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Vez ou outra ouço alguém dizer: “fui na igreja, mas entrei vazio e saí vazio”.

Tal afirmação sempre me deixou intrigada. Claro que cada um sabe o “vaso” que tem. Mas algumas coisas nesta frase precisam ser melhor compreendidas, quando ditas por alguém que já recebeu a mensagem do Evangelho, e já tem um relacionamento com Cristo.

1) Entrar na igreja vazio – Emocionalmente, é normal que nós seres humanos, passemos por crises e nos sintamos “vazios”, desanimados, fracos, depressivos. Mas nossa fé não pode ser baseada no que sentimos ou no que vemos. A Palavra afirma que, quando nascemos de novo, o Espírito Santo de Deus passa a habitar em nós. Então, que história é essa de que estamos vazios??? Temos o Espírito Santo e rios de Águas Vivas fluindo do nosso interior. A sensação de “parecer vazio” não corresponde à verdade. Nossa espiritualidade não se mede por sensações emocionais, arrepios ou coração queimando, mas pelo fruto que o Espírito Santo produz em nós no dia a dia. Precisamos crer em Deus e em Sua Palavra e não em nosso enganoso coração.

2) Entrar na igreja –  Já falamos aqui que esta é uma força de expressão, pois ninguém “entra na igreja”. Somos a Igreja! Mas, deixando de ser chatos, e compreendendo o sentido desta expressão como sendo “ir ao culto num templo”, vemos que aqui também contém equívocos. Para quê vamos à igreja?  Para receber? Ou para se doar? Culto é doação, entrega, adoração, gratidão, louvor…  Claro que eu também peço e suplico, mas o foco é Deus e não eu. Então, precisamos reavaliar nossas expectativas antes de entrar num templo para adorar a Deus. “Recebendo” ou não, sentindo ou não, Deus continua sendo Deus, e o culto continua sendo culto. A igreja local existe principalmente para que eu possa expressar meu amor a Deus e ao próximo. E não para eu abastecer o meu vaso com o “azeite do Espírito”.

3) Sair vazio – “Enchei-vos do Espírito”, nos diz a Palavra. Tal postura é um processo diário a ser vivenciado em nosso cotidiano. Não podemos deixar para nos encher na igreja. Isso não vai funcionar!!!! A pregação do pastor, a música da equipe de louvor, a apresentação do Coral, a oração em grupo, e tudo o mais que acontecer num culto, podem ser instrumentos de edificação pessoal, mas nossa expectativa precisa estar em Deus e tão somente Nele. Então, se buscamos a Deus (em casa, no trabalho ou na igreja) e continuamos nos sentindo “vazios”, das duas uma: ou estamos buscando pouco, ou o próprio Deus não está se deixando ser achado, por algum motivo. Às vezes Deus faz isso mesmo. Ele parece esconder-se (Is 45:15), mas está sempre perto (Sl 139) mesmo que não o sintamos. E isso não é culpa do pastor, do ministro de louvor ou do dirigente do culto. Faz parte do processo didático que Deus aplica em nós.

Igreja reunida em culto e adoração

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Está se sentindo vazio?

Primeiro: não confie nos seus sentimentos. Deus continua aí, bem pertinho de você.

Segundo: invista em seu relacionamento com Deus no seu dia a dia: ore, leia a Bíblia, medite na Palavra, jejue, passe tempo em silêncio na presença do Pai, e aguarde. No seu devido tempo, a chuva virá. Essa sensação de vazio desaparecerá. E talvez você compreenderá porquê precisou passar por aquele tempo de deserto espiritual.

E, finalmente, “vá à igreja” para adorar a Deus e para repartir com seus irmãos o que Deus tem lhe dado no secreto do seu quarto, em sua intimidade com Ele. “Vá à igreja” para exercer a comunhão, para interceder pelo seu próximo, para contribuir, para se dar. Pois, o próprio Cristo afirmou: “melhor é dar do que receber”. Quando tiramos o foco das nossas necessidades, as entregamos ao Senhor, e olhamos para o amor de Deus e as necessidades do outro, tudo muda, e o vaso que parecia vazio, de repente, transbordará.

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Ser Igreja

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e Teologia

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Li estupefata alguns comentários ontem sobre os protestos. Alguns veementemente condenando a participação de cristãos na manifestação, sob o argumento de que Jesus, nem os apóstolos nunca fizeram greve ou passeata contra a corrupção da época (!). Será mesmo que alguém, em seu juízo perfeito, acredita que seria possível uma mobilização do povo contra o governo em pleno império romano????? (Sem comentários). Outros inflamados dizendo que não adianta participar de protestos se a pessoa mesma também é desonesta. O que fazer então? Sentar no sofá com um copo na mão e continuar só assistindo aos desmandos deste país?

