situação.

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ISRAEL E A IGREJA PRIMITIVA

Israel no Novo Testamento

Jesus Cristo, o Messias que viria para libertar Israel, mostrou que a tal liberdade prometida não era geopolítica, mas sim espiritual. E assim, os que pretendiam se livrar do domínio do Império Romano, iniciaram eles mesmos uma rebelião de independência contra o regime. Esta rebelião foi violentamente abafada pela milícias romanas, que acabou por destruir completamente a cidade de Jerusalém, o templo de Herodes, os muros da cidade e centenas de casas e edificações. Isto ocorreu no ano 70 e, tamanha foi a destruição, que a população simplesmente abandonou Jerusalém, fugindo para nações vizinhas como Egito, Turquia, Iraque, bem como para países europeus e do continente americano. A região de Israel ficou totalmente desolada e relegada ao esquecimento, assim permanecendo durante séculos.

Para piorar ainda mais a situação, em 135 d.C. o imperador Adriano deu a Israel o nome de Palestina, tradução da palavra hebraica “Pilisheth” ou Filistia, principal inimigo dos israelenses desde os tempos bíblicos, com o propósito de, definitivamente, colocar um fim à identidade da nação judaica.

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A PALESTINA E A CHEGADA DO ISLAMISMO

Praticamente abandonada pelos judeus, povos vizinhos (principalmente árabes) começaram a migrar para a região de Israel (agora conhecida como Palestina), convivendo pacificamente com seus habitantes.

Com a decadência do Império Romano e o surgimento do Islamismo na Arábia com seu ideal de conquistar toda a Terra, Israel foi alvo fácil para os muçulmanos. Encontrando pouquíssima resistência, o califado islâmico  se instalou na região por volta do ano 634.

Sem praticamente nenhuma representação política nacionalista, Israel foi então sendo sucessivamente conquistada por diferentes governos e nações. Esteve sob domínio da Síria, Egito, árabes muçulmanos, dos cruzados, dos curdos, dos mamelucos egípcios, sendo finalmente agregada ao Império Turco-Otomano em 1.517.

 

MOVIMENTO SIONISTA

Pouco mais de 300 anos depois, surge na Europa o movimento denominado de “sionismo”, um incentivo ao retorno dos israelenses de todo o mundo a Sião (nome bíblico para Jerusalém). O movimento ganha força principalmente após o Holocausto de Hitler. Imensos territórios em Israel são pouco a pouco comprados com os fundos do movimento, propiciando aos judeus a oportunidade de fundar verdadeiras comunidades judaicas nessas fazendas. Muitos têm relacionado essa volta dos judeus à alusão da figueira feita por Jesus em Mateus 24:32, afirmando que a geração da restauração de Israel seria a geração da volta de Cristo.  Mas não temos como afirmar isso.

Na 1ª Guerra Mundial, em 1.914, a região foi conquistada pelos países aliados (França, Rússia, Inglaterra, EUA e outros) e, com o fim da guerra e a derrota do Império Otomano, a Organização das Nações Unidas se comprometeu com a criação de um Estado Judeu na região ocupada, na época,  por 95% de árabes.

Milhares de judeus, de todas as partes do mundo, começaram a desembarcar em Israel, em resposta à convocação e incentivos do movimento sionista.

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O NOVO ESTADO DE ISRAEL

De acordo com votação das Nações Unidas em 1.948 para a criação de um “Lar Nacional” para Israel, cerca de 57% do território palestino deveria ser entregue ao povo judeu, mas os países árabes não aceitaram este acordo, declarando guerra no dia seguinte à criação do Estado de Israel, invadindo os limites estabelecidos pela ONU.

O conflito foi vencido pelos judeus que estenderam seus domínios por uma área de 20 mil quilômetros quadrados (75% da superfície da Palestina). O território restante foi ocupado pela Jordânia (que anexou a Cisjordânia) e o Egito (que ocupou a Faixa de Gaza).

Inúmeros conflitos se seguiram e, em 1.967, na Guerra dos Seis Dias, Israel precisou guerrear contra uma liga de 12 países árabes e venceu, conquistando e ocupando os territórios de Gaza (antiga Filistia)Cisjordânia (correspondente aos antigos territórios das tribos de Issacar, metade leste de Manassés Ocidental,  Efraim, Benjamim e norte de Judá).

