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Estaria a igreja desassociada de Cristo? Em parte sim! Corpo desligado da Cabeça, andando por aí sem rumo, levado por outras “cabeças”, sabe-se lá de quem. Isso não vem de hoje, sempre foi assim. Lembram da história do Joio e do Trigo que Jesus contou?

Mas nem tudo está perdido! EXISTE UMA IGREJA DENTRO DA IGREJA! Uma igreja que não se rende aos modismos e não se deixa levar por ondas.

Uma igreja que insiste em permanecer crucificada com Cristo, mantendo sua velha natureza no seu devido lugar.

Uma igreja que teima em amar, perdoar, andar a segunda milha, virar a outra face, se arrepender; que se importa com os pobres, enfermos e encarcerados, que abomina a pena de morte, a tortura, a homofobia, a mentira, a corrupção, o preconceito, a violência (física e verbal), o sensacionalismo, a injustiça social, a cobiça, o autoritarismo, o trabalho escravo, o aborto e todo tipo de perversão e imoralidade sexual.

Uma igreja que prega o Evangelho e não a prosperidade. A bondade e não a barganha. A santidade e não o misticismo.

Uma igreja que celebra seus cultos com liberdade, espontaneidade, alegria, reverência e temor.

Uma igreja humilde, que anda no meio dos pecadores como Jesus, que se faz fraca para ganhar os fracos e que insiste em não transformar seus púlpitos em palanques político-partidários.

Quero convidar você que, decepcionado com a “igreja” escolheu se afastar, e você que está pensando em desistir: volte para o Corpo de Cristo, e seja essa Igreja dentro da “igreja”. Permaneça firmado na Rocha, apaixonado pela Palavra e pelo ser humano pelo qual Jesus morreu. O caminho é difícil e estreito, mas é o único que conduz à Salvação.

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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“Cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu!”, costumávamos dizer no auge de nossa maturidade infantil rsrsrs…. Mas hoje, de repente, a lembrança desta frase me fez parar e pensar: quem realmente manda em mim? Quem decide como vou agir ou reagir?

Quantas vezes nos flagramos sendo dominados pela depressão, preguiça, gula, egoísmo, medo, ansiedade, volúpia, limitações físicas… Como está escrito em Eclesiastes 10.7: “Tenho visto servos montados a cavalo, e príncipes andando a pé como servos.” Quando nos subjugamos aos apelos do nosso corpo ou da nossa alma, nos deixamos vencer por aquilo que estamos sentindo no físico ou no “coração”, nos tornamos seus escravos. Damos ao servo o lugar de príncipe.  

É preciso perceber esta discrepância o quanto antes e “partir pra briga” mesmo! Como costuma dizer Augusto Cury: sair da plateia do teatro e assumir a liderança do “eu”.  

O salmista sabia bem a importância disso, quando cantou: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?” (Sl 42:5).  Nossas emoções são voláteis, frágeis, inconstantes, contraditórias e precisam ser colocadas em seu devido lugar: aos pés da cruz.

Nosso físico, envenenado pelo pecado e pelas porcarias que comemos todos os dias, é igualmente frágil. Somos lascivos, insaciáveis, desmedidos, sempre carentes de algum tipo de prazer carnal para suprir nossas necessidades. Assim sendo, também não podemos permitir que sejamos governados por nosso corpo.

Então, eu oro: Senhor, que meu viver seja comandado não pelas carências do meu corpo, nem pelas emoções da minha alma. Mas que ambos permaneçam sob o jugo suave do Espírito Santo de Deus. Seja meu Senhor e o único responsável por organizar a minha agenda. Em nome de Jesus, amém!

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

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mediante citação da fonte e autoria.

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Desde o início do Cristianismo, em Jerusalém, há mais de dois mil anos, uma pseudo igreja cresce paralelamente à Igreja de Cristo. Pessoas não convertidas começam a frequentar os cultos, muitas vezes se batizam, se envolvem nos ministérios, assumem cargos de liderança, mas não foram transformadas, não nasceram de novo, não são filhos de Deus, continuam filhos das trevas.

Não me refiro aos crentes carnais, a quem o apóstolo Paulo se refere em 1 Coríntios 3:1-3. Estes experimentaram o novo nascimento, mas não amadurecem, não dão liberdade para que o Espírito Santo domine em seu coração. Uma tristeza! Desperdiçam a vida vivendo para si mesmos e causam uma série de transtornos para o Reino, embora serão salvos no último dia (1 Co 3:11-15).

Refiro-me àqueles que nunca foram batizados na graça de Cristo. Conhecem o Evangelho mas o Evangelho não os conhece. Escolheram o cristianismo como “religião”, acreditam em Deus, admiram Jesus, sabem rezar e cantar, mas nunca quiseram estabelecer um relacionamento com o Pai. Se dizem evangélicos mas, na verdade, não o são!

