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Archive for março \22\UTC 2014

Manifestação das ovelhas

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Estima-se que haja outra igreja fora da Igreja. São os chamados “desviados” ou os “sem-igreja”. Essa multidão se desviou da igreja alegando que:

a)   Não recebeu “nenhuma” visita nem dos irmãos nem do pastor,

b)   Foi muito magoado por algum irmão ou pelo pastor,

c)   Na congregação não há amor,

d)   Há muita hipocrisia no seio da Igreja,

e)   Os cultos não agradam mais, são chatos e cansativos,

f)    A sua bênção está demorando,

g)   A doutrina da denominação é tradicional etc, etc, etc.

Agora, você quer saber mesmo por que as pessoas se afastam da Igreja de Jesus Cristo? Então, prepare-se. Elas realmente se desviaram porque:

1)   Não querem ou não sabem perdoar ou pedir perdão.

2)   Querem ser servidas pela Igreja. Não querem servir à Igreja. Desejam ser tratados como famosos e estrelas dentre os comuns mortais.

3)   Cederam às tentações e pecaram. Pecaram feio e, agora, por causa da vergonha e da culpa, não encontram ocasião para retornar para o aprisco do Senhor.

4)   Encheram-se de soberba. Crentes inchados, cheios de si mesmos, querem ser paparicados e bajulados. Quando recebem o tratamento que a sua conduta orgulhosa pede, ficam amuados e ressentidos. Por que não são “o centro”, saem da Igreja.

5)   Foram seduzidas pelos “lobos”. Os falsos pastores seduzem as ovelhas tolinhas com promessas de “mais poder”, “mais milagres”, “mais amor”, “mais dinheiro”, mais tudo que elas precisarem no momento, para logo, em seguida, usarem e abusarem delas.

6)   Deixaram a fé  esfriar. Igrejas morrem, crentes também. Seduzidos pelos apelos do “mundo”, pela soberba da vida, pelos desejos da carne, muitos irmãozinhos se afastaram dos grupos de Estudo da Palavra, dos cultos de oração, das reuniões especiais – isso tudo, depois de pararem de ler a Palavra, de orar, de se humilhar e de buscar a face do Senhor.

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É claro que há gente que abandona uma determinada igreja local também por alguns motivos justos. Mas, o que acontece em muitos casos é brincadeira…

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Autor: Pr. Geraldo Magela

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“Para um tempo como este”

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"Um tempo como este"

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INTRODUÇÃO

O povo judeu, por volta do ano 586 a.C., foi levado para a Babilônia como escravo, deixando para trás a cidade de Jerusalém totalmente destruída. Passados setenta anos, o Rei Ciro (persa que conquistara o Império Babilônico) libera os judeus para voltarem a Jerusalém. Muitos voltaram, mas muitos também permaneceram nas províncias da Babilônia, agora sob o domínio da Pérsia. Dentre os que permaneceram, está a família de Mardoqueu e Ester, judeus da tribo de Benjamim. Numa determinada ocasião, quando planejava suas guerras contra a Grécia, o rei Assuero (cujo nome verdadeiro era Xerxes), sucessor de Ciro, destituiu sua esposa Vasti da posição de rainha por ter sido desonrado publicamente por ela, e após uma cuidadosa seleção, escolheu e nomeou Ester como sua nova rainha. Mas o povo judeu tinha muitos invejosos no império, dentre eles, Hamã, que enganou o rei e o convenceu a lançar um decreto para destruir todos os judeus em todas as províncias da Pérsia. Dentro deste contexto de iminente destruição é que Mardoqueu pede à Ester que interceda junto ao rei e impeça o cumprimento deste decreto.

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OS DOIS DECRETOS

Identificamos no tempo de Ester a existência de dois decretos sobre o povo judeu:

  1. O decreto do rei Xerxes ordenando que todos os judeus fossem mortos: “Chamaram os escrivães do rei no primeiro mês, no dia treze do mesmo e, conforme a tudo quanto Hamã mandou, se escreveu aos príncipes do rei, e aos governadores que havia sobre cada província, e aos líderes, de cada povo; a cada província segundo a sua escrita, e a cada povo segundo a sua língua; em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se selou.
    E enviaram-se as cartas por intermédio dos correios a todas as províncias do rei, para que destruíssem, matassem, e fizessem perecer a todos os judeus, desde o jovem até ao velho, crianças e mulheres, em um mesmo dia, a treze do duodécimo mês (que é o mês de Adar), e que saqueassem os seus bens.” Ester 3:12-13
  2. O decreto de Deus confirmando sua aliança eterna com seu povo: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti.
    Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim.” Isaías 49:15-16. Leia também Jeremias 32:36-40.

Em nossos dias também podemos identificar estes dois decretos sobre as nossas vidas: o decreto do inimigo e o decreto de Deus.

Sempre haverá decretos de morte sobre a nossa vida: morte dos sonhos, do ministério, do casamento, da alegria, da fé, da esperança, do poder, da honestidade, da justiça.

Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda ao derredor, bramando como leão e buscando a quem possa tragar. 1 Pe 5:8

Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo. Lc 22:31

Sim, há um decreto de morte sobre a minha e a sua vida neste momento, mas há também um decreto de bênção, de vida e de salvação sobre cada um de nós, da parte do nosso Deus.

Este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo. Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. 1 Jo 4:3-4

O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Mas eu vim para que tendes vida, e a tenham em abundâcia. Jo 10:10

Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. 1 Jo 5:4

Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor. 1 Co 15:57-58

Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo, não pasmes nem te espantes, porque o Senhor é contigo por onde quer que andares. Josué 1:9

Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Rm 8:28 e 37

Agindo Deus, quem impedirá? Is 43:13.

Não podemos ignorar os ataques do maligno sobre nossas vidas, nossas famílias, nossos relacionamentos, nossa sociedade. Há um decreto de morte para nos destruir e nos impedir de cumprir os propósitos de Deus. Mas há também um decreto de vida e vitória da parte do Senhor. Promessas infalíveis do Pai de Amor e uma aliança eterna e irrevogável com todo aquele que a Ele um dia se entregou.

