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Posts Tagged ‘Cordeiro’

A primeira imagem que normalmente nos vem à mente diante da expressão “minha vida no altar de Deus” é bela e suave… Imaginamo-nos envoltos na gloriosa majestade de Deus, sentindo-nos abraçados por sua maravilhosa presença. Isso porque em nossos dias, o termo é logo associado ao glamour de uma bela cerimônia de casamento, onde a noiva é recebida pelo noivo no “altar”. Entretanto, a realidade é bem menos afável do que parece. E para aperfeiçoar um pouco nossa compreensão acerca do “Altar de Deus”, nada melhor do que uma leitura minunciosa de Isaías 53.

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O Dicionário da Bíblia de Almeida, define ALTAR da seguinte maneira: “mesa feita de madeira, terra ou pedras, sobre a qual se ofereciam os SACRIFÍCIOS (Êx 27.1; 20.24; Dt 27.5)”. No Antigo Testamento, animais eram sacrificados em expiação pelos pecados das pessoas. De modo geral, estes animais eram mortos, tinham seu sangue retirado e depois eram totalmente queimados sobre o altar.

O capítulo 53 de Isaías mostra-nos claramente a figura de Jesus Cristo sobre um altar. Como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, o Filho de Deus foi desprezado (53:3), rejeitado (53:3), transpassado (53:5), esmagado (53:5), oprimido (53:7), afligido (53:7), condenado (53:8), golpeado (53:8), e derramou sua vida até a morte (53:12), como oferta por uma culpa que não era dele, mas nossa (53:5, 6, 10).

Seu sacrifício na cruz, levando sobre ELE a iniquidade de todos nós (53:6), gerou cura (53:5), paz (53:5), justificação (53:11), salvação (53:11). E embora seu corpo fora eliminado da terra sem deixar descendentes (53:8), sua morte no altar lhe concedeu vida, herdeiros espirituais, e o pleno cumprimento da vontade de Deus (53:10).

Como filhos amados de Deus, cada um de nós é gentilmente convidado pelo Pai a tomarmos a cada dia a nossa cruz (Mt 16:24), e isso nada mais é do que assumirmos nosso próprio lugar no Altar, como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12:1).

Não se trata de auto-flagelação ou algum tipo doentio de masoquismo, mas o de buscar primeiro o Reino de Deus (Mt 6:33). Colocar a nossa vida no altar significa dizer “não” à nossa própria vontade em favor de cumprir a vontade de Deus.

Durante sua vida, Jesus sentiu fome, sede, sono, cansaço, dor, angústia, tristeza, ira… mas ao invés de agir em conformidade com seus sentimentos, vontades ou emoções, fez suas escolhas objetivando sempre a vontade de Deus.

Da mesma forma, nosso desafio diário é renunciar a nós mesmos. Mais do que se emocionar durante uma música de consagração durante o culto, o que Deus espera de mim, de você e de cada um de seus filhos, é que façamos como Cristo: sacrifiquemos nossos desejos e vontades e, por amor a ELE e aos que estão como ovelhas perdidas, nos submetamos completamente em obediência à sua boa, agradável e perfeita vontade (Rm 12:2). Isso vai desde a disposição de acordar um pouco mais cedo para ter um tempo a mais de oração até a de ser torturado e morto em nome da fé.

A vitória do nosso Salvador lhe foi outorgada após o sofrimento da sua alma (Is 53:11). E é o sofrimento da nossa alma no altar de Deus que nos capacitará a, como Cristo, gerarmos filhos espirituais.

Que possamos aprender a nos desprender da busca por experiências sobrenaturais, conforto físico, status social ou conquistas materiais. Nada disso é ruim em si mesmo, mas não podem ser os determinantes da minha conduta. Afinal… “já estou crucificado com Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2:20).

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
3ª Ig. Batista de Marília/SP
  
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria do mesmo.
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Como os judeus comemoram a Páscoa?

A Páscoa é uma festa instituída pelo próprio Deus para o seu povo, por volta do ano 1.400 a.C., quando os descendentes de Israel padeciam como escravos no Egito. Conta-nos a Bíblia que Deus enviou 10 pragas para que o faraó libertasse o povo, e a 10a praga foi um decreto de morte sobre todos os primogênitos. Deus então disse a Moisés, seu mensageiro, que os israelitas deveriam matar um cordeiro, e passar seu sangue nos batentes das portas. Assim, quando o anjo da morte chegasse e visse o sinal, passaria por cima daquela casa e não feriria de morte nenhum primogênito que ali morasse. Daí o nome “Páscoa”, que em hebraico significa passagem ou passar por cima. As famílias deveriam então assar o cordeiro e celebrar, seguindo um ritual estabelecido pelo próprio Deus, repetindo esta celebração todos os anos na mesma data (leia na Bíblia a história completa da origem do povo de Israel até a instituição da Páscoa: do capítulo 12 de Gênesis, até o capítulo 12 de Êxodo).

