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Posts Tagged ‘legalismo’

cegueira_espiritual

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“Guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” Pv 4:23

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Situação A: Sílvia e Bete são membros de uma Igreja Evangélica há muito tempo e frequentam a mesma Célula (grupo pequeno de oração nos lares). Mas a Sílvia soube, por uma fonte confiável, que a Bete está com um comportamento inadequado aos princípios bíblicos. Uma pessoa a flagrou dançando numa boate, com um copo de Vodca na mão, trajando um micro vestido e “ficando” com um homem sem ter um compromisso com ele. Sílvia ficou horrorizada com o que soube, afinal, sempre admirou muito a Bete. Tal atitude da amiga a decepcionou profundamente. Orou por ela pedindo misericórdia. E decidiu alertar algumas pessoas para que não confiassem nela, contando o que soube. Também desabafou com uma amiga sobre o assunto, pois a situação a estava incomodando muito. Por estar muito indignada, achou melhor não falar com a Bete, fingiu não saber de nada, e afastou-se dela. Também optou por não falar nada para seu líder de Célula, pois soaria como fofoca, e isso é algo que ela quer evitar, afinal, não quer “cair em pecado” como aconteceu com a amiga. Algumas semanas depois, Bete saiu da igreja e assumiu publicamente sua vida longe de Jesus.

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Situação B: Jorge é líder de um ministério na Igreja, mas discorda completamente da forma com que o seu pastor vem dirigindo a igreja. Jorge se sente profundamente incomodado com algumas posturas do pastor que, a seu ver, estão erradas e lhe parecem anti-éticas. Como ele é submisso ao pastor, achou que seria desrespeito falar pra ele o que pensa. Então preferiu se calar e seguir as orientações do seu líder, mesmo sem concordar com elas. Comentou apenas com algumas pessoas para sondar se ele era o único que estava detectando tais desvios, ou se outras pessoas compactuavam com sua maneira de pensar. Não conseguiu chegar a um consenso, pois, alguns concordaram com ele, outros não. Então, sentiu que deveria procurar outra igreja.

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Estes são fatos e nomes fictícios, mas que tem se repetido todos os dias no meio cristão, quer no âmbito de igreja local, ministérios, células, grupos pequenos ou famílias.

O que essas duas histórias tem em comum? Jorge e Sílvia expressam o desejo de servir a Deus e se manter em santidade. Não querem fazer fofoca ou parecerem insubmissos, mas o que acontece por detrás da atitude dos dois é justamente o inverso.

Jorge foi submisso ao pastor em sua conduta, mas o seu coração estava em rebeldia. O fato dele não procurar o pastor para abrir o seu coração, e ser sincero com ele sobre seus sentimentos e impressões, fez com que aquela semente de discórdia germinasse, criasse raízes e frutificasse. Sua omissão e covardia em fazer o que era certo o levou a escolher a atitude errada: maldizer o pastor para outras pessoas, criar facções na igreja, gerar contenda, o afastar de seu líder e, por fim, o afastar da igreja. Também perdeu a oportunidade de ser bênção na vida do seu pastor e ajudá-lo a realinhar algumas questões.

Sílvia foi imparcial em sua conduta, mas o seu coração estava em desamor. Ela não comentou nada da amiga com seu líder, nem com a própria pessoa em questão. Preferiu não “julgar” ou se envolver diretamente para se poupar e preservar sua imagem. Mas sua omissão e covardia em fazer o que era certo a levou a escolher a atitude errada: compartilhar o que soube da Bete para outras pessoas, criar facções na Célula, gerar contenda, se afastar da amiga e, por fim, não fazer nada para impedir que Bete se desviasse. Deus ODEIA essas coisas!

Jesus abraçou ladrões, prostitutas, adúlteros, pecadores confessos… e condenou veementemente a atitude aparentemente piedosa de religiosos cujo coração estava sujo.

Temos nos distanciado de Deus, mas permanecemos na igreja. E este distanciamento tem nos tornado cegos espirituais. Fazemos fofoca, maldizemos, murmuramos, nos rebelamos, tudo sob o manto da justiça, com pretextos de santidade. Pecado duplicado.

