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Archive for agosto \11\UTC 2013

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Um dos processos mais interessantes da vida é o processo de desenvolvimento humano. É maravilhoso ver o bebê aos poucos se tornando homem, passando por suas transformações características e aprendendo passo a passo a complexidade da vida.

É interessante avaliarmos nosso crescimento. Por que não nascemos maduros? Por que passamos por tantas etapas e fases diferenciadas? Por que o processo de aprendizado e amadurecimento é tão árduo e longo, e por que não dizer, tão infinito? Por que precisamos levar alguns tombos para aprender a andar? Por que os primeiros atos de “gugu dadá” e não com frases complexas de significado profundo?

Tudo isso revela a forma carinhosa como Deus cria. Ele não se preocupou em embutir no ser humano pensamentos previamente estabelecidos por ele, mas nos deu a chance de podemos aprendê-los ou não. Isso faz de nós seres especiais, dotados de vontade própria. Através disso, Deus revela o seu caráter paterno, mostrando que deseja ver cada filho se desenvolvendo em cada fase de seu crescimento físico, intelectual e espiritual.

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aprendizadoCerta vez, eu estava observando um pequeno garoto com menos de um ano em sua tentativa esforçada de subir alguns degraus de uma escada. Ele mal sabia engatinhar, mas enxergava aqueles degraus como o maior desafio da sua vida. Seu pai o observava de perto. Com muita força de vontade, ele estendia suas pequeninas mãos para alcançar o primeiro degrau. Com um esforço desgastante, se equilibrava para não pôr a perder toda sua jornada. O pai somente observava. Um degrau se foi, faltavam três. Sem desanimar, o garotinho prosseguia com olhar conquistador de um alpinista. Cada degrau alcançado aumentava pouco a pouco seu sorriso. Nada mais parecia entretê-lo. Nem os brinquedos à sua volta, nem as pessoas que conversavam ao seu redor, nem mesmo a presença do seu pai a vigiá-lo. O que ele desejava era apenas chegar em seu destino. Faltando apenas um degrau, para alcançar sua façanha infantil, o pai observador, muito carinhosamente o pega no colo e o coloca no inicio da escada novamente. Todo aquele esforço, tão perto de seu destino e ele se vê novamente no início da escada sendo obrigado a iniciar sua escalada novamente.

Observando este fato tão corriqueiro, comecei a pensar no tratamento de Deus para conosco. Algumas vezes tenho a impressão que fui levado de volta ao início da escada. Você já se sentiu assim? Tão perto de conseguir o que mais quer, e em questão de segundos, estar tão longe do objeto de sua conquista. É algo frustrante, desgastante e desmotivador. Quando julgamos estar aptos e maduros para alcançar o que queremos, Deus nos leva de volta ao primeiro degrau. Depois de ver nosso alvo tão próximo, somos levados a contemplá-lo como uma distante paisagem no horizonte.

Todo aprendizado é traumatizante. É assim porque aprender implica em reconhecer suas limitações. Ninguém aprende nada se não reconhece que não sabe. Ninguém aceita os ensinamentos do Mestre se não o considera mais sábio do que a si próprio. Aprender significa desvencilhar-se de seus limitados e superficiais conhecimentos, e reconhecer que não são suficientes. Isso é algo extremamente difícil para o ser humano, cujo caráter está tão impregnado com soberba e auto-suficiência. Dificilmente assumimos a necessidade de aprender, mesmo que o Mestre seja Jesus Cristo. Às vezes, agimos como crianças mimadas que não querem progredir espiritualmente.

Talvez nossa atitude seja esta devido à comodidade que encontramos enquanto meninos. O erro de uma criança é mais tolerável. Quando se tem um ano, ninguém o julga por tropeçar ou cair, ao contrário, tratam-nos com carinho, curando nossas feridas, levantando-nos e cuidando de nossos traumas.