Guerras e conflitos armados e diplomáticos se tornaram rotina na região. Desde 1.964, movimentos árabes têm se levantado com o objetivo de “libertar aisrael-palestina - demografia Palestina”. Alguns visam apenas conquistar a autonomia árabe sobre os territórios da Cisjordânia e Gaza, enquanto outros não reconhecem o direito de Israel a um Estado e almejam expulsá-lo definitivamente da Palestina. Dentre tais movimentos, destacam-se hoje o Hamas e o Hezbolah.

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ATUAIS CONFLITOS ENTRE ISRAEL E PALESTINA

A atual onda de ataques teve início com a morte de 3 jovens judeus na Cisjordânia, cujos corpos foram encontrados com marcas de tiros no último dia 30 de junho. O governo israelense responsabilizou o Hamas (grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza) pelas três mortes. Num ato de “vingança” a estes crimes, no dia 1º de julho extremistas judeus sequestraram, torturaram e queimaram vivo um adolescente palestino. Um grande contingente do exército de Israel foi mobilizado para as fronteiras de Gaza. Dezenas de membros do Hamas foram detidos, gerando uma onda de revolta e protestos no grupo palestino, que iniciou um intenso bombardeio de foguetes contra o sul de Israel. Em resposta, o governo israelense revidou dando início ao combate mais sangrento na região dos últimos anos.

Segundo o governo de Israel, a estratégia do Hamas é criminosa e brutal. Eles disparam seus foguetes intencionalmente a partir de áreas civis densamente habitadas, sabendo que o exército israelense irá revidar, disparando contra o local de origem do ataque. Como os guerrilheiros do Hamas se escondem em bunkers subterrâneos, usam os civis que vivem na região como verdadeiros “escudos humanos” e, com isso, conseguem mobilizar a opinião da comunidade internacional contra Israel.

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FINAIS DOS TEMPOS?

Vale do Armagedom

Vale do Armagedom

É claro que, absolutamente tudo o que acontece na Terra Santa, imediatamente acende as especulações escatológicas de cumprimentos proféticos. Isso porque há inúmeras profecias que ligam Israel aos eventos apocalípticos.

Entretanto, é preciso ter cuidado. Muitas destas profecias não estão claras quanto aos detalhes e muito do que tem sido dito é fruto de interpretações alegóricas, de acordo com a visão teológica do seu intérprete.

Por exemplo: havia quase um consenso entre os teólogos de que o Iraque era a Babilônia descrita em Apocalipse e Saddam Hussein era o Anticristo. Isto baseado em inúmeros argumentos de dedução lógica comparando-se as atitudes de Hussein e profecias contidas em vários textos bíblicos. Hoje sabemos que todos estavam errados.

É perda de tempo ficar tentando adivinhar o significado das profecias ou forçar sua ligação com acontecimentos no Oriente Médio. O que tiver que vir, virá.

O que sabemos, com certeza, que dentre os eventos dos finais dos tempos, está o governo do Anticristo, um acordo de paz que será quebrado na metade do tempo, a perseguição aos judeus (talvez a todos os cristãos), grandes cataclismas planetários e uma terrível guerra contra Israel, denominada de Armagedom (saiba mais sobre as profecias bíblicas dos tempos do fim no artigo: “Certezas sobre o fim do mundo”.)

Os atuais conflitos com os palestinos podem, sim, ser o início do Armagedom. Como podem, também, ser apenas mais um das dezenas de conflitos e guerras já ocorridos naquela região. Cada acordo de paz firmado na região pode ser, sim, o acordo previsto pelos profetas, como pode, também, ser apenas mais um acordo de tantos outros ocorridos nas últimas décadas.

Penso que Deus planejou as coisas deste jeito, deixando alguns detalhes proféticos em oculto, justamente para que não conseguíssemos prever o tempo exato da volta de Cristo.  É preciso estar pronto sempre, vigiar sempre, e viver sempre na expectativa de que o fim pode chegar a qualquer momento.