É tempo de arrependimento! Que caiam as escamas de nossos olhos!

Precisamos REAPRENDER  a olhar o outro nos olhos e dialogar, esclarecer, confrontar em amor. O amor não se acovarda, o verdadeiro amor enfrenta, dá a cara a tapa, não folga com a injustiça, e faz o que for preciso para resolver conflitos e situações.

Ficar calado quando deveria falar e falar quando deveria se calar é consequência de emoções doentes e carnais.

Que o Senhor nos ajude a não cair nesta armadilha, e vivermos nossos relacionamentos sem hipocrisia, em liberdade e transparência. Sem religiosidade, legalismo ou farisaísmo, mas em amor.

Quando você, de alguma forma, não concordar com alguma coisa ou ficar sabendo de algo errado no seu irmão, esposo, líder, amigo, não se omita, não finja que está tudo bem, nem saia por aí denegrindo a imagem do outro. Deus espera de nós que sejamos sinceros e amáveis. Só assim, conseguiremos cultivar relacionamentos saudáveis e cumprir o que nos diz o Evangelho:

“Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações (…), exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros (…) com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”

1 Pe 2:1, 1 Ts 5:11, Ef 4:2-3

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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mascaras pesam

Conheci vários: líderes icônicos em nossas igrejas que, sutilmente foram construindo em torno de sua imagem uma máscara de perfeição. Cristão perfeito, casamento perfeito, pai perfeito, homem perfeito.

– Está tudo bem com você, meu irmão?
– Sim, claro, tudo está bem, eu estou sempre bem!

O “cara” se torna referencial para outros e, para encobrir as pequenas brechas de fragilidade que tentam aflorar, vai reforçando a máscara, aumentando a maquiagem, bordando a própria imagem em torno de si.

Mas, quanto maior é a máscara e maior é o tempo que o cidadão se vê obrigado a segurá-la, mais pesada ela se torna.

O peso vai se tornando quase insuportável. Um fardo que lhe suga todas as forças, todo o trabalho, toda a vida. Todos os seus pensamentos se concentram no esforço hercúlio de manter a imagem que foi criada.

Agora não se trata mais apenas de si mesmo. Se a máscara cair, muitos outros serão atingidos e, talvez, cairão junto.

Mas o peso é grande, e as forças se esvaem…

Até que a vergonha de se expor sucumbe ao desejo de liberdade e, finalmente, a máscara cai.

O exemplo de marido perfeito é pego em adultério…

O exemplo de presbítero perfeito é preso por pedofilia…

O exemplo de mulher perfeita é internada por overdose…

O exemplo de líder perfeito é flagrado em estelionato…

Mascaras pesam

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Neste momento dramático, em meio à dor e a vergonha, a misericórdia de Deus surge, majestosa, oferecendo-nos a chance de recomeçar.

Para muitos, a máscara se tornara tão incrustada na vida que, ao cair, a própria vida vira pó. E no pó, flui a ÁguaViva do Espírito Santo,  fazendo barro de novo, e moldando, tudo de novo, um novo vaso.

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mascaras pesam

Máscaras pesam.

Máscaras pesam e, enquanto erguidas, impedem que o toque da mão do Mestre nos alcance.

Oro para que as misericórdias de Deus operem na vida daqueles que estão sendo massacrados sob o peso da falsa imagem. Oro para que caiam e virem pó, pois só assim, experimentarão a liberdade de serem meros mortais, pecadores como todos nós, desesperadamente dependentes da Graça de Deus.

Se você está cansado de sustentar suas máscaras, desista delas o quanto antes. mascaras pesam Pecados precisam ser confessados. Falhas precisam ser admitidas. Perdas precisam ser restituídas. Aquele que tenta seguir em frente após uma queda fazendo de conta que nada aconteceu, nunca será curado.

Não existe um caminho fácil para isso. A dor será terrível, é verdade. É verdade também que alguns poderão se perder ao perder o referencial que viam em você. Verdade também que a tão temida solidão apareça. E talvez se formem grandes cicatrizes, enfim. Mas, só assim, e somente assim, Deus poderá lhe reconstruir.