Confesso, constrangida, que nunca fui uma pessoa muito politizada, apesar de compreender a importância disso. Também sempre tive muito medo de julgar uma pessoa pública, pois sei que não dá para confiar nas notícias. Mas a corrupção e a falta de temor desses políticos e empreiteiros no nosso país chegou a um nível tal que não dá mais para continuar. Conseguiram quebrar a economia do país, acabaram com a Petrobrás, milhões e milhões e milhões de reais deixaram de ser aplicados em saúde, educação, segurança e infraestrutura para custear os caprichos pessoais desses urubus.

Como cristãos, a Bíblia nos orienta a orar pelos nossos governantes, a respeitá-los e a pagar os devidos impostos (Rm 13:1-7). Mas diz também que sempre que uma autoridade – política, eclesiástica ou familiar – exigir algo que esteja fora da ética ou dos princípios do Reino, nosso papel é nos manter fiéis a Deus (Jeremias 22:1-9, At 5:28-29). Jesus, João Batista e os profetas do Antigo Testamento denunciaram reis e autoridades apócrifas e corruptas (Lc 13:32, Mt 14, 1 Re 18:16-18). Muitos foram mortos por isso, afinal, não estavam numa democracia, mas nem por isso se calaram diante do erro.

Autoridades que se afastam dos princípios e valores da Palavra de Deus, não merecem nossa submissão. Devem ser confrontadas e repudiadas. Hitler, Herodes, Calígula, o califado islâmico e o imperador coreano são alguns exemplos do que estou falando. Toda autoridade foi constituída por Deus, mas isso não significa que Deus se agrade de todos.

A lista dos bandidos políticos e empresários no Brasil é grande, e espero que TODOS os culpados sejam devidamente condenados e banidos da vida pública. PT, PMDB, PSDB, independente do partido ou do cargo, que cada um receba a devida punição.

Sabemos que a imprensa não é imparcial e que a “oposição” no Planalto está mais preocupada com seus próprios interesses. O que vejo hoje é o sujo querendo tomar o lugar do mal lavado. Mas isso não pode ser desculpa para nosso comodismo e resignação diante de tanta sujeira.

Não sou inocente a ponto de acreditar que, um dia, a corrupção terá fim, mas preciso crer em dias melhores, preciso ter esperança no ser humano, pois o Criador tem.

Por isso, além de orar, protestar contra a corrupção e votar direito da próxima vez, que que se levantem homens e mulheres íntegros, com um ideal político abrangente, um projeto social digno e inteligente para o Brasil e seus Estados e Municípios. “Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5:6).

 

Ser Igreja

 

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e Teologia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

 

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Leia também:

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Os secretários de estatísticas do WordPress prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 80.000 vezes em 2015. Se fosse o Louvre, eram precisos 3 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Desertos…

Muitas vezes, enfrentamos momentos tão difíceis em nossas vidas, que a sensação é de estarmos num “deserto”. Relacionamentos, emoções, saúde, finanças, parece que nada dá certo. Onde está Deus? Por que Ele não faz alguma coisa? Até quando vamos suportar tanta dor?

Esta mensagem fala um pouco sobre estes “desertos” e nos ajuda a enfrentá-los e vencê-los sobre uma perspectiva correta.

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Veja também:

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Cadernos

Quando eu era adolescente, tinha vários cadernos, cadernetas e fichários de coleções: enquete, músicas para serenata, receitas, poesia, corinhos, trabalhos manuais, desenhos, etc, etc, etc… – É, a vida sem computadores não era fácil, mas divertida, rs.

No meio de toda a papelada, eu tinha também uma caderneta onde anotava as frases “famosas” e interessantes que lia ou ouvia por aí… Uma dessas frases dizia que a vida do cristão é como uma vela, que ilumina à medida que se consome. Me lembro que na época achei a frase exagerada e depressiva, mas anotei. Hoje eu sei que isso é real. Se deixar gastar e desgastar por amor a Cristo é o sentido da vida do cristão.

Hoje, rumo aos 50 anos de idade (uhulll), sigo com a alma cheia de cicatrizes que vieram ao longo da caminhada. Algumas por imprudência minha mesma (talvez a maioria, rs), outras como fruto das lutas e guerras travadas no dia a dia, e outras surgiram pelo simples fato de eu estar cercada por seres humanos…

Aprendi que, enquanto eu viver, outras feridas virão e precisarão ser igualmente tratadas e curadas.