Jesus disse que o próprio inimigo semearia sua semente maligna no meio do povo de Deus, plantando pessoas mal intencionadas e cheias de iniquidade para tentar confundir a verdade. Jesus comparou sua igreja com um campo, onde nasce trigo (os servos de Deus) e joio (fruto da semente maligna). Ambos tem a mesma aparência e muitas vezes se confundem. E o próprio Cristo orientou que não tentássemos arrancar o joio antes do tempo, caso contrário, o trigo estaria correndo o risco de ser arrancado junto (Mateus 13:24-30, 36-42).

O dia da colheita está chegando e faz-se necessário um autoexame sincero e rasgado diante de Deus! É tempo de nos voltarmos para o Pai pedindo misericórdia, confessar e abandonar nossos pecados e nos entregar por inteiro ao senhorio de Cristo.

Deus nos ama e deseja que todos sejam salvos. Ele já tomou a iniciativa, mas a resposta cabe a cada um de nós. Deus não se deixa escarnecer! Aqueles que “brincam de crente”, no dia do juízo serão condenados, não importa o quanto trabalharam para o Reino, não pertencem ao Reino:

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

Mateus 7:21-23

Receba Jesus como Salvador e Senhor da sua vida, e viva com intensidade o privilégio de fazer parte da família de Deus. Não basta ir à igreja. É preciso SER IGREJA! Faça hoje mesmo esta escolha, pois amanhã pode ser muito tarde.

“Deixem que cresçam juntos (o joio e o trigo) até a colheita. Então direi ao encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no meu celeiro” Mateus 13:30.

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

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Com os holofotes da mídia voltados para a Síria, uma avalanche de mensagens de que tais bombardeios seriam o cumprimento das profecias de Isaías 17 de repente invadiu as Redes Socais, criando grande alvoroço. Diante do celeuma sobre o assunto, decidi registrar aqui o meu entendimento sobre estes fatos e assim contribuir um pouco para este debate. Tentarei ser breve (sempre uma dificuldade para mim rs..)

A Síria na Bíblia

 

Mundo antigo - Arameus

Como professora de Geografia Bíblica já lhe adianto que o Mundo Antigo vivia em constante alteração geográfica devido a inúmeros fatores, mas principalmente ao costume nômade, as constantes guerras e a ausência de estabilidade política, portanto, no decorrer dos séculos, a Síria teve sua geografia alterada várias e várias vezes. Mas vamos a alguns fatos importantes sobre a Síria na Bíblia:

  1. Região também conhecida como Arã ou Aroer, habitada na antiguidade pelos descendentes de Arã, filho de Sem (Gn 10:22-23), chegou a abranger o norte da Mesopotâmia (atual Iraque), Fenícia, Líbano, Antilíbano e o atual território do país da Síria. É onde situa-se o majestoso Monte Hermom.
  2. Possuía sua própria cultura, religião e idioma (o aramaico – adotado como língua oficial durante o Império Persa e que, a partir dos 70 anos de exílio de Judá na Babilônia, tornou-se o segundo idioma de muitos judeus).
  3. Nos tempos patriarcais esta região era constituída de pequenos reinos independentes: Arã-naaraim, Arã-damasco, Arã-zobá, etc. Tudo indica que Padã-Arã, onde Abraão habitou muito tempo com seu pai depois que saiu de Ur e antes e chegar a Canaã, era um destes pequenos reinos (Gn 11.31).
  4. Aparece no livro de Juízes como o primeiro povo a oprimir Israel após a morte de Josué. Nesta ocasião, Otoniel (juiz israelita) liderou uma guerra contra o rei da Síria e os venceu – Jz 3.7-11 (Obs: neste texto, conforme diferentes versões da Bíblia a Síria pode aparecer também com os nomes de Arã, Arã-Naaraim ou Mesopotâmia).
  5. Permaneceu subjugada por Israel durante o Reinado de Davi e Salomão (2 Sm 8.6).
  6. Durante o período dos reis, no Antigo Testamento, aparece inúmeras vezes como um povo hostil a Israel, apesar de, eventualmente, aparecer fazendo algum tipo de aliança com o povo de Deus (Ex: 1 Re 20.1; 1 Re 22; 2 Re 5:1-2; 2 Re 12.18; Is 7.1; Ez 27.16).
  7. No tempo dos grandes impérios antigos, foi sucessivamente conquistada e incorporada aos Impérios: Assírio, Babilônico, Persa, Grego e Romano, exatamente como os judeus.
  8. No período conhecido como interbíblico (quatro séculos de espaço entre o Antigo e o Novo Testamento) e estando o mundo antigo sob o domínio do Império Grego, a Síria foi governada pelos Selêucidas (dinastia do general Selêucida do exército grego).  Os Selêucidas conquistaram Israel e dominaram sobre os judeus por pouco mais de 150 anos (de 204 a 163 a.C.). Um tempo marcado por inúmeros conflitos e confrontos violentos, a ponto do selêucida Antíoco Epifânio punir com a morte a adoração a Jeová, destruir todas as cópias encontradas das Escrituras, colocar uma estátua de Zeus no templo de Jerusalém e sacrificar um porco ali sobre o altar em sinal de afronta direta à lei mosaica, dando origem à Revolta dos Macabeus.
  9. No tempo de Jesus, a Bíblia diz que os habitantes da Síria (vizinha ao norte da região da Galiléia) iam até Israel em busca dos milagres do Messias (Mt 4:24). E a história da mulher siro-fenícia é uma das poucas narrativas de Jesus interagindo com gentios (Mc 7.24-30).
  10. A Bíblia mostra também que foi numa das estradas da Síria que o Apóstolo Paulo se converteu, sendo depois levado para Damasco, onde foi batizado (At 9:3-19). E a Síria foi o primeiro país estrangeiro a receber o cristianismo, na cidade de Antioquia, onde surgiu, pela primeira vez, o nome “cristão” (At 11.26).
  11. Com a chegada do Império Romano, Síria, Israel e todas as demais nações do Mundo Antigo, caíram sob seu jugo. Posteriormente foi dominada pelos árabes (636 a 1831), turcos (1831 a 1860) e franceses (1860 a 1946), até finalmente tornar-se uma nação independente.
  12. Damasco, capital da Síria desde os tempos antigos até hoje, é a mais antiga “cidade viva” da Terra, pois apesar de inúmeras guerras, nunca foi destruída. Segundo a tradição, foi fundada por Uz (neto de Sem), sendo o palco da história de .

