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Archive for fevereiro \26\UTC 2014

perdas

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As perdas fazem parte da vida.

Na infância, perdemos aquela roupa que não serve mais, perdemos o brinquedo que se quebrou, perdemos a vez na brincadeira em grupo, perdemos “vidas” no vídeo game…

À medida que crescemos, as perdas vão se tornando mais significativas. Perdemos o namorado, perdemos o horário da primeira aula, perdemos aquela chance no primeiro emprego, perdemos a vaga no vestibular…

Ah, as perdas!

A vida segue, e muitos perdem seus entes queridos, perdem os filhos que batem asas e abandonam o ninho, perdem o negócio, perdem bens preciosos, perdem o casamento, perdem a saúde.

Lidar com as perdas é sempre difícil. Algumas são tão dolorosas que temos a nítida sensação de que estão nos arrancando um pedaço do nosso fígado a sangue frio.

Vazio, dor, solidão, fracasso, desespero, angústia, frustração… muitas emoções misturadas surgem através da perda.  Quando o trauma é muito grande, parece que uma granada explodiu dentro do nosso peito, literalmente arrebentando tudo por dentro.

Como lidar com tudo isso? Como sobreviver? Como seguir em frente?

Estas são perguntas importantes, cuja resposta parece se esconder quando mais precisamos.

Em meio à escuridão da dor hercúlea, e sem enxergar uma luz no fim do túnel, muitos optam por fugir. Esquecer, mesmo que momentaneamente, o sofrimento, parece ser a única saída. Então se entregam às bebidas, drogas, sexo, jogatinas, vícios de todos os tipos.  Outros se afundam no poço da depressão e veem os dias passando como mortos-vivos, dopados por calmantes fortíssimos.

Há 25 anos perdi minha saúde. Tenho convivido desde a mocidade com hérnias na coluna,  neuromas, bursites, tendinites, bronquites, sinusites, tuberculose, enfisema pulmonar, artroses, fadiga crônica. Não há um só dia em que alguma parte do meu corpo não esteja doendo.  Fui obrigada a aprender a conviver com a dor. E, num espaço de pouco mais de dez meses no ano de 2013, enterrei meu pai, minha mãe e meu único irmão (já que minha irmã falecera em 1995).

O que fez com que eu não perdesse a mim mesma em meio a tantas perdas?

Creio que vários fatores contribuíram para que eu não sucumbisse à depressão: o amor do meu esposo, a vida dos meus filhos (apesar de um deles já ter alçado voo do ninho), o carinho dos amigos. Tudo isso foi muito importante. Mas, quando a dor é maior que nós mesmos, nenhum consolo humano é suficiente. E é aí que entra a intervenção sobrenatural do supremo Consolador.

Disse Jesus, pouco antes de ser crucificado:  “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (Evangelho de João, capítulo 14, verso 26).

A verdade é que, em momentos de profunda angústia e dor, só mesmo a ação da presença do Espírito Santo de Deus, o doce Consolador, dentro de nós, pode tornar o sofrimento suportável. 

Nas mãos de Deus

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Sim,

Quando a nossa identidade está segura em Cristo, não importa o tamanho da nossa perda, o Espírito Santo nos lembrará de quem nós realmente somos.

Quando a nossa alegria está em Cristo, não importa o tamanho da nossa perda, o Espírito Santo nos lembrará das razões que temos para continuar sorrindo.

Quando a nossa segurança está em Cristo, não importa o tamanho da nossa perda, o Espírito Santo nos lembrará do refúgio existente sob as asas de Deus, disponível a todos os que o buscam.

Quando a nossa confiança está em Cristo, não importa o tamanho da nossa dor, o Espírito Santo nos lembrará que todas as coisas juntamente contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, e que a sua vontade é sempre boa, agradável e perfeita, mesmo que eu não a entenda.

Quando a nossa esperança está em Cristo, não importa o tamanho da nossa perda, a intensidade da nossa dor, ou a aparente falta de solução para os nossos problemas; o Espírito Sando de Deus, nosso Maravilhoso Consolador, nos fará lembrar de cada uma das promessas do Pai e então nossa alma se aquietará, na certeza de que o choro pode durar uma noite, mas a alegria virá pela manhã.

Confie sua vida ao Senhor.

Se jogue, como criança, no colo de Deus, e Ele derramará do seu bálsamo em seu coração, soprará em sua alma  seu hálito restaurador e ressuscitará vida em sua vida.

Estar EM Cristo, eis a razão pela qual eu sobrevivi a tantas perdas.

Eis o motivo de, mesmo ferida, conseguir prosseguir na caminhada.

Eis a resposta!

Eis o milagre!

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Ser Igreja

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Márcia Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Doctor of Ministry em Bíblia
Marília/SP

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Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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