Venilson

É realmente cômodo ser menino. Ninguém o cobra por suas faltas, sempre existe alguém por perto, uma mão adulta que o levante, e que o leve para a cama quando adormece em frente ao televisor. O choro se torna uma arma de conquista. “Quem não chora, não mama…” diz o ditado popular. E é assim que muitos agem na vida espiritual. Por que crescer, se é tão cômodo permanecer pequeno? Para quê aprender, se é um processo tão doloroso e desmotivador? Muitos se escondem do aprendizado como infante que foge da escola. Às vezes, queremos que Deus nos pegue no colo e nos leve até o último degrau, e quando ele toma a atitude certa de um Pai Amoroso, colocando-nos no início da escada a fim de que aprendamos a galgar os degraus da vida, agimos como crianças mimadas, apelando ao choro de um bebê.

O apóstolo Paulo entendeu muito bem essa deficiência humana. Em I Co 13.11, ele sabiamente escreveu: “Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.”

Existe um momento de rompimento com a meninice. Embora cômoda, esta situação prejudica nosso caráter. Existe um momento em que se faz necessário o crescimento. O alimento sólido se torna imprescindível. As correções e admoestações do Pai se fazem necessárias. Crescer é libertar-se dos medos e inseguranças peculiares da infância e começar a galgar os rústicos e pedregosos degraus da vida.

Jesus disse: “Aprendei de mim” (Mt 11.29). O Pai enviou Seu Único Filho para nos deixar a cartilha da fé. E isso não foi feito para que ficássemos sempre escondidos atrás da infantilidade e da imaturidade. No reino de Deus tudo nasce pequeno, mas tem a responsabilidade de crescer. Imaturidade é reclamar quando a primeira lição é aplicada. A primeira lição da cartilha é Deus, é “Aprenda a aprender!” E isso só acontece quando nossos recursos se acabam e precisamos reconhecer em Deus a única fonte da vida e sabedoria. Se não aprendemos a primeira lição, nunca poderemos prosseguir no aprendizado de Deus e ficaremos confinados à limitação da imaturidade.

Deus não deixa de ser Pai quando seus filhos crescem. Não precisamos temer

pai-e-filhoque ele um dia nos mande para fora de casa. Nem esperar amedrontados uma frase do tipo: “Você está bem crescidinho para resolver seus problemas sozinho”. Nas horas difíceis, o colo do Pai ainda está disponível. A mão amiga ainda é amiga o suficiente para levantar, suportar e amparar. Mas Deus demonstra a excelência da amizade e da paternidade ao corrigir e ensinar o filho a quem ama (Hb 12.6).  Não se recuse a aprender. Pode ser doloroso, cansativo e às vezes desanimador. Mas com certeza valerá à pena ouvir o Mestre dizer no dia de sua graduação: “Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei; entre no gozo do teu Senhor!” (Mt 25.21).

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Ser Igreja

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Jonathan-Edwards

Jonathan Edward, pastor congregacional norte-americano, nasceu em 5 de outubro de 1703, e foi o mais destacado teólogo e erudito da Nova Inglaterra no período colonial do século XVIII. Em 1734 o reavivamento religioso, parte do Grande Despertament, chegou à sua  igreja. Seu famoso sermão “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado” (1741), foi proferido durante esse reavivamento. Edwards não era bom orador, mas, enquanto ele pregava, houve pessoas que choravam e clamavam por arrependimento, enquanto que outros se agarravam às colunas da igrejas, como se estivessem sentindo sendo engolidos pelo inferno. Ele teve que esperar as pessoas se acalmarem para terminar o sermão. Na opinião de Wesley L. Duewel, este sermão contribuiu grandemente para a continuação do avivamento.

Segue abaixo, um resumo desta mensagem, tão fundamental em nossos dias.

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… A seu tempo, quando resvalar o seu pé” (Deuteronômio 32.35).