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Profecias bíblicas sobre a Síria

A Bíblia possui três tipos de profecias: as que já se cumpriram (a grande maioria), as que estão se cumprindo e as que ainda vão se cumprir. Diferenciar as que já se cumpriram daquelas que estão para se cumprir não é tarefa fácil, pois às vezes exige um vasto conhecimento de História, mas é preciso discernimento e cuidado para não concluir que todas as profecias que lemos dizem respeito ao mundo moderno. Seria um grave erro de interpretação. É verdade que a Bíblia é atual e que várias profecias possuem um duplo cumprimento, mas daí julgar que todas as profecias da Bíblia referem-se ao século 21 é muita ingenuidade… Não é falta de fé, é falta de bom senso mesmo.

Mas e as profecias sobre a Síria? Todas já se cumpriram? A guerra de Bashar alAssad foi prevista nas Escrituras? Existe alguma relação com os acontecimentos apocalípticos? Vejamos o que a Bíblia diz a respeito:

1. Damasco (capital da Síria), da mesma forma que Gaza, Tiro, Edom, Amom e Moabe, será destruída (Am 1:3 – 2:3) >>> O primeiro profeta a falar sobre a destruição de Damasco foi Amós, por volta do ano 755 a.C. Além de Israel e Judá, Ele falou também sobre sobre 6 nações estrangeiras, dentre elas a Síria. Todas as demais cidades citadas no texto foram aniquiladas e já não existem mais. Damasco porém, foi atacada inúmeras vezes, foi feita cativa pela Assíria (Am 1:5), no entanto nunca foi destruída completamente.  Portanto, esta profecia ainda está para se cumprir.

2. A Síria será conquistada pela Assíria (Is 8:4) >>> O profeta Isaías, em 734 a.C., falou que num curto espaço de tempo Israel e a Síria seriam invadidos e saqueados pela Assíria. Cerca de dois anos depois, o império Assírio conquistou a Síria e começou a invadir Israel, marcando o início do fim do Reino do Norte (2 Rs 15:29). Profecia cumprida.

3. Damasco deixará de ser cidade e se transformará num monte de ruínas (Is 17:1) >>> Pouco tempo depois de ter recebido de Deus sua primeira revelação sobre a Síria, aqui o profeta Isaías é ainda mais enfático dizendo que Damasco será completamente destruída. Isto nunca aconteceu, portanto aguardamos o cumprimento desta profecia.

4. As cidades da Síria ficarão desertas, o poder do reino de Damasco chegará ao fim e terá o mesmo destino do poder do reino de Israel (Is. 17:2-3) >>> Isto aconteceu em parte, durante alguns períodos de domínio assírio (732 a 605 a.C.), persa (560 a 330 a.C.) e árabe (era do califado – 750 a 1175 d.C.), quando Damasco perdeu proeminência política e sofreu certo esvaziamento populacional. Mas em várias outras épocas – diferentemente do reino de Israel, que foi extinto e absorvido pelo reino de Judá – Damasco se reergueu política e economicamente, voltando a ter grande importância, portanto, ao que parece, esta profecia também ainda não se cumpriu completamente.

5. A cidade de Damasco será completamente destruída (Jr 49:23-27) >>> Aqui Jeremias recebe de Deus a mesma profecia dada a Isaías há décadas antes: Damasco será totalmente destruída, seus muros e palácios serão incendiados e a cidade ficará deserta. Nestes últimos dias ouvi muitos dizerem que as profecias de que a Síria seria destruída como justiça de Deus mediante as atrocidades feitas com o povo de Deus, já se cumpriram quando a Assíria conquistou o país. Mas observe que Jeremias profetizou aproximadamente entre os anos 627 e 585 a.C., mais de um século depois da Síria ter sido conquistada pelos assírios, portanto não é uma referência ao mesmo episódio de Isaías 8:4. Trata-se de uma nova invasão, a qual a História ainda não presenciou. Logo, esta profecia (a mesma descrita em Isaías 17:1-3) também ainda não se cumpriu.