Não tema, ELE mesmo cuidará pessoalmente de cada detalhe. ELE mesmo cuidará dos que se machucarem durante o processo. Não tema, crê somente, e verás a Glória de Deus.

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Ser Igreja

 
Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
 

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Deprimente a estratégia de crescimento de algumas igrejas e ministérios: buscar ovelhas em aprisco alheio.

A gente evangeliza, ensina, batiza, discipula, treina, equipa e aí… quando a pessoa está pronta para começar a frutificar, vem um abençoado de outra igreja e faz o convite para que a pessoa vá trabalhar lá, com a promessa de “cuidar” dela.

Muito cômodo formar células e ministérios com pessoas já “prontas” de outras igrejas, mas e o Reino? Isso é bíblico? Isso é ético? Isso é cristão?

Precisamos entender que criar raízes é algo importante para nosso crescimento e amadurecimento (Hb 13:25). Pessoas estão pulando de igreja em igreja buscando satisfação própria e têm sido roubadas do privilégio de simplesmente servir.

Quando nós tiramos alguém do lugar onde o próprio Deus a plantou, estamos desconfigurando o plano original daquele que é o Senhor da Igreja (1 Co. 12:26-28). O Espírito concede dons espirituais a cada um para o que for útil dentro de determinada comunidade local. É uma grande rede onde a edificação mútua gera a edificação da comunidade que, por sua vez, gera a edificação do Reino (Ef. 4:16). Simples assim!

Enquanto igrejas locais ficam seduzindo os membros umas das outras, as pessoas perdem suas identidades, projetos se frustram, ministérios enfraquecem, o Reino deixa de crescer e o inferno… vibra (Jo. 10:10).

É tempo de voltar às veredas antigas (Jr. 6:16), à simplicidade do evangelho (Mc. 12:30-31), à essência do “ser igreja” (Ap. 2:5)!

Não nos engajamos num determinado ministério para sermos “paparicados” ou termos o ego massageado (1 Co. 10:24-33). Deus nos chama para a guerra, não contra carne e sangue, não contra pastores e líderes, não contra irmãos de caminhada, mas contra principados e potestades do mal (Ef. 6:12).

Que, em nome de Jesus, possamos seguir nessa luta juntos, em favor do Reino, permanecendo cada um no lugar onde fomos chamados (Hb. 10:25).

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

3ª Igreja Batista de Marília

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Permitida reprodução, sem fins lucrativos,

mediante citação da fonte e autoria

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Sou do tempo (e olha que ainda nem cheguei aos 50…) em que as pessoas que “viravam crentes” não tinham muita opção: Batista, Metodista, Presbiteriana, Assembléia de Deus… Era preciso se adequar a uma das poucas denominações existentes na cidade para aprender a Bíblia e cultuar em comunhão com outros irmãos da mesma fé.

De repente (de repente messsssmo) as igrejas foram se dividindo, se subdividindo, se resubdividindo, e assim começaram a brotar novas “igrejas” em todos os lados:

  •  Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
  •  Congregação Plena Paz Amando a Todos
  •  Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
  •  Igreja Palma da Mão de Cristo
  •  Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
  •  Igreja Pentecostal do Fogo Azul
  •  Igreja do Amor Maior que Outra Força
  •  Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica
  •  Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
  •  Igreja Bailarinas da Valsa Divina
  •  Igreja Abre-te-Sésamo
  •  Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados
  •  Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
  •  Igreja Evangélica Pentecostal Batista Mundial Missão Nikkei
  •  Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
  •  Cruzada de Emoções
  •  Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta
  •  Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém
  •  Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
  •  Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
  •  Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
  •  Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
  •  Igreja Cristo é Show
  •  Igreja Atual dos Últimos Dias
  •  Igreja Pentecostal Planeta Cristo
  •  Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés
  •  Igreja MTV (Manto da Ternura em Vida)
  •  Igreja Pentecostal Marilyn Monroe
  •  Igreija (sic) Evangélica Muçulmana Javé é Pai
  •  Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
  •  Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
  •  …

 

São “igrejas” e “igreijas” para todos os gostos, bolsos, necessidades e jeitos. Seus freqüentadores são, na maioria, bem intencionados. Pessoas que desejam seguir uma religião, amam a Deus e buscam o caminho certo. Por outro lado, a liderança destas “igrejas” são, na sua maioria, lobos em pele de cordeiro. Chamados por si mesmos para serem servidos – eis a “sublime vocação”. E o que não falta são homens e mulheres querendo um “lugar ao sol” nessa feira.

