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Quais mandamentos e preceitos do Antigo Testamento devem ser seguidos nos dias de hoje?

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Muitas vezes ficamos em dúvida sobre algumas ordenanças que encontramos na Bíblia:

“Não chegarás à mulher durante a separação da sua imundícia…” Lv 18:19

“Não deixem viver a feiticeira…” Ex 22:18

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na descansar…” Ex 23:10

“Frutificai e multiplicai-vos…” Gn 1:28

“Com homem não te deitarás como se fosse mulher, abominação é…” Lv 18:22

“Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe…” Ex 23:19

“Honra teu pai e tua mãe…” Dt 5:16

“O sétimo dia é o sábado do Senhor; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo…” Ex 20:10

“Não vestirás roupa de diversos estofos misturados…” Lv 19:19

“Não fareis tatuagens sobre vós…” Lv 19:28

Enfim, todas as ordenanças permanecem válidas nos nossos dias? No tempo da graça precisamos continuar obedecendo aos mandamentos do Antigo Testamento? É possível que uma Lei Espiritual venha com “prazo de validade”?

 

Identificando o contexto  

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.” (1 Tm 3:16) e também que “…passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, diz o Senhor (Mc 13:31). Isso significa que tudo o que está na Bíblia foi válido para as pessoas da época em que cada texto foi escrito, é válido para a nossa vida nos dias de hoje, e será válido para todas as próximas gerações, por todo o sempre. Tudo está “em vigor”. A questão é que há uma distinção entre aquilo que pode ou deve ser aplicado diretamente (exatamente como está escrito) e aquilo precisa ter apenas seu o princípio espiritual obedecido.

Todos os textos bíblicos – profecias, mandamentos, promessas, princípios, valores… – precisam ser entendidos dentro de seu contexto. Isso não se limita a ler alguns versículos antes e depois do texto, mas compreender o sentido geral do livro em que ele está inserido e também o que a Bíblia, em seu todo, afirma a respeito.

A Lei de Moisés é composta por 10 mandamentos e 613 preceitos morais, civis e cerimoniais. Um critério básico para saber se um determinado preceito foi dado por Deus não só para aquela época, mas também para nós, é procurar outros textos na Bíblia que falem sobre o assunto. Se o mesmo preceito foi reforçado pelos profetas, ensinado por Jesus e recomendado nas cartas do Novo Testamento às igrejas, está claro que é algo que deve ser obedecido em todas as épocas. Mas, se ele não foi mais citado em lugar algum, provavelmente trata-se de algo específico para o povo hebreu daquele tempo, e devemos extrair apenas o princípio espiritual por trás daquele preceito a fim de obedecê-lo.

Por exemplo: Há vários textos no Antigo Testamento alertando sobre alguns tipos de carne que não deveriam ser comidas pelo povo de Deus, por serem consideradas “imundas” (Lv 11:1-47), dentre elas coelho e carne de porco. Entretanto, não vemos Jesus reforçando este mandamento, mas sim ensinando a seus discípulos que o que entra pela boca não pode contaminar o coração (Mc 7:14-19). E, quando lemos o Novo Testamento, encontramos afirmações como: “O Reino de Deus não é comida nem bebida…” (Rm 14:17), “o que comemos não nos faz agradáveis a Deus…” (1 Co 8:8), “não chame de impuro ao que Deus purificou…” (At 10:15) e “ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festa… ou os sábados… que são sombras das coisas futuras” (Co 2:16-17). Alguma contradição nos ensinos do Antigo e do Novo Testamento? Certamente NÃO. O que temos aqui é o princípio da separação entre o puro e o impuro aplicado através da lei que distinguia animais puros dos impuros. O princípio permanece para sempre: Deus faz separação entre o puro e o impuro, entre santidade e iniquidade, entre o pecador que foi justificado e o que não foi. Jesus foi o cordeiro puro, sem mácula, oferecido a Deus como sacrifício definitivo por nossos pecados. Mas hoje, o fato de comer ou deixar de comer certos alimentos não influencia na nossa pureza ou impureza espiritual. A dieta da época tinha um fim didático e hoje é desnecessária.

O mesmo acontece com relação à proibição de se trabalhar no dia de sábado (Ex 20:10). Jesus trabalhou no sábado (Mc 2:23-28), o concílio de Jerusalém concluiu que os gentios não precisavam guardar o sábado (At 15:28-29), Paulo disse à Igreja que ninguém deve ser julgado por guardar ou não o sétimo dia (Gl 4:9-11), não vemos no Novo Testamento uma orientação no sentido de que os cultos cristãos deveriam ser no sábado (At 20:7 e 1 Co 16:1-2), e Cl 2:16-17, Mt 11:28 e Hb 4:9-11 explicam que o descanso do sábado era a sombra do descanso espiritual que há em Cristo Jesus e que será plenamente cumprido na eternidade.

Mas nem tudo na Lei ou no Antigo Testamento são apenas “sombras” que apontavam para o Messias, ou cumpriam apenas um fim didático. Mandamentos como: “não adorar outros deuses”, “não mentir”, “honrar pai e mãe”, e tantos outros, são encontrados por toda a Escritura, significando que devem ser seguidos em sua inteireza.

 

O mesmo se aplica a algumas recomendações feitas às igrejas, nas cartas neotestamentárias:

“Não ireis pelo caminho dos gentios… mas tão somente às ovelhas perdidas da casa de Israel…” Mt 10:5-6

“Vendei tudo o que tendes e dai esmolas…” Lc 12:33

“As mulheres estejam caladas nas igrejas…” 1 Co 14:34

“Vós, escravos, sujeitai-vos aos senhores, não somente aos bons mas também aos maus…” 1Pe 2:18

“Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho…” 1Tm  5:23

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo…” 1Co 16:20

“Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também…” 1Co 11:6

“O homem, pois, não deve cobrir a cabeça…” 1Co 11:7

Estes são alguns exemplos de preceitos específicos para o contexto cultural em que cada igreja estava inserida, e não devem ser interpretados como um mandamento de Deus para todas as culturas, em todos os tempos.

Além da análise de um determinado texto à luz do que diz as demais Escrituras sobre o assunto, vale lembrar o que Jesus disse sobre o mandamento que resume todos os outros: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:37,39). Na dúvida sobre o que fazer ou deixar de fazer, este é o padrão. Tal atitude vai expressar o meu amor a Deus e ao próximo? Em meu lugar, o que faria Jesus?

A verdade é que, quanto mais conhecemos a Deus e sua Palavra, menos temos dúvida sobre o que Ele espera que sejamos ou façamos. Portanto, “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3).

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Ser Igreja

 

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Soberania de Deus e Livre Arbítrio do homem são duas doutrinas bastante debatidas no campo teológico. De um lado há os que negam o livre arbítrio do homem, afirmando que tudo o que acontece é o resultado da operação da vontade absoluta de Deus. E do outro lado há os que negam a soberania divina (Teísmo aberto), afirmando que Deus criou todas as coisas, e delegou ao homem a escolha de seu próprio destino. Entre uns e outros, há também os que acreditam que uma coisa não anula a outra, e que o fato do homem fazer suas escolhas não impede a soberania divina. Vamos começar então, compreendendo melhor estes dois conceitos:

Soberania é um dos atributos de Deus, e significa que Ele tem controle e domínio absoluto sobre tudo e sobre todos. Sua vontade é perfeita e nada pode se opor a ela:

Jó 42.2 – Bem sei que tudo podes e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.

Is 14.27 – Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem pois o fará voltar atrás?

Sl 115.3 – No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada.

E livre arbítrio é o mesmo que liberdade de escolha. É a capacidade humana para decidir, por si só, fazer sua própria vontade ou ceder à vontade de Deus. Não encontramos este termo explicitado na Bíblia, mas vários versículos demonstram este fato:

Js 24:15 – Se, porém, não agrada a vocês servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir…

Mt 23:37 – Jerusalém, Jerusalém… Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo de suas asas, e vós não quisestes!