Confesso que todos os dias eu penso em desistir, aposentar, “mudar de ramo” rs, mas imediatamente me lembro que não tenho esse direito. O “Dono da vela” fez muito mais por mim, e me separou para este trabalho. Por isso, enquanto o meu pavio durar, quero melhorar, quero amadurecer, e quero continuar sendo consumida por esta chama que ao mesmo tempo me sustenta. Até chegar o dia em que Deus limpará de meus olhos toda a lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas terão passado (Apoc. 21:4).

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Post by Márcia Rezende no dia do seu aniversário de 49 anos. Márcia tem dois filhos (também já casados) e exerce o ministério pastoral juntamente com seu esposo na 3ª Igreja Batista de Marília. Ela trabalha integralmente na obra de Deus desde os 12 anos de idade e ama ver o pôr do sol.

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Quais mandamentos e preceitos do Antigo Testamento devem ser seguidos nos dias de hoje?

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Muitas vezes ficamos em dúvida sobre algumas ordenanças que encontramos na Bíblia:

“Não chegarás à mulher durante a separação da sua imundícia…” Lv 18:19

“Não deixem viver a feiticeira…” Ex 22:18

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na descansar…” Ex 23:10

“Frutificai e multiplicai-vos…” Gn 1:28

“Com homem não te deitarás como se fosse mulher, abominação é…” Lv 18:22

“Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe…” Ex 23:19

“Honra teu pai e tua mãe…” Dt 5:16

“O sétimo dia é o sábado do Senhor; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo…” Ex 20:10

“Não vestirás roupa de diversos estofos misturados…” Lv 19:19

“Não fareis tatuagens sobre vós…” Lv 19:28

Enfim, todas as ordenanças permanecem válidas nos nossos dias? No tempo da graça precisamos continuar obedecendo aos mandamentos do Antigo Testamento? É possível que uma Lei Espiritual venha com “prazo de validade”?

 

Identificando o contexto  

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.” (1 Tm 3:16) e também que “…passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, diz o Senhor (Mc 13:31). Isso significa que tudo o que está na Bíblia foi válido para as pessoas da época em que cada texto foi escrito, é válido para a nossa vida nos dias de hoje, e será válido para todas as próximas gerações, por todo o sempre. Tudo está “em vigor”. A questão é que há uma distinção entre aquilo que pode ou deve ser aplicado diretamente (exatamente como está escrito) e aquilo precisa ter apenas seu o princípio espiritual obedecido.

Todos os textos bíblicos – profecias, mandamentos, promessas, princípios, valores… – precisam ser entendidos dentro de seu contexto. Isso não se limita a ler alguns versículos antes e depois do texto, mas compreender o sentido geral do livro em que ele está inserido e também o que a Bíblia, em seu todo, afirma a respeito.

A Lei de Moisés é composta por 10 mandamentos e 613 preceitos morais, civis e cerimoniais. Um critério básico para saber se um determinado preceito foi dado por Deus não só para aquela época, mas também para nós, é procurar outros textos na Bíblia que falem sobre o assunto. Se o mesmo preceito foi reforçado pelos profetas, ensinado por Jesus e recomendado nas cartas do Novo Testamento às igrejas, está claro que é algo que deve ser obedecido em todas as épocas. Mas, se ele não foi mais citado em lugar algum, provavelmente trata-se de algo específico para o povo hebreu daquele tempo, e devemos extrair apenas o princípio espiritual por trás daquele preceito a fim de obedecê-lo.

Por exemplo: Há vários textos no Antigo Testamento alertando sobre alguns tipos de carne que não deveriam ser comidas pelo povo de Deus, por serem consideradas “imundas” (Lv 11:1-47), dentre elas coelho e carne de porco. Entretanto, não vemos Jesus reforçando este mandamento, mas sim ensinando a seus discípulos que o que entra pela boca não pode contaminar o coração (Mc 7:14-19). E, quando lemos o Novo Testamento, encontramos afirmações como: “O Reino de Deus não é comida nem bebida…” (Rm 14:17), “o que comemos não nos faz agradáveis a Deus…” (1 Co 8:8), “não chame de impuro ao que Deus purificou…” (At 10:15) e “ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festa… ou os sábados… que são sombras das coisas futuras” (Co 2:16-17). Alguma contradição nos ensinos do Antigo e do Novo Testamento? Certamente NÃO. O que temos aqui é o princípio da separação entre o puro e o impuro aplicado através da lei que distinguia animais puros dos impuros. O princípio permanece para sempre: Deus faz separação entre o puro e o impuro, entre santidade e iniquidade, entre o pecador que foi justificado e o que não foi. Jesus foi o cordeiro puro, sem mácula, oferecido a Deus como sacrifício definitivo por nossos pecados. Mas hoje, o fato de comer ou deixar de comer certos alimentos não influencia na nossa pureza ou impureza espiritual. A dieta da época tinha um fim didático e hoje é desnecessária.