A Rainha Ester tinha sobre si também estes dois decretos, e viu-se diante de um dilema. O quê fazer para que neutralizar as forças do mal? Como agir? Que atitude tomar?

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AS DUAS ESCOLHAS

Mediante tais decretos espirituais que existem sobre nossas vidas teremos sempre duas alternativas: nos calarmos ou fazermos alguma coisa.

Muitas vezes nos acomodamos na “Casa do Rei”, e nos esquecemos de que há uma batalha lá fora! Nos ocupamos e distraímos com nossos próprios problemas. Como Jó, nos assentamos nas próprias cinzas e passamos o tempo raspando nossas próprias feridas, com pena de nós mesmos, lamentando a nossa sorte. Até sabemos que há um chamado de Deus para as nossas vidas, mas o adiamos para quando os problemas forem resolvidos ou para quando estivermos preparados:

Se a minha casa fosse maior eu seria hospedeira de Célula…

Se eu tivesse um carro eu participaria das vigílias…

Quanto eu tiver mais dinheiro eu vou contribuir para os missionários…

Quando eu tiver terminado a faculdade eu vou fazer a obra de Deus…

Se eu tivesse uma boa saúde eu oraria mais

“Meu problema é o meu emprego”, “Meu problema é que eu não tenho um emprego”, “Meu problema é meu marido”, “Meu problema é que eu não tenho um marido”, e por aí vaiE assim vamos procrastinando nossas decisões, adiando nossa obediência e justificando nossa omissão.

Mas a verdade é que há uma guerra acontecendo lá fora, e Deus tem um propósito para esta geração; se nós nos calarmos, Ele usará um ímpio, uma pedra, ou uma mula se for preciso, mas vai cumprir o seu propósito. Enquanto isso, vamos ficar para trás e perdermos a bênção que estava preparada para nós.

O tempo está acabando! Precisamos nos despertar para a nossa missão e, como Ester, confiar que Deus cuidará do resto.

Deus nos diz: “Seja fiel no pouco e sobre o muito te colocarei”. Então, não espere ter muito ou chegar no muito para só então começar a ser fiel. Se você tem pouco, hoje, ofereça a Deus este pouco. Pouco tempo, poucos recursos ou pouca habilidade, o seu “pouco” é tudo o que Deus quer e precisa para fazer muito. O tempo é hoje, é agora!

Ser espiritual não é andar por aí “em transe”, levitando, orando em línguas, cantando hinos espirituais e se isolando do mundo. Ser espiritual e pensar nas coisas que são de cima, é se manter alerta e vigilante e, em todo o tempo, buscar oportunidades para testemunhar do amor de Jesus e glorificar o seu nome. Na fila do Banco, no ônibus, na faculdade, no trabalho, em casa… Cada lugar onde pisamos pode ser o nosso campo missionário. O tempo está acabando!

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CONCLUSÃO

A rainha Ester se posicionou, correu os riscos necessários, e agiu em favor do povo. Sua atitude repercute positivamente até os dias de hoje! Em princípio, ela teve medo de agir, mas Mardoqueu lhe mostrou que as consequências de permanecer calada seriam bem piores.

Mardoqueu mandou que respondessem a Ester: Não imagines no teu íntimo que, por estares na casa do rei, escaparás só tu entre todos os judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? Ester 5:13-14

Deus havia colocado Ester no trono da Pérsia para livrar o seu povo. E hoje, Deus tem colocado cada um de nós no lugar onde estamos para trazer salvação e cura para esta geração. Não reclame do lugar onde você está, mas enxergue-o como uma oportunidade de transformá-lo com a Graça de Cristo.

É verdade que muitas vezes agir é difícil, penoso, envolve riscos, e haverá sempre um preço a ser pago, mas permanecer calado sempre será bem pior.

Vivemos num tempo como este para sinalizar a chegada do Reino de Deus. É tempo de não perder tempo com distrações ou cinzas no meio do caminho, mas firmar nossos olhos em Cristo, e cumprir os propósitos do nosso Senhor para as nossas vidas.

Problemas sempre existirão. Então, não se deixe dirigir por eles. Entregue-os a Deus, e faça o que precisa ser feito.

Como diz uma conhecida música do Pregador Luo: “Meus pés inchados doem de tanto caminhar, mas vou continuar, pois tenho lutas pra travar. Deixe sangrar!”

Há um decreto de morte sobre as nossas vidas e a nossa geração. E Deus tem nos chamado, não só para resistirmos a estes decretos, mas também a ajudar outros a fazerem o mesmo.

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” (2 Tm 1:7)

“E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco. Amém.” (Rm 16:20)

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Ser Igreja

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Antigo Testamento

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PREFÁCIO

Muitos leitores têm dificuldade em compreender a história do Antigo Testamento na Bíblia, pelo fato dos livros canônicos não estarem em ordem cronológica, mas sim organizados em categorias de similaridade: Pentateuco (lei de Moisés), livros históricos, livros poéticos e livros proféticos (profetas maiores e menores). Se, por um lado, esta organização bibliográfica auxilia na compreensão do propósito e estilo de cada livro, por outro, dificulta a compreensão da sequencia dos fatos, fazendo com que as histórias e personagens se confundam em meio a um pano de fundo aparentemente obscuro.

Além disso, por conta de se passar num tempo tão distante do nosso e conter narrativas tão distantes da nossa realidade, muitas vezes o mais cômodo mesmo é abandonar a leitura.

Entretanto, sabemos que “toda a Palavra é divinamente inspirada e útil…”, e aquele que deseja, de fato, conhecer a Palavra de Deus, não pode simplesmente ignorar o Antigo Testamento.

Na tentativa de facilitar o entendimento e dar uma visão panorâmica da história do Antigo Testamento, segue um breve resumo da mesma, contendo os principais fatos e personagens, bem como os locais e datas aproximadas de cada acontecimento.

