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Posts Tagged ‘Preconceito’

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A cultura ideológica do nosso tempo é, de fato, uma metamorfose ambulante que, de tão ambulante, tornou-se amorfa e paradoxal.

Um exemplo disso é a intolerância tida como politicamente correta por parte dos militantes gays. Em nome da liberdade de escolha e do respeito ao diferente, pregam e agem com arrogância, desigualdade e intransigência.

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bandeira-gay

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Com o fim da ditadura e da censura, o brasileiro se viu livre para expressar sua opinião sobre os mais diversos assuntos:

  • Podemos falar contra os governantes e políticos;
  • Podemos falar contra a escalação do time de futebol;
  • Podemos falar contra a pregação do Edir Macedo;
  • Podemos falar contra o corte de cabelo do Neymar;
  • Podemos falar contra a postura dos talibãs;
  • Podemos falar contra o horário eleitoral obrigatório;
  • Podemos falar contra a escolha do Papa;
  • Podemos falar contra a propaganda de cigarros;
  • Podemos falar contra os evangélicos;
  • Podemos falar contra os corinthianos;
  • Podemos falar contra a lei seca;
  • Podemos falar contra os programas de televisão;
  • Podemos falar contra uma determinada novela;
  • Etc, etc, etc…

Por vivermos num país livre, podemos (ou podíamos) expressar nossa opinião contrária a tudo e a todos.

Ninguém gosta de ouvir uma crítica, mas em respeito à opinião do outro, permitimos que elas existam. Normalmente as críticas não nos  fazem mudar de opinião, pelo contrário, na maioria das vezes servem apenas para fazer crescer a convicção de que estávamos mesmo certos. Mas as críticas têm papel importante nos relacionamentos e na vida em sociedade, elas contribuem para a discussão, o diálogo, o amadurecimento pessoal, a democracia, o estado de direito.

Como Igrejas Cristãs, cremos na Bíblia como guia de fé e prática e nossa pregação inclui o que entendemos ser contrário ao plano original de Deus. Assim sendo, diferenças à parte, pregamos contra o alcoolismo, o adultério, o sexo antes do casamento, a imoralidade, os vícios, a idolatria… Os que praticam tais coisas são livres para continuar praticando, mas nós, como igreja, somos livres para expressar nosso entendimento sobre cada tema.

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MAS, quando se trata de opção sexual, o quadro muda por completo. Falar contra os pastores que ensinam sobre dízimo é “liberdade de expressão”, mas falar contra homossexualismo é classificado logo de preconceito e intolerância, e ainda está sujeito a levar um processo sob acusação de homofobia e discriminação. Isso é RIDÍCULO!!

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Aprendamos todos (homos e héteros) que discordar das escolhas uns dos outros é um exercício que faz parte da diversidade humana.  E que aceitar o diferente não implica, necessariamente, em pensar igual.

Claro que não estamos falando aqui em ações e reações ofensivas e violentas. Mas tão somente da tal “liberdade de expressão” e  “liberdade de escolha”.

É preciso respeitar os direitos de ambos os lados da moeda. Aconteceu há não muito tempo: uma pessoa obesa que não fora aceita como recepcionista numa academia de ginástica por estar acima do peso, processou os donos por preconceito (!). Onde fica o direito do empresário de poder contratar alguém de acordo com o perfil que ele escolheu para a sua empresa?

O gay tem direito de ser gay, e eu tenho direito de ser contra. Eu tenho direito de ser hetero, e o gay tem direito de ser contra.

Vamos combinar? Podem criticar a igreja e os evangélicos! Mas nos deixem também continuar falando daquilo que consideramos contrário à vontade de Deus!

Liberdade, tolerância e respeito! Simples assim! 🙂

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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No início de 2004, após ouvirmos uma palestra sobre as maldições espirituais a que as pessoas que usavam piercings ou tatuagens estavam sujeitas, começamos a ensinar na igreja que tais práticas eram contrárias à vontade de Deus. Nem todos concordaram. Alguns inclusive se tatuaram e colocaram piercing mesmo à revelia da orientação pastoral. Os que assim procederam foram aconselhados e advertidos verbalmente quanto aos perigos de tais práticas sem, entretanto, serem desligados da igreja ou disciplinados por conta disso.

Escrevi um artigo sobre o assunto, falando dos perigos deste modismo, baseado na palestra que tínhamos ouvido e num livro escrito pelo mesmo preletor. O artigo foi postado no site da igreja e teve grande repercussão, sendo reproduzido em dezenas de outros sites e blogs.

O tempo passou. Continuamos sendo questionados por vários jovens. Recebi vários emails contrários ao meu artigo, alguns até ofensivos, me acusando de preconceituosa. Mas mantive minha posição até o início de 2009, quando um desses emails me fez começar a questionar se as coisas eram realmente daquela maneira.

Guardei para mim estes questionamentos e comecei a pesquisar e me aprofundar no assunto. Descobri que meu artigo continha vários erros de referência e também de hermenêutica e exegese. Confesso que fiquei chocada! Principalmente porque cresci num ambiente tradicional e sou conservadora em muitos aspectos. Descobri que não há nada explícito nas Escrituras que condene o piercing ou a tatuagem em si. Trata-se de mais uma questão de “usos e costumes”. Enfim a sentença: a galera que havia nos questionado durante todos estes anos estava certa! E nós estávamos errados!

