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Posts Tagged ‘Sexta Feira Santa’

 

Jesus Cristo, o homem que dividiu a História da humanidade foi crucificado no ano 29  da nossa era. Milhares de pessoas foram sentenciadas a este tipo de morte durante séculos, entretanto a crucificação de Cristo diferencia-se de todas as demais em pelo menos três aspectos: a causa da condenação, seu desfecho e sua conseqüência na vida das pessoas.

Jesus Cristo, o Verbo de Deus, abriu mão de toda a sua glória e fez-se homem! O Deus encarnado nasceu criança, foi alimentado, cresceu, e viveu uma vida limitada aos limites do homem sobre este solo contaminado pelo pecado. Mas, com uma grande diferença: mesmo sendo em tudo tentado, ele jamais pecou.

Aos 30 anos iniciou seu ministério e três anos depois entregou sua vida para cumprir o principal propósito de seu nascimento: a morte expiatória pelo pecado de toda a humanidade.

O próprio Cristo afirmou que sua morte se daria na Páscoa (Mt 26:2), uma grande festa judaica celebrada anualmente por todo o povo desde sua saída do Egito. Veja os detalhes desta festa no post “A Páscoa dos Judeus”

Os quatro Evangelhos narram a crucificação de Cristo, entretanto não é pequena a controvérsia acerca de duas questões: Jesus foi crucificado mesmo na Páscoa ou um dia depois? E em qual dia da semana isso aconteceu?

Jesus Cristo foi crucificado na Páscoa, numa sexta-feira!

Não tenho dúvidas de que a morte de Cristo cumpriu integralmente todos os sinais proféticos contidos na festa da Páscoa. E, como o cordeiro pascal era morto na tarde do dia 14 de Nisã e deveria ser totalmente consumido antes do nascer do dia seguinte, creio que assim aconteceu com o nosso Jesus.

Alguns defendem que a crucificação teria sido um dia depois da Páscoa, pois na noite em que Jesus foi traído, pouco antes ele instituiu a Ceia e celebrou a Páscoa com seus discípulos (Mt 26:20-30; Mc 14:17-26; Lc 22:14-23; Jo 13:1-5). Mas, na verdade, não se tratava da Páscoa propriamente dita, mas os rituais que antecediam a imolação do cordeiro. Naquele ano (26 d.C.), o dia 14 de nisã caiu num sábado, por isso, as celebrações que antecediam a morte do cordeiro precisaram ser transferidas para o dia anterior, conforme orientação do Talmude, para que não houvesse a violação do sábado. Nesses casos, toda a preparação da Ceia, os rituais de purificação do fermento, o acender das velas e as orações eram realizadas um dia antes, visto que, no Shabat é proibido trabalhar (o que inclui carregar velas).

Isto fica claro no Evangelho de João, que diz: “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. Estava sendo servido o jantar, e o Diabo já havia induzido Judas Iscariotes, filho de Simão, a trair Jesus.” (Jo 13:1-2). Note que o texto não deixa dúvidas: um pouco antes da festa da Páscoa, ou seja, a Ceia não foi no dia da Páscoa, mas “um pouco antes”, mais precisamente: um dia antes. O próprio ritual judaico nos esclarece esta questão. Como a Páscoa coincidira com o Shabat, o ritual teve início na quinta-feira, às 18h e todos os preparativos deviam ser concluídos antes do meio-dia da sexta-feira. Ou seja, até o meio-dia tudo deve estar pronto e todos os rituais realizados. Veja o quadro:

RITUAL DA PÁSCOA

CORDEIRO JESUS

Dia 12 – QUARTA FEIRA

(pôr-do-sol de terça ao pôr-do-sol de quarta-feira)

Início dos preparativos para a Festa
Dia 13 – QUINTA FEIRA

(pôr-do-sol de quarta-feira ao pôr-do-sol de quinta-feira)

Até 12h = Encerrar todos os preparativos. Às 18h = Iniciar os rituais da Ceia (acender das velas, orações em família, ceia com pão ázimo, vinho, ervas amargas e outros elementos do Pessah).

Estes rituais deveriam ser feitos no dia 14, mas foram transferidos devido ao  Shabat que se iniciaria às 18h de sexta-feira.