ATENÇÃO: As frases em itálico correspondem a informações extra-bíblicas, baseadas em pesquisas e estudos históricos e arqueológicos.

Que este resumo do Antigo Testamento o ajude a viajar pelas Escrituras, mergulhando na rica Palavra de Deus e, extraindo dela, o conhecimento necessário para gerar vida em seu coração.

Boa leitura!

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1. SÍNTESE PANORÂMICA

  1. Deus efetua a criação do universo e de tudo que nele há.
  2. O homem cai em tentação e se corrompe com o pecado.
  3. Os descendentes de Adão e Eva dão origem às primeiras civilizações.
  4. O pecado se multiplica.
  5. Deus manda o dilúvio para julgar a Terra.
  6. Recomeço da humanidade com os descendentes de Noé.
  7. Origem das línguas – Torre de Babel.
  8. Origem das nações (descendentes de Sem, Cão e Jafé).
  9. Chamado de Abraão em Ur dos Caldeus.
  10. Peregrinação dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó em Canaã.
  11. José, filho de Jacó, é vendido para o Egito.
  12. Toda a família de Jacó se muda para o Egito.
  13. Os descendentes de Jacó tornam-se escravos do Egito.
  14. Após 400 anos, Deus manda Moisés liderar a libertação do seu povo.
  15. Dez pragas do Egito.
  16. Travessia dos israelitas pelo Mar Vermelho.
  17. Peregrinação de 40 anos do povo pelo deserto.
  18. Morre Moisés.
  19. Conquista da terra prometida sob a liderança de Josué.
  20. Divisão da terra entre as 12 tribos.
  21. Morre Josué e Israel é governada por juízes (Sansão, Gideão, Débora…).
  22. O povo pede um rei e Israel passa a ser uma Monarquia.
  23. Reinado de Saul, Davi e Salomão.
  24. Israel se divide em dois reinos: Norte (Israel) e Sul (Judá).
  25. Destruição do Reino do Norte – Israel – pelos assírios.
  26. Judá (o Reino do Sul) perdura sozinho por mais 136 anos.
  27. Judá é levado cativo para a Babilônia.
  28. 70 anos depois, os judeus voltam para Jerusalém.
  29. Reconstrução do Templo.
  30. Reconstrução dos Muros de Jerusalém.
  31. Período interbíblico – 400 anos de silêncio de Deus.
  32. Nascimento do Salvador.

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2. A HISTÓRIA DO ANTIGO TESTAMENTO NUM BREVE RESUMO

1. OS PRIMÓRDIOS

Base bíblica: Gênesis 1 a 11

 

No princípio, num determinado momento de sua eternidade, Deus criou todo o Universo e tudo o que nele há. Criou também o planeta terra, com tudo o que nele há: as plantas, os animais, e também o homem e a mulher, o primeiro casal.

O ser humano foi criado à imagem e semelhança do Criador, e vivia em perfeita comunhão com Deus. Aos humanos foi dada a responsabilidade de governar e cuidar do planeta.  Mas o homem, sendo tentado pelo diabo, caiu em tentação, se rebelou contra Deus e desobedeceu às suas instruções, fazendo com que toda a raça fosse, assim, contaminada pelo pecado, e condenada à morte e à perdição de uma eternidade sem Deus.

Adão e Eva (o primeiro casal) tiveram muitos filhos e filhas. Surgiram as primeiras famílias, primeiras cidades e primeiras civilizações. O número de habitantes foi se multiplicando, e se multiplicando também foi a maldade do homem. Passaram-se muitos séculos e a maldade na Terra chegou a um nível insuportável. Apenas um homem chamado Noé, habitante da Mesopotâmia, foi achado justo. Foi quando Deus decidiu destruir toda aquela geração através de um grande dilúvio. Apenas Noé e sua família foram salvos, graças à uma enorme arca de madeira que ele mesmo construiu, sob a orientação do próprio Deus.

Depois do dilúvio, passaram-se vários meses até que, finalmente as águas baixaram, e a Terra ficou, novamente habitável. Noé, sua esposa, seus três filhos com suas respectivas esposas, e também todos os animais que estavam com eles, puderam sair da arca e recomeçar suas vidas.

Tempos depois, os descendentes de Noé se fixaram na região da Babilônia, e ali, contrariando o que Deus havia lhes dito, decidiram construir uma grande torre e ali permanecerem, ao invés de se espalharem e povoarem a Terra.

Deus então, interviu, e lhes confundiu a língua, dando origem aos primeiros idiomas. Como eles não mais conseguiam se entender, desistiram de construir a cidade e a torre (que ficou conhecida como Torre de Babel), e se espalharam pelos continentes, dando origem às nações.

Os Sumérios (ao sul da Mesopotâmia) foram a primeira grande civilização de que se tem notícia. Inventaram o alfabeto, a roda, o código de Hamurabi (que foi o primeiro código de leis civis), os carros puxados por animais, armas, vários instrumentos musicais, objetos de arte, pintura, adereços, enfim, uma civilização avançadíssima que foi o berço de todo o conhecimento da humanidade. 

A partir de 2.700 a.C. o Egito se alavanca como grande império, constrói suas pirâmides, desenvolve sua própria escrita e técnicas avançadas de mumificação e construção civil.

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2. ERA PATRIARCAL

Base bíblica: Gênesis 12 a 50

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Por volta do ano 2.000 a.C., havia em Ur dos Caldeus (cidade próxima a Babel, hoje localizada no sul do Iraque), um homem chamado Abrão. Deus disse a ele que deixasse sua terra, e fosse para o lugar que Ele mesmo lhe haveria de mostrar, e prometeu que faria dele uma grande nação. Uma nação separada para ser chamada como povo de Deus.

Abrão (que depois teve seu nome mudado para Abraão) então obedeceu, deixou sua cidade, e partiu rumo à terra dos cananeus (que hoje é o território de Israel). Abraão e Sara, sua mulher, peregrinaram pelas terras dos cananeus durante toda a sua vida. Foi neste tempo que as cidades de Sodoma e Gomorra, que ficavam na região sul de Canaã, foram destruídas por uma chuva de fogo e enxofre como resultado da ira de Deus pela a iniquidade daquele lugar.

