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Antigo Testamento

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PREFÁCIO

Muitos leitores têm dificuldade em compreender a história do Antigo Testamento na Bíblia, pelo fato dos livros canônicos não estarem em ordem cronológica, mas sim organizados em categorias de similaridade: Pentateuco (lei de Moisés), livros históricos, livros poéticos e livros proféticos (profetas maiores e menores). Se, por um lado, esta organização bibliográfica auxilia na compreensão do propósito e estilo de cada livro, por outro, dificulta a compreensão da sequencia dos fatos, fazendo com que as histórias e personagens se confundam em meio a um pano de fundo aparentemente obscuro.

Além disso, por conta de se passar num tempo tão distante do nosso e conter narrativas tão distantes da nossa realidade, muitas vezes o mais cômodo mesmo é abandonar a leitura.

Entretanto, sabemos que “toda a Palavra é divinamente inspirada e útil…”, e aquele que deseja, de fato, conhecer a Palavra de Deus, não pode simplesmente ignorar o Antigo Testamento.

Na tentativa de facilitar o entendimento e dar uma visão panorâmica da história do Antigo Testamento, segue um breve resumo da mesma, contendo os principais fatos e personagens, bem como os locais e datas aproximadas de cada acontecimento.

ATENÇÃO: As frases em itálico correspondem a informações extra-bíblicas, baseadas em pesquisas e estudos históricos e arqueológicos.

Que este resumo do Antigo Testamento o ajude a viajar pelas Escrituras, mergulhando na rica Palavra de Deus e, extraindo dela, o conhecimento necessário para gerar vida em seu coração.

Boa leitura!

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1. SÍNTESE PANORÂMICA

  1. Deus efetua a criação do universo e de tudo que nele há.
  2. O homem cai em tentação e se corrompe com o pecado.
  3. Os descendentes de Adão e Eva dão origem às primeiras civilizações.
  4. O pecado se multiplica.
  5. Deus manda o dilúvio para julgar a Terra.
  6. Recomeço da humanidade com os descendentes de Noé.
  7. Origem das línguas – Torre de Babel.
  8. Origem das nações (descendentes de Sem, Cão e Jafé).
  9. Chamado de Abraão em Ur dos Caldeus.
  10. Peregrinação dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó em Canaã.
  11. José, filho de Jacó, é vendido para o Egito.
  12. Toda a família de Jacó se muda para o Egito.
  13. Os descendentes de Jacó tornam-se escravos do Egito.
  14. Após 400 anos, Deus manda Moisés liderar a libertação do seu povo.
  15. Dez pragas do Egito.
  16. Travessia dos israelitas pelo Mar Vermelho.
  17. Peregrinação de 40 anos do povo pelo deserto.
  18. Morre Moisés.
  19. Conquista da terra prometida sob a liderança de Josué.
  20. Divisão da terra entre as 12 tribos.
  21. Morre Josué e Israel é governada por juízes (Sansão, Gideão, Débora…).
  22. O povo pede um rei e Israel passa a ser uma Monarquia.
  23. Reinado de Saul, Davi e Salomão.
  24. Israel se divide em dois reinos: Norte (Israel) e Sul (Judá).
  25. Destruição do Reino do Norte – Israel – pelos assírios.
  26. Judá (o Reino do Sul) perdura sozinho por mais 136 anos.
  27. Judá é levado cativo para a Babilônia.
  28. 70 anos depois, os judeus voltam para Jerusalém.
  29. Reconstrução do Templo.
  30. Reconstrução dos Muros de Jerusalém.
  31. Período interbíblico – 400 anos de silêncio de Deus.
  32. Nascimento do Salvador.

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2. A HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO NUM BREVE RESUMO

1. OS PRIMÓRDIOS

Base bíblica: Gênesis 1 a 11

 

No princípio, num determinado momento de sua eternidade, Deus criou todo o Universo e tudo o que nele há. Criou também o planeta terra, com tudo o que nele há: as plantas, os animais, e também o homem e a mulher, o primeiro casal.

O ser humano foi criado à imagem e semelhança do Criador, e vivia em perfeita comunhão com Deus. Aos humanos foi dada a responsabilidade de governar e cuidar do planeta.  Mas o homem, sendo tentado pelo diabo, caiu em tentação, se rebelou contra Deus e desobedeceu às suas instruções, fazendo com que toda a raça fosse, assim, contaminada pelo pecado, e condenada à morte e à perdição de uma eternidade sem Deus.

Adão e Eva (o primeiro casal) tiveram muitos filhos e filhas. Surgiram as primeiras famílias, primeiras cidades e primeiras civilizações. O número de habitantes foi se multiplicando, e se multiplicando também foi a maldade do homem. Passaram-se muitos séculos e a maldade na Terra chegou a um nível insuportável. Apenas um homem chamado Noé, habitante da Mesopotâmia, foi achado justo. Foi quando Deus decidiu destruir toda aquela geração através de um grande dilúvio. Apenas Noé e sua família foram salvos, graças à uma enorme arca de madeira que ele mesmo construiu, sob a orientação do próprio Deus.

