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A Bíblia fala várias vezes sobre a importância da submissão.

Segundo o dicionário, submissão pode ser entendida como uma disposição para obedecer, para aceitar uma situação de subordinação; docilidade, obediência, subalternidade.

Assim, os filhos devem ser submissos aos pais (Ef 6:1), a esposa deve ser submissa ao marido (Cl 3:18) e os cidadãos devem ser submissos às autoridades constituídas (Rm 13:1).

Mas é importante que entendamos que esta submissão não é cega ou incondicional.

Nos primeiros capítulos de Atos, encontramos alguns exemplos muito interessantes de quando a submissão foi condenada e a insubmissão aprovada.

Safira foi submissa ao seu marido Ananias, mantendo-se fiel ao que haviam combinado entre si (mentir para os apóstolos com relação ao valor da venda de uma propriedade deles). Foi punida com a morte. Atos 5:1-10.

Os apóstolos foram insubmissos às autoridades, desobedeceram reincidentemente e afrontaram publicamente os sacerdotes e seus oficiais, ao insistir em ensinar sobre Jesus no Templo. Foram incentivados inclusive por um anjo a continuarem pregando, mesmo após açoites e prisões. Atos 5:17-41

Perseguidos pelas autoridades de Jerusalém pelo fato de serem cristãos, os discípulos se vêem obrigados a fugirem da cidade. Mas, onde chegavam, continuavam anunciando o Evangelho. Atos 8:1-4

Pedro (logo Pedro!) foi insubmisso a uma Lei Judaica. A Lei proibia um judeu de entrar num lar gentio ou de associar-se de alguma forma com os gentios. Porém, orientado por Deus numa visão, Pedro hospeda homens gentios em sua própria casa, e depois permanece hospedado alguns dias na casa de Cornélio, um oficial romano, onde fala sobre as Boas Novas do Evangelho e o batiza, juntamente com familiares e amigos. Atos 10:1-48.

 

O Blog Púlpito Cristão, reproduziu um artigo de Renata Veras, onde afirma que “não podemos usar a submissão como desculpa para uma personalidade passiva o u um estilo de vida igualmente pecaminoso, que confunde submissão com omissão, comodismo, conformismo, preguiça, indiferença, inércia.”

 

A submissão bíblica é sempre “no Senhor”, com discernimento e sabedoria para identificar quando um determinado direcionamento nos levará no sentido contrário da vontade de Deus.

A submissão bíblica é sempre submissa à soberania de Deus, com coragem para agir de maneira contrária à liderança (pais, avós, patrões, governos, pastores, maridos…) sempre que esta liderança estiver contrária à liderança de Deus.

* * *

Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Doctor of Ministry em Bíblia
Marília/SP

 Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

 

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Ao contrário do que muitos andam ensinando por aí, Deus nem sempre responde “sim” a todos os nossos pedidos.

Sabemos que muitas coisas podem impedir a eficácia de nossas orações, tais como: falta de fé (Tg 1:6-8), pecados não confessados (Is 59:1-2), distância do Senhor (Jo 15:7), e pedidos mal intencionados (Tg 4:3). Entretanto, Deus pode também, simplesmente responder “não” ao pedido de um filho seu, simplesmente por ser esta a sua vontade.

Foi o que aconteceu com Jesus no Getsêmani (Mc 14:36), com o apóstolo Paulo e seu espinho na carne (2Co 12:7-9), com a enfermidade de Timóteo (1Tm 5:23), com o rei Davi e a morte de seu filho (2Sm 12:15-20), e tantos outros. Nestes casos, não adianta repreender, profetizar, tomar posse ou determinar. A situação foge ao nosso controle, excede nosso entendimento e independe da nossa fé.

Quantas e quantas vezes oramos muito pela cura de uma enfermidade, pela conversão de um ente querido, ou pela solução de um determinado problema, até que um dia acontece o pior, e vemos que aquilo que tanto queríamos não aconteceu. Como aceitar o “não” de Deus se Ele mesmo, em sua Palavra, prometeu nos dar tudo o que pedíssemos?

Primeiramente é preciso lembrar que não podemos nos apegar a um versículo da Bíblia isoladamente. Se em Mateus 11:22 diz que receberemos tudo o que pedirmos com fé em oração, em 1 João 5:14-15 diz que Deus nos atende conforme a sua vontade. Mediante esta realidade, é preciso compreender alguns princípios importantes:

1. A vontade de Deus é sempre boa, agradável e perfeita (Rm 12:2 e 8:28). Nossa visão limitada e imediatista nem sempre consegue enxergar a bondade de Deus em algumas situações de tristeza e dor. Mas o justo vive pela fé, e não por vista. Deus é sempre bom e sempre deseja o melhor para cada um de nós. Mesmo que algumas coisas nos pareçam descabidas e absurdas, é preciso confiar e acreditar que Deus sabe o que faz.

2. Deus é o Senhor e nós os seus servos; Deus é o oleiro, e nós, barro em suas mãos (Is 45:9). Quando Jó questionou a Deus acerca do injusto castigo que lhe fora imposto, o Senhor simplesmente lhe com algumas perguntas que o fizeram lembrar de quem ele era (Jó 38 a 41). Deus é o rei soberano sobre todo o Universo e tem todo o “direito” de intervir (ou não) em cada situação. Não cabe a nós questionar ou discordar de suas decisões. Muitas perguntas continuarão sem resposta. São os mistérios reservados ao Pai (Dt 29:29).

3. A fé não desiste. Resiste. O médico Fernando Oliveira, em seu livro “Quando a bênção não vem”, conta-nos sua experiência de perder a esposa para o câncer após anos de lutas, e adverte: “Nunca devemos deixar de orar pela cura de uma enfermidade. Não podemos nos conformar com a situação, mas prosseguir até o fim, pedindo a intervenção de Deus, crendo que o Senhor dos impossíveis pode reverter aquela situação” (Sl 51:17). “Em Jesus está o amém, o assim seja, o cumpra-se de todas as promessas de Deus. Ele abriu aos homens a possibilidade de desfrutar de todas as promessas. Entretanto, ao Deus soberano está o distribuir dessas promessas, quando e como desejar” (*).

Conclusão: Não temos condições de entender como é administrar o mundo do ponto de vista de Deus, mas em Cristo é possível desfrutar das vitórias nos montes e superar as tribulações dos vales. Deus nunca nos deixa sós e enfrenta conosco o fogo da fornalha quando não nos livra dela (Dn 3). Quando Deus responde “não” e a tão desejada bênção não vem, o Senhor permanece conosco, nos consolando e ajudando a prosseguir pelo “vale da sombra da morte”. Nossa alegria provém do Senhor e não das circunstâncias (Hc 3:17-19). Ele é a nossa força e aquele que nos faz andar vitoriosamente em qualquer situação.

 

* Citação bibliográfica: Oliveira, Dr. Fernando F.M., Quando a bênção não vem. 2ª ed. São Paulo: Abba Press, 2000.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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