Abraão teve vários filhos: teve Ismael, com Hagar, a serva de Sara, e também vários outros filhos e filhas com Quetura, sua concubina. Mas o filho prometido por Deus nasceu mesmo de Sara, já em sua velhice, e foi chamado de Isaque.

A promessa de Deus a Abraão, de que dele descenderia um grande povo, e a este povo seria dada a terra onde estavam peregrinando (Canaã), foi feita também a seu filho Isaque. Isaque se casou com uma moça da Caldeia, chamada Rebeca, e tiveram dois filhos, gêmeos, Esaú e Jacó.

Jacó e Esaú se desentenderam gravemente, a ponto de Jacó precisar fugir do país. Ele foi para a Caldeia, onde se casou e viveu durante vinte anos, mas depois deste tempo, pegou toda a sua família, seus servos e seus bens, e voltou para a Terra de Canaã, onde se reconciliou com o irmão, e passou a viver em paz com sua família. Jacó, cujo nome fora mudado para Israel, foi o filho de Isaque escolhido por Deus para perpetuar a sua promessa feita a Abraão. Ele teve 12 filhos.

Os filhos de Jacó tinham ciúmes de José, um dos seus irmãos, por acharem que era o predileto do seu pai, e também devido a alguns sonhos que ele tivera, onde se via governando sobre os irmãos. Então, por vingança, eles o venderam como escravo para alguns mercadores, e estes, por sua vez, o levaram para o Egito, onde o revenderam a Potifar, o capitão da guarda do Faraó do Egito.

Ali José trabalhou algum tempo como “mordomo” da casa de Potifar, mas foi acusado injustamente e acabou sendo preso. Na prisão, destacou-se por seu espírito de liderança e seu dom de interpretação de sonhos.

Anos depois, chamado pelo próprio Faraó, é solto da prisão para interpretar os sonhos que o estavam afligindo, e foi tão bem sucedido que acabou nomeado governador de todo Egito. Naquele tempo, o Egito havia sido invadido pelos Hicsos, e estava sob seu domínio.

Sete anos se passaram, e veio um tempo de grande seca em toda a terra, e graças à administração de José, o Egito era o único lugar do Mundo Antigo onde havia comida. José então manda chamar seu pai, seus irmãos, e todos os seus parentes, para virem morar com ele. Todos se alegraram e se surpreenderam muitíssimo, pois não imaginavam que ele pudesse ainda estar vivo e num cargo de tão alta posição. O Faraó fez questão de dar à família de José, que somava setenta pessoas, a melhor terra do Egito. E ali eles se estabeleceram, em 1.680 a.C.

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3. NO EGITO

Base bíblica: Êxodo 1 a 12

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Dois séculos se passaram desde que José fora nomeado governador. Os hicsos foram expulsos do país e o trono, reconquistado pelos egípcios.

A família de Israel (Jacó) havia crescido muito, se multiplicado e se enriquecido. E temendo que aquele povo estrangeiro continuasse crescendo e dominasse o país, o Faraó do Egito decidiu fazê-los escravos. E assim, os israelitas foram subjugados na terra onde viviam.

No ano de 1.260 a.C., os descendentes de Israel já ultrapassavam os seiscentos mil homens, sem contar as crianças, mulheres e idosos. Tutancâmon e Ramsés II haviam recentemente restaurado a glória do antigo Egito. E então chegou o tempo do cumprimento da promessa de Deus feita a Abraão. Deus levanta um homem chamado Moisés, e o designa como líder para conduzir os israelitas de volta para a terra dos cananeus, onde peregrinaram antes de se mudarem para o Egito.

Auxiliado por seu irmão Arão, Moisés transmite ao Faraó a ordem que recebera de Deus: que ele deveria libertar todos os israelitas, permitindo que saíssem do país. Mas o Faraó se negou a concordar, e em cada uma das dez vezes que ele fez isso, uma terrível praga veio sobre toda a nação. Por fim, depois da décima praga, ele cedeu, e o povo pode partir para Canaã.

Antes que chegassem ao Sinai, Faraó se arrependeu e enviou o exército para recapturar os israelitas e trazê-los de volta. Mas Deus fez com que o seu povo atravessasse a seco o Mar Vermelho, e depois fez com que o mar se fechasse sobre os egípcios, fazendo que todos se afogassem. E assim, eles partiram rumo à Terra Prometida, a fim de conquista-la e ali se estabelecerem como uma nação.

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4. PEREGRINAÇÃO PELO DESERTO

Base bíblica: Êxodo 12 a 40, Levítico, Números e Deuteronômio

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Depois da travessia do Mar Vermelho, direcionados por Deus, eles tomaram o caminho do sul, pelo deserto do Sinai, e caminharam por dias, semanas e meses, sempre guardados pelo Senhor. Chegando ao Monte Sinai, eles acamparam por quase um ano, onde confirmaram sua aliança com Deus e construíram o tabernáculo. Ali eles se organizaram em tribos, conforme a descendência de cada um. E ali também foi estabelecido todo cerimonial de culto e sacrifícios, a nomeação dos levitas como sacerdotes e cuidadores do tabernáculo, e toda a Lei pela qual deveriam se guiar.

Após onze meses acampados, seguiram viagem e chegaram às proximidades de Canaã. Então enviaram alguns homens para espiarem a terra dos cananeus, e trazerem um relatório que os ajudasse a pensar em estratégias para invadir e conquistar aquele lugar.

Mas os espias voltaram com um relatório desanimador. Apesar de toda a exuberância e fartura do lugar, eles concluíram que seria impossível guerrear contra seus habitantes e vencê-los. E assim convenceram todo o povo, que se desesperou e desejou voltar para o Egito. Apenas dois dos espias, Josué e Calebe, pensaram diferente, e tentaram animar a todos, dizendo que a conquista seria sim possível.