Mt 16:24 – Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.

Afinal, Deus executa sua soberana vontade independente da nossa ou nos dá o livre arbítrio para fazermos nossas próprias escolhas?

Antes de qualquer coisa, precisamos nos lembrar que nossa mente é limitada e nunca conseguiremos compreender plenamente alguns conceitos no âmbito espiritual. Para nós, o fato de Deus fazer com que sua vontade sempre se cumpra, exclui a possibilidade da nossa liberdade de escolha. Mas ambas as coisas coexistem perfeitamente, mesmo que não consigamos compreender plenamente como isso acontece.

O fato é que Deus, muitas vezes, abre mão de sua vontade para permitir que a nossa vontade seja feita. Isso não tira dele sua soberania ou controle sobre tudo, pois Ele o faz voluntariamente, com um propósito.

Precisamos entender também que Deus não age sempre da mesma maneira com todos os seus filhos, em todas as circunstâncias. Somos limitados ao espaço e ao tempo, mas Deus não. Portanto, a visão Dele sobre todas as coisas é infinitamente mais ampla que a nossa. Sua vontade e suas ações são baseadas nesta onisciência.

Um exemplo: Se a vontade de Deus é que eu compre uma bicicleta (lembre-se, é só um exemplo rs), eu posso simplesmente decidir não comprar, e Deus pode permitir que assim aconteça. Talvez Ele permita minha desobediência porque sabe que através do meu erro, vou amadurecer e me aproximar mais Dele. Talvez a minha desobediência não vá contribuir para a minha vida, mas pode edificar a vida de outra pessoa. Por isso, Ele abre mão de sua vontade perfeita original e permite que a minha vontade seja feita. Por outro lado, se for realmente muito importante, para mim ou para outras pessoas, que eu compre uma bicicleta, Deus pode fazer com que isso aconteça, de uma forma ou de outra. O que eu estou querendo dizer é que não dá para esquadrinhar a mente de Deus e entender a lógica que a move em cada situação. Isto está bem acima das nossas possibilidades. O que nos é importante é saber que, a melhor opção é sempre se render à vontade soberana do Criador, pois Ele nos ama e sabe o que é, de fato, melhor para nós.

Na Bíblia, observe esses três casos de exercício do livre arbítrio do homem que geraram reações diferentes da parte de Deus: (1) Ananias desobedeceu a Deus e foi morto instantaneamente; (2) Jonas desobedeceu a Deus, mas sua vida foi poupada até que ele pudesse se arrepender; e (3) Moisés, que disse a Deus que não queria falar com o Faraó, e Deus permitiu que ele não falasse, transferindo essa tarefa ao seu irmão. Percebam que Deus agiu de maneira bem diferente com cada um desses homens. O que norteou as ações de Deus? Sua soberania e sua sabedoria.

Muitos outros conceitos aparentemente paradoxais são encontrados na Bíblia: fé e obras, predestinação e conversão, graça e frutos, etc, etc, etc… Podemos comparar a Bíblia a um grande quebra-cabeças, cujas peças estão separadas uma das outras. Ao longo da história, muitos têm fundamentado suas doutrinas e crenças em apenas um lado da questão, tiram suas conclusões baseados em algumas poucas peças que se encaixam, pinçam trechos que “defendem” apenas um ponto de vista, gerando assim heresias ou conclusões distorcidas. Alguns temas só podem ser compreendidos se vistos como parte do todo, e não separadamente. Alguns textos parecem ter um determinado significado se lidos só dentro daquele contexto mas, ao vermos a Palavra como um todo, aquele significado simplesmente não se encaixa. Então precisamos ampliar a visão e abrir nosso entendimento sobre a questão.

Voltando à nossa pergunta inicial: Deus é soberano absoluto e, em sua soberana vontade, pode permitir que tenhamos nossas próprias escolhas. Simples assim!

Mas, lembre-se: a vontade de Deus é sempre melhor.

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Ser Igreja

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Antigo Testamento

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PREFÁCIO

Muitos leitores têm dificuldade em compreender a história do Antigo Testamento na Bíblia, pelo fato dos livros canônicos não estarem em ordem cronológica, mas sim organizados em categorias de similaridade: Pentateuco (lei de Moisés), livros históricos, livros poéticos e livros proféticos (profetas maiores e menores). Se, por um lado, esta organização bibliográfica auxilia na compreensão do propósito e estilo de cada livro, por outro, dificulta a compreensão da sequencia dos fatos, fazendo com que as histórias e personagens se confundam em meio a um pano de fundo aparentemente obscuro.

Além disso, por conta de se passar num tempo tão distante do nosso e conter narrativas tão distantes da nossa realidade, muitas vezes o mais cômodo mesmo é abandonar a leitura.

Entretanto, sabemos que “toda a Palavra é divinamente inspirada e útil…”, e aquele que deseja, de fato, conhecer a Palavra de Deus, não pode simplesmente ignorar o Antigo Testamento.

Na tentativa de facilitar o entendimento e dar uma visão panorâmica da história do Antigo Testamento, segue um breve resumo da mesma, contendo os principais fatos e personagens, bem como os locais e datas aproximadas de cada acontecimento.

ATENÇÃO: As frases em itálico correspondem a informações extra-bíblicas, baseadas em pesquisas e estudos históricos e arqueológicos.

Que este resumo do Antigo Testamento o ajude a viajar pelas Escrituras, mergulhando na rica Palavra de Deus e, extraindo dela, o conhecimento necessário para gerar vida em seu coração.

Boa leitura!

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1. SÍNTESE PANORÂMICA

  1. Deus efetua a criação do universo e de tudo que nele há.
  2. O homem cai em tentação e se corrompe com o pecado.
  3. Os descendentes de Adão e Eva dão origem às primeiras civilizações.
  4. O pecado se multiplica.
  5. Deus manda o dilúvio para julgar a Terra.
  6. Recomeço da humanidade com os descendentes de Noé.
  7. Origem das línguas – Torre de Babel.
  8. Origem das nações (descendentes de Sem, Cão e Jafé).
  9. Chamado de Abraão em Ur dos Caldeus.
  10. Peregrinação dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó em Canaã.
  11. José, filho de Jacó, é vendido para o Egito.
  12. Toda a família de Jacó se muda para o Egito.
  13. Os descendentes de Jacó tornam-se escravos do Egito.
  14. Após 400 anos, Deus manda Moisés liderar a libertação do seu povo.
  15. Dez pragas do Egito.
  16. Travessia dos israelitas pelo Mar Vermelho.
  17. Peregrinação de 40 anos do povo pelo deserto.
  18. Morre Moisés.
  19. Conquista da terra prometida sob a liderança de Josué.
  20. Divisão da terra entre as 12 tribos.
  21. Morre Josué e Israel é governada por juízes (Sansão, Gideão, Débora…).
  22. O povo pede um rei e Israel passa a ser uma Monarquia.
  23. Reinado de Saul, Davi e Salomão.
  24. Israel se divide em dois reinos: Norte (Israel) e Sul (Judá).
  25. Destruição do Reino do Norte – Israel – pelos assírios.
  26. Judá (o Reino do Sul) perdura sozinho por mais 136 anos.
  27. Judá é levado cativo para a Babilônia.
  28. 70 anos depois, os judeus voltam para Jerusalém.
  29. Reconstrução do Templo.
  30. Reconstrução dos Muros de Jerusalém.
  31. Período interbíblico – 400 anos de silêncio de Deus.
  32. Nascimento do Salvador.

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2. A HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO NUM BREVE RESUMO

1. OS PRIMÓRDIOS

Base bíblica: Gênesis 1 a 11

 

No princípio, num determinado momento de sua eternidade, Deus criou todo o Universo e tudo o que nele há. Criou também o planeta terra, com tudo o que nele há: as plantas, os animais, e também o homem e a mulher, o primeiro casal.