Depois do dilúvio, passaram-se vários meses até que, finalmente as águas baixaram, e a Terra ficou, novamente habitável. Noé, sua esposa, seus três filhos com suas respectivas esposas, e também todos os animais que estavam com eles, puderam sair da arca e recomeçar suas vidas.

Tempos depois, os descendentes de Noé se fixaram na região da Babilônia, e ali, contrariando o que Deus havia lhes dito, decidiram construir uma grande torre e ali permanecerem, ao invés de se espalharem e povoarem a Terra.

Deus então, interviu, e lhes confundiu a língua, dando origem aos primeiros idiomas. Como eles não mais conseguiam se entender, desistiram de construir a cidade e a torre (que ficou conhecida como Torre de Babel), e se espalharam pelos continentes, dando origem às nações.

Os Sumérios (ao sul da Mesopotâmia) foram a primeira grande civilização de que se tem notícia. Inventaram o alfabeto, a roda, o código de Hamurabi (que foi o primeiro código de leis civis), os carros puxados por animais, armas, vários instrumentos musicais, objetos de arte, pintura, adereços, enfim, uma civilização avançadíssima que foi o berço de todo o conhecimento da humanidade. 

A partir de 2.700 a.C. o Egito se alavanca como grande império, constrói suas pirâmides, desenvolve sua própria escrita e técnicas avançadas de mumificação e construção civil.

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2. ERA PATRIARCAL

Base bíblica: Gênesis 12 a 50

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Por volta do ano 2.000 a.C., havia em Ur dos Caldeus (cidade próxima a Babel, hoje localizada no sul do Iraque), um homem chamado Abrão. Deus disse a ele que deixasse sua terra, e fosse para o lugar que Ele mesmo lhe haveria de mostrar, e prometeu que faria dele uma grande nação. Uma nação separada para ser chamada como povo de Deus.

Abrão (que depois teve seu nome mudado para Abraão) então obedeceu, deixou sua cidade, e partiu rumo à terra dos cananeus (que hoje é o território de Israel). Abraão e Sara, sua mulher, peregrinaram pelas terras dos cananeus durante toda a sua vida. Foi neste tempo que as cidades de Sodoma e Gomorra, que ficavam na região sul de Canaã, foram destruídas por uma chuva de fogo e enxofre como resultado da ira de Deus pela a iniquidade daquele lugar.

Abraão teve vários filhos: teve Ismael, com Hagar, a serva de Sara, e também vários outros filhos e filhas com Quetura, sua concubina. Mas o filho prometido por Deus nasceu mesmo de Sara, já em sua velhice, e foi chamado de Isaque.

A promessa de Deus a Abraão, de que dele descenderia um grande povo, e a este povo seria dada a terra onde estavam peregrinando (Canaã), foi feita também a seu filho Isaque. Isaque se casou com uma moça da Caldeia, chamada Rebeca, e tiveram dois filhos, gêmeos, Esaú e Jacó.

Jacó e Esaú se desentenderam gravemente, a ponto de Jacó precisar fugir do país. Ele foi para a Caldeia, onde se casou e viveu durante vinte anos, mas depois deste tempo, pegou toda a sua família, seus servos e seus bens, e voltou para a Terra de Canaã, onde se reconciliou com o irmão, e passou a viver em paz com sua família. Jacó, cujo nome fora mudado para Israel, foi o filho de Isaque escolhido por Deus para perpetuar a sua promessa feita a Abraão. Ele teve 12 filhos.

Os filhos de Jacó tinham ciúmes de José, um dos seus irmãos, por acharem que era o predileto do seu pai, e também devido a alguns sonhos que ele tivera, onde se via governando sobre os irmãos. Então, por vingança, eles o venderam como escravo para alguns mercadores, e estes, por sua vez, o levaram para o Egito, onde o revenderam a Potifar, o capitão da guarda do Faraó do Egito.

Ali José trabalhou algum tempo como “mordomo” da casa de Potifar, mas foi acusado injustamente e acabou sendo preso. Na prisão, destacou-se por seu espírito de liderança e seu dom de interpretação de sonhos.

Anos depois, chamado pelo próprio Faraó, é solto da prisão para interpretar os sonhos que o estavam afligindo, e foi tão bem sucedido que acabou nomeado governador de todo Egito. Naquele tempo, o Egito havia sido invadido pelos Hicsos, e estava sob seu domínio.