6. Os limites territoriais de Israel se estenderão, ao norte, do Mar Mediterrâneo até o Rio Eufrates, abrangendo parte da Síria (Ez 47:13-18) >>> Tal profecia, feita no tempo do cativeiro babilônico, também ainda não se cumpriu. Desde que Israel voltou ao seu território, primeiramente no tempo bíblico de Esdras e Neemias e, num segundo momento, já na era moderna (na fundação do Estado de Israel, em 1948), as fronteiras da nação judaica nunca se aproximaram de tais dimensões (confira no mapa acima). Portanto, tal profecia ainda não se cumpriu e provavelmente ocorrerá no Reino Milenar de Cristo.

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Conclusão

A Palavra de Deus não falha, então é fato que a cidade de Damasco um um dia será destruída. Tal destruição pode acontecer durante a atual guerra civil (em curso desde 2011), em alguma outra guerra que virá ou mesmo no período da Grande Tribulação. Mas é preciso ficar claro que em nenhum lugar das Escrituras tal fato é associado com a segunda vinda de Cristo.

Além disso, alardear em cima do sofrimento alheio, dizendo que as barbáries que estão acontecendo ali são um sinal de que a Bíblia não mente ou de que isto prova que estamos no tempo do fim, já é “forçar a amizade” né… Damasco, apesar da guerra na Síria, até este momento não foi atacada, continua em pé e assim permanecerá até que todo o seu tempo se cumpra.

E, pra terminar: não se espante diante do cumprimento de uma profecia bíblica, pois isso é algo mais do que esperado. Se espante, sim, diante da crueldade humana, da ambição desumana e da falta de temor a Deus que tem dominado esta geração.

Você está pronto para se encontrar com seu Criador?

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Obs:

Não confunda Síria com Assíria. Embora os nomes em português sejam bem parecidos são duas nações distintas. A Assíria não existe mais, era um país que localizava-se onde hoje fica o norte do Iraque, tornou-se num grande império, mas foi totalmente dizimado.

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Ser Igreja

 

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaramos, por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras. (1 Tessalonisenses 4.13-18).

 

Primeira certeza: Os mortos não estão mortos

“Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem” (v.14).

O “dormir” dos crentes ou a expressão “os que dormem” dizem respeito aos corpos dos cristãos (At 13.36-37; Rm 8.10-11,23; 1 Co 15.35-46). O corpo, que deixamos por ocasião da morte, “dorme”; mas o espírito do crente – sua personalidade, seu ser, sua consciência – encontra-se com Cristo a partir do momento da morte (Mt 22.31-32; Jo 8.51; 2 Co 5.8 ). 

Quando voltar, Jesus trará consigo os que morreram nEle, pois eles já estão com Ele (1 Ts 4.14-15), e ressuscitará seus corpos mortos em primeiro lugar (v.16). 

 

Segunda certeza: O Senhor Jesus voltará pessoalmente 

“Porquanto o Senhor mesmo… descerá dos céus…” (v.16).

O arrebatamento será o momento em que o Senhor Jesus deixará Seu trono no céu e virá pessoalmente ao encontro da Sua Igreja a fim de levá-la para a casa do Pai, como um noivo vai ao encontro da sua noiva.

O Senhor não enviará um anjo ou qualquer outro emissário para fazer isso. Então se cumprirá literalmente a promessa de João 14.3: “E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também.”

 

Terceira certeza: A palavra de ordem 

“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem…” (v.16)

Essa “palavra de ordem” do Senhor vem da linguagem militar. Ela é semelhante à voz de comando de um general que chama suas tropas para o combate. Por ocasião do arrebatamento, o General Celestial dará ordem às tropas que lutam por Ele, que devem estar revestidas de toda a armadura espiritual (Ef 6.11ss), para que deixem o campo de batalha sobre a terra e venham com Ele para a Sua glória. O próprio Senhor dará esta palavra de ordem, pois Ele é o Soberano a quem todos os exércitos celestiais obedecem (Jo 5.25; Jo 10.27-28; Jo 11.43; Sl 33.9).

 

Quarta certeza: A voz do arcanjo

“Porquanto o Senhor mesmo, (…) ouvida a voz do arcanjo…” (v .16)

A designação “arcanjo” se aplica a apenas um anjo na Bíblia: Miguel (Dn 10.13; Jd 9). Miguel significa “Quem é como Deus?”. Ele é um dos mais importantes em hierarquia.

No tempo de Daniel, Miguel lutou contra um príncipe dos demônios no mundo celestial e veio ajudar Gabriel, para que este pudesse confirmar a Daniel que suas orações haviam sido atendidas (Dn 10.12-14 e 21). Anteriormente este arcanjo também lutou com Satanás pelo corpo de Moisés (Jd 9). No final, Miguel e seus exércitos de anjos lutarão contra os exércitos de demônios de Satanás, os vencerão e lançarão sobre a terra para que não tenham mais acesso ao céu (Ap 12.7-9).

