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Posts Tagged ‘Carne de Porco’

Quais mandamentos e preceitos do Antigo Testamento devem ser seguidos nos dias de hoje?

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Muitas vezes ficamos em dúvida sobre algumas ordenanças que encontramos na Bíblia:

“Não chegarás à mulher durante a separação da sua imundícia…” Lv 18:19

“Não deixem viver a feiticeira…” Ex 22:18

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na descansar…” Ex 23:10

“Frutificai e multiplicai-vos…” Gn 1:28

“Com homem não te deitarás como se fosse mulher, abominação é…” Lv 18:22

“Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe…” Ex 23:19

“Honra teu pai e tua mãe…” Dt 5:16

“O sétimo dia é o sábado do Senhor; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo…” Ex 20:10

“Não vestirás roupa de diversos estofos misturados…” Lv 19:19

“Não fareis tatuagens sobre vós…” Lv 19:28

Enfim, todas as ordenanças permanecem válidas nos nossos dias? No tempo da graça precisamos continuar obedecendo aos mandamentos do Antigo Testamento? É possível que uma Lei Espiritual venha com “prazo de validade”?

 

Identificando o contexto  

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.” (1 Tm 3:16) e também que “…passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, diz o Senhor (Mc 13:31). Isso significa que tudo o que está na Bíblia foi válido para as pessoas da época em que cada texto foi escrito, é válido para a nossa vida nos dias de hoje, e será válido para todas as próximas gerações, por todo o sempre. Tudo está “em vigor”. A questão é que há uma distinção entre aquilo que pode ou deve ser aplicado diretamente (exatamente como está escrito) e aquilo precisa ter apenas seu o princípio espiritual obedecido.

Todos os textos bíblicos – profecias, mandamentos, promessas, princípios, valores… – precisam ser entendidos dentro de seu contexto. Isso não se limita a ler alguns versículos antes e depois do texto, mas compreender o sentido geral do livro em que ele está inserido e também o que a Bíblia, em seu todo, afirma a respeito.

A Lei de Moisés é composta por 10 mandamentos e 613 preceitos morais, civis e cerimoniais. Um critério básico para saber se um determinado preceito foi dado por Deus não só para aquela época, mas também para nós, é procurar outros textos na Bíblia que falem sobre o assunto. Se o mesmo preceito foi reforçado pelos profetas, ensinado por Jesus e recomendado nas cartas do Novo Testamento às igrejas, está claro que é algo que deve ser obedecido em todas as épocas. Mas, se ele não foi mais citado em lugar algum, provavelmente trata-se de algo específico para o povo hebreu daquele tempo, e devemos extrair apenas o princípio espiritual por trás daquele preceito a fim de obedecê-lo.

Por exemplo: Há vários textos no Antigo Testamento alertando sobre alguns tipos de carne que não deveriam ser comidas pelo povo de Deus, por serem consideradas “imundas” (Lv 11:1-47), dentre elas coelho e carne de porco. Entretanto, não vemos Jesus reforçando este mandamento, mas sim ensinando a seus discípulos que o que entra pela boca não pode contaminar o coração (Mc 7:14-19). E, quando lemos o Novo Testamento, encontramos afirmações como: “O Reino de Deus não é comida nem bebida…” (Rm 14:17), “o que comemos não nos faz agradáveis a Deus…” (1 Co 8:8), “não chame de impuro ao que Deus purificou…” (At 10:15) e “ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festa… ou os sábados… que são sombras das coisas futuras” (Co 2:16-17). Alguma contradição nos ensinos do Antigo e do Novo Testamento? Certamente NÃO. O que temos aqui é o princípio da separação entre o puro e o impuro aplicado através da lei que distinguia animais puros dos impuros. O princípio permanece para sempre: Deus faz separação entre o puro e o impuro, entre santidade e iniquidade, entre o pecador que foi justificado e o que não foi. Jesus foi o cordeiro puro, sem mácula, oferecido a Deus como sacrifício definitivo por nossos pecados. Mas hoje, o fato de comer ou deixar de comer certos alimentos não influencia na nossa pureza ou impureza espiritual. A dieta da época tinha um fim didático e hoje é desnecessária.

O mesmo acontece com relação à proibição de se trabalhar no dia de sábado (Ex 20:10). Jesus trabalhou no sábado (Mc 2:23-28), o concílio de Jerusalém concluiu que os gentios não precisavam guardar o sábado (At 15:28-29), Paulo disse à Igreja que ninguém deve ser julgado por guardar ou não o sétimo dia (Gl 4:9-11), não vemos no Novo Testamento uma orientação no sentido de que os cultos cristãos deveriam ser no sábado (At 20:7 e 1 Co 16:1-2), e Cl 2:16-17, Mt 11:28 e Hb 4:9-11 explicam que o descanso do sábado era a sombra do descanso espiritual que há em Cristo Jesus e que será plenamente cumprido na eternidade.

Mas nem tudo na Lei ou no Antigo Testamento são apenas “sombras” que apontavam para o Messias, ou cumpriam apenas um fim didático. Mandamentos como: “não adorar outros deuses”, “não mentir”, “honrar pai e mãe”, e tantos outros, são encontrados por toda a Escritura, significando que devem ser seguidos em sua inteireza.

 

O mesmo se aplica a algumas recomendações feitas às igrejas, nas cartas neotestamentárias:

“Não ireis pelo caminho dos gentios… mas tão somente às ovelhas perdidas da casa de Israel…” Mt 10:5-6

“Vendei tudo o que tendes e dai esmolas…” Lc 12:33

“As mulheres estejam caladas nas igrejas…” 1 Co 14:34

“Vós, escravos, sujeitai-vos aos senhores, não somente aos bons mas também aos maus…” 1Pe 2:18

“Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho…” 1Tm  5:23

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo…” 1Co 16:20

“Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também…” 1Co 11:6

“O homem, pois, não deve cobrir a cabeça…” 1Co 11:7

Estes são alguns exemplos de preceitos específicos para o contexto cultural em que cada igreja estava inserida, e não devem ser interpretados como um mandamento de Deus para todas as culturas, em todos os tempos.

Além da análise de um determinado texto à luz do que diz as demais Escrituras sobre o assunto, vale lembrar o que Jesus disse sobre o mandamento que resume todos os outros: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:37,39). Na dúvida sobre o que fazer ou deixar de fazer, este é o padrão. Tal atitude vai expressar o meu amor a Deus e ao próximo? Em meu lugar, o que faria Jesus?

A verdade é que, quanto mais conhecemos a Deus e sua Palavra, menos temos dúvida sobre o que Ele espera que sejamos ou façamos. Portanto, “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3).

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Ser Igreja

 

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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