Sete anos se passaram, e veio um tempo de grande seca em toda a terra, e graças à administração de José, o Egito era o único lugar do Mundo Antigo onde havia comida. José então manda chamar seu pai, seus irmãos, e todos os seus parentes, para virem morar com ele. Todos se alegraram e se surpreenderam muitíssimo, pois não imaginavam que ele pudesse ainda estar vivo e num cargo de tão alta posição. O Faraó fez questão de dar à família de José, que somava setenta pessoas, a melhor terra do Egito. E ali eles se estabeleceram, em 1.680 a.C.

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3. NO EGITO

Base bíblica: Êxodo 1 a 12

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Dois séculos se passaram desde que José fora nomeado governador. Os hicsos foram expulsos do país e o trono, reconquistado pelos egípcios.

A família de Israel (Jacó) havia crescido muito, se multiplicado e se enriquecido. E temendo que aquele povo estrangeiro continuasse crescendo e dominasse o país, o Faraó do Egito decidiu fazê-los escravos. E assim, os israelitas foram subjugados na terra onde viviam.

No ano de 1.260 a.C., os descendentes de Israel já ultrapassavam os seiscentos mil homens, sem contar as crianças, mulheres e idosos. Tutancâmon e Ramsés II haviam recentemente restaurado a glória do antigo Egito. E então chegou o tempo do cumprimento da promessa de Deus feita a Abraão. Deus levanta um homem chamado Moisés, e o designa como líder para conduzir os israelitas de volta para a terra dos cananeus, onde peregrinaram antes de se mudarem para o Egito.

Auxiliado por seu irmão Arão, Moisés transmite ao Faraó a ordem que recebera de Deus: que ele deveria libertar todos os israelitas, permitindo que saíssem do país. Mas o Faraó se negou a concordar, e em cada uma das dez vezes que ele fez isso, uma terrível praga veio sobre toda a nação. Por fim, depois da décima praga, ele cedeu, e o povo pode partir para Canaã.

Antes que chegassem ao Sinai, Faraó se arrependeu e enviou o exército para recapturar os israelitas e trazê-los de volta. Mas Deus fez com que o seu povo atravessasse a seco o Mar Vermelho, e depois fez com que o mar se fechasse sobre os egípcios, fazendo que todos se afogassem. E assim, eles partiram rumo à Terra Prometida, a fim de conquista-la e ali se estabelecerem como uma nação.

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4. PEREGRINAÇÃO PELO DESERTO

Base bíblica: Êxodo 12 a 40, Levítico, Números e Deuteronômio

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Depois da travessia do Mar Vermelho, direcionados por Deus, eles tomaram o caminho do sul, pelo deserto do Sinai, e caminharam por dias, semanas e meses, sempre guardados pelo Senhor. Chegando ao Monte Sinai, eles acamparam por quase um ano, onde confirmaram sua aliança com Deus e construíram o tabernáculo. Ali eles se organizaram em tribos, conforme a descendência de cada um. E ali também foi estabelecido todo cerimonial de culto e sacrifícios, a nomeação dos levitas como sacerdotes e cuidadores do tabernáculo, e toda a Lei pela qual deveriam se guiar.

Após onze meses acampados, seguiram viagem e chegaram às proximidades de Canaã. Então enviaram alguns homens para espiarem a terra dos cananeus, e trazerem um relatório que os ajudasse a pensar em estratégias para invadir e conquistar aquele lugar.

Mas os espias voltaram com um relatório desanimador. Apesar de toda a exuberância e fartura do lugar, eles concluíram que seria impossível guerrear contra seus habitantes e vencê-los. E assim convenceram todo o povo, que se desesperou e desejou voltar para o Egito. Apenas dois dos espias, Josué e Calebe, pensaram diferente, e tentaram animar a todos, dizendo que a conquista seria sim possível.

Mas o povo continuou a murmurar e quiseram apedrejar a Josué e Calebe. Até que o Senhor apareceu naquele lugar e, devido à postura de rebeldia dos israelitas, determinou que, realmente, nenhum deles, com exceção de Josué e Calebe, entraria na terra prometida. Eles estariam fadados a permanecerem naquele deserto até que todos eles morressem, e seus filhos crescessem e se tornassem aptos a conquistarem a terra no lugar deles.

Assim sendo, foram obrigados a voltar, e ficaram peregrinando pelo deserto por mais de trinta e oito anos, até que toda aquela geração perecesse.

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5.  CONQUISTA DE CANAÃ

Base bíblica: Josué

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Passados quarenta anos desde a saída do Egito, Arão, Moisés e toda a geração de homens e mulheres que atravessaram o Mar Vermelho, pereceram no deserto. Apenas aqueles que ainda eram muito jovens (ou nasceram no deserto), e Josué e Calebe, estavam vivos.

Chegara a hora do povo finalmente conquistar a terra de Canaã e Josué foi o escolhido por Deus para liderá-los nesta tarefa.