Nesse versículo, israelitas são ameaçados com a vingança do Senhor. Apesar de todas as obras maravilhosas que Deus operara em favor desse povo, este permanecia sem juízo e destituído de entendimento, como está escrito no versículo 28.

A declaração que escolhi para meu texto, “A seu tempo, quando resvalar o seu pé”, parece subentender que aqueles israelitas estavam sempre sujeitos a uma súbita e inesperada destruição, à semelhança daquele que anda por lugares escorregadios e a qualquer instante pode cair.  Outra coisa implícita no texto é que os ímpios estão sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pelas mãos de outrem, pois aquele que se detém ou anda por terrenos escorregadios não precisa mais do que seu próprio peso para cair por terra. E também a razão pela qual ainda não caíram, e não caem, é por não haver chegado ainda o tempo determinado pelo Senhor. Pois está escrito que quando este tempo determinado, ou escolhido, chegar, seu pé irá resvalar.  Sim, não há nada, a não ser a boa vontade de Deus, que impeça os ímpios de caírem no inferno a qualquer momento.

A verdade dessa observação transparecerá nas seguintes considerações:

1. Não falta poder a Deus para lançar os ímpios no inferno a qualquer momento. Não há força que resista ao seu poder.

2. Os ímpios merecem ser lançados no inferno (Jo 3.18). A espada da justiça divina está o tempo todo erguida sobre suas cabeças, e somente a mão de absoluta misericórdia e a mera vontade de Deus podem detê-la.

3. Assim sendo, eles são objetos da ira e da indignação de Deus, que se manifesta através dos tormentos do inferno. A fúria de Deus arde contra eles, sua condenação não demora. O abismo está preparado, o fogo está pronto, a fornalha incandescente está ardendo, pronta para recebê-los. As chamas vermelhas queimam. A espada luminosa foi afiada e pesa sobre suas cabeças. O inferno abriu a sua boca debaixo deles.

4. O diabo está pronto a cair sobre os ímpios, para apoderar-se deles como coisa sua, no momento em que Deus o permitir (Lc 11.21).

5. Existe na própria natureza carnal do homem uma potencialidade alicerçando os tormentos do inferno (Is 57.20). Há aqueles princípios corruptos que agem de maneira poderosa sobre eles, que só dominam completamente, e que são sementes do fogo do inferno. Por enquanto Deus controla as iniqüidades deles pelo seu imenso poder, como faz com as ondas enfurecidas do mar, dizendo: “virão até aqui, mas não prosseguirão.” Mas se Deus retirasse deles seu poder refreador, seriam todos tragados por elas.

6. O fato de não haver sinais visíveis da morte por perto, não quer dizer que haja, por um momento sequer, segurança para os ímpios. Deus tem muitas maneiras diferentes e misteriosas de tirar os homens pecadores do mundo e despachá-los para o inferno.

7. Todo o esforço e artimanha dos ímpios para escaparem do inferno não os livram do mesmo, nem por um momento, pois continuam a rejeitar a Cristo, e, portanto permanecem ímpios.

8. Deus não se sujeita a nenhuma obrigação, nem a nenhuma promessa de manter o homem natural fora do inferno, senão àquelas que estão contidas na aliança da graça – as promessas concedidas em Cristo. Portanto, apesar de tudo que os homens possam imaginar ou pretender sobre promessas de salvação, devido suas lutas pessoais e buscas incessantes, deixamos claro e manifesto que qualquer desses esforços ou orações que se façam em relação à religião, será inútil. A não ser que creiam em Cristo, o Senhor, de modo nenhum Deus está obrigado a conservá-los fora da condenação eterna.

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Esse mundo de tormento, isto é, o lago de enxofre incandescente, está aberto debaixo de todo aquele que não está em Cristo. Ali se encontra o terrível abismo de chamas que ardem com a fúria de Deus, e o inferno com sua imensa boca escancarada. E vocês não têm onde se apoiarem, nem coisa alguma onde se segurarem. Não existe nada entre vocês e o inferno, senão o ar, e só o poder e o favor de Deus podem vos suster.

