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Archive for agosto \21\UTC 2016

Ryan Lochte, Ananias e outras manchetes

 

Durante as Olimpíadas do Rio, uma imbecilidade do grande nadador medalhista Ryan Lochte ganhou as manchetes do mundo. Embriagado, depois de uma noitada, disse que havia sido assaltado para encobrir um episódio de vandalismo, mas a mentira foi desmascarada, e sua imagem antes heroica, desmoronou como um castelo de areia na beira do mar .

Esta história me fez lembrar de outra, não menos bizarra, ocorrida em Israel há mais de dois milênios: a do casal Ananias e Safira.  Jerusalém não estava em Olimpíadas nem nada, mas poderíamos dizer que era um tempo especial. Um tempo onde a igreja cristã dava seus primeiros passos, e ainda nem nome tinha. Todos os que criam no “Caminho” – JESUS – eram batizados, passavam a fazer parte daquela comunidade, e começaram a vender voluntariamente tudo o que tinham a fim de doar para a comunidade.

E da multidão dos que creram, um só era o sentimento e a maneira de pensar. Ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si. Com grande poder os apóstolos continuavam a pregar, testemunhando da ressurreição do Senhor, e maravilhosa graça estava sobre todos eles. Não havia uma só pessoa necessitada entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o depositavam aos pés dos apóstolos, que por sua vez, o repartiam conforme a necessidade de cada um. (Atos 4:32-35)

Aconteceu que um tal de Ananias, depois de também vender sua propriedade, não quis doar tudo para a igreja (um direito seu, já que ninguém o estava obrigando a nada) e, em vez de falar a verdade, mentiu, escondeu para si o próprio dinheiro (!).  Foi imediatamente fulminado em decorrência disto. Este fato foi transcrito na Bíblia (Atos 5:1-11) e, até hoje, sua história é contada e seu nome é tristemente lembrado.

O que Lochte e Ananias tem em comum? E o que as histórias deles dois tem em comum com dezenas de outras que presenciamos todos os dias?

Ryan Lochte e Ananias erraram, mentiram, pecaram. E, em poucos minutos, conseguiram destruir o que levara anos para ser construído.

Lamento a história destes dois e a história de tantos outros, amigos e conhecidos, privilegiados com dons e talentos raros, extremamente carismáticos, com um futuro inteiro pela frente e que tanto poderiam contribuir para o Reino de Deus, mas que, em poucos minutos, não foram suficientemente inteligentes para raciocinar com clareza e jogaram tudo para o alto. Ou melhor, jogaram tudo no lixo. Cederam às suas próprias tentações e viraram manchete nas rodinhas de bate-papo.

Apostasia

Furto, adultério, mentira, fornicação, pornografia… não importa o nome do pecado, o fim é sempre o mesmo. Nada fica por muito tempo escondido no Corpo de Cristo. Mais cedo ou mais tarde, toda sujeira vem à tona, e neste momento, pastores são exonerados, diáconos são disciplinados, missionários são destituídos, ministros são desmoralizados, projetos e sonhos são frustrados, famílias inteiras são destruídas. E então, vê-se que não valeu a pena.

Ministerialmente falando, o próprio Jesus alertou: “a quem muito foi dado, muito será cobrado” (Lucas 12:48). Quanto maior a visibilidade de um líder e sua influência, mais lhe será exigido, e mais caro lhe custará cada erro. Alguns, depois do “desastre”, conseguem se reerguer graças à misericórdia de Deus, feridas são tratadas e curadas, mas na maioria das vezes as cicatrizes deixadas são tão grandes que o ministério antes grandioso e promissor é resumido a algo minúsculo e pouco influente.  E o que dizer daqueles que, tendo uma segunda chance, ainda conseguem cair na mesma armadilha pela segunda vez??!! Lastimável…

Dói na alma cada vez que penso no quanto “Fulano” seria útil ao Reino se não estivesse se afastado. No quanto “Ciclano” seria bênção naquela situação se ainda estivesse no ministério. E não adianta vir colocando a culpa em Satanás, pois este faz apenas o que lhe é próprio: apresentar oportunidades de nos afastar de Deus e dos planos Dele para nós. Temos autonomia e poder em Jesus para vencer as tentações e escolhermos o caminho certo.

Nunca saberemos, por exemplo, o que Sansão teria feito se não tivesse caído (Juízes 16), ou qual o futuro de Ananias, se tivesse se arrependido a tempo. Também não sabemos o que acontecerá com Ryan Lochte. Mas o que estas histórias podem nos ensinar:

  1. Qualquer um está sujeito a errar.
  2. O direito da escolha diante da tentação está sempre em nossas mãos.
  3. Podemos escolher se vamos ou não pecar, mas não podemos escolher as consequências que nossos pecados alcançarão (mesmo depois do arrependimento).
  4. Todo erro, mais cedo ou mais tarde, será descoberto.
  5. O pecado sempre tem um preço, e é alto.
  6. Um momento de imbecilidade pode destruir para sempre tudo o que levamos a vida toda para construir.
  7. Deus nos deu um ministério, um dom, uma missão, e não vale a pena trocar tudo isso por alguns minutos inglórios de pecado.
  8. O pecado não compensa.

Que eu e você permaneçamos alertas e vigilantes.

Antes de fazer uma besteira, procure ajuda. Quem confessa suas tentações, não precisará confessar seus pecados.

É verdade que o preço a ser pago para seguir a Jesus muitas vezes parece alto, mas Deus sabe o que é melhor para nós. Então, confie Nele e o obedeça, custe o que custar, sabendo que, o preço da desobediência lhe custará a própria vida.

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Educação Religiosa e em Teologia

e Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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