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Durante as Olimpíadas do Rio, uma imbecilidade do grande nadador medalhista Ryan Lochte ganhou as manchetes do mundo. Embriagado, depois de uma noitada, disse que havia sido assaltado para encobrir um episódio de vandalismo, mas a mentira foi desmascarada, e sua imagem antes heroica, desmoronou como um castelo de areia na beira do mar .

Esta história me fez lembrar de outra, não menos bizarra, ocorrida em Israel há mais de dois milênios: a do casal Ananias e Safira.  Jerusalém não estava em Olimpíadas nem nada, mas poderíamos dizer que era um tempo especial. Um tempo onde a igreja cristã dava seus primeiros passos, e ainda nem nome tinha. Todos os que criam no “Caminho” – JESUS – eram batizados, passavam a fazer parte daquela comunidade, e começaram a vender voluntariamente tudo o que tinham a fim de doar para a comunidade.

E da multidão dos que creram, um só era o sentimento e a maneira de pensar. Ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si. Com grande poder os apóstolos continuavam a pregar, testemunhando da ressurreição do Senhor, e maravilhosa graça estava sobre todos eles. Não havia uma só pessoa necessitada entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o depositavam aos pés dos apóstolos, que por sua vez, o repartiam conforme a necessidade de cada um. (Atos 4:32-35)

Aconteceu que um tal de Ananias, depois de também vender sua propriedade, não quis doar tudo para a igreja (um direito seu, já que ninguém o estava obrigando a nada) e, em vez de falar a verdade, mentiu, escondeu para si o próprio dinheiro (!).  Foi imediatamente fulminado em decorrência disto. Este fato foi transcrito na Bíblia (Atos 5:1-11) e, até hoje, sua história é contada e seu nome é tristemente lembrado.

O que Lochte e Ananias tem em comum? E o que as histórias deles dois tem em comum com dezenas de outras que presenciamos todos os dias?

Ryan Lochte e Ananias erraram, mentiram, pecaram. E, em poucos minutos, conseguiram destruir o que levara anos para ser construído.

Lamento a história destes dois e a história de tantos outros, amigos e conhecidos, privilegiados com dons e talentos raros, extremamente carismáticos, com um futuro inteiro pela frente e que tanto poderiam contribuir para o Reino de Deus, mas que, em poucos minutos, não foram suficientemente inteligentes para raciocinar com clareza e jogaram tudo para o alto. Ou melhor, jogaram tudo no lixo. Cederam às suas próprias tentações e viraram manchete nas rodinhas de bate-papo.

Apostasia

Furto, adultério, mentira, fornicação, pornografia… não importa o nome do pecado, o fim é sempre o mesmo. Nada fica por muito tempo escondido no Corpo de Cristo. Mais cedo ou mais tarde, toda sujeira vem à tona, e neste momento, pastores são exonerados, diáconos são disciplinados, missionários são destituídos, ministros são desmoralizados, projetos e sonhos são frustrados, famílias inteiras são destruídas. E então, vê-se que não valeu a pena.

Ministerialmente falando, o próprio Jesus alertou: “a quem muito foi dado, muito será cobrado” (Lucas 12:48). Quanto maior a visibilidade de um líder e sua influência, mais lhe será exigido, e mais caro lhe custará cada erro. Alguns, depois do “desastre”, conseguem se reerguer graças à misericórdia de Deus, feridas são tratadas e curadas, mas na maioria das vezes as cicatrizes deixadas são tão grandes que o ministério antes grandioso e promissor é resumido a algo minúsculo e pouco influente.  E o que dizer daqueles que, tendo uma segunda chance, ainda conseguem cair na mesma armadilha pela segunda vez??!! Lastimável…

Dói na alma cada vez que penso no quanto “Fulano” seria útil ao Reino se não estivesse se afastado. No quanto “Ciclano” seria bênção naquela situação se ainda estivesse no ministério. E não adianta vir colocando a culpa em Satanás, pois este faz apenas o que lhe é próprio: apresentar oportunidades de nos afastar de Deus e dos planos Dele para nós. Temos autonomia e poder em Jesus para vencer as tentações e escolhermos o caminho certo.