Os povos que habitavam naquele lugar eram extremamente maus, iníquos, idólatras e cruéis, e aprouve ao Senhor destituí-los daquele lugar. Por isso aquela terra seria dada aos descendentes de Abraão em cumprimento à sua promessa.

Então Deus fez parar as águas do rio Jordão para que o povo atravessasse e, depois que atravessaram o Jordão, deu-se início às inúmeras incursões pelas cidades cananeias, começando por Jericó em 1.220 a.C., Ai e tantas outras.

Grande parte da terra foi conquistada e parte dos seus habitantes foi exterminado. O território foi repartido entre o povo, de acordo com cada tribo, ou seja, os descendentes de cada um dos 12 filhos de Israel (Jacó). O povo montou o tabernáculo, construiu casas, edificou cidades. Cada um segundo a sua tribo. Mas ainda muita terra e muitos povos restaram para ser conquistados.

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 6. ERA DOS JUÍZES

Base bíblica: Juízes, Rute, 1 Samuel 1 a 7

Depois da morte de Josué, os israelitas se desviaram da Lei do Senhor e se contaminaram com as práticas idólatras do povo cananeu. Cada vez que eles se “esqueciam” de Deus, eram oprimidos e conquistados por um dos povos estrangeiros que ainda habitavam naquela região. Eles então se arrependiam, e clamavam pelo socorro do Senhor. Deus levantava um juiz para governa-los e lidera-los em vitória contra o inimigo. Mas depois que aquele juiz morria, o povo novamente se “esquecia” de Deus, era oprimido, se arrependia, e então Deus precisava levantar um outro juiz para governar sobre eles.

Este ciclo se repetiu durante aproximadamente dois séculos. E grandes homens e mulheres de Deus fizeram toda a diferença como juízes na vida da nação: Gideão, Eúde, Débora, Jefté, Sansão e Samuel são alguns exemplos.

Neste tempo, uma pessoa também ganha destaque, não como líder político ou religioso, mas como exemplo de caráter, humildade e fidelidade: Rute. A estrangeira de Moabe, que se casou com um israelita, da tribo de Judá, e teve sua história imortalizada depois de ter se convertido ao Deus de Israel, e tratar sua sogra com profundo amor e respeito, se tornando a bisavó daquele que seria o maior rei de Israel: Davi.

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 7. REINO UNIDO

Base bíblica: 1 Samuel 8 a 31, 2 Samuel, 1 Reis 1 a 12, 1 Crônicas, 2 Crônicas 1 a 10, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares

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Depois de décadas vivendo num regime teocrático, sob o governo de Deus e a orientação de juízes, o povo desejou adotar o regime monárquico, seguindo o exemplo de todos os demais povos pagãos daquela época. Isto entristeceu o coração de Deus, que mesmo assim permitiu que fossem governados por um rei humano.

Assim, Saul foi coroado como o primeiro rei de Israel por volta do ano 1.000 a.C.. Durante o seu reinado, os filisteus iniciaram uma guerra contra Israel, que foi vencida graças ao seu escudeiro Davi, um pastor de ovelhas e músico, que corajosamente lutou contra o gigante Golias e o venceu com apenas uma funda. Tendo sua fama aumentada depois disto, despertou o ciúmes de Saul, que passou a persegui-lo e ameaça-lo de morte.

Mas Davi fugiu e, após a morte de Saul, ele foi aclamado como o novo rei sobre a nação. Davi foi um grande líder e conseguiu conquistar para Israel todos os territórios que ainda havia para serem conquistados, incluindo a cidade de Jerusalém, que se tornou a capital do reino.

O trono foi sucedido por seu filho Salomão, conhecido por sua sabedoria. Ele concretizou os planos do seu pai, o rei Davi, e construiu um templo em substituição ao tabernáculo como local de adoração a Deus e também o palácio real. Mas Salomão não usou sua sabedoria para servir ao Senhor de todo o seu coração, e se corrompeu adorando a outros deuses.

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8. REINO DIVIDIDO

Base bíblica: 1 Reis 13 a 22, 2 Reis, 2 Crônicas 11 a 36, Isaías, Jeremias, Lamentações, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias

 

Em 950 a.C., depois da morte de Salomão, a coroa foi passada para o seu filho Roboão, que, agindo de maneira tola, não soube manter a fidelidade de seus súditos, aumentando-lhes ainda mais os impostos já tão pesados. A grande maioria do povo então se levantou em rebelião, numa espécie de golpe civil. Apenas as tribos de Judá (onde ficava a cidade de Jerusalém), a tribo de Simeão e metade da tribo de Benjamim permaneceram fiéis ao reinado de Roboão. Todas as outras demais dez tribos romperam com a linhagem de Davi e escolheram a Jeroboão como seu novo rei.