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CONCLUSÃO (?)

Do ponto de vista espiritual, o povo de Israel é descendente de Abraão, o povo com quem Deus firmou uma aliança eterna, mas também o povo que rejeitou o Messias, rejeitando também assim o próprio Deus. O povo árabe é igualmente descendente de Abraão, e também foi abençoado por Deus (Gênesis 16.1-16; 17.15-23; 21.8-21), mas escolheu o caminho do islamismo enquanto nação, nomeando Maomé como seu profeta no lugar de Cristo. Claro que, no meio destes dois povos, entre extremistas e fundamentalistas, existem aqueles que desejam a paz, que temem a Deus, e que creem em Jesus Cristo como Salvador e Senhor.  Estamos aqui analisando de forma genérica as escolhas de cada povo.

Do ponto de vista político, Israel acredita que está em seu direito, pois: todo o território lhe foi dado originalmente pelo próprio Deus há mais de quatro mil anos,  eles o conquistaram das mãos dos cananeus (primeiros habitantes da região), uma resolução da ONU concedeu parte do território a eles, e o restante foi conquistado na Guerra dos Seis Dias em 67. Também se acha no direito de manter o cerco a Gaza e Cisjordânia e manter tais territórios ocupados, como uma forma de defesa aos terríveis ataques terroristas que os grupos islâmicos extremistas intentam contra os judeus. E também se acha no direito de, atualmente, bombardear alvos civis em Gaza, já que tais alvos são escudos humanos utilizados pelo grupo terrorista Hamas.

Por outro lado, os palestinos também acreditam que estão em seu direito, pois: os judeus abandonaram a região, que foi então ocupada pacificamente pelos árabes. Também se acham no direito de não reconhecer como legítima a resolução da ONU por ter sido algo imposto e unilateral, sem a aprovação da liga árabe. E também se acham no direito de, atualmente, bombardear Israel, em retaliação ao cerco desumano que lhes é imposto, impedindo a liberdade do cidadão ir e vir em seu próprio país, além de restringir ajudas humanitárias, e controlar a água, a comida e o comércio na região.

Enfim, numa comparação talvez bem grosseira, seria como se índios e brasileiros entrassem em guerra. Quem estaria com a razão? De quem é o direito à terra? O que fazer com os milhares de brasileiros expulsos de suas cidades pelos índios? A situação hoje em Israel é tão complexa que, provavelmente apenas uma intervenção sobrenatural poderá por um fim a tantos dilemas éticos, políticos e religiosos. Ambos estão certos, mas nenhum tem razão. E enquanto isso, no meio do fogo cruzado entre o exército israelense e os grupos árabes terroristas, quem perde é sempre a população.

O desenrolar desta história só Deus sabe. A resposta certa para tantas perguntas também só Deus é capaz de dar com a necessária imparcialidade, justiça e amor.

Que o Senhor tenha misericórdia das milhares de famílias em Israel e na Palestina, que tem sofrido com tanto ódio num clima de guerra que parece não ter fim.

E que tenha misericórdia de nós, abrindo nossos olhos para que estejamos vigilantes e prontos para nos encontrar com Ele no Dia Final.

De uma coisa podemos ter certeza sempre: Jesus Cristo é o único caminho para a vida eterna com Deus.

JERUSALEM

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* Querido leitor, caso tenha ficado alguma dúvida sobre o assunto, por favor, deixe seu comentário e, assim que possível, terei alegria em ajudá-lo. Um abraço. Deus abençoe.

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Nos primórdios da história de Israel, o povo peregrinava pelos desertos do Sinai em busca da Terra Prometida. Eles eram sustentados por Deus através do Maná, uma semente branca e adocicada, que descia do céu, com a qual faziam pães e bolos (Êxodo 16:4, 31).

Certa vez, passando pelo deserto de Meribá, o povo se angustiou com a situação e levantou-se contra Deus, afirmando, dentre outras coisas: “nossa alma tem fastio deste pão tão vil” (Nm 21:5), referindo-se ao Maná.