Mas o povo continuou a murmurar e quiseram apedrejar a Josué e Calebe. Até que o Senhor apareceu naquele lugar e, devido à postura de rebeldia dos israelitas, determinou que, realmente, nenhum deles, com exceção de Josué e Calebe, entraria na terra prometida. Eles estariam fadados a permanecerem naquele deserto até que todos eles morressem, e seus filhos crescessem e se tornassem aptos a conquistarem a terra no lugar deles.

Assim sendo, foram obrigados a voltar, e ficaram peregrinando pelo deserto por mais de trinta e oito anos, até que toda aquela geração perecesse.

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5.  CONQUISTA DE CANAÃ

Base bíblica: Josué

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Passados quarenta anos desde a saída do Egito, Arão, Moisés e toda a geração de homens e mulheres que atravessaram o Mar Vermelho, pereceram no deserto. Apenas aqueles que ainda eram muito jovens (ou nasceram no deserto), e Josué e Calebe, estavam vivos.

Chegara a hora do povo finalmente conquistar a terra de Canaã e Josué foi o escolhido por Deus para liderá-los nesta tarefa.

Os povos que habitavam naquele lugar eram extremamente maus, iníquos, idólatras e cruéis, e aprouve ao Senhor destituí-los daquele lugar. Por isso aquela terra seria dada aos descendentes de Abraão em cumprimento à sua promessa.

Então Deus fez parar as águas do rio Jordão para que o povo atravessasse e, depois que atravessaram o Jordão, deu-se início às inúmeras incursões pelas cidades cananeias, começando por Jericó em 1.220 a.C., Ai e tantas outras.

Grande parte da terra foi conquistada e parte dos seus habitantes foi exterminado. O território foi repartido entre o povo, de acordo com cada tribo, ou seja, os descendentes de cada um dos 12 filhos de Israel (Jacó). O povo montou o tabernáculo, construiu casas, edificou cidades. Cada um segundo a sua tribo. Mas ainda muita terra e muitos povos restaram para ser conquistados.

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 6. ERA DOS JUÍZES

Base bíblica: Juízes, Rute, 1 Samuel 1 a 7

Depois da morte de Josué, os israelitas se desviaram da Lei do Senhor e se contaminaram com as práticas idólatras do povo cananeu. Cada vez que eles se “esqueciam” de Deus, eram oprimidos e conquistados por um dos povos estrangeiros que ainda habitavam naquela região. Eles então se arrependiam, e clamavam pelo socorro do Senhor. Deus levantava um juiz para governa-los e lidera-los em vitória contra o inimigo. Mas depois que aquele juiz morria, o povo novamente se “esquecia” de Deus, era oprimido, se arrependia, e então Deus precisava levantar um outro juiz para governar sobre eles.

Este ciclo se repetiu durante aproximadamente dois séculos. E grandes homens e mulheres de Deus fizeram toda a diferença como juízes na vida da nação: Gideão, Eúde, Débora, Jefté, Sansão e Samuel são alguns exemplos.

Neste tempo, uma pessoa também ganha destaque, não como líder político ou religioso, mas como exemplo de caráter, humildade e fidelidade: Rute. A estrangeira de Moabe, que se casou com um israelita, da tribo de Judá, e teve sua história imortalizada depois de ter se convertido ao Deus de Israel, e tratar sua sogra com profundo amor e respeito, se tornando a bisavó daquele que seria o maior rei de Israel: Davi.

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 7. REINO UNIDO

Base bíblica: 1 Samuel 8 a 31, 2 Samuel, 1 Reis 1 a 12, 1 Crônicas, 2 Crônicas 1 a 10, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares

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Depois de décadas vivendo num regime teocrático, sob o governo de Deus e a orientação de juízes, o povo desejou adotar o regime monárquico, seguindo o exemplo de todos os demais povos pagãos daquela época. Isto entristeceu o coração de Deus, que mesmo assim permitiu que fossem governados por um rei humano.

Assim, Saul foi coroado como o primeiro rei de Israel por volta do ano 1.000 a.C.. Durante o seu reinado, os filisteus iniciaram uma guerra contra Israel, que foi vencida graças ao seu escudeiro Davi, um pastor de ovelhas e músico, que corajosamente lutou contra o gigante Golias e o venceu com apenas uma funda. Tendo sua fama aumentada depois disto, despertou o ciúmes de Saul, que passou a persegui-lo e ameaça-lo de morte.

Mas Davi fugiu e, após a morte de Saul, ele foi aclamado como o novo rei sobre a nação. Davi foi um grande líder e conseguiu conquistar para Israel todos os territórios que ainda havia para serem conquistados, incluindo a cidade de Jerusalém, que se tornou a capital do reino.

O trono foi sucedido por seu filho Salomão, conhecido por sua sabedoria. Ele concretizou os planos do seu pai, o rei Davi, e construiu um templo em substituição ao tabernáculo como local de adoração a Deus e também o palácio real. Mas Salomão não usou sua sabedoria para servir ao Senhor de todo o seu coração, e se corrompeu adorando a outros deuses.

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8. REINO DIVIDIDO

Base bíblica: 1 Reis 13 a 22, 2 Reis, 2 Crônicas 11 a 36, Isaías, Jeremias, Lamentações, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias

 

Em 950 a.C., depois da morte de Salomão, a coroa foi passada para o seu filho Roboão, que, agindo de maneira tola, não soube manter a fidelidade de seus súditos, aumentando-lhes ainda mais os impostos já tão pesados. A grande maioria do povo então se levantou em rebelião, numa espécie de golpe civil. Apenas as tribos de Judá (onde ficava a cidade de Jerusalém), a tribo de Simeão e metade da tribo de Benjamim permaneceram fiéis ao reinado de Roboão. Todas as outras demais dez tribos romperam com a linhagem de Davi e escolheram a Jeroboão como seu novo rei.

Assim, o reino foi dividido em dois. As dez tribos do norte se apropriaram do nome de Israel, tendo Jeroboão como seu rei e Samaria como sua capital. O pequeno reino das tribos do sul, denominado Judá, continuaram sob o reinado de Roboão, tendo Jerusalém como sua capital.