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A PRIMEIRA PÁSCOA

Segundo as orientações de Deus a Moisés, a festa da Páscoa deveria obedecer rigidamente a alguns preceitos:

  1. No dia 10 daquele mês (Nisã), que ficou estabelecido como o primeiro do ano, cada família deveria separar para si um cordeiro. Se a família fosse pequena para um cordeiro, convidaria outra família para cearem juntos – Ex. 12:3-4
  2. O cordeiro ou cabrito deveria ser escolhido cuidadosamente e apresentar as seguintes características: macho, sem defeitos e de aproximadamente um ano – Ex. 12:5.
  3. No dia 14 de Nisã (ou Abibe), o cordeiro seria morto ao entardecer – Ex. 12:6.
  4. O sangue do cordeiro deveria ser recolhido numa bacia, e passado nos batentes da porta com um molho de hissopo – Ex. 12:7, 22-23.
  5. Enquanto isso, o cordeiro ou cabrito seria assado inteiro, nenhuma parte poderia ser cozida ou deixada crua – Ex. 12:8-9.
  6. À noite, a família reunida comeria o cordeiro assado, acompanhado de ervas amargas e pães ser fermento. Caso sobrasse alguma coisa, deveria ser queimado no fogo antes do amanhecer – Ex.12:8-10.
  7. As famílias deveriam permanecer dentro de suas casas e comerem “apressadamente”, todos prontos e vestidos para a viagem que seria em seguida – Ex 12:11,22.
  8. No dia seguinte (15 de Nisã), teria início a Festa dos Pães Asmos, uma outra celebração que se seguia à Páscoa. Durante 7 dias, todo Israel deveria, não só se abster de qualquer alimento fermentado, como retirar do arraial todo fermento. O primeiro e o último dia (dias 15 e 21) seriam celebrados como o Shabat, dia de descanso e dedicação ao Senhor – Ex. 12:15-17.
  9. A Páscoa e a Semana dos Pães Asmos deveriam ser comemorados todos os anos, nesta mesma data, como um memorial do grande livramento do Senhor aos primogênitos de Israel no Egito – Ex. 12:14,24-27.

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O CERIMONIAL NO TEMPLO

Encontramos na Bíblia várias referências do povo de Israel comemorando a Páscoa em diversas ocasiões depois que saíram do Egito: no Sinai (Nm 9:1-12), chegando na Terra Prometida (Js 5:10-11) e em Jerusalém (2Re 23:21-23, 2 Cr 30:1-3). Entretanto, esta festa só passou a ser de fato celebrada anualmente com seriedade depois do cativeiro babilônico e a reconstrução do templo destruído por Nabucodonozor.

Com o passar do tempo, o cerimonial da Páscoa foi se tornando mais elaborado e agregando outros elementos e exigências à ceia. Observe o quadro abaixo:

Dia 13 (pôr-do-sol do dia 12 até o pôr-do-sol do dia 13)

        • Início dos preparativos para a Festa

Dia 14 (pôr-do-sol do dia 13 até o pôr-do-sol do dia 14)

        • Até 12h =Encerrar todos os preparativos
        • Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro

Dia 15 (pôr-do-sol do dia 14 até o pôr-do-sol do dia 15)

        • 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho (também sem fermentar), ervas amargas e outros elementos do Pessah.

Dia 17 (pôr-do-sol do dia 16 até o pôr-do-sol do dia 17)

        • O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias.

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Documentos históricos descrevem como os judeus comemoravam esta festa no Templo de Jerusalém:

No dia 14 de Nisã, pela manhã, todo alimento fermentado era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para a Pessach (Páscoa). Tudo precisava ficar pronto a tempo, pois todo trabalho secular encerrava-se ao meio dia e os sacríficios tinham início às quinze horas. Segundo o Talmude, quando o dia 14 de Nisã coincidia num sábado, todos os preparativos para a Ceia deveriam ser feitos no dia anterior.

Nesse momento, os chefes de família iam ao Templo com o cordeiro ou cabrito para ser imolado. As pessoas se colocavam em fila e um abatedor (shochet) efetuava o abate do animal segundo as leis judaicas.

O sangue era recolhido pelos sacerdotes em recipientes especiais de prata ou ouro, que passavam de um para outro até o sacerdote próximo ao altar, que derramava o sangue na base do altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso.

Em seguida, o animal era pendurado e esfolado. Uma vez aberto, tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins, a cauda e a costela eram retirados, colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

Como não havia lugar suficiente no pátio dos israelitas para acolher todo mundo, esse ritual era realizado em grupos, cada um com aproximadamente 30 homens. O primeiro grupo entrava e, quando o átrio estivesse cheio, os portões eram fechados. Os sacerdotes tocavam três toques no shofar e os levitas entoavam o Hallel (Salmos 113 a 118) em louvor a adoração a Deus. Os cânticos e os toques do shofar eram repetidos (se necessário) até que todos houvessem sacrificado seus animais.

Após as partes da oferenda serem queimadas, os portões eram abertos, o primeiro grupo saia, e entrava o segundo e de igual maneira iniciava-se novamente o processo. E assim sucessivamente. De tempos em tempos, no intervalo entre um grupo e outro, lavava-se o pátio da sujeira que, claro, ali se acumulara.

Depois cada um voltava para casa, levando o animal para ser assado.

