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Archive for março \29\UTC 2015

Quais mandamentos e preceitos do Antigo Testamento devem ser seguidos nos dias de hoje?

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Muitas vezes ficamos em dúvida sobre algumas ordenanças que encontramos na Bíblia:

“Não chegarás à mulher durante a separação da sua imundícia…” Lv 18:19

“Não deixem viver a feiticeira…” Ex 22:18

“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na descansar…” Ex 23:10

“Frutificai e multiplicai-vos…” Gn 1:28

“Com homem não te deitarás como se fosse mulher, abominação é…” Lv 18:22

“Não cozinhem o cabrito no leite da própria mãe…” Ex 23:19

“Honra teu pai e tua mãe…” Dt 5:16

“O sétimo dia é o sábado do Senhor; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo…” Ex 20:10

“Não vestirás roupa de diversos estofos misturados…” Lv 19:19

“Não fareis tatuagens sobre vós…” Lv 19:28

Enfim, todas as ordenanças permanecem válidas nos nossos dias? No tempo da graça precisamos continuar obedecendo aos mandamentos do Antigo Testamento? É possível que uma Lei Espiritual venha com “prazo de validade”?

 

Identificando o contexto  

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça.” (1 Tm 3:16) e também que “…passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”, diz o Senhor (Mc 13:31). Isso significa que tudo o que está na Bíblia foi válido para as pessoas da época em que cada texto foi escrito, é válido para a nossa vida nos dias de hoje, e será válido para todas as próximas gerações, por todo o sempre. Tudo está “em vigor”. A questão é que há uma distinção entre aquilo que pode ou deve ser aplicado diretamente (exatamente como está escrito) e aquilo precisa ter apenas seu o princípio espiritual obedecido.

Todos os textos bíblicos – profecias, mandamentos, promessas, princípios, valores… – precisam ser entendidos dentro de seu contexto. Isso não se limita a ler alguns versículos antes e depois do texto, mas compreender o sentido geral do livro em que ele está inserido e também o que a Bíblia, em seu todo, afirma a respeito.

A Lei de Moisés é composta por 10 mandamentos e 613 preceitos morais, civis e cerimoniais. Um critério básico para saber se um determinado preceito foi dado por Deus não só para aquela época, mas também para nós, é procurar outros textos na Bíblia que falem sobre o assunto. Se o mesmo preceito foi reforçado pelos profetas, ensinado por Jesus e recomendado nas cartas do Novo Testamento às igrejas, está claro que é algo que deve ser obedecido em todas as épocas. Mas, se ele não foi mais citado em lugar algum, provavelmente trata-se de algo específico para o povo hebreu daquele tempo, e devemos extrair apenas o princípio espiritual por trás daquele preceito a fim de obedecê-lo.

Por exemplo: Há vários textos no Antigo Testamento alertando sobre alguns tipos de carne que não deveriam ser comidas pelo povo de Deus, por serem consideradas “imundas” (Lv 11:1-47), dentre elas coelho e carne de porco. Entretanto, não vemos Jesus reforçando este mandamento, mas sim ensinando a seus discípulos que o que entra pela boca não pode contaminar o coração (Mc 7:14-19). E, quando lemos o Novo Testamento, encontramos afirmações como: “O Reino de Deus não é comida nem bebida…” (Rm 14:17), “o que comemos não nos faz agradáveis a Deus…” (1 Co 8:8), “não chame de impuro ao que Deus purificou…” (At 10:15) e “ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festa… ou os sábados… que são sombras das coisas futuras” (Co 2:16-17). Alguma contradição nos ensinos do Antigo e do Novo Testamento? Certamente NÃO. O que temos aqui é o princípio da separação entre o puro e o impuro aplicado através da lei que distinguia animais puros dos impuros. O princípio permanece para sempre: Deus faz separação entre o puro e o impuro, entre santidade e iniquidade, entre o pecador que foi justificado e o que não foi. Jesus foi o cordeiro puro, sem mácula, oferecido a Deus como sacrifício definitivo por nossos pecados. Mas hoje, o fato de comer ou deixar de comer certos alimentos não influencia na nossa pureza ou impureza espiritual. A dieta da época tinha um fim didático e hoje é desnecessária.

O mesmo acontece com relação à proibição de se trabalhar no dia de sábado (Ex 20:10). Jesus trabalhou no sábado (Mc 2:23-28), o concílio de Jerusalém concluiu que os gentios não precisavam guardar o sábado (At 15:28-29), Paulo disse à Igreja que ninguém deve ser julgado por guardar ou não o sétimo dia (Gl 4:9-11), não vemos no Novo Testamento uma orientação no sentido de que os cultos cristãos deveriam ser no sábado (At 20:7 e 1 Co 16:1-2), e Cl 2:16-17, Mt 11:28 e Hb 4:9-11 explicam que o descanso do sábado era a sombra do descanso espiritual que há em Cristo Jesus e que será plenamente cumprido na eternidade.

