Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Pecado’

cegueira_espiritual

*

“Guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” Pv 4:23

*

Situação A: Sílvia e Bete são membros de uma Igreja Evangélica há muito tempo e frequentam a mesma Célula (grupo pequeno de oração nos lares). Mas a Sílvia soube, por uma fonte confiável, que a Bete está com um comportamento inadequado aos princípios bíblicos. Uma pessoa a flagrou dançando numa boate, com um copo de Vodca na mão, trajando um micro vestido e “ficando” com um homem sem ter um compromisso com ele. Sílvia ficou horrorizada com o que soube, afinal, sempre admirou muito a Bete. Tal atitude da amiga a decepcionou profundamente. Orou por ela pedindo misericórdia. E decidiu alertar algumas pessoas para que não confiassem nela, contando o que soube. Também desabafou com uma amiga sobre o assunto, pois a situação a estava incomodando muito. Por estar muito indignada, achou melhor não falar com a Bete, fingiu não saber de nada, e afastou-se dela. Também optou por não falar nada para seu líder de Célula, pois soaria como fofoca, e isso é algo que ela quer evitar, afinal, não quer “cair em pecado” como aconteceu com a amiga. Algumas semanas depois, Bete saiu da igreja e assumiu publicamente sua vida longe de Jesus.

*

Situação B: Jorge é líder de um ministério na Igreja, mas discorda completamente da forma com que o seu pastor vem dirigindo a igreja. Jorge se sente profundamente incomodado com algumas posturas do pastor que, a seu ver, estão erradas e lhe parecem anti-éticas. Como ele é submisso ao pastor, achou que seria desrespeito falar pra ele o que pensa. Então preferiu se calar e seguir as orientações do seu líder, mesmo sem concordar com elas. Comentou apenas com algumas pessoas para sondar se ele era o único que estava detectando tais desvios, ou se outras pessoas compactuavam com sua maneira de pensar. Não conseguiu chegar a um consenso, pois, alguns concordaram com ele, outros não. Então, sentiu que deveria procurar outra igreja.

*

Estes são fatos e nomes fictícios, mas que tem se repetido todos os dias no meio cristão, quer no âmbito de igreja local, ministérios, células, grupos pequenos ou famílias.

O que essas duas histórias tem em comum? Jorge e Sílvia expressam o desejo de servir a Deus e se manter em santidade. Não querem fazer fofoca ou parecerem insubmissos, mas o que acontece por detrás da atitude dos dois é justamente o inverso.

Jorge foi submisso ao pastor em sua conduta, mas o seu coração estava em rebeldia. O fato dele não procurar o pastor para abrir o seu coração, e ser sincero com ele sobre seus sentimentos e impressões, fez com que aquela semente de discórdia germinasse, criasse raízes e frutificasse. Sua omissão e covardia em fazer o que era certo o levou a escolher a atitude errada: maldizer o pastor para outras pessoas, criar facções na igreja, gerar contenda, o afastar de seu líder e, por fim, o afastar da igreja. Também perdeu a oportunidade de ser bênção na vida do seu pastor e ajudá-lo a realinhar algumas questões.

Sílvia foi imparcial em sua conduta, mas o seu coração estava em desamor. Ela não comentou nada da amiga com seu líder, nem com a própria pessoa em questão. Preferiu não “julgar” ou se envolver diretamente para se poupar e preservar sua imagem. Mas sua omissão e covardia em fazer o que era certo a levou a escolher a atitude errada: compartilhar o que soube da Bete para outras pessoas, criar facções na Célula, gerar contenda, se afastar da amiga e, por fim, não fazer nada para impedir que Bete se desviasse. Deus ODEIA essas coisas!

Jesus abraçou ladrões, prostitutas, adúlteros, pecadores confessos… e condenou veementemente a atitude aparentemente piedosa de religiosos cujo coração estava sujo.

Temos nos distanciado de Deus, mas permanecemos na igreja. E este distanciamento tem nos tornado cegos espirituais. Fazemos fofoca, maldizemos, murmuramos, nos rebelamos, tudo sob o manto da justiça, com pretextos de santidade. Pecado duplicado.