Por que se ouvirá a voz do arcanjo Miguel no momento do arrebatamento? No arrebatamento da Igreja de Jesus, toda pessoa salva, seja judeu ou gentio, será retirada da terra e isso provocará um golpe repentino, dramático e inimaginável na história da humanidade que ficará para trás. O povo judeu passará outra vez inteiramente para o centro da ação de Deus. Por isso Gabriel, o príncipe angélico de Israel, entrará novamente em ação e levantará a sua voz em favor do povo. Cada vez mais judeus se converterão e levarão o Evangelho ao seu próprio povo e aos gentios.

 

 

Quinta certeza: A trombeta de Deus 

“Porquanto o Senhor mesmo, (…) ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus…” (v.16).

A trombeta de Deus aqui mencionada é a mesma de 1 Co 15.52: “…num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” . Esta trombeta de Deus chamará todos os santos de todos os tempos para a casa do Pai.

No livro de Números 10.2, quando o povo estava no deserto do Sinai, a ordem de Deus dizia: “Façam duas trombetas de prata batida; elas servirão para convocarem a congregação e para a partida dos arraiais”. Quando as duas trombetas eram tocadas de maneira normal, isso servia para o chamamento e ajuntamento de toda a congregação na porta da tenda da congregação (Nm 10.3). E quando as trombetas eram tocadas a rebate, fortemente, como “sinal de alarme”, isso indicava a ordem para sairem do acampamento (Nm 10.5). Inclusive, o último toque da trombeta era o sinal para juntar os pertences e partir (Nm 10.6) = uma maravilhosa ilustração profética do arrebatamento.

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Sexta certeza: a Ressurreição da Igreja de Cristo

“Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4.16-17)

Não se trata aqui de uma ressurreição geral. Somente os mortos em Cristo e os vivos em Cristo serão ressuscitados ou transformados. Todos os demais mortos permanecerão nas suas sepulturas até o dia do juízo final. O que é descrito aqui é uma ressurreição seletiva dentre os mortos e diz respeito somente àqueles que estão em Cristo, ou seja, os que  a Ele pertencem pela fé salvadora, e com Ele mantém um relacionamento pessoal (Jo 5.28-29; Mc 9:9-10; 1 Co 15:23)No arrebatamento então, serão ressuscitados primeiro os corpos dos que morreram em Cristo. Logo a seguir, os corpos dos que ainda estiverem vivos serão transformados. Então a Igreja será arrebatada coletivamente ao encontro do Senhor nos ares, entre nuvens, e Ele levará Sua noiva para a casa do Pai. A Igreja terá então deixado seu lugar na terra e João 14.1-6 estará cumprido. Tudo isso numa fração de segundos (1 Co 15.51-53).

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*Sétima certeza: Estar para sempre com o Senhor 

“…e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (v.17-18).

Esta garantia: “…estaremos para sempre com o Senhor”, é um consolo eterno acima de tudo o que é passageiro neste mundo… A partir desse momento, nada mais estará sujeito à morte para qualquer filho de Deus. Todas as tristezas do passado, todas as misérias e tentações, todas as perguntas, tudo será esquecido e respondido por este fato: “…estaremos para sempre com o Senhor.”

“Estaremos para sempre com o Senhor” significa que a Igreja estará sempre onde Jesus estiver; ela participará de toda a Sua riqueza divina.

Mas quem não tem Jesus cai num abismo insondável de desespero. Aquele que não tem Jesus perde a bendita e eterna esperança. Justamente nesta passagem da ressurreição e do arrebatamento, a Bíblia nos mostra que haverá pessoas que estarão dentro (1 Ts 4.16) e pessoas que estarão fora (v.12), pessoas cheias de esperança e pessoas sem esperança (v.13), pessoas que estarão para sempre com o Senhor e pessoas eternamente separadas dEle (v.17), pessoas consoladas e pessoas sem consolo (v.18). Aquele que não está em Cristo não tem nenhum relacionamento com Deus; tal pessoa está “fora”, sem esperança, porque não tem lar. Uma pessoa sem Jesus ficará eternamente sem consolo e sem paz.

*   *   *

Como você pode ganhar o direito de morar na casa do Pai celestial, adquirir a esperança de “estar para sempre com o Senhor” e transmitir esse consolo também para outros? Decidindo-se por Jesus Cristo e por Sua obra de salvação consumada na cruz – também por você. Se você aceitar isso pela fé, 1 Tessalonicenses 4.14-18 realmente se cumprirá também em sua vida. Por isso, decida-se totalmente por Jesus Cristo, o Filho do Deus vivo! A Palavra do Deus Eterno lhe diz em Jó 11.13 e 18: “Se dispuseres o coração e estenderes as mãos para Deus… Sentir-te-ás seguro, porque haverá esperança”.

