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Archive for setembro \24\UTC 2014

 

TIBMM

O que é igreja? Uma cidade realmente precisa de igreja? Qual o diferencial de uma igreja na vida de uma família ou na sociedade? Qual o papel da religião em nosso relacionamento com Deus? Há, de fato, motivos reais para se comemorar, quando uma Igreja alcança mais um ano de existência? Essas e outras são perguntas relevantes que borbulham na mente de muitos e merecem ser respondidas.

A palavra “religião” (existente em português desde o século 13) é um termo derivado do latim religio ou religionis – culto, prática religiosa, cerimônia, lei divina, santidade”. A raiz deste termo pode vir de duas vertentes: “relegere” ou “religare” (a alternativa tradicionalmente mais aceita).

Relegere significa “reler, revisitar, retomar o que estava largado”; e religare é “religar, atar, apertar, ligar bem”. Ambos os verbos expressam muito bem a essência da religião, já que o ser humano foi criado em plena comunhão com o Criador, mas teve essa comunhão rompida por causa do pecado. Como o homem perdeu o seu estado de inocência, não pode mais permanecer ligado a Deus, que é santíssimo. A “religião” seria, então, uma nova ligação entre Deus e o homem, ou, segundo Cícero, a “retomada de uma dimensão (espiritual) da qual a vida terrena tende a afastar os homens”.

Conforme o próprio Deus deixou escrito em sua Palavra, o único caminho capaz de conduzir esta religação do humano com o divino é JESUS CRISTO. Ele é o Deus que encarnou a forma humana a fim de cumprir, em si mesmo, o sacrifício pelo pecado: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem; o qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos” (está escrito em 1 Timóteo 2:5-6).  Sabemos que muitos outros caminhos, além de Jesus, foram (e estão sendo) desenhados na tentativa de reaproximar o homem de Deus. Mas o único com atributos suficientes para pagar o preço do pecado em nosso lugar, e o único que morreu e ressuscitou, é também o único que pode nos garantir a absolvição e a vida eterna. E foi esse Cristo que, enquanto homem, criou a “Igreja”: um grupo de pessoas que aceitou ser seus discípulos.

Não é errado referir-se a prédios e templos genericamente como “IGREJAS”, mas não há que se esquecer seu verdadeiro significado: gente!

Em Cristo, os filhos de Deus não precisam se dirigir a um lugar para se encontrar com o Pai Celestial, pois cada um possui em si mesmo, seu Espírito. Não obstante, toda IGREJA (pessoas) necessita de um lugar para se reunir e servir a Deus em comunhão uns com os outros. No início do Cristianismo, as reuniões aconteciam nas casas dos cristãos. Alguns séculos depois, começaram a construir templos para as igrejas se congregarem e cultuarem a Deus. Tal prática tornou-se comum no Brasil até o século 20, quando algumas comunidades cristãs começaram a se reunir também em salões e outros espaços tais como: auditórios de hotéis, cinemas desativados, tendas, etc…

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ser igreja

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Diferentemente do pensamento de muitos, Igreja não é invenção de homens. Ela nasceu no coração de Deus e faz parte do seu projeto desde o princípio. A própria Bíblia compara o cristianismo a um corpo humano, onde Cristo é a cabeça e a igreja são seus membros. É na igreja que o poder divino se manifesta em amor, compreensão, gratidão, perdão, generosidade. É na igreja que o Espírito Santo opera gerando transformação, arrependimento, cura interior, crescimento espiritual. É na igreja que cada membro é moldado, forjado, lapidado e aperfeiçoado. E é através da igreja que o amor de Deus alcança a sociedade, levando alegria, esperança e consolo em meio à sofreguidão da alma, do físico e dos relacionamentos interpessoais.

Alguém já disse uma vez: “Há duas coisas que um homem não pode fazer sozinho: casar e ser cristão”. Cristianismo é relacionamento, não só com Deus, mas também com outros que possuam a mesma visão, a mesma fé, os mesmos propósitos. E a igreja, enquanto comunidade, é o local onde tais relacionamentos nascem, fluem e se desenvolvem.

A existência de igrejas numa cidade impede que a sociedade se apodreça de vez. São luzeiros em meio às trevas da imoralidade, da pobreza, da marginalidade. Cada pessoa que é alcançada pelo poder que flui através da igreja, torna-se um agente de milagres a mais na comunidade, e um possível delinquente a menos a ameaçar a paz e a segurança dos nossos lares.

Em suma, a Igreja é, na Terra, um pedaço do Céu. Mas, como ninguém ainda é perfeito, a Igreja, claro, torna-se uma comunidade imperfeita, apenas uma “sombra” da perfeição do Reino de Deus. O milagre está no ajuste de uma cabeça perfeita (Cristo) a um corpo extremamente problemático.

E é por causa dos problemas inerentes a qualquer comunidade cristã, que não é difícil encontrarmos pessoas que, decepcionadas, entristecidas e/ou feridas com o sistema eclesiástico, se revoltam com a igreja e seus crentes.  “Parem o trem, eu quero descer!” gritam na alma em momentos de desespero. E alguns realmente pulam do trem, optam por abandonar o sistema, abrir mão dos rótulos, romper com tudo… e hoje fazem parte dos chamados “sem-igreja”.

É certo que multiplicam-se a cada dia os charlatões que se dizem pastores/bispos/apóstolos/querubins… Certa também é a farta presença da hipocrisia e do legalismo no meio cristão. Mas, significaria isso a falência da igreja institucional? NÃO! Mil vezes não!

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É impossível amar a Deus e não amar a Igreja, que é sua extensão.

Problemas já existiam nos tempos de Jesus, marcaram presença na igreja primitiva e continuarão existindo até a volta de Cristo.

Ovelhas rebeldes, cristãos imaturos e crentes carnais sempre fizeram parte do lado espinhoso do ministério de quem trabalha com pessoas dentro da igreja.

Pastores charlatões e lobos em pele de ovelhas sempre brotarão nos solos evangélicos, seja nos grandes templos, nas estações, ou nas reuniões de oração dos “crentes-sem-igreja”.

Onde houver ovelha, haverá bode. Onde houver árvore, haverá erva daninha. Onde houver trigo, haverá joio. Por quê? Porque onde houver gente, haverá problema! Mas mesmo com todas as dificuldades, sujeiras e limitações, a igreja ainda é o lugar que, em toda a Terra, mais se assemelha ao Céu.

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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