Assim, o reino foi dividido em dois. As dez tribos do norte se apropriaram do nome de Israel, tendo Jeroboão como seu rei e Samaria como sua capital. O pequeno reino das tribos do sul, denominado Judá, continuaram sob o reinado de Roboão, tendo Jerusalém como sua capital.

Grandes profetas profetizaram neste tempo em Israel e Judá: Elias, Eliseu, Amós, Isaías, Joel, etc…

Enquanto isso, na Grécia, em 846 a.C. Homero recitava seus poemas, e em 753 a.C. nascia a cidade Roma. Mas a nação que se expandia, ganhava território e se despontava como poderoso império neste tempo era a Assíria (região norte da Mesopotâmia – atual Iraque).

O Reino do Norte, governado por reis idólatras e sem temor de Deus, viu seu povo caminhar para cada vez mais longe do Senhor, e no ano 722 a.C. foi invadido e conquistado pelo Império Assírio. Como estratégia de guerra, a Assíria espalhou os israelitas por várias províncias em todo o seu império, e trouxe estrangeiros cativos de outras nações para habitarem na Samaria e demais tribos do Reino do Norte, varrendo do mapa o Reino de Israel como nação e gerando na região um grande sincretismo religioso e miscigenação cultural.

Após a destruição de Israel, Judá permaneceu como reino ainda por várias décadas, resistindo aos ataques das nações inimigas. Reis como Josafá, Ezequias, Josias e vários outros, eram tementes a Deus, e levaram o povo a um relacionamento de quebrantamento e santidade diante do Senhor.

Algumas décadas mais tarde, conforme profetizara Isaías, o império Assírio foi destruído pelos babilônicos. Nínive, a grande capital assíria caiu, e a Babilônia se tornou a grande capital do império do Mundo Antigo.

Em 587 a.C., enquanto construía seus famosos Jardins Suspensos, o imperador babilônico Nabucodonosor conseguiu sitiar, invadir e destruir Jerusalém (incluindo o templo construído por Salomão), isso porque os judeus, assim como seus irmãos do Reino do Norte, haviam abandonado sua aliança com o Senhor.

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9. CATIVEIRO BABILÔNICO

Base Bíblica: Ezequiel, Daniel

Nabucodonosor capturou a grande maioria dos judeus que sobreviveram à guerra e os levou cativos para a Babilônia. Dentre eles Ezequiel, Daniel, Hananias, Misael, Azarias, a família de Ester e Mardoqueu, e outras tantas centenas e centenas de famílias.

Ali, nas províncias da Babilônia, o povo de Deus permaneceu durante setenta anos como cativos. Durante este tempo, Daniel e seus amigos puderam testemunhar do poder de Deus na corte do rei.

Passados cerca de 50 anos desde que os primeiros exilados chegaram à Babilônia, Daniel foi acusado de insubmissão por não se curvar diante do imperador e foi lançado na cova dos leões, da qual o Senhor o livrou milagrosamente. Durante todo o domínio do império babilônico, Daniel foi usado por Deus para falar com cada governante que por ali passou: Nabopolassar, Nabucodonosor, Belsazar e outros.

Os babilônios permitiram que os exilados do reino de Judá formassem famílias, construíssem suas próprias casas, cultivassem pomares e vivessem em comunidade, com seus próprios chefes e sacerdotes. Como não tinham mais o seu templo, eles criaram as sinagogas, que eram locais específicos para oração, leitura e ensinamento da Lei e canto dos Salmos; e um grupo de sacerdotes entregou-se com empenho à tarefa de reunir e preservar os textos sagrados, dentre eles Ezequiel, que, como sacerdote e profeta, exerceu uma influência singular dentre os cativos.

Até que, em 539 a.C., a Babilônia também caiu, vencida e subjugada pelos persas.

Um ano depois, Ciro, o rei persa, publica o édito autorizando os judeus a deixarem o exílio na Babilônia e voltarem a Jerusalém.

10. VOLTA DOS JUDEUS À JERUSALÉM

Base Bíblica: Esdras, Ester, Neemias, Ageu, Zacarias, Malaquias, alguns Salmos

O imperador persa devolveu aos judeus exilados os utensílios do templo que Nabucodonosor lhes havia saqueado e levado à Babilônia, além de doar também uma quantia considerável do seu tesouro para apoiar a reconstrução do templo de Jerusalém. Liberados e incentivados pelo rei Ciro, muitos judeus decidiram voltar à sua terra, que ficara vazia e destruída desde sua invasão há 70 anos.

O retorno dos exilados realizou-se de forma paulatina, por grupos, o primeiro dos quais chegou a Jerusalém sob a liderança de Sesbazar. Tempos depois se iniciaram as obras de reconstrução do Templo, que se prolongaram até 515 a.C. Para dirigir o trabalho e animar os operários contribuíram o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué, apoiados pelo sacerdote e escriba Esdras, e os profetas Ageu e Zacarias. As dificuldades econômicas, as divisões na comunidade e as atitudes hostis dos vizinhos samaritanos foram os principais problemas que afligiram os que voltaram.