O ser humano foi criado à imagem e semelhança do Criador, e vivia em perfeita comunhão com Deus. Aos humanos foi dada a responsabilidade de governar e cuidar do planeta.  Mas o homem, sendo tentado pelo diabo, caiu em tentação, se rebelou contra Deus e desobedeceu às suas instruções, fazendo com que toda a raça fosse, assim, contaminada pelo pecado, e condenada à morte e à perdição de uma eternidade sem Deus.

Adão e Eva (o primeiro casal) tiveram muitos filhos e filhas. Surgiram as primeiras famílias, primeiras cidades e primeiras civilizações. O número de habitantes foi se multiplicando, e se multiplicando também foi a maldade do homem. Passaram-se muitos séculos e a maldade na Terra chegou a um nível insuportável. Apenas um homem chamado Noé, habitante da Mesopotâmia, foi achado justo. Foi quando Deus decidiu destruir toda aquela geração através de um grande dilúvio. Apenas Noé e sua família foram salvos, graças à uma enorme arca de madeira que ele mesmo construiu, sob a orientação do próprio Deus.

Depois do dilúvio, passaram-se vários meses até que, finalmente as águas baixaram, e a Terra ficou, novamente habitável. Noé, sua esposa, seus três filhos com suas respectivas esposas, e também todos os animais que estavam com eles, puderam sair da arca e recomeçar suas vidas.

Tempos depois, os descendentes de Noé se fixaram na região da Babilônia, e ali, contrariando o que Deus havia lhes dito, decidiram construir uma grande torre e ali permanecerem, ao invés de se espalharem e povoarem a Terra.

Deus então, interviu, e lhes confundiu a língua, dando origem aos primeiros idiomas. Como eles não mais conseguiam se entender, desistiram de construir a cidade e a torre (que ficou conhecida como Torre de Babel), e se espalharam pelos continentes, dando origem às nações.

Os Sumérios (ao sul da Mesopotâmia) foram a primeira grande civilização de que se tem notícia. Inventaram o alfabeto, a roda, o código de Hamurabi (que foi o primeiro código de leis civis), os carros puxados por animais, armas, vários instrumentos musicais, objetos de arte, pintura, adereços, enfim, uma civilização avançadíssima que foi o berço de todo o conhecimento da humanidade. 

A partir de 2.700 a.C. o Egito se alavanca como grande império, constrói suas pirâmides, desenvolve sua própria escrita e técnicas avançadas de mumificação e construção civil.

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2. ERA PATRIARCAL

Base bíblica: Gênesis 12 a 50

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Por volta do ano 2.000 a.C., havia em Ur dos Caldeus (cidade próxima a Babel, hoje localizada no sul do Iraque), um homem chamado Abrão. Deus disse a ele que deixasse sua terra, e fosse para o lugar que Ele mesmo lhe haveria de mostrar, e prometeu que faria dele uma grande nação. Uma nação separada para ser chamada como povo de Deus.

Abrão (que depois teve seu nome mudado para Abraão) então obedeceu, deixou sua cidade, e partiu rumo à terra dos cananeus (que hoje é o território de Israel). Abraão e Sara, sua mulher, peregrinaram pelas terras dos cananeus durante toda a sua vida. Foi neste tempo que as cidades de Sodoma e Gomorra, que ficavam na região sul de Canaã, foram destruídas por uma chuva de fogo e enxofre como resultado da ira de Deus pela a iniquidade daquele lugar.

Abraão teve vários filhos: teve Ismael, com Hagar, a serva de Sara, e também vários outros filhos e filhas com Quetura, sua concubina. Mas o filho prometido por Deus nasceu mesmo de Sara, já em sua velhice, e foi chamado de Isaque.

A promessa de Deus a Abraão, de que dele descenderia um grande povo, e a este povo seria dada a terra onde estavam peregrinando (Canaã), foi feita também a seu filho Isaque. Isaque se casou com uma moça da Caldeia, chamada Rebeca, e tiveram dois filhos, gêmeos, Esaú e Jacó.

Jacó e Esaú se desentenderam gravemente, a ponto de Jacó precisar fugir do país. Ele foi para a Caldeia, onde se casou e viveu durante vinte anos, mas depois deste tempo, pegou toda a sua família, seus servos e seus bens, e voltou para a Terra de Canaã, onde se reconciliou com o irmão, e passou a viver em paz com sua família. Jacó, cujo nome fora mudado para Israel, foi o filho de Isaque escolhido por Deus para perpetuar a sua promessa feita a Abraão. Ele teve 12 filhos.

Os filhos de Jacó tinham ciúmes de José, um dos seus irmãos, por acharem que era o predileto do seu pai, e também devido a alguns sonhos que ele tivera, onde se via governando sobre os irmãos. Então, por vingança, eles o venderam como escravo para alguns mercadores, e estes, por sua vez, o levaram para o Egito, onde o revenderam a Potifar, o capitão da guarda do Faraó do Egito.

Ali José trabalhou algum tempo como “mordomo” da casa de Potifar, mas foi acusado injustamente e acabou sendo preso. Na prisão, destacou-se por seu espírito de liderança e seu dom de interpretação de sonhos.

Anos depois, chamado pelo próprio Faraó, é solto da prisão para interpretar os sonhos que o estavam afligindo, e foi tão bem sucedido que acabou nomeado governador de todo Egito. Naquele tempo, o Egito havia sido invadido pelos Hicsos, e estava sob seu domínio.

Sete anos se passaram, e veio um tempo de grande seca em toda a terra, e graças à administração de José, o Egito era o único lugar do Mundo Antigo onde havia comida. José então manda chamar seu pai, seus irmãos, e todos os seus parentes, para virem morar com ele. Todos se alegraram e se surpreenderam muitíssimo, pois não imaginavam que ele pudesse ainda estar vivo e num cargo de tão alta posição. O Faraó fez questão de dar à família de José, que somava setenta pessoas, a melhor terra do Egito. E ali eles se estabeleceram, em 1.680 a.C.

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3. NO EGITO

Base bíblica: Êxodo 1 a 12

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Dois séculos se passaram desde que José fora nomeado governador. Os hicsos foram expulsos do país e o trono, reconquistado pelos egípcios.

A família de Israel (Jacó) havia crescido muito, se multiplicado e se enriquecido. E temendo que aquele povo estrangeiro continuasse crescendo e dominasse o país, o Faraó do Egito decidiu fazê-los escravos. E assim, os israelitas foram subjugados na terra onde viviam.

No ano de 1.260 a.C., os descendentes de Israel já ultrapassavam os seiscentos mil homens, sem contar as crianças, mulheres e idosos. Tutancâmon e Ramsés II haviam recentemente restaurado a glória do antigo Egito. E então chegou o tempo do cumprimento da promessa de Deus feita a Abraão. Deus levanta um homem chamado Moisés, e o designa como líder para conduzir os israelitas de volta para a terra dos cananeus, onde peregrinaram antes de se mudarem para o Egito.

Auxiliado por seu irmão Arão, Moisés transmite ao Faraó a ordem que recebera de Deus: que ele deveria libertar todos os israelitas, permitindo que saíssem do país. Mas o Faraó se negou a concordar, e em cada uma das dez vezes que ele fez isso, uma terrível praga veio sobre toda a nação. Por fim, depois da décima praga, ele cedeu, e o povo pode partir para Canaã.

Antes que chegassem ao Sinai, Faraó se arrependeu e enviou o exército para recapturar os israelitas e trazê-los de volta. Mas Deus fez com que o seu povo atravessasse a seco o Mar Vermelho, e depois fez com que o mar se fechasse sobre os egípcios, fazendo que todos se afogassem. E assim, eles partiram rumo à Terra Prometida, a fim de conquista-la e ali se estabelecerem como uma nação.

