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Archive for março \25\UTC 2010

 

 Quando se fala em vinho e algumas bebidas alcoólicas, muitos pensam: “A Bíblia condena a embriaguez, mas beber só um pouquinho pode”. Assim, a cada dia cresce o número de cristãos que “bebem socialmente”. Isso, sem contar os países onde a bebida está profundamente entranhada em seu contexto cultural. Entretanto, ser Igreja não implica em seguir costumes culturais ou sociais, mas manter-se firme aos princípios e valores inegociáveis da Palavra de Deus. Então vamos ver o que as Escrituras têm a nos ensinar a este respeito.

Para começar, é importante saber que toda a Bíblia está repleta de textos que condenam a bebida em todos os sentidos: tanto o alcoolismo como o beber socialmente. Veja alguns exemplos:

“O sábio mostra que há um perigo no vinho e que ele é enganador. Ouve filho meu, e sê sabio; guia retamente no caminho o teu coração. Não estejas entre os bebedores de vinho nem entre os comilões de carne. Porque o beberrão e o comilão caem em pobreza; e a sonolência vestirá de trapos o homem” (Provérbios 23:19-21).

“Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos? Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada. Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.” (Provérbios 23:29-32).

“A prostituição, o vinho velho e o novo tiram o entendimento” (Oséias 4:11).

“Acautelai-vos por vós mesmos, para que não aconteça que os vossos corações se sobrecarreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos pegue de surpresa, como uma armadilha.”  (Lucas 21:34)

“Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam” (Gálatas 5:19-21).

“Não vos embriagueis com o vinho” (Efésios 5:18).

Leia também: Provérbios 31:1-7;  Isaías 5:11, 22; Isaías 28:7-8; Habacuque 2:15; 1 Coríntios 6:9-10 e 1 Pedro 4:3

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Apesar de tantas recomendações, muitos ignoram os textos acima e se apegam a algumas passagens do Novo Testamento para justificar o famoso “golinho”. Entretanto, interpretações superficiais das Escrituras podem gerar sérios transtornos e também dar origem a blasfêmias e heresias.

Antes de tudo, é importante saber que a palavra “vinho” na Bíblia, como várias outras, em seu original, tem mais de um significado. Assim como a palavra “cabo” em português pode significar várias coisas dependendo do contexto da frase, a palavra “vinho” também pode ser empregada em vários sentidos. Em português, vinho é sempre algum tipo de bebida alcoólica feita com o suco da uva, mas seu original em grego (Oinos) e em hebraico (Yayin) pode ser utilizado para descrever o suco espremido da uva (sem álcool), como também esse suco já fermentado (alcoólico), e ainda a bebida comumente utilizada pelos judeus durante as refeições (vinho diluído em quatro ou mais partes de água). Portanto, quando lemos o termo “vinho” na Bíblia, pode ser uma alusão ao suco da uva e não ao nosso vinho de hoje (exemplos: Jeremias 40:10-12 e Lucas 5:36-38). Diante disso, não é difícil concluir pelo contexto que Jesus não transformou água em vinho, mas em suco de uva; que o vinho da Ceia não era vinho, mas suco de uva e que Jesus não tomava vinho, mas suco de uva. Vamos analisar cuidadosamente estes textos e tentar esclarecer essa questão.

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1. AS BODAS DE CANÁ (João 2:1-11) – O primeiro milagre de Jesus se deu numa festa de casamento onde estava presente e, ao ser avisado que o vinho acabara, transformou em “vinho” 6 talhas de água (cada uma com a capacidade de 2 ou 3 metretas, sendo que cada metreta equivale a 40 litros). Considerando que, segundo o texto, os convidados já haviam bebido fartamente quando Jesus transformou cerca de 600 litros de água em “vinho” e serviu aos presentes, não é difícil deduzir que, neste caso, a palavra “oinos” significa suco de uva não fermentado, pois, de outra forma, Jesus estaria incentivando a embriaguez e, com isso, contrariando abertamente as Escrituras, o que sabemos ser algo inconcebível. Jesus nunca contrariou a vontade do Pai, portanto, fica claro que Ele fez ali o “vinho novo”, ou seja, o puro e saudável suco de uva.