Quantas vezes temos feito o mesmo, nos enfastiando do Evangelho simples de Jesus, o Pão do Céu, e buscando por algo mais “interessante”. Começamos a observar a “comida” dos outros e, de repente, somos tentados a concluir que a nossa é “sem sal”, não tem graça, é simples demais, fácil demais…

Não abandonamos o Pão, pois sabemos que Ele é verdadeiro, mas só o Pão já não é suficiente. Então entramos assim num sincretismo sem fim, acrescentando à cruz um “tempero” extra para torná-la mais “apetitosa”.

Vai daí, surgem os rituais, as superstições, as penitências, dogmas e tantas outras coisas… Acréscimos ao Evangelho puro e simples de Jesus, o Pão da Vida. Fermento que corrompe a massa e nos afasta de Deus, fazendo com que a nossa fé seja substituída por meras crendices.

No Antigo Testamento, Deus enviou serpentes venenosas para punir o povo que estava “enjoado” do seu maná (Nm 21:6). Que hoje nos arrependamos por achar que o Pão da Vida já não é suficiente para o nosso sustento. E nos ajude a permanecer no caminho estreito que conduz à Salvação.

pao

“E JESUS lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes. ” João 6:35-36

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Como os judeus comemoram a Páscoa?

A Páscoa é uma festa instituída pelo próprio Deus para o seu povo, por volta do ano 1.400 a.C., quando os descendentes de Israel padeciam como escravos no Egito. Conta-nos a Bíblia que Deus enviou 10 pragas para que o faraó libertasse o povo, e a 10a praga foi um decreto de morte sobre todos os primogênitos. Deus então disse a Moisés, seu mensageiro, que os israelitas deveriam matar um cordeiro, e passar seu sangue nos batentes das portas. Assim, quando o anjo da morte chegasse e visse o sinal, passaria por cima daquela casa e não feriria de morte nenhum primogênito que ali morasse. Daí o nome “Páscoa”, que em hebraico significa passagem ou passar por cima. As famílias deveriam então assar o cordeiro e celebrar, seguindo um ritual estabelecido pelo próprio Deus, repetindo esta celebração todos os anos na mesma data (leia na Bíblia a história completa da origem do povo de Israel até a instituição da Páscoa: do capítulo 12 de Gênesis, até o capítulo 12 de Êxodo).

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A PRIMEIRA PÁSCOA

Segundo as orientações de Deus a Moisés, a festa da Páscoa deveria obedecer rigidamente a alguns preceitos:

  1. No dia 10 daquele mês (Nisã), que ficou estabelecido como o primeiro do ano, cada família deveria separar para si um cordeiro. Se a família fosse pequena para um cordeiro, convidaria outra família para cearem juntos – Ex. 12:3-4
  2. O cordeiro ou cabrito deveria ser escolhido cuidadosamente e apresentar as seguintes características: macho, sem defeitos e de aproximadamente um ano – Ex. 12:5.
  3. No dia 14 de Nisã (ou Abibe), o cordeiro seria morto ao entardecer – Ex. 12:6.
  4. O sangue do cordeiro deveria ser recolhido numa bacia, e passado nos batentes da porta com um molho de hissopo – Ex. 12:7, 22-23.
  5. Enquanto isso, o cordeiro ou cabrito seria assado inteiro, nenhuma parte poderia ser cozida ou deixada crua – Ex. 12:8-9.
  6. À noite, a família reunida comeria o cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães ser fermento. Caso sobrasse alguma coisa, deveria ser queimado no fogo antes do amanhecer – Ex.12:8-10.
  7. As famílias deveriam permanecer dentro de suas casas e comerem “apressadamente”, todos prontos e vestidos para a viagem que seria em seguida – Ex 12:11,22.
  8. No dia seguinte (15 de Nisã), teria início a Festa dos Pães Asmos, uma outra celebração que se seguia à Páscoa. Durante 7 dias, todo Israel deveria, não só se abster de qualquer alimento fermentado, como retirar do arraial todo fermento. O primeiro e o último dia (dias 15 e 21) seriam celebrados como o Shabat, dia de descanso e dedicação ao Senhor – Ex. 12:15-17.
  9. A Páscoa e a Semana dos Pães Asmos deveriam ser comemorados todos os anos, nesta mesma data, como um memorial do grande livramento do Senhor aos primogênitos de Israel no Egito – Ex. 12:14,24-27.