É tempo de arrependimento! Que caiam as escamas de nossos olhos!

Precisamos REAPRENDER  a olhar o outro nos olhos e dialogar, esclarecer, confrontar em amor. O amor não se acovarda, o verdadeiro amor enfrenta, dá a cara a tapa, não folga com a injustiça, e faz o que for preciso para resolver conflitos e situações.

Ficar calado quando deveria falar e falar quando deveria se calar é consequência de emoções doentes e carnais.

Que o Senhor nos ajude a não cair nesta armadilha, e vivermos nossos relacionamentos sem hipocrisia, em liberdade e transparência. Sem religiosidade, legalismo ou farisaísmo, mas em amor.

Quando você, de alguma forma, não concordar com alguma coisa ou ficar sabendo de algo errado no seu irmão, esposo, líder, amigo, não se omita, não finja que está tudo bem, nem saia por aí denegrindo a imagem do outro. Deus espera de nós que sejamos sinceros e amáveis. Só assim, conseguiremos cultivar relacionamentos saudáveis e cumprir o que nos diz o Evangelho:

“Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações (…), exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros (…) com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”

1 Pe 2:1, 1 Ts 5:11, Ef 4:2-3

*

*   *   *

*

*
Ser Igreja

*

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

*

Leia também:

*

_____________________________________________

 

*

Read Full Post »

*

Como a grande maioria das mulheres brasileiras, divido o meu tempo entre trabalho (no meu caso, ministério), igreja, família, casa, compromissos pessoais, supermercado, farmácia, médico, banco, etc, etc, etc… Claro que nunca dá tempo de fazer tudo, então vamos focando no que julgamos ser prioritário. No meu caso, o serviço doméstico sempre fica por último, e às vezes o trabalho vai se acumulando. De repente, chega o dia em que não dá mais para adiar.

Hoje precisei limpar dar uma “geral” no fogão. Fogão brilhando, olhei para o lado e notei o quanto o armário estava sujo!! Impossível deixá-lo neste estado ao lado do fogão limpinho. E assim foi, até que azulejos, pia, geladeira e chão fossem todos igualmente limpos.

Horas se passaram e, enquanto isso, o Espírito Santo ministrava ao meu coração: não percebemos o quanto estamos sujos até que começamos o processo de limpeza.

Nossa vida espiritual é assim: se imediatamente após cometermos um pecado o reconhecemos, nos arrependemos e o confessamos, somos lavados e justificados pelo sangue do Cordeiro e seguimos nossa caminhada em santidade.

Mas, se ao invés disso, estamos ocupados demais com outras prioridades e deixamos a limpeza pra depois, a sujeira vai se acumulando, acumulando e acumulando até o ponto em que nem a identificamos mais, ou a bagunça é tamanha que achamos que não tem mais jeito.

Daí o processo de limpeza é mais doloroso, leva mais tempo, dá mais trabalho, cansa, dói.

Que sejamos sábios, humildes e prontos a nos livrar de tudo o que nos afasta de Deus, não em faxinas esporádicas, mas num processo contínuo de restauração, libertação e cura. Simples assim!

_

“O sabão lava o meu rostinho,

lava os meus pezinhos, lava as minhas mãos.

Mas Jesus, pra me deixar limpinho,

quer lavar meu coração.

Quando o mal faz uma manchinha

eu sei muito bem quem pode me limpar

É Jesus! Eu não escondo nada! 

Tudo Ele pode apagar.”

 

__________________

*

 
Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
*
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
 

***

 
 

Leia também:

*

Read Full Post »

Qual a principal característica que um ministro do evangelho deve possuir? Qual sua principal marca? O que um servo de Deus deve possuir para que mantenha a integridade do seu ministério?

Não é fácil responder a esta pergunta e talvez exista mais de uma resposta. Entretanto, quando vejo tantos pastores e obreiros do Reino de Deus se perdendo pelo meio do caminho, me obrigo a pensar sobre o assunto, na tentativa de identificar um ponto em comum, a fim de colocar-me em alerta para não tropeçar na mesma pedra.