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2. A CELEBRAÇÃO DA CEIA (Mateus 26:26-30; Marcos 14:22-26; Lucas 22:17-20). Em nenhum dos relatos bíblicos sobre a instituição da Ceia, encontramos o termo “oinos” (vinho/suco da uva), mas apenas a palavra “poterion”, traduzida por cálice, que indica qualquer objeto usado para tomar líquidos, seja copos de argila ou cálices de metal, e também a expressão “fruto da vide”. Então, como podemos saber se o que havia dentro do cálice era vinho alcoólico ou suco de uva? A resposta não é difícil: o fruto da vide ou “vinho” utilizado na Ceia não poderia ser alcoólico (fermentado) porque, na semana da Páscoa, quando a Ceia foi instituída, era estritamente proibido aos judeus consumir e até manter em casa qualquer tipo de alimento fermentado (Êxodo 13:7). Inclusive, o fermento utilizado em pães e bolos na época era obtido da espuma do vinho fermentado. Se esse fermento, símbolo do pecado (MT 16:6; Lc 12:1; 1Co 5:6-8), precisava ser exterminado do arraial na semana da Páscoa, seria impossível que as famílias mantivessem ou ingerissem o vinho alcoólico nessa época. Além disso, o texto fala de “fruto da vide”, e o vinho fermentado é um segundo estágio da bebida, portanto, não pode ser considerado fruto da vide, mas sim um subproduto da mesma. Portanto, a bebida utilizada na Ceia, simbolizando o sangue de Cristo, era pura, livre de quaisquer vestígios de fermento ou álcool. Também é importante esclarecer que, em 1 Coríntios 11:21-22, quando o apóstolo Paulo dá instruções à Igreja de Corinto sobre a celebração da Ceia e lhes exorta acerca das diferenças entre eles dizendo “…enquanto um tem fome, outro se embriaga”, não está falando de embriaguez no sentido que usamos hoje. O termo “embriagado” advém do latim “ebrius”, que além de contaminado, intoxicado ou bêbado significa também saturado (cheio em demasia, não necessariamente de álcool). Assim, no sentido original da palavra, alguém pode se “embriagar” de refrigerante ou de suco de uva, numa referência ao consumo da bebida em quantidades exageradas.

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3. JESUS E JOÃO BATISTA (Mateus 11:18-19). Neste texto Jesus fala do seu ministério e o de João Batista, mostrando que, alguns sempre encontram motivos para rejeitar o Evangelho: “Veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores.” João Batista era nazireu (Lucas 1:15) e, como tal, desde nascença se absteve de toda bebida alcoólica, do suco da uva e até da própria uva, conforme predizia o voto do nazireado (Números 6:3). Diferentemente de João, Jesus tomava “vinho” como deixa claro o texto acima, entretanto, não se trata do vinho alcoólico, mas do suco da uva. Como podemos chegar a essa conclusão? Simples: pela Lei, nem os reis nem os sacerdotes podiam beber vinho ou qualquer outra bebida forte (Pv 31:4-5, Lv 10:9). E Jesus, que em sua vida exerceu a função de sacerdote e rei (Hb 9:11; Lc 19:38), nunca desobedeceu à Lei (Mt 5:17; Hb 4:15), portanto, também não poderia ter bebido vinho alcoólico.

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4. PAULO E TIMÓTEO (1 Timóteo 5:23) – Numa de suas cartas a Timóteo, líder da Igreja em Éfeso,  Paulo diz a ele para não beber mais apenas água, mas também um pouco de vinho. Lembre que o termo vinho (oinos) pode indicar suco de uva natural ou fermentado. Neste caso, fica claro que Timóteo bebia apenas água “não bebes mais água só” e que Paulo estava abrindo uma exceção por questões de saúde. Timóteo poderia passar a tomar um pouco de vinho (ou suco de uva) diluído em água. Assim como hoje vários medicamentos possuem um pequeno teor alcoólico e não há problemas em ingeri-los, desde que com zelo e cautela. Entretanto, é provável que também neste caso, trate-se do puro suco da uva, já que Timóteo era líder espiritual, e era de suma importância que esses líderes não fossem “chegados” ao vinho e que se mantivessem sóbrios (1 Tm 3:1-3; 2Tm 4:5; Tt 1:7). Fala-se muito hoje dos benefícios que um cálice de vinho diário pode trazer à saúde, mas pesquisas mostraram que o suco puro da fruta oferece esses mesmos benefícios, ainda mais efetivos e sem o comprometimento tóxico do fígado trazido pelo álcool. O que os cientistas estão descobrindo e o apóstolo Paulo já sabia é que o suco da uva auxilia na coagulação sangüínea, aumenta o nível de antioxidantes, diminui a produção de radicais livres, baixa o colesterol, e reduz sensivelmente a arteriosclerose e a incidência de câncer no estômago.