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O CERIMONIAL NO TEMPLO

Encontramos na Bíblia várias referências do povo de Israel comemorando a Páscoa em diversas ocasiões depois que saíram do Egito: no Sinai (Nm 9:1-12), chegando na Terra Prometida (Js 5:10-11) e em Jerusalém (2Re 23:21-23, 2 Cr 30:1-3). Entretanto, esta festa só passou a ser de fato celebrada anualmente com seriedade depois do cativeiro babilônico e a reconstrução do templo destruído por Nabucodonozor.

Com o passar do tempo, o cerimonial da Páscoa foi se tornando mais elaborado e agregando outros elementos e exigências à ceia. Observe o quadro abaixo:

Dia 13 (pôr-do-sol do dia 12 até o pôr-do-sol do dia 13)

        • Início dos preparativos para a Festa

Dia 14 (pôr-do-sol do dia 13 até o pôr-do-sol do dia 14)

        • Até 12h =Encerrar todos os preparativos
        • Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro

Dia 15 (pôr-do-sol do dia 14 até o pôr-do-sol do dia 15)

        • 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho (também sem fermentar), ervas amargas e outros elementos do Pessah.

Dia 17 (pôr-do-sol do dia 16 até o pôr-do-sol do dia 17)

        • O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias.

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Documentos históricos descrevem como os judeus comemoravam esta festa no Templo de Jerusalém:

No dia 14 de Nisã, pela manhã, todo alimento fermentado era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para a Pessach (Páscoa). Tudo precisava ficar pronto a tempo, pois todo trabalho secular encerrava-se ao meio dia e os sacríficios tinham início às quinze horas. Segundo o Talmude, quando o dia 14 de Nisã coincidia num sábado, todos os preparativos para a Ceia deveriam ser feitos no dia anterior.

Nesse momento, os chefes de família iam ao Templo com o cordeiro ou cabrito para ser imolado. As pessoas se colocavam em fila e um abatedor (shochet) efetuava o abate do animal segundo as leis judaicas.

O sangue era recolhido pelos sacerdotes em recipientes especiais de prata ou ouro, que passavam de um para outro até o sacerdote próximo ao altar, que derramava o sangue na base do altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso.

Em seguida, o animal era pendurado e esfolado. Uma vez aberto, tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins, a cauda e a costela eram retirados, colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

Como não havia lugar suficiente no pátio dos israelitas para acolher todo mundo, esse ritual era realizado em grupos, cada um com aproximadamente 30 homens. O primeiro grupo entrava e, quando o átrio estivesse cheio, os portões eram fechados. Os sacerdotes tocavam três toques no shofar e os levitas entoavam o Hallel (Salmos 113 a 118) em louvor a adoração a Deus. Os cânticos e os toques do shofar eram repetidos (se necessário) até que todos houvessem sacrificado seus animais.

Após as partes da oferenda serem queimadas, os portões eram abertos, o primeiro grupo saia, e entrava o segundo e de igual maneira iniciava-se novamente o processo. E assim sucessivamente. De tempos em tempos, no intervalo entre um grupo e outro, lavava-se o pátio da sujeira que, claro, ali se acumulara.

Depois cada um voltava para casa, levando o animal para ser assado.

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A PÁSCOA EM FAMÍLIA

Enquanto o homem, responsável pela família, ia ao templo levar o cordeiro para ser oferecido no altar, em casa, sua mulher terminava os últimos preparativos para o início da festa.

Um dia antes, muitos seguem a tradição de distribuir dez pedaços de pão fermentado ao longo da casa. A procura por estes alimentos fermentados é feita com uma vela, prestando atenção especial nas ranhuras e lugares onde normalmente se encontra. O chefe da família recolhe este pão em uma bolsa pequena especial e varre as migalhas usando uma pena. Após a procura, o chefe de família pronuncia a seguinte declaração: “Qualquer fermento ou levedura que estão em minha posse e que não vi, nem joguei fora, podem ser considerados como nulos e sem dono como o pó da terra”.

