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Posts Tagged ‘Hipocrisia’

cegueira_espiritual

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“Guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” Pv 4:23

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Situação A: Sílvia e Bete são membros de uma Igreja Evangélica há muito tempo e frequentam a mesma Célula (grupo pequeno de oração nos lares). Mas a Sílvia soube, por uma fonte confiável, que a Bete está com um comportamento inadequado aos princípios bíblicos. Uma pessoa a flagrou dançando numa boate, com um copo de Vodca na mão, trajando um micro vestido e “ficando” com um homem sem ter um compromisso com ele. Sílvia ficou horrorizada com o que soube, afinal, sempre admirou muito a Bete. Tal atitude da amiga a decepcionou profundamente. Orou por ela pedindo misericórdia. E decidiu alertar algumas pessoas para que não confiassem nela, contando o que soube. Também desabafou com uma amiga sobre o assunto, pois a situação a estava incomodando muito. Por estar muito indignada, achou melhor não falar com a Bete, fingiu não saber de nada, e afastou-se dela. Também optou por não falar nada para seu líder de Célula, pois soaria como fofoca, e isso é algo que ela quer evitar, afinal, não quer “cair em pecado” como aconteceu com a amiga. Algumas semanas depois, Bete saiu da igreja e assumiu publicamente sua vida longe de Jesus.

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Situação B: Jorge é líder de um ministério na Igreja, mas discorda completamente da forma com que o seu pastor vem dirigindo a igreja. Jorge se sente profundamente incomodado com algumas posturas do pastor que, a seu ver, estão erradas e lhe parecem anti-éticas. Como ele é submisso ao pastor, achou que seria desrespeito falar pra ele o que pensa. Então preferiu se calar e seguir as orientações do seu líder, mesmo sem concordar com elas. Comentou apenas com algumas pessoas para sondar se ele era o único que estava detectando tais desvios, ou se outras pessoas compactuavam com sua maneira de pensar. Não conseguiu chegar a um consenso, pois, alguns concordaram com ele, outros não. Então, sentiu que deveria procurar outra igreja.

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Estes são fatos e nomes fictícios, mas que tem se repetido todos os dias no meio cristão, quer no âmbito de igreja local, ministérios, células, grupos pequenos ou famílias.

O que essas duas histórias tem em comum? Jorge e Sílvia expressam o desejo de servir a Deus e se manter em santidade. Não querem fazer fofoca ou parecerem insubmissos, mas o que acontece por detrás da atitude dos dois é justamente o inverso.

Jorge foi submisso ao pastor em sua conduta, mas o seu coração estava em rebeldia. O fato dele não procurar o pastor para abrir o seu coração, e ser sincero com ele sobre seus sentimentos e impressões, fez com que aquela semente de discórdia germinasse, criasse raízes e frutificasse. Sua omissão e covardia em fazer o que era certo o levou a escolher a atitude errada: maldizer o pastor para outras pessoas, criar facções na igreja, gerar contenda, o afastar de seu líder e, por fim, o afastar da igreja. Também perdeu a oportunidade de ser bênção na vida do seu pastor e ajudá-lo a realinhar algumas questões.

Sílvia foi imparcial em sua conduta, mas o seu coração estava em desamor. Ela não comentou nada da amiga com seu líder, nem com a própria pessoa em questão. Preferiu não “julgar” ou se envolver diretamente para se poupar e preservar sua imagem. Mas sua omissão e covardia em fazer o que era certo a levou a escolher a atitude errada: compartilhar o que soube da Bete para outras pessoas, criar facções na Célula, gerar contenda, se afastar da amiga e, por fim, não fazer nada para impedir que Bete se desviasse. Deus ODEIA essas coisas!

Jesus abraçou ladrões, prostitutas, adúlteros, pecadores confessos… e condenou veementemente a atitude aparentemente piedosa de religiosos cujo coração estava sujo.