Retirei o artigo do site e comecei a escrever outro. Ah, como é difícil confrontar nossos “achismos” com a Palavra de Deus! Tive muita dificuldade para escrever o texto. Mas em meio a toda essa celeuma de sentimentos e raciocínios, em todo o tempo ouvia a doce voz de Jesus me dizendo: “filha minha, o mais importante é o amor”. Deus foi semeando em meu coração um amor incondicional inexplicável pelas pessoas. Um sentimento de compaixão tão grande que não deixava espaço para bobagens como piercings ou tatuagens. Passei então a entender um pouco mais a esse Deus e pedi perdão pelo meu legalismo e religiosidade que, embora bem intencionados, servem apenas para separar as pessoas da graça salvadora de Jesus. Não compartilhei essa experiência com ninguém. Até então, como Maria de Nazaré, entendi que era tempo de apenas guardar todas essas coisas em meu coração.

Em meados de setembro deste mesmo ano (2009) alguns jovens da igreja, indignados com o legalismo e as amarras da religiosidade, começaram a orar juntos, jejuar, estudar a Bíblia, debater, ler, escrever e conversar com os pastores e outros líderes espirituais sobre vários assuntos. Na verdade, tudo começou quando alguns irmãos mais tradicionalistas se incomodaram com o fato de alguns irem de boné para os cultos. Um grande alvoroço foi criado em torno do boné, até o ponto de uma família de visitantes ser impedida de entrar no templo porque um dos filhos recusou-se a tirar o boné. Não dava mais para adiar a questão. Como igreja, precisávamos nos posicionar: ou mantínhamos os velhos costumes em nome da “ordem e decência” ou abriríamos mão de alguns posicionamentos também em nome da “ordem e da decência”. Algo precisava ser feito.

Este passou a ser então o principal assunto das conversas em casa, isso porque meus dois filhos faziam parte do tal grupo de jovens “revolucionários” e meu esposo era o pastor presidente da igreja. Palavras como paradigma, dogma, legalismo, escândalo, preconceito, estereótipo, moralismo e religiosidade estavam sempre presentes conosco em nossas refeições.

Na busca por respostas, estes jovens desenvolveram um impressionante nível de intimidade com Deus. Em meio a tantas turbulências, isso foi um oásis lindo de se ver… Depois de muita oração, conversa e um estudo profundo das Escrituras, acabamos concluindo que realmente essa é uma questão pessoal. Assim como a proibição da calça comprida e do corte de cabelo para as mulheres em décadas passadas, assim era a nossa proibição de bonés, chapéus, piercings e tatuagens. Uma questão sócio-cultural, não espiritual (veja mais detalhes no artigo ‘Tatuagens, piercings e afins’).

A notícia se espalhou e cada um fez sua própria leitura dos fatos. A grande maioria reagiu com naturalidade, dizendo que sempre pensaram deste jeito. Alguns pais preocupados (e desesperados) se indignaram com o tal “agora pode”. Adolescentes empolgados comemoraram. Membros de outras igrejas protestaram com frases sarcásticas. Alguns pediram um tempo para se acostumar à idéia. E assim sucessivamente. Os pastores da igreja passaram dias atendendo em seus gabinetes, tirando dúvidas e acalmando os ânimos. Graças a Deus, não perdemos ninguém.

Não foi fácil administrar esta situação. Principalmente porque meu filho decidiu, ele mesmo, depois de vários meses de jejum e oração, fazer uma tatuagem para mostrar a todos que isso não mudaria sua vida com Deus, uma espécie de ícone contra o legalismo e o preconceito. Tivemos que dar muitas explicações e enfrentar acusações por vezes cruéis. Mas o amor de Deus guardou os nossos corações e inundou a nossa igreja de tal maneira que, de repente, não tínhamos mais tempo para perder com esses pormenores. A Gloriosa Shekinah do Todo Poderoso se manifestou entre nós durante os cultos e nos embriagou com as águas restauradores do Seu Espírito. Fomos direcionados assim a combater os verdadeiros pecados, lutar contra os verdadeiros demônios, e pregar o verdadeiro Evangelho. Simples assim 🙂 !

Como líderes espirituais, nunca tivemos vergonha de admitir que erramos ou que mudamos de opinião. Foi assim no início do nosso ministério quando confrontamos vários ensinos tradicionais da nossa denominação. Foi assim agora. E assim continuará sendo. Como barro, queremos estar continuamente na Casa do Oleiro, permitindo que Ele nos quebre sempre que necessário for.

Da mesma maneira que, há vinte anos atrás, foi difícil admitir que não era pecado dançar, bater palmas ou bradar ‘aleluias’ nos cultos, também foi difícil agora admitir que um determinado adereço não tem poder em si mesmo para trazer maldição sobre a vida de alguém. Certamente permanecem o bom senso e o discernimento espiritual: exageros, body modifications extravagantes e tatuagens ofensivas e obscenas sempre serão, no mínimo, inadequados para o cristão. E os pais continuam tendo o direito de simplesmente não permitir que seus filhos façam uma ou outra coisa.

Pessoalmente, continuo não gostando de nada que fuja do convencional. Prefiro sinceramente o terno e gravata e roupas mais clássicas. Mas aprendi a respeitar aqueles que “curtem um visual mais descolado” e também a não julgar alguém por sua aparência. Entendi que Deus não precisa ter, necessariamente, os mesmos gostos que eu, e que os cristãos, embora sejam todos irmãos, não devem ser obrigados a pensarem ou a se vestirem da mesma maneira.

É isso aí! Unidade não é conformidade e diversidade não é divisão! E viva la rivoluzione!

Porque SER IGREJA é vivenciar a simplicidade do Evangelho e a essência do Cristianismo: amar a Deus e ao próximo.

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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