No dia seguinte, as migalhas são queimadas junto com a bolsa e a pena. Todos os utensílios utilizados para fazer pães e bolos são lavados, escondidos ou purificados no fogo. Todo fermento que não pode ser desperdiçado é vendido a uma pessoa não judia, e readquirido após a festa Pessach.

Algumas famílias fazem desta ocasião uma divertida brincadeira para as crianças, que têm de encontrar os pães e alimentos fermentados carinhosamente “escondidos” pela casa. Quando o último alimento fermentado é encontrado e retirado, faz-se uma grande festa!

Às 18h têm-se início à festa propriamente dita, com todos vestidos de branco em volta da mesa. O primeiro rito do Pessach é o acender das velas. Neste jantar festivo, o vinho (mosto) é obrigatório: se alguém não tinha condições de adquiri-lo, o Templo lhe cedia o suficiente para encher as quatro taças do cerimonial. Lembrando que este vinho trata-se, na verdade, de suco de uva, já que o vinho alcoólico é o suco de uva fermentado e, na Páscoa, todo fermento deveria ser extirpado.

Durante a refeição, são cantados pela família os Salmos do Hallel, entrecortados de bênçãos dadas pelo pai de família ou por aquele que faz as vezes dele, sobre as taças de vinho. Os filhos, simulando surpresa, diante deste jantar, fazem perguntas: “Porque esta noite é diferente das outras noites?” “Todas as outras noites comemos pão com ou sem fermento e esta noite só comemos Matzah (pão sem fermento)?” “Todas as outras noites comemos todos tipos de ervas, por que está noite comemos ervas amargas?” “Todas as outras noite nós não molhamos nossas ervas na água salgada, por que esta noite nós molhamos as ervas com água salgada 2 vezes? Nas outras noites comemos sentado ou reclinado porque está só comemos reclinado?” Então o pai explica o sentido dos diferentes ritos e descreve sobretudo as intervenções de Deus em favor do seu povo.

Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite. Com a destruição do Segundo Templo, a celebração da Páscoa passou aser uma noite de lembranças, feita essencialmente em família, sem o sacríficio pascal.

 

Veja um resumo geral da sequência que é observada na ceia de Páscoa, ou Sêder de Pessach, nos dias de hoje:

1. Recitação do Kidush (leitura de Gênesis 2:1-3 e uma oração feita pelos sábios especialmente para este momento, com declarações específicas de bênção sobre Israel, lembrança do êxodo do Egito, palavras em aramaico e a bênção do vinho) e a ingestão do primeiro copo de vinho.

2. Lavagem de mãos. Mergulha-se o salsão, batata, ou outro vegetal, em água salgada. Recita-se a benção e o salsão é comido em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel.

3. A matzá (pão ázimo) é partida ao meio. O pedaço maior é embrulhado e deixado de lado para o final da cerimônia.

4. Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach. Inclui a recitação das “Quatro perguntas” e bebe-se o segundo copo de vinho.

5. Segunda lavagem de mãos. O chefe da casa ergue os pães asmos e os abençoa. Eles são então partidos e distribuídos.

6. São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.

7. É realizada a refeição festiva e é comida a matzá que havia sido guardada.

8. É recitada uma benção após as refeições e bebe-se o terceiro copo de vinho.

9. Hallel – Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.

10.  Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa’á B’Yerushalaim – “Ano que vem em Jerusalém” como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Além da lembrança da aliança de Deus com Israel, a Páscoa, desde que foi instituída, trazia em si o símbolo profético do Cordeiro de Deus que seria morto para nos livrar da morte. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da páscoa para a libertação dos judeus do Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: “…Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt.1:21); “…pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Ap.1:5); “…Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (I Co.5:7). Cristo se fez oferta de uma vez pelo pecado. Aleluia!

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Sugestão de leituras complementares sobre o assunto:

  • A Palestina no tempo de Jesus. Christiane Saulnier e Bernard Rolland; São Paulo: Paulus, 1983. (Cadernos Bíblicos; 27)
  • As Festas do Senhor. Pr Sóstenes Mendes; BH: Ed Vision Rhema
  • Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. Tenney, Packer e William White Jr; Ed. Vida
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Leia também:

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Sites para consultas:

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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