Na busca de uma resposta a esta questão, vi que muitos têm caído ou se perdido pela mesma razão que fez com que o apóstolo Pedro começasse a afundar: desviar os olhos de Jesus.

Grandes homens de Deus começaram muito bem sua jornada cristã, mas se perderam ao desviar o olhar para suas emoções. Cansaço, empolgação, ira, alegria, frustração… todos ser humano normal possui sentimentos, mas não devemos nortear nossas atitudes com base em nenhum deles. O ministro que passa a super valorizar seus sentimentos como se viessem direto do trono de Deus, ignorando por completo sua natureza carnal, perde facilmente o foco do seu chamado, e passa a agir sem sabedoria nem moderação. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa…” (Jr 17:9). 


Grandes homens de Deus começaram muito bem sua jornada cristã, mas se perderam ao desviar o olhar para bens materiais.Trabalhar para um reino espiritual esperando receber benefícios materiais é uma grande ilusão. O ministro que passa a super valorizar sua situação financeira, acaba se deixando dominar pela avareza e passa a orbitar em torno disso. Comparações de salário com outros pastores, inveja, ambição, busca por rentabilidade e estatus social, tudo isso faz com que os valores do Reino se diluam por entre os cifrões. “É necessário pois, que o bispo seja irrepreensível… e não apegado ao dinheiro.” (1 Tm 3:2,3)

 

Grandes homens de Deus começaram muito bem sua jornada cristã, mas se perderam ao desviar o olhar para o conhecimento humano. Estudar, se aperfeiçoar em literatura e teologia, aumentar seu cabedal de conhecimento no campo das ciências humanas e sociais, ou em qualquer outra área é um hábito bastante salutar. Mas o ministro que passa a super valorizar o seu próprio conhecimento e tenta compreender e explicar Deus sob a ótica da sabedoria humana, torna-se insensível à inspiração divina e corrói a essência da própria fé, perdendo-se em heresias, falácias, discussões tolas e falsas doutrinas. “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento” (Pv 3:5).


Grandes homens de Deus começaram muito bem sua jornada cristã, mas se perderam ao desviar o olhar para a sua própriaespiritualidade. Oração em línguas, jejum, meditação, retiros espirituais, momentos de êxtases diante da manifestação de Deus, experiências sobrenaturais… tudo isso é válido e pode fazer parte da vida cristã daqueles que buscam intensamente uma maior intimidade com o Pai. Entretanto, o ministro que passa a super valorizar sua própria espiritualidade, fundamentando nela o seu ministério, torna-se seu próprio deus e gere sua própria Lei, produzindo aberrações sob a ilusão de novas revelações. “Nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1 Co 3:7).

O desvio do olhar não acontece de repente, mas de maneira sutil e quase imperceptível, precedendo o desvio e a queda.

Renovar a percepção de quem somos (barro) e de quem Deus é (o Oleiro Senhor Soberano sobre todas as coisas) é o que nos livrará de cairmos e levarmos outros a caírem também.

Quanto mais vejo as bizarrices se multiplicando no meio evangélico, inclino-me a pensar que a principal característica que um ministro de Deus deve cultivar em sua vida, é a primeira bem-aventurança do primeiro sermão de Jesus: “Bem aventurados os pobres em espírito” (Mt 5:3). O ministro que cultiva a humildade de espírito, reconhece que sua capacidade é limitada e mantém a mente, a alma e o espírito sempre em prontidão para o trabalhar DE DEUS em sua vida.  Dependência total de Deus, eis a essência do caráter de um servo.

Porque DELE e por ELE, e para ELE, são todas as coisas; glória, pois, a ELE eternamente. Amém.” (Rm 11:36).


 

Márcia Rezende

Bacharel em Educação Religiosa

Prª de Educação Cristã na 3ª Ig Batista de Marília

Permitida reprodução sem fins lucrativos desde que citada fonte e autoria.

 

Read Full Post »

*

Evangélico, cristão, povo do livro, crente… são muitos os títulos, mas uma só deveria ser a identidade: o amor.