Os apóstolos preparam a celebração da Páscoa (Mt 26:17-17-19; Mc 14:12-16; Lc 22:7-13). Última Ceia de Jesus com os 12 apóstolos (Mt 26:20-30; Mc 14:17-26; Lc 22:14-23; Jo 13:1-5). Jesus é preso no Getsêmani
Dia 14 – SEXTA FEIRA

(pôr-do-sol de quinta ao pôr-do-sol de sexta-feira)

Entre 15h e 18 h = morte do cordeiro Jesus é crucificado às 9h da manhã, às 15h é morto e antes das 18h é sepultado (Mt 27:32-65; Mc 15:21-47; Lc 23:26-56; Jo 19:17-42.
Dia 15 – SÁBADO

(pôr-do-sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado)

Shabath (dia de descanso)
Dia 16 – DOMINGO

(pôr-do-sol de sábado ao pôr-do-sol de domingo)

O chefe de família levava um feixe de trigo ou cevada para o templo e o sacerdote o levantava perante o Senhor – Festa das Primícias. Jesus ressuscita, como as primícias dentre os mortos (Mt 28:1-10; Mc 16:1-13; Lc 24:1-12; Jo 20; 1Co 15:23)

Obs: O que dificulta um pouco a nossa compreensão dos fatos é a diferença da contagem dos dias em relação aos nossos dias. Hoje, o dia começa às 00:00h. Para os judeus, o mesmo tinha início às 18h, no pôr-do-sol.

Jesus, após cear no início da sexta-feira judaica (ou quinta depois das 18), foi preso e interrogado durante toda a madrugada e julgado por Pilatos na manhã da sexta. Por volta de 9h Jesus foi açoitado e entregue ao governo romano. Houve mais um julgamento, incluindo os judeus, e após este, Jesus foi crucificado ao meio-dia. Note que, até aí, a participação judaica aparece sempre. Mas, depois do meio-dia, os judeus (sacerdotes) desaparecem da narrativa. Por que eles não acompanharam a execução?

 Justamente porque os rituais do Pêssach deviam ser terminados antes do meio-dia e eles ficaram impossibilitados de continuar acompanhando o processo de julgamento e execução de Jesus devido a essa lei. Vejam que Jesus foi entregue pelos líderes judeus ao governo romano logo cedo. A partir daí, ele foi pregado, levantado, morto e enterrado exclusivamente pelo governo romano. Os únicos judeus que estão junto a Jesus depois do meio-dia são sua mãe, João e as outras mulheres. O restante são todos romanos, que não participavam do Pessach. Portanto, Jesus foi morto e sepultado na sexta-feira e sepultado às pressas devido ao Shabat (sábado, que tem início às 18h da sexta-feira).

Três dias e três noites depois…

O próprio Jesus havia dito de si mesmo: “Porque assim como esteve Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12:40). “…vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará.” (Mt 20:19-20)

Surge daí um detalhe intrigante sobre a sua ressurreição: Se Jesus morreu na sexta à tarde, como ele pôde ressuscitar no domingo de manhã, e ficar 3 dias e 3 noites sepultado?

Esta questão tem sido base para várias conclusões equivocadas. Alguns usam isso para dizer que a Bíblia não é confiável, ou tentam explicar afirmando que Jesus foi crucificado numa quinta-feira e não sexta. Vamos aos fatos.

As línguas originais em que a Bíblia foi escrita – hebraico e grego – também têm suas frases figuradas e expressões idiomáticas, como qualquer outra. E a expressão “um dia e uma noite” é um exemplo disso. No nosso português, “um dia e uma noite” possui sentido literal, mas para os judeus não. Trata-se de uma expressão idiomática e não um relato minucioso de tempo.

Qualquer parte de um dia era considerado como um dia completo. Conforme consta noTalmude de Jerusalém: “Temos um ensino – Um dia e uma noite são um Onah e a parte de um Onah é como o total dele” (Mishnah, Tractate, J. Shabbath, Chapter IX, Par. 3). O Rabi Eleazar bar Azaria explicou: “um dia e uma noite fazem um ‘onah’ (24 horas), mas um ‘onah’ começado, vale um ‘onah’ inteiro”.

Há vários exemplos na Bíblia onde parte de um dia é contada como se fosse um dia inteiro:

Ester falou que ia falar com o rei depois dos judeus jejuarem por três dias, e ela entrou na presença do rei “ao terceiro dia”, e não ao quarto dia, que seria literalmente depois dos três dias de jejum (Et 4:16; 5:1).