A pluralidade, sem dúvida, é imensa. Não há uma regulamentação vigente com critérios a serem seguidos por alguém que decidir “abrir uma igreja”. E, enquanto isso não muda, a tendência da pluralidade é crescer a cada dia mais.

Não obstante a imensa diversidade dessa dantesca Feira Igrejeira, num olhar panorâmico consigo enxergar nitidamente três igrejas:

 

1. Igreja Legalista

Nesta igreja, os líderes julgam estar mais pertos de Deus e, por isso, acreditam que conseguem traduzir em palavras exatamente o que Deus espera de seus filhos. Desta forma, são estabelecidas regras para “facilitar” o entendimento da vontade de Deus. Criam-se códigos de conduta; parâmetros morais, éticos e estéticos; padrões de usos e costumes. São os líderes que decidem o que “pode” e o que “não pode”.

Nesta igreja, a aparência de santidade é o alvo. Proíbe-se tudo que seja pretensamente “do mundo”: adornos, enfeites, maquiagem, roupas modernas, televisão, teatro, cinema, futebol, shopping, política, filosofia, psicologia…

O novo convertido recebe uma “cartilha” de como um cristão deve se comportar. Se ele seguir a cartilha, é considerado “espiritual” e promovido a cargos de confiança na igreja. Se algum item é desobedecido, o fiel é disciplinado e fica “de banco” para aprender e dar exemplo a outros. Se não tomar jeito e houver reincidência, é possível que perca a salvação.

2. Igreja Mercenária

Esta igreja proclama em alto e bom som que detém todo o poder no céu e na terra! Milagres, curas, libertação, prosperidade, bênçãos, vitórias, bens, emprego, sucesso, tudo que faz parte da “vida abundante” prometida, promete-se encontrar aqui.

O líder não precisa ter estudo, pois tem “poder”, é o “ungido” do Senhor. E, segundo ele, tem muito mais autoridade na Bíblia do que qualquer teólogo. Descobriu-se um caminho de extorquir dinheiro honestamente: o cara aprende a falar bonito, decora alguns textos da Bíblia, abre uma igreja com um nome convincente, dá-se a si mesmo um título pomposo (pastor, apóstolo, bispo, pai, mestre…), utiliza elementos criativos nos cultos (troca do anjo, campanha do perfume de Ester, óleo ungido de Israel, etc…), apela para o lado emocional do público e convence as pessoas de que tudo vai melhorar se ela semear sacrificialmente.

O que se requer do fiel é que tenha fé. Fé e desprendimento para ofertar com liberalidade. Afinal, é preciso semear para poder colher. Dentro deste raciocínio: quanto maior a oferta, maior a bênção! Verdadeiros impérios são erguidos às custas dessas sementes de fé. E todo o dinheiro arrecadado vai direto para o bolso do “chefe maior”.

3. Igreja Liberal

Normalmente chamada de Comunidade (para atrair as pessoas da comunidadde). Condena o vocabulário “crentês”, e tudo que seja estereótipo do evangélico. Ao contrário dos legalistas, pregam que a mudança produzida pelo Evangelho é interna e que ninguém, a não ser Deus, tem nada a ver com isso.

Para essa igreja, ser cristão é ser como o vento, que sopra aonde quer. O importante é amar a Deus e ao próximo. Beber, fumar, ficar, fazer sexo antes do casamento, falar palavrão, tudo é lícito, desde que sua consciência não o condene. Deus é amor e a sua graça não exige sacrifícios ou renúncias.