Graças às condições de tolerância e bem estar em que viviam os judeus exilados, muitos preferiram permanecer na Babilônia, agora sob domínio persa. Dentre eles Mardoqueu e Ester, que moravam na província de Suzã, uma das capitais da Pérsia. Graças à permanência deles ali, em 475 a.C. Ester foi escolhida rainha da pérsia, pelo rei Xerxes (ou Assuero) – sucessor de Ciro depois de Cambises e Dário – e exerceu um papel fundamental para salvar todo o povo judeu de uma terrível conspiração.

No ano de 445 a.C. um judeu chamado Neemias, também residente na cidade de Suzã, copeiro do rei persa Artaxerxes (sucessor de Xerxes), solicitou que, com o título de governador de Judá, tivesse a permissão de ir até Jerusalém a fim de ajudar o seu povo. Neemias revelou-se um grande reformador. A sua presença em Israel foi decisiva, não somente para que se reconstruíssem os muros de Jerusalém, mas também para que a vida da comunidade judaica experimentasse uma mudança profunda e positiva.

PERÍODO INTERBÍBLICO

 

As muralhas de Jerusalém terminaram de ser reconstruídas em 443 a.C., sob o governo de Neemias e a liderança espiritual do profeta Malaquias, o último profeta que falou a Israel em sua própria terra. Depois dele, um silêncio profético de 400 anos estende-se até a voz de João Batista, que clamava no deserto: “Endireitai o caminho do Senhor”.

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Veja os principais acontecimentos durante este período de 400 anos:

  • 331 a.C. – Ascensão do Império Grego, com Alexandre, o Grande
  • 320 a.C. – Israel é conquistado pelos Egípcios (Ptolomeu)
  • 250 a.C. – A Bíblia hebraica é traduzida para o grego
  • 202 a.C. – Construção da muralha da China
  • 198 a.C. – Os Sírios vencem os Ptolomeus e conquistam Israel  (Antíoco, o Grande)
  • 167 a.C. – Revolta dos judeus Macabeus – independência do povo de Israel
  • 149 a.C. – Início da ascensão de Roma nas Guerras Púnicas contra Cartago.
  • 63 a.C. – Os romanos, que a esta altura já dominavam sobre a Grécia, Egito, Macedônia, Gália, Germânia, Trácia e Síria assumem o controle de Israel, sob o comando do General Pompeu.
  • 40 a.C. – Herodes, o Grande, é nomeado por Roma como o rei da Judeia, e faz uma grande reforma no templo construído no tempo de Esdras, tornando-o grande e imponente.

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E, no ano 4 a.C. nasce o Messias, Jesus Cristo, na cidade de Belém da Judeia. Finda-se o tempo da Lei, e chega o tempo da nova aliança.

Aleluias!!! *

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 “O meu povo perece porque lhe faltou o conhecimento… Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.”

Os. 4:6 e 6:3

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Ser Igreja

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e em Educação Religiosa
Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia
Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Como os judeus comemoram a Páscoa?

A Páscoa é uma festa instituída pelo próprio Deus para o seu povo, por volta do ano 1.400 a.C., quando os descendentes de Israel padeciam como escravos no Egito. Conta-nos a Bíblia que Deus enviou 10 pragas para que o faraó libertasse o povo, e a 10a praga foi um decreto de morte sobre todos os primogênitos. Deus então disse a Moisés, seu mensageiro, que os israelitas deveriam matar um cordeiro, e passar seu sangue nos batentes das portas. Assim, quando o anjo da morte chegasse e visse o sinal, passaria por cima daquela casa e não feriria de morte nenhum primogênito que ali morasse. Daí o nome “Páscoa”, que em hebraico significa passagem ou passar por cima. As famílias deveriam então assar o cordeiro e celebrar, seguindo um ritual estabelecido pelo próprio Deus, repetindo esta celebração todos os anos na mesma data (leia na Bíblia a história completa da origem do povo de Israel até a instituição da Páscoa: do capítulo 12 de Gênesis, até o capítulo 12 de Êxodo).