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A PÁSCOA EM FAMÍLIA

Enquanto o homem, responsável pela família, ia ao templo levar o cordeiro para ser oferecido no altar, em casa, sua mulher terminava os últimos preparativos para o início da festa.

Um dia antes, muitos seguem a tradição de distribuir dez pedaços de pão fermentado ao longo da casa. A procura por estes alimentos fermentados é feita com uma vela, prestando atenção especial nas ranhuras e lugares onde normalmente se encontra. O chefe da família recolhe este pão em uma bolsa pequena especial e varre as migalhas usando uma pena. Após a procura, o chefe de família pronuncia a seguinte declaração: “Qualquer fermento ou levedura que estão em minha posse e que não vi, nem joguei fora, podem ser considerados como nulos e sem dono como o pó da terra”.

No dia seguinte, as migalhas são queimadas junto com a bolsa e a pena. Todos os utensílios utilizados para fazer pães e bolos são lavados, escondidos ou purificados no fogo. Todo fermento que não pode ser desperdiçado é vendido a uma pessoa não judia, e readquirido após a festa Pessach.

Algumas famílias fazem desta ocasião uma divertida brincadeira para as crianças, que têm de encontrar os pães e alimentos fermentados carinhosamente “escondidos” pela casa. Quando o último alimento fermentado é encontrado e retirado, faz-se uma grande festa!

Às 18h têm-se início à festa propriamente dita, com todos vestidos de branco em volta da mesa. O primeiro rito do Pessach é o acender das velas. Neste jantar festivo, o vinho (mosto) é obrigatório: se alguém não tinha condições de adquiri-lo, o Templo lhe cedia o suficiente para encher as quatro taças do cerimonial. Lembrando que este vinho trata-se, na verdade, de suco de uva, já que o vinho alcoólico é o suco de uva fermentado e, na Páscoa, todo fermento deveria ser extirpado.

Durante a refeição, são cantados pela família os Salmos do Hallel, entrecortados de bênçãos dadas pelo pai de família ou por aquele que faz as vezes dele, sobre as taças de vinho. Os filhos, simulando surpresa, diante deste jantar, fazem perguntas: “Porque esta noite é diferente das outras noites?” “Todas as outras noites comemos pão com ou sem fermento e esta noite só comemos Matzah (pão sem fermento)?” “Todas as outras noites comemos todos tipos de ervas, por que está noite comemos ervas amargas?” “Todas as outras noite nós não molhamos nossas ervas na água salgada, por que esta noite nós molhamos as ervas com água salgada 2 vezes? Nas outras noites comemos sentado ou reclinado porque está só comemos reclinado?” Então o pai explica o sentido dos diferentes ritos e descreve sobretudo as intervenções de Deus em favor do seu povo.

Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite. Com a destruição do Segundo Templo, a celebração da Páscoa passou aser uma noite de lembranças, feita essencialmente em família, sem o sacríficio pascal.

 

Veja um resumo geral da sequência que é observada na ceia de Páscoa, ou Sêder de Pessach, nos dias de hoje:

1. Recitação do Kidush (leitura de Gênesis 2:1-3 e uma oração feita pelos sábios especialmente para este momento, com declarações específicas de bênção sobre Israel, lembrança do êxodo do Egito, palavras em aramaico e a bênção do vinho) e a ingestão do primeiro copo de vinho.

2. Lavagem de mãos. Mergulha-se o salsão, batata, ou outro vegetal, em água salgada. Recita-se a benção e o salsão é comido em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel.

3. A matzá (pão ázimo) é partida ao meio. O pedaço maior é embrulhado e deixado de lado para o final da cerimônia.

4. Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach. Inclui a recitação das “Quatro perguntas” e bebe-se o segundo copo de vinho.

5. Segunda lavagem de mãos. O chefe da casa ergue os pães asmos e os abençoa. Eles são então partidos e distribuídos.

6. São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.

7. É realizada a refeição festiva e é comida a matzá que havia sido guardada.

8. É recitada uma benção após as refeições e bebe-se o terceiro copo de vinho.

9. Hallel – Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.

10.  Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa’á B’Yerushalaim – “Ano que vem em Jerusalém” como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Além da lembrança da aliança de Deus com Israel, a Páscoa, desde que foi instituída, trazia em si o símbolo profético do Cordeiro de Deus que seria morto para nos livrar da morte. Assim como um cordeiro foi sacrificado no dia da páscoa para a libertação dos judeus do Egito, Cristo foi sacrificado para a libertação dos nossos pecados: “…Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mt.1:21); “…pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados” (Ap.1:5); “…Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado” (I Co.5:7). Cristo se fez oferta de uma vez pelo pecado. Aleluia!

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Sugestão de leituras complementares sobre o assunto:

  • A Palestina no tempo de Jesus. Christiane Saulnier e Bernard Rolland; São Paulo: Paulus, 1983. (Cadernos Bíblicos; 27)
  • As Festas do Senhor. Pr Sóstenes Mendes; BH: Ed Vision Rhema
  • Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. Tenney, Packer e William White Jr; Ed. Vida
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Leia também:

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Márcia Cristina Rezende

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