Seus líderes são carismáticos, envolventes, intelectualizados, com formação superior. O investimento maior é em relacionamentos. Condenam severamente tudo que lembre, mesmo de longe, uma igreja convencional: terno e gravata, música evangélica, dom de línguas, Marcha pra Jesus, sermão dominical, Escola Bíblica, templo, coral… consideram essas coisas como ritos religiosos e inúteis, práticas de pessoas atrasadas e sem conhecimento.

Identificando o joio

Sabemos quão inúteis são as placas para a salvação do homem. Mas, se a pessoa entrar numa dessas três “igrejas” da feira (legalista, mercenária ou liberal), poderá permanecer iludida pensando ter encontrado o Evangelho e, no final, descobrir que construíra sua casa sobre a areia.

Por isso, busque na Palavra de Deus o significado do Evangelho e, em seguida, compare com aquilo que você tem ouvido do púlpito. Este é o critério! Esta é a fórmula! Não fique em qualquer “igreja”, não acredite em qualquer “pastor”, não dê seu dinheiro a qualquer “profeta”.

Você sabe que é pecador e precisa de Cristo? Então busque a Deus. Mas não o busque  na Feira Igrejeira; ELE não estará lá. Busque-o no secreto do teu quarto. Busque-o nas páginas da Bíblia Sagrada. Busque-o com homens e mulheres que servem a Deus com integridade, e que congregam em Igrejas de verdade.

Igreja perfeita, com homens perfeitos, sabemos que não existe. Mas ainda existe uma Igreja firmada na Palavra. O Mestre Jesus disse que o joio e o trigo deveriam crescer juntos. Ambos são parecidos mas, no devido tempo, o joio será arrancado e lançado no fogo, enquanto o trigo será recolhido e levado ao celeiro do Rei.

Nem todos os caminhos levam a Deus. Procure um lugar onde a Bíblia seja ensinada,  onde Jesus seja apresentado como o único caminho para a salvação e onde você seja respeitado. Esse lugar existe! Chama-se Igreja.

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e  em Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

 Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Ser Igreja

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Não é difícil encontrar ovelhas e pastores que, decepcionados, entristecidos e/ou feridos com o sistema eclesiástico, se revoltam com a igreja e seus crentes.  “Parem o trem, eu quero descer!” gritam na alma em momentos de desespero. Mas alguns realmente pulam do trem, optam por abandonar o sistema, abrir mão dos rótulos, romper com tudo… e hoje fazem parte dos “sem-igreja”.

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Mediante notícias do mundo gospel tais como a do pastor que roubou, do ministro de música que cometeu adultério, ou do seminarista que estuprou, alguns dizem ter vergonha de se denominar “evangélicos” e preferem se identificar como “crentes” (como sei isso fizesse algum tipo de diferença). Outros proclamam a falência do cristianismo. Outros concluem que a vida na igreja não passa de rituais legalistas. Termos como: ativismo, farisaísmo, religiosidade, moralismo e “igreja” (entre aspas) se tornaram chavões destes novos discursos.

É certo que multiplicam-se a cada dia os charlatões que se dizem pastores/bispos/apóstolos/querubins… Certa também é a farta presença da hipocrisia e do legalismo no meio cristão. Mas, significaria isso a falência da igreja institucional? Não! Creio que não.

Num olhar mais profundo e imparcial, é possível enxergar que o problema não está no sistema, mas nas pessoas. É o ser humano que, cada vez mais distante do seu Criador, tem seu caráter maculado e suas atitudes bestializadas. É o ser humano que, cada vez mais egoísta e megalomaníaco, segue com sua espiritualidade coando mosquitos e engolindo camelos (1). É o ser humano que, tentando fugir de si mesmo, pula de religião em religião, igreja em igreja, programa em programa. Não, o problema não está no sistema!

Legalismo e hipocrisia já existiam nos tempos de Jesus (2) , marcaram presença na igreja primitiva (3) e continuarão existindo até a volta de Cristo (4) . Pastores charlatões e lobos em pele de ovelhas sempre brotarão nos solos evangélicos, seja nos grandes templos, seja nas estações, seja nas reuniões de oração dos “crentes-sem-igreja”. Onde houver trigo, haverá joio. Onde houver ovelha, haverá bode. Onde houver árvore, haverá erva daninha. Por quê? Porque onde houver gente, haverá encrenca!