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A PRIMEIRA PÁSCOA

Segundo as orientações de Deus a Moisés, a festa da Páscoa deveria obedecer rigidamente a alguns preceitos:

  1. No dia 10 daquele mês (Nisã), que ficou estabelecido como o primeiro do ano, cada família deveria separar para si um cordeiro. Se a família fosse pequena para um cordeiro, convidaria outra família para cearem juntos – Ex. 12:3-4
  2. O cordeiro ou cabrito deveria ser escolhido cuidadosamente e apresentar as seguintes características: macho, sem defeitos e de aproximadamente um ano – Ex. 12:5.
  3. No dia 14 de Nisã (ou Abibe), o cordeiro seria morto ao entardecer – Ex. 12:6.
  4. O sangue do cordeiro deveria ser recolhido numa bacia, e passado nos batentes da porta com um molho de hissopo – Ex. 12:7, 22-23.
  5. Enquanto isso, o cordeiro ou cabrito seria assado inteiro, nenhuma parte poderia ser cozida ou deixada crua – Ex. 12:8-9.
  6. À noite, a família reunida comeria o cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães ser fermento. Caso sobrasse alguma coisa, deveria ser queimado no fogo antes do amanhecer – Ex.12:8-10.
  7. As famílias deveriam permanecer dentro de suas casas e comerem “apressadamente”, todos prontos e vestidos para a viagem que seria em seguida – Ex 12:11,22.
  8. No dia seguinte (15 de Nisã), teria início a Festa dos Pães Asmos, uma outra celebração que se seguia à Páscoa. Durante 7 dias, todo Israel deveria, não só se abster de qualquer alimento fermentado, como retirar do arraial todo fermento. O primeiro e o último dia (dias 15 e 21) seriam celebrados como o Shabat, dia de descanso e dedicação ao Senhor – Ex. 12:15-17.
  9. A Páscoa e a Semana dos Pães Asmos deveriam ser comemorados todos os anos, nesta mesma data, como um memorial do grande livramento do Senhor aos primogênitos de Israel no Egito – Ex. 12:14,24-27.

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O CERIMONIAL NO TEMPLO

Encontramos na Bíblia várias referências do povo de Israel comemorando a Páscoa em diversas ocasiões depois que saíram do Egito: no Sinai (Nm 9:1-12), chegando na Terra Prometida (Js 5:10-11) e em Jerusalém (2Re 23:21-23, 2 Cr 30:1-3). Entretanto, esta festa só passou a ser de fato celebrada anualmente com seriedade depois do cativeiro babilônico e a reconstrução do templo destruído por Nabucodonozor.

Com o passar do tempo, o cerimonial da Páscoa foi se tornando mais elaborado e agregando outros elementos e exigências à ceia. Observe o quadro abaixo:

Dia 13 (pôr-do-sol do dia 12 até o pôr-do-sol do dia 13)

        • Início dos preparativos para a Festa

Dia 14 (pôr-do-sol do dia 13 até o pôr-do-sol do dia 14)

        • Até 12h =Encerrar todos os preparativos
        • Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro

Dia 15 (pôr-do-sol do dia 14 até o pôr-do-sol do dia 15)

        • 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho (também sem fermentar), ervas amargas e outros elementos do Pessah.

Dia 17 (pôr-do-sol do dia 16 até o pôr-do-sol do dia 17)

        • O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias.

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Documentos históricos descrevem como os judeus comemoravam esta festa no Templo de Jerusalém:

No dia 14 de Nisã, pela manhã, todo alimento fermentado era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para a Pessach (Páscoa). Tudo precisava ficar pronto a tempo, pois todo trabalho secular encerrava-se ao meio dia e os sacríficios tinham início às quinze horas. Segundo o Talmude, quando o dia 14 de Nisã coincidia num sábado, todos os preparativos para a Ceia deveriam ser feitos no dia anterior.

Nesse momento, os chefes de família iam ao Templo com o cordeiro ou cabrito para ser imolado. As pessoas se colocavam em fila e um abatedor (shochet) efetuava o abate do animal segundo as leis judaicas.

O sangue era recolhido pelos sacerdotes em recipientes especiais de prata ou ouro, que passavam de um para outro até o sacerdote próximo ao altar, que derramava o sangue na base do altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso.

Em seguida, o animal era pendurado e esfolado. Uma vez aberto, tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins, a cauda e a costela eram retirados, colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

Como não havia lugar suficiente no pátio dos israelitas para acolher todo mundo, esse ritual era realizado em grupos, cada um com aproximadamente 30 homens. O primeiro grupo entrava e, quando o átrio estivesse cheio, os portões eram fechados. Os sacerdotes tocavam três toques no shofar e os levitas entoavam o Hallel (Salmos 113 a 118) em louvor a adoração a Deus. Os cânticos e os toques do shofar eram repetidos (se necessário) até que todos houvessem sacrificado seus animais.

Após as partes da oferenda serem queimadas, os portões eram abertos, o primeiro grupo saia, e entrava o segundo e de igual maneira iniciava-se novamente o processo. E assim sucessivamente. De tempos em tempos, no intervalo entre um grupo e outro, lavava-se o pátio da sujeira que, claro, ali se acumulara.

Depois cada um voltava para casa, levando o animal para ser assado.

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A PÁSCOA EM FAMÍLIA

Enquanto o homem, responsável pela família, ia ao templo levar o cordeiro para ser oferecido no altar, em casa, sua mulher terminava os últimos preparativos para o início da festa.