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4. PEREGRINAÇÃO PELO DESERTO

Base bíblica: Êxodo 12 a 40, Levítico, Números e Deuteronômio

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Depois da travessia do Mar Vermelho, direcionados por Deus, eles tomaram o caminho do sul, pelo deserto do Sinai, e caminharam por dias, semanas e meses, sempre guardados pelo Senhor. Chegando ao Monte Sinai, eles acamparam por quase um ano, onde confirmaram sua aliança com Deus e construíram o tabernáculo. Ali eles se organizaram em tribos, conforme a descendência de cada um. E ali também foi estabelecido todo cerimonial de culto e sacrifícios, a nomeação dos levitas como sacerdotes e cuidadores do tabernáculo, e toda a Lei pela qual deveriam se guiar.

Após onze meses acampados, seguiram viagem e chegaram às proximidades de Canaã. Então enviaram alguns homens para espiarem a terra dos cananeus, e trazerem um relatório que os ajudasse a pensar em estratégias para invadir e conquistar aquele lugar.

Mas os espias voltaram com um relatório desanimador. Apesar de toda a exuberância e fartura do lugar, eles concluíram que seria impossível guerrear contra seus habitantes e vencê-los. E assim convenceram todo o povo, que se desesperou e desejou voltar para o Egito. Apenas dois dos espias, Josué e Calebe, pensaram diferente, e tentaram animar a todos, dizendo que a conquista seria sim possível.

Mas o povo continuou a murmurar e quiseram apedrejar a Josué e Calebe. Até que o Senhor apareceu naquele lugar e, devido à postura de rebeldia dos israelitas, determinou que, realmente, nenhum deles, com exceção de Josué e Calebe, entraria na terra prometida. Eles estariam fadados a permanecerem naquele deserto até que todos eles morressem, e seus filhos crescessem e se tornassem aptos a conquistarem a terra no lugar deles.

Assim sendo, foram obrigados a voltar, e ficaram peregrinando pelo deserto por mais de trinta e oito anos, até que toda aquela geração perecesse.

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5.  CONQUISTA DE CANAÃ

Base bíblica: Josué

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Passados quarenta anos desde a saída do Egito, Arão, Moisés e toda a geração de homens e mulheres que atravessaram o Mar Vermelho, pereceram no deserto. Apenas aqueles que ainda eram muito jovens (ou nasceram no deserto), e Josué e Calebe, estavam vivos.

Chegara a hora do povo finalmente conquistar a terra de Canaã e Josué foi o escolhido por Deus para liderá-los nesta tarefa.

Os povos que habitavam naquele lugar eram extremamente maus, iníquos, idólatras e cruéis, e aprouve ao Senhor destituí-los daquele lugar. Por isso aquela terra seria dada aos descendentes de Abraão em cumprimento à sua promessa.

Então Deus fez parar as águas do rio Jordão para que o povo atravessasse e, depois que atravessaram o Jordão, deu-se início às inúmeras incursões pelas cidades cananeias, começando por Jericó em 1.220 a.C., Ai e tantas outras.

Grande parte da terra foi conquistada e parte dos seus habitantes foi exterminado. O território foi repartido entre o povo, de acordo com cada tribo, ou seja, os descendentes de cada um dos 12 filhos de Israel (Jacó). O povo montou o tabernáculo, construiu casas, edificou cidades. Cada um segundo a sua tribo. Mas ainda muita terra e muitos povos restaram para ser conquistados.

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 6. ERA DOS JUÍZES

Base bíblica: Juízes, Rute, 1 Samuel 1 a 7

Depois da morte de Josué, os israelitas se desviaram da Lei do Senhor e se contaminaram com as práticas idólatras do povo cananeu. Cada vez que eles se “esqueciam” de Deus, eram oprimidos e conquistados por um dos povos estrangeiros que ainda habitavam naquela região. Eles então se arrependiam, e clamavam pelo socorro do Senhor. Deus levantava um juiz para governa-los e lidera-los em vitória contra o inimigo. Mas depois que aquele juiz morria, o povo novamente se “esquecia” de Deus, era oprimido, se arrependia, e então Deus precisava levantar um outro juiz para governar sobre eles.

Este ciclo se repetiu durante aproximadamente dois séculos. E grandes homens e mulheres de Deus fizeram toda a diferença como juízes na vida da nação: Gideão, Eúde, Débora, Jefté, Sansão e Samuel são alguns exemplos.

Neste tempo, uma pessoa também ganha destaque, não como líder político ou religioso, mas como exemplo de caráter, humildade e fidelidade: Rute. A estrangeira de Moabe, que se casou com um israelita, da tribo de Judá, e teve sua história imortalizada depois de ter se convertido ao Deus de Israel, e tratar sua sogra com profundo amor e respeito, se tornando a bisavó daquele que seria o maior rei de Israel: Davi.

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 7. REINO UNIDO

Base bíblica: 1 Samuel 8 a 31, 2 Samuel, 1 Reis 1 a 12, 1 Crônicas, 2 Crônicas 1 a 10, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares

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Depois de décadas vivendo num regime teocrático, sob o governo de Deus e a orientação de juízes, o povo desejou adotar o regime monárquico, seguindo o exemplo de todos os demais povos pagãos daquela época. Isto entristeceu o coração de Deus, que mesmo assim permitiu que fossem governados por um rei humano.

Assim, Saul foi coroado como o primeiro rei de Israel por volta do ano 1.000 a.C.. Durante o seu reinado, os filisteus iniciaram uma guerra contra Israel, que foi vencida graças ao seu escudeiro Davi, um pastor de ovelhas e músico, que corajosamente lutou contra o gigante Golias e o venceu com apenas uma funda. Tendo sua fama aumentada depois disto, despertou o ciúmes de Saul, que passou a persegui-lo e ameaça-lo de morte.

Mas Davi fugiu e, após a morte de Saul, ele foi aclamado como o novo rei sobre a nação. Davi foi um grande líder e conseguiu conquistar para Israel todos os territórios que ainda havia para serem conquistados, incluindo a cidade de Jerusalém, que se tornou a capital do reino.

O trono foi sucedido por seu filho Salomão, conhecido por sua sabedoria. Ele concretizou os planos do seu pai, o rei Davi, e construiu um templo em substituição ao tabernáculo como local de adoração a Deus e também o palácio real. Mas Salomão não usou sua sabedoria para servir ao Senhor de todo o seu coração, e se corrompeu adorando a outros deuses.

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8. REINO DIVIDIDO

Base bíblica: 1 Reis 13 a 22, 2 Reis, 2 Crônicas 11 a 36, Isaías, Jeremias, Lamentações, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias

 

Em 950 a.C., depois da morte de Salomão, a coroa foi passada para o seu filho Roboão, que, agindo de maneira tola, não soube manter a fidelidade de seus súditos, aumentando-lhes ainda mais os impostos já tão pesados. A grande maioria do povo então se levantou em rebelião, numa espécie de golpe civil. Apenas as tribos de Judá (onde ficava a cidade de Jerusalém), a tribo de Simeão e metade da tribo de Benjamim permaneceram fiéis ao reinado de Roboão. Todas as outras demais dez tribos romperam com a linhagem de Davi e escolheram a Jeroboão como seu novo rei.

Assim, o reino foi dividido em dois. As dez tribos do norte se apropriaram do nome de Israel, tendo Jeroboão como seu rei e Samaria como sua capital. O pequeno reino das tribos do sul, denominado Judá, continuaram sob o reinado de Roboão, tendo Jerusalém como sua capital.

Grandes profetas profetizaram neste tempo em Israel e Judá: Elias, Eliseu, Amós, Isaías, Joel, etc…

Enquanto isso, na Grécia, em 846 a.C. Homero recitava seus poemas, e em 753 a.C. nascia a cidade Roma. Mas a nação que se expandia, ganhava território e se despontava como poderoso império neste tempo era a Assíria (região norte da Mesopotâmia – atual Iraque).