É cômodo culpar o sistema, a instituição, o modelo. Mas trata-se de uma postura omissa, covarde e grande contribuinte para nos tirar do foco. Igreja não é invenção humana! Não é justo apedrejá-la.

Conheço não poucas igrejas sérias e equilibradas, não poucos pastores honestos e consagrados, não poucos seminaristas crentes, fiéis, apaixonados por Jesus. NÃO! A IGREJA NÃO ESTÁ FALIDA!

Amo a igreja a qual pertenço. Amo meu ministério. Amo os momentos de comunhão com o povo de Deus. Sou esposa de pastor e, em meio a tropeços e inquietações – naturais da nossa humanidade – temos procurado vivenciar a simplicidade e a seriedade do Evangelho ensinado por Cristo.

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Vamos unir forças para, na medida do possível, combater sim o joio, os lobos, o farisaísmo, a falsa moralidade, a religiosidade vazia de espiritualidade, sem contudo destruir também a igreja (com ou sem aspas). Através do amor, perdão, santidade, intimidade com Deus e muito, muito trabalho, façamos a nossa parte para iluminar e salgar a terra.

Isso sim, fará toda a diferença!

 

(1) Mateus 23:24

(2) Mateus 23:27-28

(3) 1 Coríntios 3:1-3

(4) 2 Timóteo 3:1-5 

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
 
 Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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No início de 2004, após ouvirmos uma palestra sobre as maldições espirituais a que as pessoas que usavam piercings ou tatuagens estavam sujeitas, começamos a ensinar na igreja que tais práticas eram contrárias à vontade de Deus. Nem todos concordaram. Alguns inclusive se tatuaram e colocaram piercing mesmo à revelia da orientação pastoral. Os que assim procederam foram aconselhados e advertidos verbalmente quanto aos perigos de tais práticas sem, entretanto, serem desligados da igreja ou disciplinados por conta disso.

Escrevi um artigo sobre o assunto, falando dos perigos deste modismo, baseado na palestra que tínhamos ouvido e num livro escrito pelo mesmo preletor. O artigo foi postado no site da igreja e teve grande repercussão, sendo reproduzido em dezenas de outros sites e blogs.

O tempo passou. Continuamos sendo questionados por vários jovens. Recebi vários emails contrários ao meu artigo, alguns até ofensivos, me acusando de preconceituosa. Mas mantive minha posição até o início de 2009, quando um desses emails me fez começar a questionar se as coisas eram realmente daquela maneira.

Guardei para mim estes questionamentos e comecei a pesquisar e me aprofundar no assunto. Descobri que meu artigo continha vários erros de referência e também de hermenêutica e exegese. Confesso que fiquei chocada! Principalmente porque cresci num ambiente tradicional e sou conservadora em muitos aspectos. Descobri que não há nada explícito nas Escrituras que condene o piercing ou a tatuagem em si. Trata-se de mais uma questão de “usos e costumes”. Enfim a sentença: a galera que havia nos questionado durante todos estes anos estava certa! E nós estávamos errados!

Retirei o artigo do site e comecei a escrever outro. Ah, como é difícil confrontar nossos “achismos” com a Palavra de Deus! Tive muita dificuldade para escrever o texto. Mas em meio a toda essa celeuma de sentimentos e raciocínios, em todo o tempo ouvia a doce voz de Jesus me dizendo: “filha minha, o mais importante é o amor”. Deus foi semeando em meu coração um amor incondicional inexplicável pelas pessoas. Um sentimento de compaixão tão grande que não deixava espaço para bobagens como piercings ou tatuagens. Passei então a entender um pouco mais a esse Deus e pedi perdão pelo meu legalismo e religiosidade que, embora bem intencionados, servem apenas para separar as pessoas da graça salvadora de Jesus. Não compartilhei essa experiência com ninguém. Até então, como Maria de Nazaré, entendi que era tempo de apenas guardar todas essas coisas em meu coração.