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CONCLUSÃO

A Bíblia não dá nenhuma margem para que se conclua que beber só um pouquinho, sem se embriagar, é algo que não interfira em nossa santificação. Pelo contrário, a Palavra nos adverte insistentemente para que sejamos sóbrios e permaneçamos alertas contra as ciladas do diabo (1Ts 5:6; 2Tm 4:5; 1Pe 4:7; 5:8). Sabemos que o álcool, mesmo em pequenas doses como um copo de cerveja ou uma taça de vinho, altera imediatamente o estado mental da pessoa que o ingere, provocando a perda de inibições, prejudicando as percepções, retardando os reflexos, comprometendo o autocontrole e contribuindo para a falta de juízo. A ingestão de bebida alcoólica fragiliza nossa mente e nos tira da posição de soldados em vigília.

Lembre-se que, como já foi dito, quando a Palavra diz: “não vos embriagueis com o vinho” (Ef 5:18), abrange não só a bebedeira, mas o ato de nos intoxicarmos com o vinho alcoólico, ou seja, inserir dentro do nosso corpo qualquer quantia de elemento tóxico contido no vinho. Lembre-se também que, nos tempos antigos, o que Bíblia chama de “bebida forte” não chega nem perto em toxidade das bebidas alcoólicas desenvolvidas pela indústria moderna.

Além disso, devemos também analisar sempre o reflexo de nossas atitudes sobre o nosso próximo. Lemos em Romanos 14:21: “Bom é não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça”. Estatísticas comprovam fartamente os malefícios que a bebida alcoólica causa no indivíduo e na sociedade. Não estaremos ajudando em nada o nosso próximo em evitar a embriaguez, bebendo diante dele.

Com certeza, é plenamente possível uma pessoa viver bem e feliz sem precisar ingerir álcool, então por que insistir nisso? Renunciar a alguns “prazeres” da carne em favor do Evangelho é privilégio e não tortura. Como escreveu Paulo: “o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fl 3:7-8). O que é a bebida comparada com o Reino senão escória?

A Bíblia nos chama de reis e sacerdotes do Senhor (1Pe 2:9; Ap 1:6), então que possamos escolher nos manter sóbrios e passarmos bem longe de qualquer tipo de bebida alcoólica. Deus nos ama, e seus mandamentos para as nossas vidas não tem o propósito de serem punitivos ou restritivos, mas de contribuir para que vivamos uma vida abundante e saudável. Se Deus diz em sua Palavra que é melhor não beber, acredite, pois Ele sabe o que faz.

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“O vinho é escarnecedor, e a bebida forte, alvoraçadora; todo aquele que por eles é vencido não é sábio” (Provérbios 20:1)

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
 
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.
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Tive uma experiência inusitada hoje.

O dia estava bem quente e uma nuvem acompanhada de ventos anunciava chuva. Lembrei-me imediatamente de verificar o quintal. Temos uma cachorrinha que faz suas “necessidades” no corredor dos fundos e, se chovesse, o cheiro seria insuportável. Daí muni-me de pá e vassoura e lá fui eu visitar meu quintal.

De repente, uma visão terrível me deixou paralisada. Percebi que as paredes do muro do meu quintal estavam negras!!! Meu Deus, como é possível!?!?!? Como permiti que a sujeira se acumulasse a esse ponto!?!?!? Foram meses de descuido e, de repente, meus olhos se abriram para o limo que cobrira toda a parede. Fiquei envergonhada.

Juntei todos os produtos de limpeza que havia em meu armário e pus-me a lavar as paredes. A cada esfregada, pedia a Deus perdão por ter negligenciado minha função de dona de casa. Perdão por permitir que minha família vivesse numa casa com muros tão imundos. Perdão por deixar de cumprir tarefas tão básicas.

Três horas mais tarde, depois de muitos esfregões, tudo finalmente ficou limpo. É claro que, com a sujeira, saiu também a tinta barata que o locador passou para impressionar futuros inquilinos, mas não importa. Missão cumprida! Parede e alma limpas. O gesto de identificar um problema e vencê-lo foi, para mim, uma grande experiência de libertação.

Sei que muitos cristãos preferem uma hipnose ministrada por apóstolos poderosos que, mediante óleo ungido e rituais de cura interior, efetuam o processo de libertação. Muitos necessitam de efeitos especiais e sensações espetaculares para se sentirem de fato libertos.

Entretanto, quando Jesus sugeriu que seus discípulos olhassem os lírios, os pássaros, os campos, estava nos ensinando a valorizar também as experiências do nosso cotidiano.