O Reino do Norte, governado por reis idólatras e sem temor de Deus, viu seu povo caminhar para cada vez mais longe do Senhor, e no ano 722 a.C. foi invadido e conquistado pelo Império Assírio. Como estratégia de guerra, a Assíria espalhou os israelitas por várias províncias em todo o seu império, e trouxe estrangeiros cativos de outras nações para habitarem na Samaria e demais tribos do Reino do Norte, varrendo do mapa o Reino de Israel como nação e gerando na região um grande sincretismo religioso e miscigenação cultural.

Após a destruição de Israel, Judá permaneceu como reino ainda por várias décadas, resistindo aos ataques das nações inimigas. Reis como Josafá, Ezequias, Josias e vários outros, eram tementes a Deus, e levaram o povo a um relacionamento de quebrantamento e santidade diante do Senhor.

Algumas décadas mais tarde, conforme profetizara Isaías, o império Assírio foi destruído pelos babilônicos. Nínive, a grande capital assíria caiu, e a Babilônia se tornou a grande capital do império do Mundo Antigo.

Em 587 a.C., enquanto construía seus famosos Jardins Suspensos, o imperador babilônico Nabucodonosor conseguiu sitiar, invadir e destruir Jerusalém (incluindo o templo construído por Salomão), isso porque os judeus, assim como seus irmãos do Reino do Norte, haviam abandonado sua aliança com o Senhor.

 * 

9. CATIVEIRO BABILÔNICO

Base Bíblica: Ezequiel, Daniel

Nabucodonosor capturou a grande maioria dos judeus que sobreviveram à guerra e os levou cativos para a Babilônia. Dentre eles Ezequiel, Daniel, Hananias, Misael, Azarias, a família de Ester e Mardoqueu, e outras tantas centenas e centenas de famílias.

Ali, nas províncias da Babilônia, o povo de Deus permaneceu durante setenta anos como cativos. Durante este tempo, Daniel e seus amigos puderam testemunhar do poder de Deus na corte do rei.

Passados cerca de 50 anos desde que os primeiros exilados chegaram à Babilônia, Daniel foi acusado de insubmissão por não se curvar diante do imperador e foi lançado na cova dos leões, da qual o Senhor o livrou milagrosamente. Durante todo o domínio do império babilônico, Daniel foi usado por Deus para falar com cada governante que por ali passou: Nabopolassar, Nabucodonosor, Belsazar e outros.

Os babilônios permitiram que os exilados do reino de Judá formassem famílias, construíssem suas próprias casas, cultivassem pomares e vivessem em comunidade, com seus próprios chefes e sacerdotes. Como não tinham mais o seu templo, eles criaram as sinagogas, que eram locais específicos para oração, leitura e ensinamento da Lei e canto dos Salmos; e um grupo de sacerdotes entregou-se com empenho à tarefa de reunir e preservar os textos sagrados, dentre eles Ezequiel, que, como sacerdote e profeta, exerceu uma influência singular dentre os cativos.

Até que, em 539 a.C., a Babilônia também caiu, vencida e subjugada pelos persas.

Um ano depois, Ciro, o rei persa, publica o édito autorizando os judeus a deixarem o exílio na Babilônia e voltarem a Jerusalém.

10. VOLTA DOS JUDEUS À JERUSALÉM

Base Bíblica: Esdras, Ester, Neemias, Ageu, Zacarias, Malaquias, alguns Salmos

O imperador persa devolveu aos judeus exilados os utensílios do templo que Nabucodonosor lhes havia saqueado e levado à Babilônia, além de doar também uma quantia considerável do seu tesouro para apoiar a reconstrução do templo de Jerusalém. Liberados e incentivados pelo rei Ciro, muitos judeus decidiram voltar à sua terra, que ficara vazia e destruída desde sua invasão há 70 anos.

O retorno dos exilados realizou-se de forma paulatina, por grupos, o primeiro dos quais chegou a Jerusalém sob a liderança de Sesbazar. Tempos depois se iniciaram as obras de reconstrução do Templo, que se prolongaram até 515 a.C. Para dirigir o trabalho e animar os operários contribuíram o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué, apoiados pelo sacerdote e escriba Esdras, e os profetas Ageu e Zacarias. As dificuldades econômicas, as divisões na comunidade e as atitudes hostis dos vizinhos samaritanos foram os principais problemas que afligiram os que voltaram.

Graças às condições de tolerância e bem estar em que viviam os judeus exilados, muitos preferiram permanecer na Babilônia, agora sob domínio persa. Dentre eles Mardoqueu e Ester, que moravam na província de Suzã, uma das capitais da Pérsia. Graças à permanência deles ali, em 475 a.C. Ester foi escolhida rainha da pérsia, pelo rei Xerxes (ou Assuero) – sucessor de Ciro depois de Cambises e Dário – e exerceu um papel fundamental para salvar todo o povo judeu de uma terrível conspiração.

No ano de 445 a.C. um judeu chamado Neemias, também residente na cidade de Suzã, copeiro do rei persa Artaxerxes (sucessor de Xerxes), solicitou que, com o título de governador de Judá, tivesse a permissão de ir até Jerusalém a fim de ajudar o seu povo. Neemias revelou-se um grande reformador. A sua presença em Israel foi decisiva, não somente para que se reconstruíssem os muros de Jerusalém, mas também para que a vida da comunidade judaica experimentasse uma mudança profunda e positiva.

PERÍODO INTERBÍBLICO

 

As muralhas de Jerusalém terminaram de ser reconstruídas em 443 a.C., sob o governo de Neemias e a liderança espiritual do profeta Malaquias, o último profeta que falou a Israel em sua própria terra. Depois dele, um silêncio profético de 400 anos estende-se até a voz de João Batista, que clamava no deserto: “Endireitai o caminho do Senhor”.

*  

Veja os principais acontecimentos durante este período de 400 anos:

  • 331 a.C. – Ascensão do Império Grego, com Alexandre, o Grande
  • 320 a.C. – Israel é conquistado pelos Egípcios (Ptolomeu)
  • 250 a.C. – A Bíblia hebraica é traduzida para o grego
  • 202 a.C. – Construção da muralha da China
  • 198 a.C. – Os Sírios vencem os Ptolomeus e conquistam Israel  (Antíoco, o Grande)
  • 167 a.C. – Revolta dos judeus Macabeus – independência do povo de Israel
  • 149 a.C. – Início da ascensão de Roma nas Guerras Púnicas contra Cartago.
  • 63 a.C. – Os romanos, que a esta altura já dominavam sobre a Grécia, Egito, Macedônia, Gália, Germânia, Trácia e Síria assumem o controle de Israel, sob o comando do General Pompeu.
  • 40 a.C. – Herodes, o Grande, é nomeado por Roma como o rei da Judeia, e faz uma grande reforma no templo construído no tempo de Esdras, tornando-o grande e imponente.

 * 

E, no ano 4 a.C. nasce o Messias, Jesus Cristo, na cidade de Belém da Judeia. Finda-se o tempo da Lei, e chega o tempo da nova aliança.

Aleluias!!! *

 * 

 “O meu povo perece porque lhe faltou o conhecimento… Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.”

Os. 4:6 e 6:3

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Ser Igreja

*

Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e em Educação Religiosa
Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia
Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Nos primórdios da história de Israel, o povo peregrinava pelos desertos do Sinai em busca da Terra Prometida. Eles eram sustentados por Deus através do Maná, uma semente branca e adocicada, que descia do céu, com a qual faziam pães e bolos (Êxodo 16:4, 31).

Certa vez, passando pelo deserto de Meribá, o povo se angustiou com a situação e levantou-se contra Deus, afirmando, dentre outras coisas: “nossa alma tem fastio deste pão tão vil” (Nm 21:5), referindo-se ao Maná.