Em meados de setembro deste mesmo ano (2009) alguns jovens da igreja, indignados com o legalismo e as amarras da religiosidade, começaram a orar juntos, jejuar, estudar a Bíblia, debater, ler, escrever e conversar com os pastores e outros líderes espirituais sobre vários assuntos. Na verdade, tudo começou quando alguns irmãos mais tradicionalistas se incomodaram com o fato de alguns irem de boné para os cultos. Um grande alvoroço foi criado em torno do boné, até o ponto de uma família de visitantes ser impedida de entrar no templo porque um dos filhos recusou-se a tirar o boné. Não dava mais para adiar a questão. Como igreja, precisávamos nos posicionar: ou mantínhamos os velhos costumes em nome da “ordem e decência” ou abriríamos mão de alguns posicionamentos também em nome da “ordem e da decência”. Algo precisava ser feito.

Este passou a ser então o principal assunto das conversas em casa, isso porque meus dois filhos faziam parte do tal grupo de jovens “revolucionários” e meu esposo era o pastor presidente da igreja. Palavras como paradigma, dogma, legalismo, escândalo, preconceito, estereótipo, moralismo e religiosidade estavam sempre presentes conosco em nossas refeições.

Na busca por respostas, estes jovens desenvolveram um impressionante nível de intimidade com Deus. Em meio a tantas turbulências, isso foi um oásis lindo de se ver… Depois de muita oração, conversa e um estudo profundo das Escrituras, acabamos concluindo que realmente essa é uma questão pessoal. Assim como a proibição da calça comprida e do corte de cabelo para as mulheres em décadas passadas, assim era a nossa proibição de bonés, chapéus, piercings e tatuagens. Uma questão sócio-cultural, não espiritual (veja mais detalhes no artigo ‘Tatuagens, piercings e afins’).

A notícia se espalhou e cada um fez sua própria leitura dos fatos. A grande maioria reagiu com naturalidade, dizendo que sempre pensaram deste jeito. Alguns pais preocupados (e desesperados) se indignaram com o tal “agora pode”. Adolescentes empolgados comemoraram. Membros de outras igrejas protestaram com frases sarcásticas. Alguns pediram um tempo para se acostumar à idéia. E assim sucessivamente. Os pastores da igreja passaram dias atendendo em seus gabinetes, tirando dúvidas e acalmando os ânimos. Graças a Deus, não perdemos ninguém.

Não foi fácil administrar esta situação. Principalmente porque meu filho decidiu, ele mesmo, depois de vários meses de jejum e oração, fazer uma tatuagem para mostrar a todos que isso não mudaria sua vida com Deus, uma espécie de ícone contra o legalismo e o preconceito. Tivemos que dar muitas explicações e enfrentar acusações por vezes cruéis. Mas o amor de Deus guardou os nossos corações e inundou a nossa igreja de tal maneira que, de repente, não tínhamos mais tempo para perder com esses pormenores. A Gloriosa Shekinah do Todo Poderoso se manifestou entre nós durante os cultos e nos embriagou com as águas restauradores do Seu Espírito. Fomos direcionados assim a combater os verdadeiros pecados, lutar contra os verdadeiros demônios, e pregar o verdadeiro Evangelho. Simples assim 🙂 !

Como líderes espirituais, nunca tivemos vergonha de admitir que erramos ou que mudamos de opinião. Foi assim no início do nosso ministério quando confrontamos vários ensinos tradicionais da nossa denominação. Foi assim agora. E assim continuará sendo. Como barro, queremos estar continuamente na Casa do Oleiro, permitindo que Ele nos quebre sempre que necessário for.

Da mesma maneira que, há vinte anos atrás, foi difícil admitir que não era pecado dançar, bater palmas ou bradar ‘aleluias’ nos cultos, também foi difícil agora admitir que um determinado adereço não tem poder em si mesmo para trazer maldição sobre a vida de alguém. Certamente permanecem o bom senso e o discernimento espiritual: exageros, body modifications extravagantes e tatuagens ofensivas e obscenas sempre serão, no mínimo, inadequados para o cristão. E os pais continuam tendo o direito de simplesmente não permitir que seus filhos façam uma ou outra coisa.