O amor é a marca do discípulo de Cristo, disse o Mestre. E o fruto do espírito é o amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

Então, por que é tão difícil para nós, cristãos evangélicos, praticarmos o amor no nosso dia a dia? E mais: por que é tão difícil para nós, cristãos evangélicos, praticarmos o amor para com os nossos próprios irmãos na fé?

Tenho presenciado situações estarrecedoras acontecendo dentro dos nossos santuários. Não me refiro às pseudo igrejas com líderes mercenários que se enriquecem às custas dos sacrifícios dos seus seguidores. Esse tipo de comunidade está fora daquilo que considero Igreja. Refiro-me a grupos evangélicos sérios, comprometidos com a Palavra, que buscam de verdade obedecer a Deus.

Incluo-me nesse grupo e constato: temos recorrido exatamente no mesmo erro dos fariseus do tempo de Jesus: coado mosquitos e engolido camelos (Mateus 23:24). E com essa nossa “cegueira” espiritual, temos permitido que o mundanismo domine nossos corações e atitudes. Vou explicar.

Atitudes mundanas são aquelas que influenciam negativamente o nosso relacionamento com Deus, ofuscam o brilho do Espírito Santo em nós, são obras da carne, resultado do domínio do pecado em nossas vidas.

Mundanismo são posturas que pessoas do mundo, sem Cristo, praticam: mentira, falsidade, egoísmo, indiferença, maledicência, luxúria, prostituição, roubo, orgulho…

Pois bem, quando permitimos que as coisas do “mundo” entrassem nos nossos templos? Quando deixamos de amar.

Assim como os fariseus, criamos para nós mesmos um padrão estético de como um cristão deve ser, e rejeitamos qualquer pessoa que não se enquadre nesse padrão. Note que o padrão é nosso e não bíblico.

Sendo assim, acabamos classificando como mundana qualquer coisa que destoe do nosso gosto pessoal, e da nossa visão de santidade: penteados extravagantes, visual de tribos urbanos, um esmalte chamativo, ouvir música secular, fazer tatuagem, usar acessórios, ir ao cinema, a lista é interminável.

Indignados com tamanha “afronta” desprezamos e menosprezamos os cristãos que têm um estilo diferente do nosso simplesmente por serem diferentes.

Gastamos tempo falando e escrevendo contra eles, completamente cegos ao pecado está em nós: maledicência, fofoca, arrogância, julgamento alheio, desamor, egoísmo…

Gastamos tempo nos preocupando com esse suposto mundanismo invadindo os bons costumes cristãos, e ignoramos quando alguém da igreja comete um pecado de verdade. Não nos importamos se alguém conta uma mentirinha, deixa de ajudar um mendigo, ou vê pornografia na televisão.

Gastamos tempo nos indignando com a aparência dos nossos irmãos e nos mantemos indiferentes e passivos às suas necessidades.

Dessa forma, somos nós, e não “os outros”, somos nós, membros de uma geração intransigente e presa às tradições legalistas, que temos escandalizado o Evangelho e trazido o verdadeiro mundanismo para dentro da Igreja.

“Perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: Por que os teus discípulos não andam conforme a tradição dos antigos? Respondeu-lhes Jesus: Bem profetizou Isaías a respeito de vocês. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens. Ouçam e entendam isso: Não há nada fora do homem que, nele entrando, possa torná-lo impuro. Ao contrário, o que sai do homem é que o torna impuro. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.” Evangelho de Marcos, cap.7, vers. 5, 6, 8, 14, 15, 21, 22 e 23.

Que Deus tenha misericórdia de nós, fariseus e zelotes do nosso tempo! Que caiam as escamas da religiosidade dos nossos olhos e que possamos nos converter dos nossos caminhos, reaprendendo o sentido do amor e do fruto do Espírito agindo em nós.

Porque mundanismo não está no brinco, batom, roupa ou cabelo. Mundanismo está no coração.

*

______________________

*
Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
*
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
*
*

LEIA TAMBÉM:

*
*

Read Full Post »