Grandes profetas profetizaram neste tempo em Israel e Judá: Elias, Eliseu, Amós, Isaías, Joel, etc…

Enquanto isso, na Grécia, em 846 a.C. Homero recitava seus poemas, e em 753 a.C. nascia a cidade Roma. Mas a nação que se expandia, ganhava território e se despontava como poderoso império neste tempo era a Assíria (região norte da Mesopotâmia – atual Iraque).

O Reino do Norte, governado por reis idólatras e sem temor de Deus, viu seu povo caminhar para cada vez mais longe do Senhor, e no ano 722 a.C. foi invadido e conquistado pelo Império Assírio. Como estratégia de guerra, a Assíria espalhou os israelitas por várias províncias em todo o seu império, e trouxe estrangeiros cativos de outras nações para habitarem na Samaria e demais tribos do Reino do Norte, varrendo do mapa o Reino de Israel como nação e gerando na região um grande sincretismo religioso e miscigenação cultural.

Após a destruição de Israel, Judá permaneceu como reino ainda por várias décadas, resistindo aos ataques das nações inimigas. Reis como Josafá, Ezequias, Josias e vários outros, eram tementes a Deus, e levaram o povo a um relacionamento de quebrantamento e santidade diante do Senhor.

Algumas décadas mais tarde, conforme profetizara Isaías, o império Assírio foi destruído pelos babilônicos. Nínive, a grande capital assíria caiu, e a Babilônia se tornou a grande capital do império do Mundo Antigo.

Em 587 a.C., enquanto construía seus famosos Jardins Suspensos, o imperador babilônico Nabucodonosor conseguiu sitiar, invadir e destruir Jerusalém (incluindo o templo construído por Salomão), isso porque os judeus, assim como seus irmãos do Reino do Norte, haviam abandonado sua aliança com o Senhor.

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9. CATIVEIRO BABILÔNICO

Base Bíblica: Ezequiel, Daniel

Nabucodonosor capturou a grande maioria dos judeus que sobreviveram à guerra e os levou cativos para a Babilônia. Dentre eles Ezequiel, Daniel, Hananias, Misael, Azarias, a família de Ester e Mardoqueu, e outras tantas centenas e centenas de famílias.

Ali, nas províncias da Babilônia, o povo de Deus permaneceu durante setenta anos como cativos. Durante este tempo, Daniel e seus amigos puderam testemunhar do poder de Deus na corte do rei.

Passados cerca de 50 anos desde que os primeiros exilados chegaram à Babilônia, Daniel foi acusado de insubmissão por não se curvar diante do imperador e foi lançado na cova dos leões, da qual o Senhor o livrou milagrosamente. Durante todo o domínio do império babilônico, Daniel foi usado por Deus para falar com cada governante que por ali passou: Nabopolassar, Nabucodonosor, Belsazar e outros.

Os babilônios permitiram que os exilados do reino de Judá formassem famílias, construíssem suas próprias casas, cultivassem pomares e vivessem em comunidade, com seus próprios chefes e sacerdotes. Como não tinham mais o seu templo, eles criaram as sinagogas, que eram locais específicos para oração, leitura e ensinamento da Lei e canto dos Salmos; e um grupo de sacerdotes entregou-se com empenho à tarefa de reunir e preservar os textos sagrados, dentre eles Ezequiel, que, como sacerdote e profeta, exerceu uma influência singular dentre os cativos.

Até que, em 539 a.C., a Babilônia também caiu, vencida e subjugada pelos persas.

Um ano depois, Ciro, o rei persa, publica o édito autorizando os judeus a deixarem o exílio na Babilônia e voltarem a Jerusalém.

10. VOLTA DOS JUDEUS À JERUSALÉM

Base Bíblica: Esdras, Ester, Neemias, Ageu, Zacarias, Malaquias, alguns Salmos

O imperador persa devolveu aos judeus exilados os utensílios do templo que Nabucodonosor lhes havia saqueado e levado à Babilônia, além de doar também uma quantia considerável do seu tesouro para apoiar a reconstrução do templo de Jerusalém. Liberados e incentivados pelo rei Ciro, muitos judeus decidiram voltar à sua terra, que ficara vazia e destruída desde sua invasão há 70 anos.

O retorno dos exilados realizou-se de forma paulatina, por grupos, o primeiro dos quais chegou a Jerusalém sob a liderança de Sesbazar. Tempos depois se iniciaram as obras de reconstrução do Templo, que se prolongaram até 515 a.C. Para dirigir o trabalho e animar os operários contribuíram o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué, apoiados pelo sacerdote e escriba Esdras, e os profetas Ageu e Zacarias. As dificuldades econômicas, as divisões na comunidade e as atitudes hostis dos vizinhos samaritanos foram os principais problemas que afligiram os que voltaram.

Graças às condições de tolerância e bem estar em que viviam os judeus exilados, muitos preferiram permanecer na Babilônia, agora sob domínio persa. Dentre eles Mardoqueu e Ester, que moravam na província de Suzã, uma das capitais da Pérsia. Graças à permanência deles ali, em 475 a.C. Ester foi escolhida rainha da pérsia, pelo rei Xerxes (ou Assuero) – sucessor de Ciro depois de Cambises e Dário – e exerceu um papel fundamental para salvar todo o povo judeu de uma terrível conspiração.

No ano de 445 a.C. um judeu chamado Neemias, também residente na cidade de Suzã, copeiro do rei persa Artaxerxes (sucessor de Xerxes), solicitou que, com o título de governador de Judá, tivesse a permissão de ir até Jerusalém a fim de ajudar o seu povo. Neemias revelou-se um grande reformador. A sua presença em Israel foi decisiva, não somente para que se reconstruíssem os muros de Jerusalém, mas também para que a vida da comunidade judaica experimentasse uma mudança profunda e positiva.