Um dia antes, muitos seguem a tradição de distribuir dez pedaços de pão fermentado ao longo da casa. A procura por estes alimentos fermentados é feita com uma vela, prestando atenção especial nas ranhuras e lugares onde normalmente se encontra. O chefe da família recolhe este pão em uma bolsa pequena especial e varre as migalhas usando uma pena. Após a procura, o chefe de família pronuncia a seguinte declaração: “Qualquer fermento ou levedura que estão em minha posse e que não vi, nem joguei fora, podem ser considerados como nulos e sem dono como o pó da terra”.

No dia seguinte, as migalhas são queimadas junto com a bolsa e a pena. Todos os utensílios utilizados para fazer pães e bolos são lavados, escondidos ou purificados no fogo. Todo fermento que não pode ser desperdiçado é vendido a uma pessoa não judia, e readquirido após a festa Pessach.

Algumas famílias fazem desta ocasião uma divertida brincadeira para as crianças, que têm de encontrar os pães e alimentos fermentados carinhosamente “escondidos” pela casa. Quando o último alimento fermentado é encontrado e retirado, faz-se uma grande festa!

Às 18h têm-se início à festa propriamente dita, com todos vestidos de branco em volta da mesa. O primeiro rito do Pessach é o acender das velas. Neste jantar festivo, o vinho (mosto) é obrigatório: se alguém não tinha condições de adquiri-lo, o Templo lhe cedia o suficiente para encher as quatro taças do cerimonial. Lembrando que este vinho trata-se, na verdade, de suco de uva, já que o vinho alcoólico é o suco de uva fermentado e, na Páscoa, todo fermento deveria ser extirpado.

Durante a refeição, são cantados pela família os Salmos do Hallel, entrecortados de bênçãos dadas pelo pai de família ou por aquele que faz as vezes dele, sobre as taças de vinho. Os filhos, simulando surpresa, diante deste jantar, fazem perguntas: “Porque esta noite é diferente das outras noites?” “Todas as outras noites comemos pão com ou sem fermento e esta noite só comemos Matzah (pão sem fermento)?” “Todas as outras noites comemos todos tipos de ervas, por que está noite comemos ervas amargas?” “Todas as outras noite nós não molhamos nossas ervas na água salgada, por que esta noite nós molhamos as ervas com água salgada 2 vezes? Nas outras noites comemos sentado ou reclinado porque está só comemos reclinado?” Então o pai explica o sentido dos diferentes ritos e descreve sobretudo as intervenções de Deus em favor do seu povo.

Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite. Com a destruição do Segundo Templo, a celebração da Páscoa passou aser uma noite de lembranças, feita essencialmente em família, sem o sacríficio pascal.

 

Veja um resumo geral da sequência que é observada na ceia de Páscoa, ou Sêder de Pessach, nos dias de hoje:

1. Recitação do Kidush (leitura de Gênesis 2:1-3 e uma oração feita pelos sábios especialmente para este momento, com declarações específicas de bênção sobre Israel, lembrança do êxodo do Egito, palavras em aramaico e a bênção do vinho) e a ingestão do primeiro copo de vinho.

2. Lavagem de mãos. Mergulha-se o salsão, batata, ou outro vegetal, em água salgada. Recita-se a benção e o salsão é comido em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel.

3. A matzá (pão ázimo) é partida ao meio. O pedaço maior é embrulhado e deixado de lado para o final da cerimônia.

4. Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach. Inclui a recitação das “Quatro perguntas” e bebe-se o segundo copo de vinho.

5. Segunda lavagem de mãos. O chefe da casa ergue os pães asmos e os abençoa. Eles são então partidos e distribuídos.

6. São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.

7. É realizada a refeição festiva e é comida a matzá que havia sido guardada.

8. É recitada uma benção após as refeições e bebe-se o terceiro copo de vinho.

9. Hallel – Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.

10.  Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa’á B’Yerushalaim – “Ano que vem em Jerusalém” como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Além da lembrança da aliança de Deus com Israel, a Páscoa, desde que foi instituída, trazia em si o símbolo profético do Cordeiro de Deus que seria morto para nos livrar da morte. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da páscoa para a libertação dos judeus do Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: “…Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt.1:21); “…pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Ap.1:5); “…Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (I Co.5:7). Cristo se fez oferta de uma vez pelo pecado. Aleluia!

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Sugestão de leituras complementares sobre o assunto:

  • A Palestina no tempo de Jesus. Christiane Saulnier e Bernard Rolland; São Paulo: Paulus, 1983. (Cadernos Bíblicos; 27)
  • As Festas do Senhor. Pr Sóstenes Mendes; BH: Ed Vision Rhema
  • Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. Tenney, Packer e William White Jr; Ed. Vida
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Leia também:

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Sites para consultas:

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
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