O mesmo acontece com relação à proibição de se trabalhar no dia de sábado (Ex 20:10). Jesus trabalhou no sábado (Mc 2:23-28), o concílio de Jerusalém concluiu que os gentios não precisavam guardar o sábado (At 15:28-29), Paulo disse à Igreja que ninguém deve ser julgado por guardar ou não o sétimo dia (Gl 4:9-11), não vemos no Novo Testamento uma orientação no sentido de que os cultos cristãos deveriam ser no sábado (At 20:7 e 1 Co 16:1-2), e Cl 2:16-17, Mt 11:28 e Hb 4:9-11 explicam que o descanso do sábado era a sombra do descanso espiritual que há em Cristo Jesus e que será plenamente cumprido na eternidade.

Mas nem tudo na Lei ou no Antigo Testamento são apenas “sombras” que apontavam para o Messias, ou cumpriam apenas um fim didático. Mandamentos como: “não adorar outros deuses”, “não mentir”, “honrar pai e mãe”, e tantos outros, são encontrados por toda a Escritura, significando que devem ser seguidos em sua inteireza.

 

O mesmo se aplica a algumas recomendações feitas às igrejas, nas cartas neotestamentárias:

“Não ireis pelo caminho dos gentios… mas tão somente às ovelhas perdidas da casa de Israel…” Mt 10:5-6

“Vendei tudo o que tendes e dai esmolas…” Lc 12:33

“As mulheres estejam caladas nas igrejas…” 1 Co 14:34

“Vós, escravos, sujeitai-vos aos senhores, não somente aos bons mas também aos maus…” 1Pe 2:18

“Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho…” 1Tm  5:23

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo…” 1Co 16:20

“Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também…” 1Co 11:6

“O homem, pois, não deve cobrir a cabeça…” 1Co 11:7

Estes são alguns exemplos de preceitos específicos para o contexto cultural em que cada igreja estava inserida, e não devem ser interpretados como um mandamento de Deus para todas as culturas, em todos os tempos.

Além da análise de um determinado texto à luz do que diz as demais Escrituras sobre o assunto, vale lembrar o que Jesus disse sobre o mandamento que resume todos os outros: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:37,39). Na dúvida sobre o que fazer ou deixar de fazer, este é o padrão. Tal atitude vai expressar o meu amor a Deus e ao próximo? Em meu lugar, o que faria Jesus?

A verdade é que, quanto mais conhecemos a Deus e sua Palavra, menos temos dúvida sobre o que Ele espera que sejamos ou façamos. Portanto, “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3).

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Ser Igreja

 

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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cinzas

Por David Riker 

De fato, nossas “cinzas” têm muitos tons. Esse pó que se levanta e nubla o mundo. Símbolo de uma angústia gemidora que se dispersa por toda a realidade. Desafortunadamente, tão típica desse território do infeliz homem que se basta.

Mesmo lá no sexo – território tão divino, vivaz, rico, íntimo e gentil em seu poder. Até aí, as cinzas são violência desumanizadora. Tal película de cinzas cobre ruínas daquilo que já foi Éden. Caem como nuvem de corrupção no humano que se desfaz em solidão faminta.

Quando foi que nos tornamos predadores de vida alheia para alimentar nossos gostos bizarros?

Não há esperança para o homem, no homem. Somos, sem o Criador, cacos. Somos “Des-criação”. No fundo, não somos. O que nos sobra são cinzas. Em seus diversos tons. Formas diferentes de experimentar-se como cadáver.

Talvez foi por isso que doeu-se o poeta inglês T. S. Eliot:

“Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!”

Concordo com ele, contudo desejo concluir este inquietante texto, em outro tom. Para tal, uso-me do profeta — porque não também chamá-lo de poeta? — que descreve o anseio divino:

“… ordenar a cerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas…” (Is 61.3).

Assim exultamos. Nosso Criador, em seus múltiplos tons de cor, nossa vida é.

 

• David Riker é formado em Arte-Educação (UFPA), em Teologia (STEBNA) e graduando em Filosofia (UNIASSELVI). Pastor auxiliar da Igreja Batista da Amazônia, em Belém (PA) e diretor do Ministério “Sexualidade e Restauração”.

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