PERÍODO INTERBÍBLICO

 

As muralhas de Jerusalém terminaram de ser reconstruídas em 443 a.C., sob o governo de Neemias e a liderança espiritual do profeta Malaquias, o último profeta que falou a Israel em sua própria terra. Depois dele, um silêncio profético de 400 anos estende-se até a voz de João Batista, que clamava no deserto: “Endireitai o caminho do Senhor”.

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Veja os principais acontecimentos durante este período de 400 anos:

  • 331 a.C. – Ascensão do Império Grego, com Alexandre, o Grande
  • 320 a.C. – Israel é conquistado pelos Egípcios (Ptolomeu)
  • 250 a.C. – A Bíblia hebraica é traduzida para o grego
  • 202 a.C. – Construção da muralha da China
  • 198 a.C. – Os Sírios vencem os Ptolomeus e conquistam Israel  (Antíoco, o Grande)
  • 167 a.C. – Revolta dos judeus Macabeus – independência do povo de Israel
  • 149 a.C. – Início da ascensão de Roma nas Guerras Púnicas contra Cartago.
  • 63 a.C. – Os romanos, que a esta altura já dominavam sobre a Grécia, Egito, Macedônia, Gália, Germânia, Trácia e Síria assumem o controle de Israel, sob o comando do General Pompeu.
  • 40 a.C. – Herodes, o Grande, é nomeado por Roma como o rei da Judeia, e faz uma grande reforma no templo construído no tempo de Esdras, tornando-o grande e imponente.

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E, no ano 4 a.C. nasce o Messias, Jesus Cristo, na cidade de Belém da Judeia. Finda-se o tempo da Lei, e chega o tempo da nova aliança.

Aleluias!!! *

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 “O meu povo perece porque lhe faltou o conhecimento… Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor.”

Os. 4:6 e 6:3

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Ser Igreja

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Márcia Rezende
Bacharel em Teologia e em Educação Religiosa
Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia
Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Mulheres

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Sempre que leio a descrição da “Mulher Virtuosa” no livro de Provérbios (versículos 10 a 31 do capítulo 31), minha primeira reação é deduzir que se trata de um padrão inalcançável de perfeição descrita num contexto machista e simplesmente impossível de se seguir em pleno século 21. Mas então me lembro de que não se trata de um livro qualquer, mas da Palavra de Deus, que não muda, não falha, não passa. Então, sou levada a reler o texto com o espírito e sob a direção do Espírito, e compreendo que os princípios contidos ali também não mudam, não falham e não passam.

Então, vamos entender melhor o que significa ser virtuosa, e aplicar estas verdades à mulher do terceiro milênio.

*

1. A mulher virtuosa tem Deus como seu Senhor (Pv 31:10, 25, 26, 30)

Por definição, o vocábulo “virtuosa”, no original hebraico é  חיל chayil, que significa força, poder, eficiência, fartura, habilidade. Por sua vez, a palavra “chayil”, tem sua origem em חיל chiyl: torcer, girar, dançar, trabalhar, se contorcer, dar à luz, estar com dor (fonte: Dicionário Bíblico Strong – Lexico Hebraico, Aramaico e Grego).

Assim, podemos entender que virtuosa, neste contexto, seria: “trabalhar arduamente para a eficiência”. Mas, mais que um trabalho externo, traz o sentido de uma pré disposição interna para se fazer o bem, uma inclinação para a excelência, um contínuo mover na busca pela força.

Sabemos que o ser humano é, naturalmente, inclinado para o mal devido à sua natureza ter sido corrompida pelo pecado. Consequentemente, a virtude seria, então, algo naturalmente inacessível a nós. Entretanto, a Graça Salvadora de Jesus nos presenteia com seu Espírito. E é Ele quem nos atrai para Deus, imprime em nós a natureza de Cristo e nos capacita, não só a desejar o bem, como também a agir com ele. Deus nos atrai para a sua virtude, faz nascer em nós o desejo da virtude e nos torna capazes de agir virtuosamente.

E assim descobrimos a primeira característica de uma mulher virtuosa apenas na definição do termo: ela tem a virtude de Cristo dentro dela.

A dedicação ao estudo da Palavra e a busca pela sabedoria (verso 26) são essenciais para que esta virtude seja forjada e manifesta em nossas vidas. Portanto, o crescimento espiritual e a busca pelo conhecimento de Deus são a base de toda mulher que a Bíblia descreve como sendo “mais preciosa que finas jóias.

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2. A Mulher Virtuosa, quando casada, honra o seu marido (Pv 31:11-12, 23)

Claro que a mulher virtuosa não precisa necessariamente de um esposo. Muitas mulheres hoje criam sozinhas seus filhos, sustentam a casa e governam suas famílias. Mas se ela o tem, o trata com honra e respeito. Independentemente se ele é truculento ou carinhoso, temente a Deus ou incrédulo, a postura dela não muda. Ela está firmada em Deus, sua virtude vem Dele, por isso, ela não está sujeita à circunstâncias ou alterações hormonais. Suas ações são controladas pelo Espírito.

Fazer o mal no contexto do casamento é muito fácil (principalmente para a mulher): manipular, irritar, reclamar, ferir, magoar, acusar, abusar, murmurar, se vingar, se emburrar… ah, como é fácil. Mas a virtude de Cristo em nós nos capacita, não só a não fazer o mal, mas a ir além e fazer o bem. E fazer o bem não em algumas, mas em todas as áreas do relacionamento: intimidade sexual, comunicação, companheirismo, confiança, finanças. Inclui também o cuidado com os pertences dele, o respeito aos gostos e escolhas dele, e o tratamento com a família dele (isso mesmo).

Toda mulher sabe como agradar um homem, como deixá-lo feliz. E a mulher virtuosa é livre em Cristo para isso, sem se deixar dominar por ressentimentos ou desejos egoístas. 

Não estamos aqui falando de subserviência ou servidão. A mulher moderna expõe sua opinião, diz o que pensa,  e contribui para o sustento da casa. Mas a mulher moderna que teme o Senhor, entende que a liderança do lar cabe ao marido e se submete a ele com fé, alegria e amor. Sabendo que Deus, a seu tempo, a recompensará. O amor e a submissão são valores imutáveis e sempre serão, não importa o quanto o tempo passe ou os valores da sociedade mudem.