Temos nos distanciado de Deus, mas permanecemos na igreja. E este distanciamento tem nos tornado cegos espirituais. Fazemos fofoca, maldizemos, murmuramos, nos rebelamos, tudo sob o manto da justiça, com pretextos de santidade. Pecado duplicado.

É tempo de arrependimento! Que caiam as escamas de nossos olhos!

Precisamos REAPRENDER  a olhar o outro nos olhos e dialogar, esclarecer, confrontar em amor. O amor não se acovarda, o verdadeiro amor enfrenta, dá a cara a tapa, não folga com a injustiça, e faz o que for preciso para resolver conflitos e situações.

Ficar calado quando deveria falar e falar quando deveria se calar é consequência de emoções doentes e carnais.

Que o Senhor nos ajude a não cair nesta armadilha, e vivermos nossos relacionamentos sem hipocrisia, em liberdade e transparência. Sem religiosidade, legalismo ou farisaísmo, mas em amor.

Quando você, de alguma forma, não concordar com alguma coisa ou ficar sabendo de algo errado no seu irmão, esposo, líder, amigo, não se omita, não finja que está tudo bem, nem saia por aí denegrindo a imagem do outro. Deus espera de nós que sejamos sinceros e amáveis. Só assim, conseguiremos cultivar relacionamentos saudáveis e cumprir o que nos diz o Evangelho:

“Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações (…), exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros (…) com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”

1 Pe 2:1, 1 Ts 5:11, Ef 4:2-3

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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mascaras pesam

Conheci vários: líderes icônicos em nossas igrejas que, sutilmente foram construindo em torno de sua imagem uma máscara de perfeição. Cristão perfeito, casamento perfeito, pai perfeito, homem perfeito.

– Está tudo bem com você, meu irmão?
– Sim, claro, tudo está bem, eu estou sempre bem!

O “cara” se torna referencial para outros e, para encobrir as pequenas brechas de fragilidade que tentam aflorar, vai reforçando a máscara, aumentando a maquiagem, bordando a própria imagem em torno de si.

Mas, quanto maior é a máscara e maior é o tempo que o cidadão se vê obrigado a segurá-la, mais pesada ela se torna.

O peso vai se tornando quase insuportável. Um fardo que lhe suga todas as forças, todo o trabalho, toda a vida. Todos os seus pensamentos se concentram no esforço hercúlio de manter a imagem que foi criada.

Agora não se trata mais apenas de si mesmo. Se a máscara cair, muitos outros serão atingidos e, talvez, cairão junto.

Mas o peso é grande, e as forças se esvaem…

Até que a vergonha de se expor sucumbe ao desejo de liberdade e, finalmente, a máscara cai.

O exemplo de marido perfeito é pego em adultério…

O exemplo de presbítero perfeito é preso por pedofilia…

O exemplo de mulher perfeita é internada por overdose…

O exemplo de líder perfeito é flagrado em estelionato…

Mascaras pesam

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Neste momento dramático, em meio à dor e a vergonha, a misericórdia de Deus surge, majestosa, oferecendo-nos a chance de recomeçar.

Para muitos, a máscara se tornara tão incrustada na vida que, ao cair, a própria vida vira pó. E no pó, flui a ÁguaViva do Espírito Santo,  fazendo barro de novo, e moldando, tudo de novo, um novo vaso.

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mascaras pesam

Máscaras pesam.

Máscaras pesam e, enquanto erguidas, impedem que o toque da mão do Mestre nos alcance.

Oro para que as misericórdias de Deus operem na vida daqueles que estão sendo massacrados sob o peso da falsa imagem. Oro para que caiam e virem pó, pois só assim, experimentarão a liberdade de serem meros mortais, pecadores como todos nós, desesperadamente dependentes da Graça de Deus.

Se você está cansado de sustentar suas máscaras, desista delas o quanto antes. mascaras pesam Pecados precisam ser confessados. Falhas precisam ser admitidas. Perdas precisam ser restituídas. Aquele que tenta seguir em frente após uma queda fazendo de conta que nada aconteceu, nunca será curado.