Nunca saberemos, por exemplo, o que Sansão teria feito se não tivesse caído (Juízes 16), ou qual o futuro de Ananias, se tivesse se arrependido a tempo. Também não sabemos o que acontecerá com Ryan Lochte. Mas o que estas histórias podem nos ensinar:

  1. Qualquer um está sujeito a errar.
  2. O direito da escolha diante da tentação está sempre em nossas mãos.
  3. Podemos escolher se vamos ou não pecar, mas não podemos escolher as consequências que nossos pecados alcançarão (mesmo depois do arrependimento).
  4. Todo erro, mais cedo ou mais tarde, será descoberto.
  5. O pecado sempre tem um preço, e é alto.
  6. Um momento de imbecilidade pode destruir para sempre tudo o que levamos a vida toda para construir.
  7. Deus nos deu um ministério, um dom, uma missão, e não vale a pena trocar tudo isso por alguns minutos inglórios de pecado.
  8. O pecado não compensa.

Que eu e você permaneçamos alertas e vigilantes.

Antes de fazer uma besteira, procure ajuda. Quem confessa suas tentações, não precisará confessar seus pecados.

É verdade que o preço a ser pago para seguir a Jesus muitas vezes parece alto, mas Deus sabe o que é melhor para nós. Então, confie Nele e o obedeça, custe o que custar, sabendo que, o preço da desobediência lhe custará a própria vida.

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e em Teologia

e Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Escravos

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Deus nos criou livres no Jardim do Éden. Mas nos vendemos a nós mesmos a Satanás. Trocamos a nossa liberdade por um mero pedaço do fruto proibido. E, a partir deste momento, nos tornamos escravos do pecado e, consequentemente, separados da glória do Criador.

Deus então enviou seu Filho Jesus Cristo para nos reconciliar com Ele. Jesus, assumindo a forma de escravo (servo), nos livrou da escravidão; pagou o preço por nós, e nos comprou para o Pai. Assim, fomos libertos da escravidão do pecado, e nos tornamos escravos da justiça. Sim, meu amigo, o homem jamais é totalmente livre. Somos escravos!

Sei que hoje escravidão faz parte dos “politicamente incorretos”, por isso é tão complicado assimilar o fato de que somos escravos, mas veja o que diz a eterna e imutável Palavra de Deus:

Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Vocês foram libertados do pecado e tornaram-se escravos da justiça. E agora que vocês foram libertados do pecado e se tornaram escravos de Deus, o fruto que colhem leva à santidade, e o seu fim é a vida eterna. (Romanos 6:16-17, 20)

Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. (Atos 2:18)

Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. (2 Coríntios 4:5)

Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. (Gálatas 1:10)

 

Aí você me diz: “Mas na minha Bíblia está escrito servo, não escravo!!!!”. Acontece que a palavra grega traduzida como “servo” é “doulos” que significada “atar um laço, prender com cadeias, lançar em cadeias; homem de condição servil, alguém que se rende à vontade de outro; alguém que está permanentemente em servidão, em sujeição a um mestre; escravo.” Entendeu agora? Somos escravos!

Nós nos vendemos barato, mas fomos comprados por bom preço. Perdemos a nossa liberdade, mas fomos comprados por Cristo. Não para a total liberdade novamente, mas comprados para Ele mesmo.

Em seu grande amor, graça e misericórdia, Deus nos adotou como filhos, e nos fez herdeiros do seu Reino. Nosso dono e Senhor é um Deus de graça e misericórdia, e nos convida a “comer da sua mesa”, a beber da sua água, nos trata com amor, nos insere em sua família, nos chama de amigos. MASSSSS… pertencemos a Ele! Somos escravos!

O escravo não tem vontade própria, não tem vida própria, não tem dignidade própria, não tem direitos próprios.

Nossa sociedade abomina este conceito, não só pela cultura hedonista que predomina neste século, mas também pelas terríveis imagens históricas de negros sendo cruelmente torturados nos troncos e senzalas.

Talvez, justamente por essas questões, sempre me intrigou o fato de Deus nunca ter condenado a escravidão na sua Palavra. Ele nunca aprovou os maus tratos nem os abusos a que os senhores submetiam seus escravos, mas também nunca ordenou o fim da escravidão. Hoje entendo que, talvez, a figura do escravo tenha sido tolerada por Deus tendo em vista seu valor didático, prefigurando Cristo, o servo sofredor, e também a cada um de seus seguidores.

Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus: o qual, tendo plenamente a natureza de Deus, não reivindicou o ser igual a Deus, mas, pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo plenamente a forma de servo e tornando-se semelhante aos seres humanos. Assim, na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, entregando-se à obediência até a morte, e morte de cruz. (Filipenses 2:3-8)

Nosso Mestre Jesus agiu como servo/escravo toda a sua vida, todo o seu ministério. Ele não reivindicou direitos, não deu lugar às fraquezas humanas (cansaço, preguiça, sono, fome…), não fez suas próprias vontades. Ele viveu para servir.

