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Archive for fevereiro \14\UTC 2012

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A vida cristã é repleta de aparentes paradoxos. Digo aparentes pois em Deus não há contradições. A nossa lógica é que está fora do eixo e, por isso, a sabedoria perfeita de Deus nos parece, muitas vezes, loucura.

Dentro da lista dos paradoxos do cristianismo, está o perder para ganhar, morrer para viver, negar-se para se encontrar. C.S.Lewis expõe de maneira brilhante este conceito em seu livro “Cristianismo puro e simples” quando afirma: Entregue-se, pois assim você encontrará a si mesmo. Perca a sua vida para salvá-la. Submeta-se à morte, à morte cotidiana de suas ambições e dos seus maiores desejos e, no fim, à morte do seu cor­po inteiro: submeta-se a ela com todas as fibras do seu ser, e você encontrará a vida eterna. Não guarde nada para si. Nada que você não deu chegará a ser verdadei­ramente seu. Nada que não tiver morrido chegará a ser ressuscitado dos mortos. Se você buscar a si mesmo, no fim só encontrará o ódio, a solidão, o desespero, a fúria, a ruína e a podridão. Se buscar a Cristo, o encontrará; e, junto com ele, encontrará todas as coisas.

Se no tempo de Lewis a humanidade já buscava o cristianismo na tentativa de satisfazer seus interesses e necessidades pessoais, muito mais hoje, com o advento do “neo-pentecostalismo”.

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Multiplicam-se indiscriminada e assustadoramente comunidades cristãs com seus nomes criativos e promessas que vêm ao encontro aos anseios do ser humano pós-moderno: prosperidade a curto prazo, saúde, casa própria, relacionamentos perfeitos sem muito esforço, solução para todos os dilemas da vida. Sem absolutamente nenhuma compreensão do seu estado de perdição espiritual, o fiel é levado a acreditar que o seu relacionamento com Deus pode ser resumido na seguinte premissa: você dá uma oferta em dinheiro para a igreja, e Deus lhe dará tudo o que você quiser.

Tais comunidades cristãs vendem um evangelho barato e distorcido, embrulhado num pacote de presente bastante atraente. Não economizam em divulgar em todas as mídias possíveis sua teologia prostituída. E assim, suas doutrinas vão se popularizando a cada dia mais, fazendo com que estes conceitos façam parte do senso comum acerca do cristianismo.

O Cristianismo tem se fragmentado despudoradamente, e hoje é cada vez mais comum encontrarmos “igrejas” totalmente descaracterizadas do Evangelho, doutrinas contraditórias, líderes espirituais perdidos e cristãos confusos e frustrados…

Um dos motivos de toda essa celeuma no “mundo gospel” é a distância cada vez maior entre a igreja institucional e a essência do Evangelho. Programas, planos, projetos e estratégias cada vez mais sofisticadas têm tomado o lugar da simplicidade pregada por Cristo.

Neste contexto, as pessoas normalmente têm se posicionado de duas formas: parte se convence de que o plano de Deus para a humanidade é abençoar materialmente àqueles que dispõem seus bens para a igreja. E outra acredita que a igreja cristã não passa de uma agência mercenária de estelionato, sem nada a oferecer para sua vida.

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No meio deste fogo cruzado está a igreja remanescente, que luta para não se deixar contaminar por tantos ventos de doutrinas ao mesmo tempo em que, como uma voz solitária no meio do deserto, persevera em apregoar o evangelho da cruz.

É fato que, quando se ouve algo muitas e repetidas vezes, corre-se o risco daquilo acabar se infiltrando em nossas mentes, tornando-se verdade. Daí a necessidade de vigilância constante e constante comprometimento com as Escrituras.

Não é difícil hoje subtrair Jesus Cristo dos púlpitos. Mas, sem Cristo, não há evangelho, não há salvação, não há igreja. Sem Cristo, não há espiritualidade, pois só Nele o espírito, morto pelo pecado, pode ser vivificado.

Precisamos hoje de homens e mulheres intrépidos, que não se incomodem em nadar contra a correnteza, e estejam dispostos a pregar o evangelho puro e simples, sem sensacionalismos, obras mirabolantes ou promessas vazias. Homens e mulheres que insistam na loucura da cruz, na importância de se buscar primeiro o Reino de Deus, no ensino da santificação e de valores como retidão, temor e amor.

É preciso ensinar que a fé não pode ser reduzida a um mero atalho de se conquistar bênçãos. Fé é o caminho através do qual é possível vislumbrar o Criador e nos reconciliar com Ele através de Cristo.

Há mais de um século, Henry Law escreveu: “Sem Cristo, a saúde não serve de cura para a enfermidade da alma; e a enfermidade é o prelúdio de uma dor sem mitigação. Sem Cristo, a prosperidade é uma maré adversa, e a adversidade é a prefiguração de uma miséria mais profunda. O nascimento não é festivo se Cristo não nascer no íntimo. A vida não é ganho, exceto se for vivida para Cristo. À parte Dele, Deus é adversário; as Escrituras ribombam condenação; Satanás espera pela sua vítima; seu cárcere espera de prontidão. Poderia eu saber disso tudo, e não implorar aos homens que façam de Cristo o seu tudo?”.  Isso é religião! Isso é cristianismo! Isso é espiritualidade!

Além de resistir aos ataques maciços dos ventos de doutrinas, podemos também facilmente nos distrair com os acessórios da igreja moderna: edifícios estruturados, templos confortáveis, sonorização acústica eficiente, música de qualidade, sistema informatizado, uma boa gestão administrativa, departamentos, ministérios, eventos, encontros de treinamento, shows, programas, festas… a lista é interminável. Não é difícil se perder diante de tantos recursos e desafios e, mesmo cercados de boas intenções, desviarmos o foco daquilo que é essencial.

Muitos temem que, num mundo dinâmico e repleto de novas descobertas a cada momento, só Cristo não seja suficiente para atrair os pecadores à mensagem da Salvação. Ledo engano.  Eis aí a verdadeira contradição: querem oferecer um cristianismo desprovido de Cristo.

Aqueles que são trazidos para a igreja movidos por promessas de prosperidade ou por um marketing atraente, logo perceberão que suas necessidades espirituais não foram supridas e continuarão numa busca sem fim até que Cristo finalmente lhes seja revelado.

Manter Jesus Cristo como o centro da mensagem do Evangelho é o único modo de manter o Evangelho vivo e eficaz. E crer nesta verdade é a base para se construir um ministério próspero e saudável. Simples assim!

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Márcia Cristina C. Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília – SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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