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3. A Mulher Virtuosa é trabalhadora e habilidosa (Pv 31:13-19, 24)

O texto de Provérbios escrito pelo Rei Salomão aproximadamente mil anos antes de Cristo, descreve uma mulher empenhada, que vence a preguiça todos os dias e encontra forças para fazer o que precisa ser feito.  

Sabemos que o trabalho das mulheres naquele tempo era bastante restrito em comparação aos dias de hoje. No lugar da roca surgiram as máquinas, no lugar do fuso os tablets e no lugar dos navios mercantes vieram os automóveis, mas o dilema entre a preguiça e o trabalho continua o mesmo.

A futilidade, o entretenimento fácil e as facilidades da era moderna não podem nos roubar o privilégio de usar as nossas mãos para produzir, frutificar, e abençoar outras pessoas. O trabalho foi criado por Deus antes mesmo do surgimento do pecado, quando Adão e Eva ainda estavam no Paraíso (Gn 1:28, 2:15). O trabalho é uma bênção, enquanto que a ociosidade é uma perigosa armadilha.

Mas não me refiro aqui ao trabalho como um fim em si mesmo. Vivemos um tempo onde a mulher muitas vezes é extremamente cobrada em seu desempenho profissional e as exigências surgem em dimensões quase desumanas. Diante desta realidade, há mulheres que, no acúmulo de papéis e tarefas, fazem do trabalho o seu deus, e sacrificam casamento, família, amigos, ministério, lazer, descanso, tudo, em favor da carreira e do dinheiro. Os filhos são criados por parentes ou professores, o esposo assume todas as tarefas domésticas, o envolvimento na igreja é negligenciado, e assim a carreira vai lhe roubando sorrateiramente até mesmo sua verdadeira identidade.

Mas há também aquelas neuróticas pela limpeza da casa, que sacrificam o bem estar das pessoas e o delas próprias para que os objetos permaneçam perfeitamente limpos e arrumados.  De uma forma ou de outra, a obsessão pelo trabalho é tão, ou mais, destrutivo que a preguiça e a ociosidade.  A sabedoria de Deus consiste em fazer tudo com moderação, diligência e amor, sem inverter valores e prioridades.

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4. A Mulher Virtuosa é uma dona de casa cuidadosa (Pv 31:15, 18, 21, 27)

Parece que nada ofende mais uma mulher hoje em dia do que “reduzi-la” à posição de dona de casa.  O mundo, a cada dia mais, exige que a mulher evolua, cresça e conquiste sua igualdade com os homens; assim, tarefas básicas como lavar, passar, cozinhar, costurar e limpar vão sendo, a cada dia mais, terceirizadas.

Claro que, no ritmo do século 21, não há nada de errado, biblicamente falando, que a mulher tenha ajudadoras, providencie o almoço no “disque marmitex” e mande suas roupas para a lavanderia. Tudo depende das condições e necessidades de cada um. O problema, a meu ver, é quando a mulher negligencia e terceiriza, inclusive, o papel de administrar o seu lar.

A casa é o refúgio da família, aquele lugar seguro que chamamos de nosso, que tem a nossa cara, nosso jeito, nosso cheiro. E Deus deu à mulher o privilégio de reger tudo isso.  É o lugar mais importante do mundo para a nossa família, e está sob os nossos cuidados.  A saúde física e emocional das pessoas depende, e muito, da limpeza e organização do lugar onde moram. Portanto, cuidar da casa não pode ser visto como  algo desonroso! Ao contrário, é uma atitude de amor e cuidado para com o próximo, que engrandece e exalta a pessoa responsável por tarefa tão importante e árdua. Não permita que a falácia do discurso feminista o convença do contrário. 

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5. A Mulher Virtuosa cuida do próximo e de si mesma (Pv 31:20, 22)

Ah, que criação linda e perfeita é a mulher! Com que qualidade maravilhosa Deus presenteou a natureza feminina: o instinto materno em sua multiforme capacidade de cuidar. Cuidar do esposo, dos filhos, da casa, da família, das pessoas.

A mulher do século 21 tem vários desafios, como os tinham as mulheres de todos os séculos. A mulher é mais sensível e mais facilmente movida pelas emoções que o homem, por isso, a possibilidade de permitir que o sofrimento as endureça e amargue está sempre presente. Mas a mulher virtuosa é diferente. Ela tem dores, lutas, decepções, frustrações, mas aprendeu a transformar seus problemas em oportunidades para amadurecer e se sensibilizar diante dos problemas alheios. Por isso, o engajamento em projetos sociais e gestos de solidariedade, sempre.

E tudo isso de “salto alto”! Mesmo numa agenda sempre lotada, o item cuidar de si mesma tem sempre um espaço. A mulher virtuosa de Provérbios se vestia de púrpura, um tecido caro e especial naquele tempo, e que refletia o capricho daquela que o possuía.

Não é uma busca desenfreada pela perfeição física ou para se enquadrar num padrão de beleza absurdo imposto por homens que não gostam de mulheres. Mas pelo  simples prazer de se olhar no espelho e ficar feliz com o que vê.

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Conclusão

Mulher virtuosaA dona de casa, estudiosa das Escrituras, crente fervorosa, esposa dedicada, mãe de filhos, que trabalha fora, faz faculdade, tem um ministério próspero na igreja e ajuda os necessitados, ainda acha tempo para ir à manicure, pintar o cabelo, fazer maquiagem, comprar um sapato novo e encontrar um brinco que combine com aquela blusa. Como ela faz isso? Voltemos ao significado original da palavra virtude: força, poder, eficiência, fartura, habilidade. Não suas, mas do Deus que nela habita.

Claro que, de vez em quando, esta mulher “surta”, se estressa, fica deprimida, esgotada, chateada, mas, se sete vezes ela cai, oito vezes se levanta, ainda mais linda e perfumada do que antes.

“Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias.”

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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