Quantas vezes temos feito o mesmo, nos enfastiando do Evangelho simples de Jesus, o Pão do Céu, e buscando por algo mais “interessante”. Começamos a observar a “comida” dos outros e, de repente, somos tentados a concluir que a nossa é “sem sal”, não tem graça, é simples demais, fácil demais…

Não abandonamos o Pão, pois sabemos que Ele é verdadeiro, mas só o Pão já não é suficiente. Então entramos assim num sincretismo sem fim, acrescentando à cruz um “tempero” extra para torná-la mais “apetitosa”.

Vai daí, surgem os rituais, as superstições, as penitências, dogmas e tantas outras coisas… Acréscimos ao Evangelho puro e simples de Jesus, o Pão da Vida. Fermento que corrompe a massa e nos afasta de Deus, fazendo com que a nossa fé seja substituída por meras crendices.

No Antigo Testamento, Deus enviou serpentes venenosas para punir o povo que estava “enjoado” do seu maná (Nm 21:6). Que hoje nos arrependamos por achar que o Pão da Vida já não é suficiente para o nosso sustento. E nos ajude a permanecer no caminho estreito que conduz à Salvação.

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“E JESUS lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes e, contudo, não credes. ” João 6:35-36

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Hoje, mais do que em qualquer época, nossas atitudes estão limitadas pelos direitos do outro, e qualquer um pode ser processados por infringir esses direitos.

Já foram redigidas uma infinidade de Declarações de Direitos. A lista é grande:

  • Direitos humanos;
  • Direitos dos animais;
  • Direitos da criança;
  • Direitos do adolescente;
  • Direitos do consumidor;
  • Direitos do idoso;
  • Direitos das pessoas deficientes;
  • Direitos das pessoas deficientes mentais;
  • Direitos da água;
  • Direitos sexuais;
  • Direitos da mulher;
  • Direitos civis;
  • Direitos do povo trabalhador e explorado;
  • Direitos dos encarcerados;
  • Direitos dos familiares de encarcerados;
  • Direitos dos homossexuais;
  • Direitos das pessoas portadoras do virus HIV;
  • Direitos dos povos indígenas;
  • Direitos do investidor;
  • Direitos das pessoas pertencentes a minorias nacionais ou étnicas, religiosas e linguísticas;
  • Direitos humanos de indivíduos que não são nacionais do país onde vivem;
  • Direitos dos gêmeos e múltiplos;

O que muitas vezes nos esquecemos, como Igreja de Cristo, é que Deus também tem seus direitos. Condicionados pelo humanismo da cultura atual, formamos nossas crenças e dogmas colocando-nos no centro das atenções, como se Deus fosse “obrigado” a agir como entendemos ser o certo.

Mas Deus é Deus! Ele é o grande “EU SOU”!

Pensando nisso, reproduzo aqui uma Declaração dos Direitos de Deus, escrita pelo Pr. Marcos Granconato, da Igreja Batista da Redenção, na capital paulista.

Muitos hoje tomam posse de supostas “promessas” de Deus, e vivem uma vida cristã invertida, querendo essencialmente serem servidos pelo Soberano. Por isso, é sempre bom lembrarmos quem Deus é, e quem nós realmente somos.

Não é um texto agradável ao nosso ego, mas é essencialmente bíblico e verdadeiro, e apropriadíssimo aos nossos dias.  Boa leitura!

*

Declaração de Direitos

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Declaração dos Direitos de Deus

Artigo 1°: Deus tem o direito de permanecer calado (Jó 30.20, Dt 29.29, At 1.8).

Artigo 2°: Deus tem o direito de dar ao homem o que quiser, bem como de tirar das pessoas o que bem lhe aprouver (Jó 1.21).

Artigo 3°: Deus tem o direito de criar indivíduos com defeitos físicos sem revelar as razões disso (Ex 4.11).

Artigo 4°: Deus tem o direito de fazer adoecer e de tirar a vida de pessoas inocentes, inclusive crianças (2Sm 12.15-18).

Artigo 5°: Deus tem o direito de trazer desgraças e calamidades sobre grandes populações, sempre que, à luz de seus desígnios insondáveis e soberanos, julgar isso necessário (Ex 12.29-30; Is 45.7).

Artigo 6°: Deus tem o direito de elevar homens ímpios à posição de líderes governamentais a fim de usá-los para a realização de seus planos perfeitos e sábios (Dn 4.17; Jo 19.10-11).

Artigo 7°: Deus tem o direito de disciplinar seus filhos como e quando quiser (Hb 12.10-11; Ap 3.19).

Artigo 8°: Deus tem o direito de dizer “não” como resposta às orações dos homens (Dt 3.23-26; 2Co 12.7-9).

Artigo 9°: Deus tem o direito de exigir dos seus servos tudo que quiser, sem ter de dar nada em troca e sem prejuízo do disposto no artigo anterior (Gn 22.1-2).

Artigo 10°: Deus tem o direito de rejeitar cultos manchados por irreverência, por desordem e por práticas que ele nunca exigiu de seus adoradores (Is 1.11-15; 1Co 14.40).

Artigo 11°: Deus tem o direito de endurecer o coração de quem quiser (Rm 9.18).

Artigo 12°: Deus tem o direito de criar pessoas destinadas para o castigo (Rm 9. 21-22).

Artigo 13°: Deus tem o direito de fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo do homem perdido (Mt 10.28; Ap 1.18).

Artigo 14°: Deus tem o direito de escolher pessoas para com elas usar de misericórdia (Rm 9.15,18).

Artigo 15°: Deus tem o direito de impor-se acima da vontade humana, desconsiderando-a e desprezando-a sempre que se chocar com seus desígnios imutáveis (Jó 11.10; Is 43.13; 46.10).

Artigo 16°: Deus tem o direito de ser louvado, amado e adorado, inclusive quando exerce todos os direitos elencados nos artigos anteriores (Jó 1.21; Ap 14.6-7).

Artigo 17°: Os direitos supracitados são irrevogáveis e irretratáveis, independentemente do inconformismo dos homens ou mesmo quando ameaçam sua liberdade, devendo ser proclamados e defendidos pela Igreja no exercício de suas atribuições, sob pena de rompimento com o cristianismo histórico.

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Pr. Marcos Granconato

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Muitos ficam em dúvida quando vão comprar uma Bíblia. Qual tradução é melhor? Existem versões mal intencionadas e traduzidas erroneamente? Qual editora é mais confiável? Estas são perguntas feitas por aqueles que analisam além da cor da capa ou do tamanho da letra, e merecem uma atenção adequada. Hoje há tantos modelos, traduções e versões que muitas vezes fica difícil saber escolher.

Originalmente, cada um dos 66 livros da Bíblia foi escrito em Hebraico, Grego e Aramaico. Fazendo-se necessário traduzi-los para os mais diferentes idiomas, de modo que o maior número possível de pessoas em todo o mundo tenha acesso à Palavra de Deus.

 *

Por que existem tantas versões diferentes?

A resposta é simples: porque o texto sagrado (felizmente) não é patenteado, o que significa que editoras diferentes tem liberdade para produzir versões diferentes, de acordo com um ou outro método linguístico de tradução.

Além do entendimento da importância de se publicar a Bíblia e tornar a Palavra de Deus cada vez mais acessível ao maior número de pessoas, não podemos fechar os olhos aos interesses comerciais que há por detrás de tantas inovações. Apesar do crescimento do mundo virtual, a verdade é que vender Bíblias hoje ainda dá muito lucro. Daí também o interesse de tantas editoras e publicadoras tirarem o seu “quinhão” neste mercado. Temos hoje a Bíblia do adolescente, Bíblia da família, Bíblia à prova d’água, Bíblia do “Pr. Tal”, Bíblia da descoberta, Bíblia do surfista, Bíblia cronológica, comentada, ampliada, revisada… enfim, a lista é interminável.