Vossas iniqüidades vos fazem pesados como chumbo, pendentes para baixo, pressionados em direção ao inferno pelo próprio peso, e se Deus permitisse que caíssem vocês afundariam imediatamente, desceriam com a maior rapidez, e mergulhariam nesse abismo sem fundo. Vossa saúde, vossos cuidados e prudência, vossos melhores planos, toda a vossa retidão, de nada valeriam para sustentar-vos e conservar-vos fora do inferno.

O Deus que vos mantém acima do abismo do inferno está terrivelmente irritado e seu furor contra vocês queima como fogo. Vocês são dez mil vezes mais abomináveis a seus olhos do que é a mais odiosa das serpentes venenosas para olhos humanos. Vocês o têm ofendido infinitamente mais do que qualquer rebelde obstinado ofenderia a um governante. Não existe outra razão porque vocês não foram lançados no inferno ao se levantarem pela manhã, a não ser o fato da mão de Deus ter-vos sustentado.

Oh, pense no perigo terrível que se encontra!  A quem pertence essa ira? É a ira do Deus infinito. Se fosse somente a ira humana, mesmo a do governante mais poderoso, comparativamente seria considerada como coisa pequena (Lc 12.4-5). É à ferocidade de sua ira que vocês estão expostos.

Lemos em Is 66.15 “Porque, eis que o Senhor virá em fogo, e os seus carros como um torvelinho, para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo.” Essas palavras são incrivelmente aterradoras. Se estivesse escrito apenas a “ira de Deus”, isso já nos faria supor algo bastante temível. Mas está escrito “o furor da ira de Deus“, ou seja, a fúria de Deus, o furor de Jeová! Oh!, quão terrível deve ser esse furor! Quem pode exprimir ou conceber o que essas palavras contêm?

“Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei.” (Ez 8.18).

“O lagar eu o pisei sozinho, e dos povos nenhum homem se achava comigo; pisei as uvas na minha ira; no meu furor as esmaguei, e o seu sangue me salpicou as vestes e me manchou o traje todo.” (Is 63.3).

“Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos da ira, preparados para a perdição.” (Romanos 9.22).

“Os povos serão queimados como se queima a cal, como espinhos cortados arderão no fogo. Ouvi vós os que estais longe, o que tenho feito; e vós, que estais perto, reconhecei o meu poder. Os pecadores em Sião se assombram, o tremor se apodera dos ímpios; e eles perguntam: quem dentre nós habitará com o fogo devorador? Quem dentre nós habitará com chamas eternas?” (Isaías 33.12-14).

“E será que de uma lua nova à outra, e de um sábado a outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. Eles sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e eles serão um horror para toda a carne.” (Isaías 66.23-24).

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É uma ira eterna. Já seria algo terrível sobre o furor e a cólera do Deus Todo-poderoso por um momento. Mas vocês terão de sofrê-la por toda a eternidade. Essa intensa e horrenda miséria não terá fim.

Inúmeras pessoas poderão estar no inferno em breve tempo, antes mesmo do ano terminar. E aqueles que estão agora com saúde, tranquilos e seguros, podem chegar lá antes do próximo amanhecer.

Mas agora vocês têm uma excelente ocasião. Hoje é o dia em que Cristo abre as portas da misericórdia, e se coloca de pé clamando e chamando em alta voz aos pobres pecadores. Queira Deus todos aqueles que ainda estão fora de Cristo, pendentes sobre o abismo do inferno, quer sejam senhoras e senhores idosos, ou pessoas de meia idade, quer jovens ou crianças, que possam dar ouvidos agora aos chamados da Palavra e da providência de Deus.

Portanto, todo aquele que está fora de Cristo, desperte, e fuja da ira vindoura.

“Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar”. (Isaías 55.6-7)

Amém.

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