 

“Todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.”
Romanos 3:23-24

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

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Leia também:

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Este assunto é mais um dentre os vários controversos na igreja cristã contemporânea. Compartilho aqui o meu entendimento sobre a questão. Respeito e entendo perfeitamente, sem nenhum problema, aqueles que pensam de maneira diferente de mim e gostaria de pedir que a recíproca fosse a mesma. 

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ARGUMENTOS CONTRÁRIOS

Em contrapartida ao extremismo libertino adotado no “mundo gospel” do século 21, tem se levantado um grupo de fundamentalistas ortodoxos que, por zelo da sã doutrina, se posicionam contrariamente a tudo que considerem “modernidades” dentro das igrejas. Reformados famosos como Pr. Paulo Júnior e o Rev. Augustus Nicodemus são alguns referenciais hoje na mídia que seguem esta linha tradicionalista. Tal entendimento é totalmente compreensível e justificável. O medo de um extremo facilmente nos leva para o outro. Assim, discordam, dentre várias outras coisas, do pastorado feminino, sob os seguintes argumentos:

– Jesus não escolheu nenhuma mulher para ser “apóstola” dentre os doze (Mt 10:1-4).

– A Igreja Primitiva não tinha pastoras, bispas, diaconisas nem presbíteras.

– A função de uma mulher (em casa, na igreja e na sociedade) deve estar sempre subordinada à uma autoridade masculina (Ef 5:4).

– O Ministério Pastoral deve ser exercido exclusivamente por homens casados com uma só mulher, ou seja, que não sejam divorciados e recasados (1 Tm 3:1-7).

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ARGUMENTOS FAVORÁVEIS

– Deus não faz acepção de pessoas (Gl 3:28)

– A Bíblia não traz nenhuma proibição ao pastorado feminino.

– O fato de uma determinada função não estar na Bíblia não significa que a mesma seja proibida.

– O Ministério Pastoral é um chamado divino e não podemos nos opor a ele (Ef 4:11, 1 Co 12:18).

– Os mandamentos bíblicos sobre a mulher não poder falar nem perguntar nada em público devem ser entendidos dentro do seu contexto cultural local (1 Co 14:34-35, Rm 14).

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UMA QUESTÃO DE INTERPRETAÇÃO

Dentre os evangélicos tradicionais em geral, vários pontos doutrinários estão acima de qualquer questionamento: Deus criou o mundo, todo ser humano é pecador, o pecado nos separa de Deus, Deus nos ama, Jesus é o único Salvador, adultério é pecado, amar o próximo é um mandamento, orar e ler a Bíblia é fundamental para o crescimento espiritual, etc, etc, etc… Mas em várias outras questões (doutrinárias e eclesiásticas), as opiniões se dividem, porque as Escrituras deixam margem para mais de uma interpretação.

Sobre tais assuntos, penso que TODOS devemos ter humildade para reconhecer nossa pequenez diante da revelação do Altíssimo (Dt 29:29). Deus não cabe em nossas “caixinhas teológicas”, por isso cada um deve buscar entendimento na Palavra e se posicionar doutrinariamente segundo este entendimento sem, no entanto, achar-se o “dono da verdade”, julgando como hereges ou rebeldes todos os que pensam de maneira diferente.

Isto posto, segue abaixo o MEU ENTENDIMENTO sobre o pastorado feminino.

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1. CONTEXTO CULTURAL

Em primeiro lugar precisamos discernir na Palavra, o que é permanente e o que é transitório, o que é um mandamento literal e incondicional e o que é uma orientação temporal específica para um determinado contexto cultural (do qual apenas o princípio espiritual deve ser extraído e aplicado universalmente).

Por exemplo: a Bíblia ordena que devemos deixar a terra descansar por um ano inteiro, a cada sete anos, sem plantar nada nela durante este tempo (Ex 23:10). Numa época sem as técnicas agrícolas que foram desenvolvidas posteriormente, tal prática era estritamente necessária, mas nos dias atuais é totalmente impraticável. Os produtores rurais que não seguem este preceito hoje estriam pecando e sendo insubmissos à sã doutrina? Claro que não! Tal ordenança serviu para aquele tempo, naquelas circunstâncias. Devemos entender da mesma forma, por exemplo, a proibição de misturar dois tipos de tecido na mesma roupa (Lv 19:19) e de comer carne de coelho e de porco (Lv 11), o mandamento de apedrejar os filhos desobedientes (Dt 21:18-21) e o de saudar uns aos outros com ósculo santo (1 Ts 5:26). Para mais esclarecimentos sobre estas questões sugiro a leitura do seguinte estudo: “Quais preceitos do A.T. o cristão deve seguir?”.

É verdade que dentre os apóstolos de Jesus e os pastores e bispos da Igreja Primitiva não havia mulheres, mas também não havia nenhum gentio, nenhum escravo, nenhum negro… Tal fato não pode ser visto como uma doutrina essencial da fé cristã, mas tão somente uma opção por questões socioculturais.