Pessoalmente, continuo não gostando de nada que fuja do convencional. Prefiro sinceramente o terno e gravata e roupas mais clássicas. Mas aprendi a respeitar aqueles que “curtem um visual mais descolado” e também a não julgar alguém por sua aparência. Entendi que Deus não precisa ter, necessariamente, os mesmos gostos que eu, e que os cristãos, embora sejam todos irmãos, não devem ser obrigados a pensarem ou a se vestirem da mesma maneira.

É isso aí! Unidade não é conformidade e diversidade não é divisão! E viva la rivoluzione!

Porque SER IGREJA é vivenciar a simplicidade do Evangelho e a essência do Cristianismo: amar a Deus e ao próximo.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
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Biblicamente, qual deve ser a aparência do cristão?

O que define em alguém o caráter de Cristo? 

O cristão pode ir ao cinema? Pode dançar? Pode usar boné na igreja? Pintar o cabelo de azul? Fazer tatuagem? A mulher cristã pode cortar o cabelo ou usar batom? O homem pode usar brinco ou deixar o cabelo crescer?

No meu entender, essas e outras discussões apenas afastam o Evangelho puro e simples de sua essência que é amar a Deus e ao próximo. Não podemos limitar o cristianismo uma uma lista de “podes” e “não podes”.

No início da Era Cristã, os fariseus eram especialistas nisso! Eles se julgavam superiores espiritualmente, mestres da Lei, e achavam-se no direito de impor aos outros o que cada um devia fazer para não pecar. Tal postura foi duramente repreendida por Jesus inúmeras vezes .

A prática de “usos e costumes” nas igrejas nunca contribuiu para a salvação ou santificação de alguém. Regras e tradições humanas mudam apenas o exterior, enquanto Deus está preocupado em mudar o coração.

Muitos, por excesso de zelo, preocupam-se com o fato dos “costumes do mundo estarem invadindo a igreja” … Então vamos pensar: como podemos caracterizar algo como sendo “do mundo” ou “de Deus”? Computador é “do mundo”? Batom é “de Deus”? Novela é “do mundo”? Filme é “de Deus”? Percebeu como não é fácil fazer essa classificação assim de maneira superficial e genérica? Tudo vai depender da intenção do coração e do contexto onde tal prática está inserida.

Um determinado filme, por exemplo, pode não ter sido produzido com o propósito de glorificar o nome de Deus, mas nem por isso deve ser rotulado como “do mundo” e pecaminoso. Por outro lado, um mesmo filme pode ser considerado “impuro” para um grupo de cristãos, e “puro” para outro. O que fazer então nesse caso? Cada um siga sua própria consciência e não rejeite seu irmão por pensar de forma diferente. Simples assim! 🙂

Leia a Bíblia, invista tempo em seu relacionamento com Deus, busque intimidade com o Pai. É ELE, e SOMENTE ELE, quem vai lhe dizer se você “pode” ou “não pode”, se convém ou não convém . Não temos o direito de impor nossas opiniões para uma igreja que não é nossa, mas de Cristo. Algumas coisas são pessoais, ou seja, enquanto é pecado para alguns, é lícito para outros. Então, que “cada um que saiba possuir seu próprio vaso para santificação e honra” (1 Ts 4:4).

Julgar, maldizer, criar contendas e blasfemar, estas sim são atitudes mundanas e que entristecem profundamente o coração do Pai.

Então, não perca tempo com “discussões tolas “. Ao nosso redor há milhões de pessoas perdidas precisando de salvação. Concentre-se nisso! “Ide e pregai o Evangelho a toda criatura”. Afinal, “cada um dara contas de si mesmo a Deus.”

“Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que creem em Deus procurem Aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens. Mas não entres em questões loucas, Contendas e Genealogias, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs “Tito 3:8-9

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Porque SER IGREJA é vivenciar a simplicidade do Evangelho e a essência do Cristianismo: amar a Deus e ao próximo.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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