Mas nem tudo na Lei ou no Antigo Testamento são apenas “sombras” que apontavam para o Messias, ou cumpriam apenas um fim didático. Mandamentos como: “não adorar outros deuses”, “não mentir”, “honrar pai e mãe”, e tantos outros, são encontrados por toda a Escritura, significando que devem ser seguidos em sua inteireza.

 

O mesmo se aplica a algumas recomendações feitas às igrejas, nas cartas neotestamentárias:

“Não ireis pelo caminho dos gentios… mas tão somente às ovelhas perdidas da casa de Israel…” Mt 10:5-6

“Vendei tudo o que tendes e dai esmolas…” Lc 12:33

“As mulheres estejam caladas nas igrejas…” 1 Co 14:34

“Vós, escravos, sujeitai-vos aos senhores, não somente aos bons mas também aos maus…” 1Pe 2:18

“Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho…” 1Tm  5:23

“Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo…” 1Co 16:20

“Se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também…” 1Co 11:6

“O homem, pois, não deve cobrir a cabeça…” 1Co 11:7

Estes são alguns exemplos de preceitos específicos para o contexto cultural em que cada igreja estava inserida, e não devem ser interpretados como um mandamento de Deus para todas as culturas, em todos os tempos.

Além da análise de um determinado texto à luz do que diz as demais Escrituras sobre o assunto, vale lembrar o que Jesus disse sobre o mandamento que resume todos os outros: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento e amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt 22:37,39). Na dúvida sobre o que fazer ou deixar de fazer, este é o padrão. Tal atitude vai expressar o meu amor a Deus e ao próximo? Em meu lugar, o que faria Jesus?

A verdade é que, quanto mais conhecemos a Deus e sua Palavra, menos temos dúvida sobre o que Ele espera que sejamos ou façamos. Portanto, “conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor.” (Os 6:3).

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Ser Igreja

 

Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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cinzas

Por David Riker 

De fato, nossas “cinzas” têm muitos tons. Esse pó que se levanta e nubla o mundo. Símbolo de uma angústia gemidora que se dispersa por toda a realidade. Desafortunadamente, tão típica desse território do infeliz homem que se basta.

Mesmo lá no sexo – território tão divino, vivaz, rico, íntimo e gentil em seu poder. Até aí, as cinzas são violência desumanizadora. Tal película de cinzas cobre ruínas daquilo que já foi Éden. Caem como nuvem de corrupção no humano que se desfaz em solidão faminta.

Quando foi que nos tornamos predadores de vida alheia para alimentar nossos gostos bizarros?

Não há esperança para o homem, no homem. Somos, sem o Criador, cacos. Somos “Des-criação”. No fundo, não somos. O que nos sobra são cinzas. Em seus diversos tons. Formas diferentes de experimentar-se como cadáver.

Talvez foi por isso que doeu-se o poeta inglês T. S. Eliot:

“Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!”

Concordo com ele, contudo desejo concluir este inquietante texto, em outro tom. Para tal, uso-me do profeta — porque não também chamá-lo de poeta? — que descreve o anseio divino:

“… ordenar a cerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas…” (Is 61.3).

Assim exultamos. Nosso Criador, em seus múltiplos tons de cor, nossa vida é.

 

• David Riker é formado em Arte-Educação (UFPA), em Teologia (STEBNA) e graduando em Filosofia (UNIASSELVI). Pastor auxiliar da Igreja Batista da Amazônia, em Belém (PA) e diretor do Ministério “Sexualidade e Restauração”.

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Perdas

Sim, hoje é o Dia Internacional da Mulher. Mas algumas perdas são tão dolorosas que suas feridas parecem nunca cicatrizar… Elas se abrem e sangram diante de pequenos detalhes, pequenos cantinhos empoeirados da memória, cuja poeira é soprada por datas como esta… Detalhes que nos remetem às lembranças do que perdemos e dos devaneios do “quão bom seria se” tudo tivesse sido diferente…

A presença dessas feridas nos dão a convicção de que nunca mais seremos os mesmos… Mas a mesma esperança que nutriu o coração de Jó, é a que nos mantém em pé.

Ser Igreja

perdas

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As perdas fazem parte da vida.

Na infância, perdemos aquela roupa que não serve mais, perdemos o brinquedo que se quebrou, perdemos a vez na brincadeira em grupo, perdemos “vidas” no vídeo game…

À medida que crescemos, as perdas vão se tornando mais significativas. Perdemos o namorado, perdemos o horário da primeira aula, perdemos aquela chance no primeiro emprego, perdemos a vaga no vestibular…

Ah, as perdas!

A vida segue, e muitos perdem seus entes queridos, perdem os filhos que batem asas e abandonam o ninho, perdem o negócio, perdem bens preciosos, perdem o casamento, perdem a saúde.

Lidar com as perdas é sempre difícil. Algumas são tão dolorosas que temos a nítida sensação de que estão nos arrancando um pedaço do nosso fígado a sangue frio.

Vazio, dor, solidão, fracasso, desespero, angústia, frustração… muitas emoções misturadas surgem através da perda.  Quando o trauma é muito grande, parece que…

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