Como cristãos, esta deve ser a nossa conduta: ter um coração de servo. Sim, viver como servos e tudo o que isso implica: nos nossos relacionamentos, nos nossos ministérios, na nossa vida diária.

Foi maltratado por alguém? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Foi injustiçado? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Está cansado de servir? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Ninguém reconhece seu valor? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Ficou magoado? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Viu um irmão cair? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

Alguém lhe pediu ajuda? “Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus…”

É verdade que às vezes nos cansamos e pensamos em desistir. O caminho é apertado e a porta é estreita, não é fácil dar a outra face, amar os inimigos, crucificar a carne. Mas cada vez que fazemos nossa própria vontade e não a de Deus, cada vez que nos negamos a ser servos, cada vez que agimos movidos por pensamentos do tipo “eu sou crente mas não sou bobo, eu falo mesmo!”, não estamos exercendo nossa liberdade, mas sim fazendo exatamente o que nosso “antigo senhor” gostaria que fizéssemos. Cada vez que nos negamos a ser escravos da justiça, estamos agindo como escravos do pecado. Simples assim!

Então, vivamos com alegria a nossa redenção, escravos, sim, de Cristo, mesmo que isto seja politicamente incorreto.

Para encerrar, compartilho com vocês a história de dois thecos/moravianos, que entenderam o real significado de perder a vida por amor a Cristo:

John Leonard Dober e David Nitschman são nomes que você talvez não reconheça imediatamente. John era artesão e David um carpinteiro. Ambos eram pastores da igreja reformista da Morávia (hoje República Tcheca), a Igreja Moraviana. John e David ouviram sobre uma ilha no Caribe, onde um dono de terras britânico ateu tinha entre 2.000 e 3.000 escravos. Esse dono certa vez disse, “Nenhum pregador ou clérigo pode se estabelecer nesta ilha, se for uma vitima de naufrágio deverá ficar isolado em um quarto separado até que possa partir, porém ele nunca compartilhará nada sobre Deus pra nenhum de nós. Não suporto essa situação”. Imagine 3.000 escravos das selvas africanas levados a uma ilha do Atlântico para viver lá e morrer sem ouvir de Cristo! Dois jovens Morávios ouviram sobre esse fato. Então eles se venderam como escravos para o dono de terras britânico (o dono de terras não pagou nada mais do que pagava para qualquer escravo) e usaram o dinheiro recebido para adquirir as passagens até sua ilha, o proprietário de terras não iria ao menos transportá-los.

Enquanto o navio se afastava do porto na cidade de Hamburgo e se dirigia para o mar do Norte, os Morávios de Hernhoot vieram para ver esses dois rapazes partirem. Eram dois rapazes em seus vinte e poucos anos que partiam para nunca mais voltar, pois não seria um período de apenas quatro anos, eles tinham se vendido como escravos para o resto de suas vidas, para que assim, como escravos, pudessem testemunhar de Cristo para os outros escravos. As famílias choraram, porque sabiam que eles nunca iriam vê-los novamente. Eles se perguntavam sobre a ida deles e questionaram se isso seria algo sábio para se fazer. Enquanto o vácuo entre o navio e o porto aumentava, um dos rapazes, com seu braço unido ao de seu companheiro, gritou as últimas palavras ouvidas pelos familiares e amigos que lá se encontravam:  “Que o cordeiro que foi imolado receba a recompensa de Seu sofrimento!”

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e Teologia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Vez ou outra ouço alguém dizer: “fui na igreja, mas entrei vazio e saí vazio”.

Tal afirmação sempre me deixou intrigada. Claro que cada um sabe o “vaso” que tem. Mas algumas coisas nesta frase precisam ser melhor compreendidas, quando ditas por alguém que já recebeu a mensagem do Evangelho, e já tem um relacionamento com Cristo.

1) Entrar na igreja vazio – Emocionalmente, é normal que nós seres humanos, passemos por crises e nos sintamos “vazios”, desanimados, fracos, depressivos. Mas nossa fé não pode ser baseada no que sentimos ou no que vemos. A Palavra afirma que, quando nascemos de novo, o Espírito Santo de Deus passa a habitar em nós. Então, que história é essa de que estamos vazios??? Temos o Espírito Santo e rios de Águas Vivas fluindo do nosso interior. A sensação de “parecer vazio” não corresponde à verdade. Nossa espiritualidade não se mede por sensações emocionais, arrepios ou coração queimando, mas pelo fruto que o Espírito Santo produz em nós no dia a dia. Precisamos crer em Deus e em Sua Palavra e não em nosso enganoso coração.