Diante disso tudo, o importante é saber que as diferenças são puramente de estilo. Trata-se de maneiras diferentes de se dizer uma mesma coisa, e NENHUMA dessas diferenças envolve doutrinas ou interpretações teológicas.

NÃO existe esta história sensacionalista de que algumas Bíblias são “diabólicas”, hereges, omitem informações, etc, etc, etc… Já li e ouvi muita besteira a este respeito e posso afirmar, sem medo de errar, que isso não é verdade. São afirmações infundadas, demagógicas e, muitas vezes, comerciais. As diferenças entre uma versão e outra se limitam ao campo das “palavras” e não das ideias. Por exemplo: o fato de uma versão citar “Filho do Homem” como uma referência a Jesus, por exemplo, não está de modo algum diminuindo sua divindade, mas apenas apresentando-o em sua forma humana.

Quantas versões existem?

 

No Brasil, as mais comuns hoje talvez sejam:*

– Almeida, Corrigida, Revisada e Fiel

– Almeida Revista Contemporânea

– ARC (Almeida, Revista e Corrigida)

– ARA (Almeida, Revista e Atualizada)

– Almeida Revisada e Atualizada (Almeida Século 21)

– King James Atualizada em Português

– NVI (Nova Versão Internacional)

– NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

– Bíblia Viva

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Note que se trata do conteúdo do TEXTO BÍBLICO e não dos comentários e recursos adicionais, presentes em Bíblias de Estudo e Devocionais. É importante que se entenda que tais comentários são OPINIÕES HUMANAS e que, embora tenham sido supostamente escritas por pessoas capacitadas, não fazem parte das Escrituras Inspiradas, e devem sempre ser lidas com cuidado e senso crítico.

 *

Entendendo as diferenças

A origem das diferenças consiste principalmente no método de tradução escolhido e no tipo de manuscritos originais usados como fonte. Mas, de maneira bem simplista, e de fácil entendimento para os leitores em geral, podemos classificar todas as versões existentes hoje no Brasil, em três categorias gerais, de acordo com a linguagem utilizada.

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1. Linguagem erudita e formal, que utiliza os termos com tradução quase literal. Estas fazem uso de palavras pouco utilizadas hoje em nosso vocabulário, tais como: esboroar, encanecido, concupiscência, libação, messe, ilharga, esquadrinhar, beneplácito, etc. Usam formas verbais de linguagem culta, como dar-se-vos-á e buscar-me-eis. E utilizam pesos e medidas da época: côvado, siclo, efa, gômer, etc. Neste grupo temos as versões:

  • Almeida Revista e Corrigida (ARC) 
  • Almeida Revista e Atualizada (ARA),
  • Almeida Revista Contemporânea 
  • Almeida Corrigida Fiel (da Trinitariana)

Indicada para pessoas que preferem uma linguagem mais culta, formal e rebuscada. Exige uma certa prática de leitura ou um bom dicionário da língua portuguesa para ajudar na compreensão. A Versão Revista e Corrigida, dentre estas é, na minha opinião, a que contém termos mais usuais e menos difíceis de serem compreendidos.

 *

022. Linguagem atualizada e informal, que utiliza termos que expressam a ideia do texto. Estas versões traduzem o sentido do texto, sem se preocupar com uma tradução literal, palavra por palavra. Utilizam termos conhecidos no vocabulário popular e fazem a equivalência de pesos e medidas para os utilizados atualmente. São de fácil compreensão, embora algumas palavras por serem muito simplificadas não conseguem expressar o sentido do termo original. Nesta linha de tradução, podemos citar:

  • Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH)
  • Bíblia Viva

Indicada para novos convertidos, adolescentes, e pessoas que preferem uma linguagem de mais fácil entendimento, sem se preocupar com análises teológicas para estudos mais aprofundados.

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03-33. Linguagem atualizada e formal, que se equilibra entre os dois extremos. Trata-se de versões que procuram fazer uma tradução modernizada, sem perder a estrutura formal de escrita. Procura traduzir literalmente cada palavra, com exceção daquelas que hoje tem um sentido diferente. Por exemplo: “rim”, no original hebraico, muitas vezes aparece no sentido de órgão das emoções, que hoje, expressamos como sendo o “coração”. Neste caso a ARC traduz como “rim” mesmo (sentido literal), enquanto a NVI, traduz como “coração” (sentido contextualizado). Classifico neste nível as Bíblias:

  • King James (recém traduzida para o português),
  • Nova Versão Internacional (NVI)
  • Almeida Revisada e Atualizada 
  • Nova Versão Transformadora (NVT)

 *

Veja alguns exemplos de trechos bíblicos em diferentes versões comparados:

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1. Gênesis 6:16

“Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás andares, baixo, segundo e terceiro.”  Almeida Corrigida e Fiel

“Pouco abaixo do teto, faça uma abertura de meio metro de altura, em toda a volta do navio, para ventilação e iluminação. Num dos lados faça uma porta. E construa três andares no navio – um embaixo, outro no meio e um terceiro em cima.”  Biblia Viva

“Faça-lhe um teto com um vão de quarenta e cinco centímetros entre o teto e corpo da arca. Coloque uma porta lateral na arca e faça um andar superior, um médio e um inferior.”  NVI

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2. Levítico 15:25

“Também a mulher, quando tiver o fluxo do seu sangue, por muitos dias fora do tempo da sua separação, ou quando tiver fluxo de sangue por mais tempo do que a sua separação, todos os dias do fluxo da sua imundícia será imunda, como nos dias da sua separação.” Almeida Corrigida Fiel

“A mulher que tiver hemorragia ou que continuar menstruada além do tempo normal ficará impura como durante a menstruação.”  NTLH

“Quando uma mulher tiver um fluxo de sangue por muitos dias fora da sua menstruação normal, ou um fluxo que continue além desse período, ela ficará impura enquanto durar o corrimento, como nos dias da sua menstruação”  NVI

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3. Deuteronômio 10:16

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz.” ARC

“Portanto, sejam obedientes a Deus e deixem de ser teimosos.” NTLH

“Circuncidai o vosso coração e não sejais mais obstinados.” Almeida Século 21

 *

4. Salmo 40:1

 “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.” Almeida Revista e Atualizada

“Esperei com confiança pela ajuda do Senhor. Ele se voltou para mim e ouviu meus pedidos de socorro.”  Biblia Viva

“Coloquei toda minha esperança no Senhor; ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito de socorro.” NVI

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 5. 1 João 2:16

“Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.” ARC

“Nada que é deste mundo vem do Pai. Os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo.”  NTLH

“Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.”  NVI

*

6. 1 João 5:7

“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.”  Almeida Corrigida Fiel

“E o Espírito é o que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade.” ARA

“Há três que dão testemunho:”   NVI (Obs: nesta versão, bem como na NTLH, o sentido do texto se completa apenas no verso seguinte)

 *

Bíblias de Estudo

A diferença entre as inúmeras Bíblias de estudo disponíveis nas livrarias, está nos recursos extras. Cada uma contém não só o texto sagrado numa determinada versão, mas também mapas, estudos, comentários, devocionais, gráficos, dicionários, etc…

Tais recursos costumam ser bastante didáticos e podem auxiliar muito na compreensão dos textos.

É importante lembrar que tais recursos NÃO FAZEM PARTE DO TEXTO INSPIRADO e são de autoria puramente humana, seguindo, normalmente, uma linha teológica interpretativa específica. Podendo, inclusive, conter erros e equívocos doutrinários. Os recursos podem auxiliar, mas não devem ser aceitos como verdades absolutas.