Na cultura judaica (pano de fundo do Antigo e do Novo Testamento), a mulher era considerada inferior ao homem e indigna de ler e estudar as Escrituras, de ser discipulada por um rabino, de oferecer sacrifícios nos templos, de participar das reuniões nas sinagogas.  Sabemos que faz parte do ritual de oração matinal dos judeus a oração: “Senhor muito obrigado por não ter nascido gentio, escravo ou mulher”, tamanha discriminação sofrida pelas mulheres. Logo, é totalmente compreensível que, neste contexto histórico, não tenhamos muitas mulheres exercendo funções de liderança, pois era visto como um escândalo inadmissível para os judeus. Hoje, numa cultura como a nossa, tal justificativa já não se aplica.

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2. NÃO ESTÁ NA BÍBLIA

É verdade que não temos exemplos bíblicos de mulheres pastoras no Novo Testamento. Mas também não temos relato bíblico de secretárias, atletas de Cristo ou decoradores nas igrejas. Não temos exemplos de organizações como Mensageiras do Rei, Culto Infantil nem Cursos como Casados para Sempre. Não havia Concílio examinatório para Ministério Pastoral (nem Seminário Teológico). Não vemos em toda história neotestamentária uma igreja fazendo Acampamento de Jovens ou um Evento para a Terceira Idade. Também não há namoro na Bíblia, não há teatro evangélico, nem vozes femininas ou infantis nos corais (somente os levitas, entre 20 e 50 anos de idade, podiam fazer parte do Coro). Também não havia grupo de louvor nas igrejas neotestamentárias nem comemoração pelo Dia das Mães. E por aí vai… Então, por que  coibir tão somente o pastorado feminino?

As práticas eclesiásticas firmam-se nos princípios eternos da Palavra de Deus ao mesmo tempo em que vão se adequando às necessidades do local em que estão inseridas, de acordo com as estratégias que o próprio Senhor da Igreja apresenta. Surgem novas funções, novos departamentos, novos cargos, novos oficiais, contextualizando-se a práxis sem jamais comprometer a essência do Evangelho.

O fato de não haver mulheres no grupo apostólico, não pode ser entendido como uma proibição ao ministério pastoral para as mulheres, e se o ministério não ficou proibido aos escravos, aos gentios, aos negros e aos gregos, porque ficaria para as mulheres? Se na Bíblia não temos exemplo de pessoas orando de mãos dadas, por exemplo (e não temos mesmo), estaríamos porventura errando cada vez que damos as mãos para orar?

Além disso, se é verdade que não encontramos nas Escrituras o pastorado feminino, também é verdade que não encontramos nenhuma proibição neste sentido. Não existe nada no Novo Testamento que negue a imposição de mãos sobre as mulheres para qualquer ministério na igreja primitiva. Se fosse algo que Deus não aprovasse (como a ordenação de crentes imaturos ou sem idoneidade), certamente isto estaria explícito em Sua Palavra.

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3. UMA QUESTÃO DE SUBMISSÃO

A submissão da mulher é, por vezes, muito mal entendida, gerando combustível para argumentos machistas ou feministas defenderem seus pontos de vista e atacarem os contrários.

A verdade é que a submissão da mulher ao marido é uma proteção maravilhosa dada por Deus. Gera segurança, saúde emocional e equilíbrio em toda a família, pois um marido sábio e temente a Deus exercerá sua liderança em amor, e no Senhor, não impondo à esposa nada que a Bíblia não endosse (Ef 5:22-33; Cl 3:18-19, 1 Pe 3:1-7). Quando este princípio espiritual é quebrado, na insubmissão da esposa ou no abuso do marido, a família sofre e as consequências vêm.

Mas a posição de submissão da esposa na esfera do casamento não significa que a mulher seja inferior ao homem. Ambos são iguais diante de Deus e têm os mesmos direitos civis e religiosos diante da sociedade. As conquistas da mulher, sobretudo no mundo ocidental, são dignas de comemoração. Seu direito a votar, trabalhar, estudar, se expressar e poder escolher com quem se casar foi, sem dúvida, um grande avanço sociológico. E ter mulheres em funções de liderança nas empresas e instituições em geral também representam um abençoado progresso do respeito aos direitos humanos.

O fato de Deus ter dado ao marido a função de líder da família e cabeça da esposa, não significa que a mulher não possa exercer funções de liderança em outras esferas de atuação, portanto, não pode ser usado como justificativa para que não haja mulheres líderes nas diferentes áreas ministeriais da igreja, inclusive a pastoral.  

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4. TÍTULO OU DOM?

O Ministério Pastoral na verdade, é um dom espiritual e não um título eclesiástico. A igreja local apenas reconhece este dom na vida de alguém da comunidade, mas quem vocaciona é Deus, quem chama é Deus, quem capacita é Deus.  