2) Entrar na igreja –  Já falamos aqui que esta é uma força de expressão, pois ninguém “entra na igreja”. Somos a Igreja! Mas, deixando de ser chatos, e compreendendo o sentido desta expressão como sendo “ir ao culto num templo”, vemos que aqui também contém equívocos. Para quê vamos à igreja?  Para receber? Ou para se doar? Culto é doação, entrega, adoração, gratidão, louvor…  Claro que eu também peço e suplico, mas o foco é Deus e não eu. Então, precisamos reavaliar nossas expectativas antes de entrar num templo para adorar a Deus. “Recebendo” ou não, sentindo ou não, Deus continua sendo Deus, e o culto continua sendo culto. A igreja local existe principalmente para que eu possa expressar meu amor a Deus e ao próximo. E não para eu abastecer o meu vaso com o “azeite do Espírito”.

3) Sair vazio – “Enchei-vos do Espírito”, nos diz a Palavra. Tal postura é um processo diário a ser vivenciado em nosso cotidiano. Não podemos deixar para nos encher na igreja. Isso não vai funcionar!!!! A pregação do pastor, a música da equipe de louvor, a apresentação do Coral, a oração em grupo, e tudo o mais que acontecer num culto, podem ser instrumentos de edificação pessoal, mas nossa expectativa precisa estar em Deus e tão somente Nele. Então, se buscamos a Deus (em casa, no trabalho ou na igreja) e continuamos nos sentindo “vazios”, das duas uma: ou estamos buscando pouco, ou o próprio Deus não está se deixando ser achado, por algum motivo. Às vezes Deus faz isso mesmo. Ele parece esconder-se (Is 45:15), mas está sempre perto (Sl 139) mesmo que não o sintamos. E isso não é culpa do pastor, do ministro de louvor ou do dirigente do culto. Faz parte do processo didático que Deus aplica em nós.

Igreja reunida em culto e adoração

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Está se sentindo vazio?

Primeiro: não confie nos seus sentimentos. Deus continua aí, bem pertinho de você.

Segundo: invista em seu relacionamento com Deus no seu dia a dia: ore, leia a Bíblia, medite na Palavra, jejue, passe tempo em silêncio na presença do Pai, e aguarde. No seu devido tempo, a chuva virá. Essa sensação de vazio desaparecerá. E talvez você compreenderá porquê precisou passar por aquele tempo de deserto espiritual.

E, finalmente, “vá à igreja” para adorar a Deus e para repartir com seus irmãos o que Deus tem lhe dado no secreto do seu quarto, em sua intimidade com Ele. “Vá à igreja” para exercer a comunhão, para interceder pelo seu próximo, para contribuir, para se dar. Pois, o próprio Cristo afirmou: “melhor é dar do que receber”. Quando tiramos o foco das nossas necessidades, as entregamos ao Senhor, e olhamos para o amor de Deus e as necessidades do outro, tudo muda, e o vaso que parecia vazio, de repente, transbordará.

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e Teologia

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Li estupefata alguns comentários ontem sobre os protestos. Alguns veementemente condenando a participação de cristãos na manifestação, sob o argumento de que Jesus, nem os apóstolos nunca fizeram greve ou passeata contra a corrupção da época (!). Será mesmo que alguém, em seu juízo perfeito, acredita que seria possível uma mobilização do povo contra o governo em pleno império romano????? (Sem comentários). Outros inflamados dizendo que não adianta participar de protestos se a pessoa mesma também é desonesta. O que fazer então? Sentar no sofá com um copo na mão e continuar só assistindo aos desmandos deste país?

Confesso, constrangida, que nunca fui uma pessoa muito politizada, apesar de compreender a importância disso. Também sempre tive muito medo de julgar uma pessoa pública, pois sei que não dá para confiar nas notícias. Mas a corrupção e a falta de temor desses políticos e empreiteiros no nosso país chegou a um nível tal que não dá mais para continuar. Conseguiram quebrar a economia do país, acabaram com a Petrobrás, milhões e milhões e milhões de reais deixaram de ser aplicados em saúde, educação, segurança e infraestrutura para custear os caprichos pessoais desses urubus.