Por exemplo: A Bíblia de Estudo Pentecostal, como o próprio nome já diz, traz estudos e notas de acordo com as doutrinas de linha pentecostal, da Igreja Assembléia de Deus (Editora CPAD), enquanto a Bíblia de Estudo de Genebra (ARA) traz estudos e comentários segundo interpretação calvinista, da Igreja Presbiteriana, e assim por diante. Veja as versões utilizadas em algumas Bíblias de Estudo: 

  • Bíblia de Estudo Pentecostal – ARC
  • Bíblia da Mulher – ARC
  • Bíblia de Estudo e Aplicação Pessoal – ARC
  • Bíblia de Estudo Plenitude – ARC
  • Bíblia Dake – ARC
  • Bíblia de Estudo de Genebra – ARA
  • Bíblia de Estudo Anotada e Expandida – ARA
  • Bíblia de Estudo MacArthur – ARA
  • Bíblia Sheed – ARA
  • Bíblia Brasileira de EstudoAlmeida Século 21
  • Bíblia Thompson – Almeida Revista Contemporânea  

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CONCLUSÃO

NÃO existe a “melhor versão” da Bíblia, existe apenas versões diferentes.

A NVI, NTLH e Bíblia Viva são mais contextualizadas e de mais fácil entendimento. Por outro lado, deixam a desejar na poesia e, em alguns casos, empobrecem o texto utilizando palavras um tanto “grosseiras” (na minha opinião). Já as traduções de Almeida Revista e Corrigida, Revista e Atualizada, Corrigida e Fiel, etc… costumam ser mais fiéis ao sentido original das Escrituras, mas a terminologia é erudita, com tempos verbais arcaicos, e palavras de difícil entendimento. Portanto, a escolha da “melhor versão” vai depender do gosto pessoal de cada um. O ideal é comparar várias versões de um mesmo texto para melhor compreensão. Alguns sites dispõem deste serviço, como o bibliaonline.net  e o bibliaonline.com.br.

MAS, DE TUDO, O IMPORTANTE É SEGUINTE: devemos ler a Bíblia não se prendendo às letras ou significado isolado das palavras, mas sim procurando o sentido geral do texto, interpretando-o conforme a direção do Espírito Santo, de preferência coletivamente. Independentemente da versão que se usa, o importante é se habituar a ler capítulos inteiros, livros inteiros. Isso sim é fundamental para se compreender o sentido da Palavra. Se prender a versículos soltos, agarrando-se a eles como promessas para sua vida é um perigo. Texto fora do contexto vira pretexto.

Em suma: versão formal, literal, dinâmica ou parafraseada, capa dura, capa mole, letra grande, letra pequena… o importante é LER. Escolha uma linguagem e um modelo que mais o agrade, leia a Bíblia e permita que suas palavras gerem vida em seu coração. E não substitua as Escrituras por comentários teológicos ou mensagens de grandes pregadores. Permita que o próprio Espírito fale com você diretamente através da Palavra. Afinal, o Evangelho é simples! Nós é que complicamos.

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia
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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
 
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Ser Igreja

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COMO CONHECER A VONTADE DE DEUS

de Dennis Downing

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Uma das perguntas mais freqüentes que ouvimos é “Como é que eu posso saber a vontade de Deus sobre …”. Às vezes é uma questão de relacionamentos (namorar com esse, ou não; casar com aquele, ou não). Outras vezes a dúvida é em relação a emprego, mudança de cidade, escolha de carreira, etc. Às vezes tem-se bastante tempo para buscar a resposta. Outras vezes a resposta precisa ser encontrada numa questão de horas.

Seja qual for sua situação, há algumas dicas que podem ajudar.

Vários anos atrás, perguntei a um homem de Deus como tomar uma decisão de entrar num seminário para me preparar para servir num ministério. Ele deu as seguintes dicas. Eu as elaborei um pouco mais com passagens bíblicas que mostram que há um fundamento para todas elas. Há apenas cinco. Eu as coloco aqui na esperança de que, havendo necessidade, possam lhe ajudar. Que Deus seja sempre seu guia.

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1. Oração

Tiago 1:5-6 – Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, sem duvidar, pois aquele que duvida é semelhante à onda do mar, levada e agitada pelo vento. 

Deus promete dar sabedoria e discernimento a todos que pedem. Precisamos pedir a Deus. Precisamos pedir com fé. Antigamente eu orava muito quando precisava de uma resposta ou ajuda, e muito pouco quando estava tudo bem. Precisamos nos habituar a orar constantemente a Deus, para conhecê-Lo melhor. Quanto mais nós O conhecemos, melhor entenderemos a Sua vontade.

Parte da maneira como Deus se revela para nós não é apenas através de respostas momentâneas, mas, através de um contato prolongado e profundo. Procure melhorar seu relacionamento com Deus em oração e, surpreendentemente, você verá que as respostas dEle às suas dúvidas virão de forma cada vez mais tranquila e natural.

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2. A Palavra

Rom 12:1-2 –  “transformai-vos pela renovação da vossa mente”.

Nossas mentes tendem a fazer decisões baseadas em modelos de pensamento, e valores anteriores à nossa conversão, ou seja em valores do mundo. Esses valores podem nos levar a decisões erradas. Só a mente renovada pela palavra de Deus pode fazer boas decisões.

Podemos procurar passagens que ensinam sobre a nossa dúvida quanto à vontade de Deus, ou passagens que nos dão princípios bíblicos para nos guiar. Em tudo, precisamos estar orando para Deus nos orientar.

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3. A orientação do Espírito Santo

Salmos 143:10 – “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus, que o teu bondoso Espírito me conduza por terreno plano”.

O Cristão tem o Espírito Santo como guia. Precisamos pedir a ajuda dEle. Ele provavelmente não falará em meu ouvido. Mas ele tocará em meu coração e operará em minha mente para me ajudar a conhecer a vontade de Deus.

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4. Buscando Conselhos de cristãos maduros 

Prov. 12:15; (15:14; 18:15; 20:18) – “O caminho do insensato aos seus próprios olhos parece reto, mas o sábio dá ouvidos aos conselhos.”

Em 1 Reis 12, Roboão, um dos filhos de Salomão, um dos homens mais sábios da Bíblia, ao em vez de escutar os conselhos dos anciãos de Israel, escutou seus jovens amigos, e assim dividiu ao povo de Israel. É mais sábio procurar uma pessoa com experiência e bom exemplo na vida Cristã. Este homem ou esta mulher geralmente terá melhores condições de nos indicar qual seria a vontade de Deus.

Você conhece algumas pessoas em cujas vidas você vê Jesus? Procure os conselhos destas pessoas. Novamente, ao invés de esperar para a hora decisiva, é melhor começar a desenvolver estas amizades bem antes. Assim, teremos mais confiança na orientação desses irmãos mais maduros.

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5. Portas abertas

Atos 16:6-7 – “E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu.

Paulo queria ir para a Ásia. Deus tinha outros planos. Deus fechou portas no caminho de Paulo. Paulo acabou indo a Filipos, onde uma igreja importante foi fundada.

Deus quer nos mostrar o caminho. Só Ele pode nos mostrar a direção certa. Salmos 25:4-5 “Faze-me, SENHOR, conhecer os teus caminhos, ensina-me as tuas veredas. Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia.”

Se você quer seguir algum caminho, namorar ou casar com uma determinada pessoa, ou alcançar algum objetivo, se isto for a vontade de Deus, as portas vão abrir. Se não for, você pode forçá-las, mas pode depois vir a se arrepender devido ao que encontrar do outro lado daquelas portas. Esteja sempre atento para a vontade de Deus e para as portas abrindo ou fechando de acordo com Sua vontade.

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E, lembre-se, é mais fácil saber o que uma outra pessoa realmente quer quando você conhece bem aquela pessoa. Certamente Deus irá revelar a vontade dEle para nós. Mas, quanto mais O conhecermos, mais claramente entenderemos e ouviremos Sua vontade. Por isso é bom desde já buscar conhecer cada vez mais a Deus.

Deus te abençoe.

Fonte: Iluminalma

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