José do Egito deixou seus irmãos presos durante três dias. E “no terceiro dia” José lhes disse… (Gn 42:17-18)

Roboão mandou que Jeroboão voltasse a ele “após três dias”, e Jeroboão obedeceu quando voltou “ao terceiro dia” (2 Cr 10:5,12).

Um jovem egípcio, servo de um amalequita, falou a Davi que “tinha ficado três dias e três noites sem comer e sem beber”, depois explicou que fora abandonado por seu senhor há três dias atrás (e não quatro, se fosse literal). (1 Sm 30: 12-13)

Assim, “um dia e uma noite” era uma expressão idiomática usada pelos judeus para indicar um dia, mesmo quando indicava somente parte dele. Em outras palavras, a expressão “um dia e uma noite” representava tanto o período total de 24 horas do dia, como apenas uma parte dele.

Jesus falou que ressuscitaria “no terceiro dia” (Mt 16:21; 17:23; 20:19), ou “depois de três dias” (Mc 8:31; 10:34). Até os inimigos de Jesus entenderam o significado das profecias sobre a ressurreição. Para eles, “depois de três dias” significava “ao terceiro dia” (Mt 27:63-64).

Entendendo esta maneira de se expressar, compreendemos que os “três dias e três noites” que Jesus permaneceu no coração da terra foram:

  1. O período que inclui parte da sexta-feira (das 15h às 18h)
  2. O sábado inteiro (das 18h de sexta até 18h de sábado)
  3. E parte do domingo (das 18h de sábado até o nascer do sol de domingo)

Tragada foi a morte na vitória

Aleluia! A cruz não conseguiu deter o Autor da Vida! Ele ressuscitou!

Jesus Cristo, o Rei dos Judeus, cumpriu em si mesmo toda a Lei Mosaica. “Está consumado”, bradou em alta voz no momento em que entregou o seu espírito. Sim, tudo consumado está. Consumou-se o fim da maldição através daquele que fez-se maldição por nós (Gl 3:13). Foi consumado com sangue o salário do pecado (Rm 6:23). Consumado também foi o castigo que nos traria a paz (Is 53:4-7). Consumou-se ainda o final da história de Abraão e Isaque, onde Deus poupou Isaque e proveu um cordeiro para ser sacrificado (Gn 22:13). E consumada também foi a promessa de que a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente (Gn 3:15). Sim Jesus, tudo consumado está! E, tendo cumprido todas as coisas, Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. A nós, pecadores, resta o caminho do arrependimento e a decisão de nascer de novo espiritualmente, fazendo deste Cristo o Salvador e Senhor de nossas vidas. Feliz Páscoa!

Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

 LEIA TAMBÉM:

A PÁSCOA DOS JUDEUS  

A PÁSCOA DOS CRISTÃOS  

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Uma Rosa Vermelha na crucificação…

Este é um hino muito antigo, de autoria desconhecida, mas com uma bela poesia. Foi gravado por Luiz de Carvalho, Mara Lima e outros artistas. Um lindo texto para refletirmos sobre a crucificação de Cristo e,  principalmente, na postura pessoal de cada um de nós diante dessa cruz.

Essa “Rosa” foi esmagada pela minha mão, pela sua mão… O que temos feito com esse sangue que ficou em nossas mãos? Temos crido para a nossa salvação ou sido indiferentes para a nossa condenação? Faça a sua escolha. Eu escolhi JESUS!

*

&

Olhando este mundo Ele viu grande multidão,

Andando sozinho sem nada na mão.

Sua vida foi rosa vermelha cravada na cruz,

Quem passou por Ele sentiu compaixão.

A rosa murchando e sangrando esvaindo-se em dor,

Perdendo a cor, sem respiração.

Mas o seu perfume se apega à mão que a esmagou,

E quem a feriu recebeu o perdão.

 

Agora seu sangue vertendo caindo no chão,

Três dias morrendo, sentiu solidão.

No terceiro dia o mundo encheu-se de flores

e a rosa vermelha de novo brotou.

Jesus é o lírio dos vales Rosa de Sarom

e até seus espinhos são marcas de amor.

E hoje Ele vive a plantar um grande jardim,

se você quiser serás uma flor. ..

*

*

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