Não existe um caminho fácil para isso. A dor será terrível, é verdade. É verdade também que alguns poderão se perder ao perder o referencial que viam em você. Verdade também que a tão temida solidão apareça. E talvez se formem grandes cicatrizes, enfim. Mas, só assim, e somente assim, Deus poderá lhe reconstruir.

Não tema, ELE mesmo cuidará pessoalmente de cada detalhe. ELE mesmo cuidará dos que se machucarem durante o processo. Não tema, crê somente, e verás a Glória de Deus.

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Ser Igreja

 
Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
 

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Publicado integralmente em “Outros papos” por Fernanda B. Lobato

http://www.ultimato.com.br/blog/2010/04/06/outros-papos/mentiras-contradicoes-e-ilusoes.html

 

 

Ando meio desapontado com minha geração. O modelo de cristianismo evangélico que prolifera Brasil afora me causa arrepios. O que é motivo de festa para alguns, gera em meu coração desconfiança e inquietação.

Não, não celebro o explosivo aumento do número de evangélicos em nosso país. Não vejo motivos para encher a mão de confetes, pegar instrumentos musicais, reunir amigos e comemorar.

Acreditem, é mais do que hora de pararmos a festa, recorrermos à sobriedade e analisarmos francamente as reais condições do barco em que ousamos entrar. Um diagnóstico preciso pode salvar-nos. É insanidade farrear no convés de uma embarcação cujo casco está furado.

Desesperador é notar que os evangélicos de hoje não exercem a influência social que seus números sugerem. Pesquisas realizadas por institutos respeitadíssimos como o Barna Group, dos EUA, apresentam estatísticas mostrando que os cristãos evangélicos estão a ponto de assumir estilos de vida tão hedonistas, materialistas, egoístas e imorais quanto os do mundo em geral.

Precisamos, urgentemente, de uma reforma espiritual no Brasil. O modelo de espiritualidade onde se venera o carisma e negligencia o caráter deve ser abolido do nosso meio. Da mesma forma, devemos descartar a religião que promove seres hipnotizados por glória e poder.

É também necessário que haja um retorno imediato à santidade. Uma busca incessante pela pureza. Que nossos jovens optem por estilos de vida que irradiem luz; que desistam de protagonizar esta novela evangélica, onde sempre encarnam o papel de OO7, atuando como agentes secretos de Deus aqui na terra; que não sejam escravos do sexo; que abandonem a pornografia e desistam das técnicas de sedução onde precisam entulhar páginas de relacionamento virtual com imagens que apresentam e oferecem seus corpos como poderosos instrumentos sexuais (mesmo que “jurem de pés juntos” que não é por esse motivo que o fazem!).

Choros, cambalhotas, lágrimas, declaração de bênçãos, promessas e mais promessas, sonhos megalomaníacos ou êxtase entorpecente a cada novo culto não garantem mudança reais e significativas. Aliás, não passam de mera inutilidade. Estou farto de ver jovens, a cada novo culto, buscando a “re-re-re-reconciliação” com o Senhor.

Mas não desanimemos: ainda há esperança! É possível mudar este quadro. Retorno à fiel Palavra de Deus, vida diária de oração e comunhão sincera com nossos irmãos: este é o ÚNICO caminho para a reversão dessa triste realidade.

Do contrário, podemos voltar ao nosso barco furado e continuar a festa regada a muita música, confete, “unção” e euforia. Mas atente para esta importante recomendação de bordo: Antes do fim da viagem, reserve alguns instantes e observe o trabalho dos remadores. Note que olham para um lado e remam para o outro. Reproduzir esta prática navegando na vida cristã é arriscadíssimo. Se continuarmos a olhar para o céu com nossa “profissão de fé” enquanto remamos para o inferno com nossas práticas, sofreremos as danosas consequências.

 

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