Temos hoje inúmeras pessoas, homens e mulheres, com o título de pastor mas que, na verdade não tem o dom do ministério. Homens e mulheres que obtiveram o título por vontade humana, buscando status, influência, conveniência, dinheiro… Porque têm aptidões de oratória ou liderança… Ou, em alguns casos, porque acreditam que a esposa do pastor, por ser uma carne com ele, também deve ser considerada pastora… Por outro lado também existem inúmeras pessoas, homens e mulheres, que têm o dom pastoral, mas não têm o título. Exercem seu ministério em amor, na comunidade onde congregam, ensinam, aconselham, exortam, conduzem, mas não são chamados de pastores nem recebem nenhum auxílio financeiro por isso.

Então, é preciso que fique bem claro que, antes de qualquer coisa, o pastorado é um dom, como qualquer outro dom. Não há mérito humano nenhum envolvido. É uma escolha de Deus. Então porque não reconhecer este dom nas mulheres, da mesma forma que fazemos com mestres, evangelistas, missionários? E, quando Deus dá este dom a uma mulher, que autoridade tem a comunidade eclesiástica para lhe negar o título?  

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CONCLUSÃO

Deus me chamou para o ministério aos 18 anos de idade. Desde então tenho procurado honrar este chamado. O concílio e ordenação pastoral vieram depois dos 40, em 2010. Nunca me importei com títulos e acho muito triste aqueles que se importam com isso. Mas sou convicta da missão que recebi do meu Bom Pastor e tenho procurado exercer meu ministério com muito temor e humildade.  Como pastora, me considero e sou vista como auxiliadora, tenho funções específicas na comunidade, e não ouso fazer qualquer coisa sem o respaldo do meu esposo e pastor da igreja.

Mas o que realmente me incomoda não é alguém discordar do pastorado feminino, mas sim o fato de muitos verem a figura do pastor sob um ângulo que o Novo Testamento não coloca. Na maioria das vezes, os que se recusam a aceitar que uma mulher pode ser pastora, vivem ainda sob os vícios da igreja estatal antes da Reforma, que via o clero como homens super espirituais, muito acima dos pobres leigos mortais. A doutrina dos “oficiais da igreja” foi construída sob a visão de que pastores e diáconos são diferentes e estão acima dos “crentes comuns”, o que, na minha concepção, é um erro gravíssimo. Em Cristo, somos todos sacerdotes e, ao mesmo tempo, somos todos ovelhas do mesmo Pastor. Todos: pastores, profetas, bispos, diáconos, evangelistas, zeladores, porteiros, músicos, intercessores… todos somos falhos, limitados, pecadores, dependentes da Graça de Cristo e por Ele capacitados ao “sacerdócio real”.  Bem, mas este é assunto para um outro Post rs… 

Dentre os que consideram o ofício de pastor como um título honorífico restrito aos homens, muitos o fazem por zelo, por entenderem ser esta a melhor maneira de interpretar as Escrituras. Outros por resquícios machistas, conservadores e preconceituosos da nossa sociedade. E outros porque são ainda movidos por legalismos religiosos farisaicos da era moderna. Mas o fato é que sempre houve e sempre haverá celeuma sobre estes e outros assuntos. Então, de uma forma ou de outra, que sigamos rumo ao mesmo alvo, que é Cristo, respeitando nossas diferenças e guardando nossas energias para lutar contra nosso verdadeiro inimigo.  A seu tempo, o Mestre virá, separará o joio do trigo, e julgará cada um segundo suas obras.

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? É para o seu senhor que ele está em pé ou cai. E permanecerá em pé, porquanto o Senhor é capaz de o sustentar… Portanto, se Deus lhes concedeu o mesmo Dom que dera igualmente a nós, ao crermos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu, para pensar em contrariar a Deus? …Ainda que esteja consciente de que nada há contra mim, nem por isso me justifico, pois quem me julga é o Senhor… Porque dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém”

(Rm 14:4; At 11:17; 1 Co 4:4-5, Rm 11:36)

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

 

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O que diferencia culto de show não são as luzes, o tipo de música ou a roupa de quem está à frente. O que diferencia uma coisa da outra é o coração.

Um coração adorador cultua ao Senhor, com ou sem luzes, com ou sem música, com ou sem um ministro talentoso ou “bem vestido”. Já um coração endurecido é sempre crítico e, em vez de adorar, preocupa-se com a aparência e a forma das celebrações. Então, pra estes, é sempre um show, cujo expectador é ele mesmo e não Deus.

Criou-se um estigma de que um culto não pode ter iluminação especial, dança, teatro ou qualquer outra coisa que fuja de um caráter sóbrio. E toda vez que alguém tenta impor suas regras e seu ponto de vista de como o outro tem que se relacionar com Deus, iguala-se aos fariseus do tempo de Jesus.

Se uma igreja tem condições e quer celebrar a Deus com luzes, gelo seco, painel de led, banda, orquestra, grupo de dança ou fogos de artifício, quem pode dizer que isso não é lícito? O culto é pra quem mesmo?

Que aprendamos a respeitar as diferenças. Reverência está na forma como eu enxergo Deus e me posiciono diante Dele, e isso nada tem a ver com luzes, togas ou guitarras.

“Está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.” João 4:23

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Doctor of Ministry em Bíblia
Marília/SP

 Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

 

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