Como cristãos, a Bíblia nos orienta a orar pelos nossos governantes, a respeitá-los e a pagar os devidos impostos (Rm 13:1-7). Mas diz também que sempre que uma autoridade – política, eclesiástica ou familiar – exigir algo que esteja fora da ética ou dos princípios do Reino, nosso papel é nos manter fiéis a Deus (Jeremias 22:1-9, At 5:28-29). Jesus, João Batista e os profetas do Antigo Testamento denunciaram reis e autoridades apócrifas e corruptas (Lc 13:32, Mt 14, 1 Re 18:16-18). Muitos foram mortos por isso, afinal, não estavam numa democracia, mas nem por isso se calaram diante do erro.

Autoridades que se afastam dos princípios e valores da Palavra de Deus, não merecem nossa submissão. Devem ser confrontadas e repudiadas. Hitler, Herodes, Calígula, o califado islâmico e o imperador coreano são alguns exemplos do que estou falando. Toda autoridade foi constituída por Deus, mas isso não significa que Deus se agrade de todos.

A lista dos bandidos políticos e empresários no Brasil é grande, e espero que TODOS os culpados sejam devidamente condenados e banidos da vida pública. PT, PMDB, PSDB, independente do partido ou do cargo, que cada um receba a devida punição.

Sabemos que a imprensa não é imparcial e que a “oposição” no Planalto está mais preocupada com seus próprios interesses. O que vejo hoje é o sujo querendo tomar o lugar do mal lavado. Mas isso não pode ser desculpa para nosso comodismo e resignação diante de tanta sujeira.

Não sou inocente a ponto de acreditar que, um dia, a corrupção terá fim, mas preciso crer em dias melhores, preciso ter esperança no ser humano, pois o Criador tem.

Por isso, além de orar, protestar contra a corrupção e votar direito da próxima vez, que que se levantem homens e mulheres íntegros, com um ideal político abrangente, um projeto social digno e inteligente para o Brasil e seus Estados e Municípios. “Bem aventurados os que tem fome e sede de justiça, porque eles serão fartos” (Mt 5:6).

 

Ser Igreja

 

Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e Teologia

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Leia também:

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Os secretários de estatísticas do WordPress prepararam um relatório para o ano de 2015 deste blog.

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 80.000 vezes em 2015. Se fosse o Louvre, eram precisos 3 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Desertos…

Muitas vezes, enfrentamos momentos tão difíceis em nossas vidas, que a sensação é de estarmos num “deserto”. Relacionamentos, emoções, saúde, finanças, parece que nada dá certo. Onde está Deus? Por que Ele não faz alguma coisa? Até quando vamos suportar tanta dor?

Esta mensagem fala um pouco sobre estes “desertos” e nos ajuda a enfrentá-los e vencê-los sobre uma perspectiva correta.

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Veja também:

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Cadernos

Quando eu era adolescente, tinha vários cadernos, cadernetas e fichários de coleções: enquete, músicas para serenata, receitas, poesia, corinhos, trabalhos manuais, desenhos, etc, etc, etc… – É, a vida sem computadores não era fácil, mas divertida, rs.

No meio de toda a papelada, eu tinha também uma caderneta onde anotava as frases “famosas” e interessantes que lia ou ouvia por aí… Uma dessas frases dizia que a vida do cristão é como uma vela, que ilumina à medida que se consome. Me lembro que na época achei a frase exagerada e depressiva, mas anotei. Hoje eu sei que isso é real. Se deixar gastar e desgastar por amor a Cristo é o sentido da vida do cristão.

Hoje, rumo aos 50 anos de idade (uhulll), sigo com a alma cheia de cicatrizes que vieram ao longo da caminhada. Algumas por imprudência minha mesma (talvez a maioria, rs), outras como fruto das lutas e guerras travadas no dia a dia, e outras surgiram pelo simples fato de eu estar cercada por seres humanos…

Aprendi que, enquanto eu viver, outras feridas virão e precisarão ser igualmente tratadas e curadas.

Confesso que todos os dias eu penso em desistir, aposentar, “mudar de ramo” rs, mas imediatamente me lembro que não tenho esse direito. O “Dono da vela” fez muito mais por mim, e me separou para este trabalho. Por isso, enquanto o meu pavio durar, quero melhorar, quero amadurecer, e quero continuar sendo consumida por esta chama que ao mesmo tempo me sustenta. Até chegar o dia em que Deus limpará de meus olhos toda a lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas terão passado (Apoc. 21:4).

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Post by Márcia Rezende no dia do seu aniversário de 49 anos. Márcia tem dois filhos (também já casados) e exerce o ministério pastoral juntamente com seu esposo na 3ª Igreja Batista de Marília. Ela trabalha integralmente na obra de Deus desde os 12 anos de idade e ama ver o pôr do sol.

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