Enquanto alguns precisam ir até o quintal e pedir perdão pela sujeira dos muros, outros precisam abrir o guarda-roupa abarrotado e pedir perdão por ter excedido no cartão de crédito. Outros precisam olhar no espelho os quilos a mais, e pedir perdão por ter exagerado nos doces e refrigerantes. Outros precisam ver o armário da cozinha vazio e pedir perdão pelos copos que quebrou por falta de cuidado. Outros ainda precisam abrir o histórico do seu computador, e pedir perdão pela páginas que visitou nas últimas semanas.

É certo que todos nós precisamos de libertação em alguma área.

Aprendi nessa tarde que, em vez de fazer regressão com um grande guru, muitas vezes basta dar uma olhada à nossa volta ou até mesmo dentro de nós. Identificar o que há de errado. Pedir perdão. Reconhecer o que precisa ser mudado. E fazer o que precisa ser feito. Simples assim 🙂 !

Talvez nunca ninguém perceba que lavei as paredes do meu quintal. Afinal, a sujeira sempre chama a atenção, já a limpeza, nem sempre. Mas essa experiência mudou pra sempre a minha vida. Da mesma forma que os “grandes apóstolos modernos, especialistas em libertação”, ao fim da minha batalha pessoal eu me encontrava fisicamente exausta e suada, exaurida como alguém que voltou da guerra. E assim, na simplicidade do meu quintal, experimentei a minha libertação de hoje.

As pequenas coisas podem se transformar em grandes experiências se vistas como uma oportunidade de crescimento pessoal e glorificação do Reino de Deus.

Hoje, eu fui liberta no meu quintal.

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e Educação Religiosa

Doctor of Ministry – Especialização em Bíblia

Marília/SP

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

mediante citação da fonte e autoria.

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Afinal, para quem são as músicas que cantamos em nossas igrejas?


  Mais que vencedor EU sou…

♪  EU te busco…

  Sobre a tempestade EU voarei…

  EU vou subir a montanha…

  Dá-ME filhos…

  Chove aqui na MINHA vida…

♪  EU vou saltar as muralhas…

  Uma nova história Deus tem pra MIM

  Faz um milagre em MIM

  EU tenho uma palavra…

  Cura-ME, abraça-ME

  Onde eu puser a planta dos MEUS pés, possuirei…

  Bendito EU serei…

  EU tenho uma palavra… 

  Hoje o MEU milagre vai chegar…

  EU tenho sede… 

  Prepara-ME uma mesa na presença dos MEUS inimigos…

  EU vou viver uma virada em minha vida, EU creio…

  EU serei pai de multidões…

  EU vou dançar na chuva…

  EU não posso te deixar…

  Ainda bem que EU vou morar no céu…

♪  EU estou desesperado…

♪  Abre o mar pra MIM

♪  EU sou livre…

♪  EU não vou desistir, cavarei um pouco mais…

♪  EU, EU, EU…. EU quero….

♪  Olha pra MIM

  EU …

  EU …

  EU …

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Repetidas vezes temos ido aos cultos não para cultuar (prestar um culto de adoração) a Deus, mas principalmente para buscar algo que supra as NOSSAS necessidades e desejos. Nossa tendência é nos esquecer de que fomos criados para adorá-lo, independente do que somos, do que precisamos, ou do que queremos. Como igreja, devemos nos reunir em primeiro lugar para reconhecer quão grande é o Senhor, louvá-lo, expressar nossa adoração com músicas e palavras, ou seja, o foco é ELE “porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas”.

Facilmente nos envolvemos pelo sistema humanista que reina em nossa geração e fazemos do culto um momento onde nós estamos no centro, e invocamos a presença de Deus para que Ele nos sirva e satisfaça nossas expectativas.

Que nossos cultos, nossas músicas, e nossas orações sejam, primeiramente e principalmente, em adoração ao nosso Deus.

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“NÃO A NÓS, SENHOR, NÃO A NÓS, MAS AO TEU NOME DÁ GLÓRIA!”    Salmos 115:1

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Educação Religiosa
Marília/SP
Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos
mediante citação da fonte e autoria.

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Antigamente

Descaminhos

O arbusto e a árvore

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“Não gostam que o prendam… O importante é não pressioná-lo, porque, como sabem, ele é selvagem. Não se trata de um leão domesticado.”

O texto citado acima faz parte da obra literária As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e O Guarda-Roupa, do escritor irlandês C.S. Lewis. A obra literária As Crônicas de Nárnia conta as aventuras e desventuras de algumas crianças (e de alguns adultos também, porém de maneira secundária) num mundo chamado Nárnia, e é dividida em sete livros que foram escritos separadamente. Esta obra era praticamente desconhecida no Brasil até o lançamento do primeiro filme, o que fez com que o livro fosse um dos mais vendidos no país. Esta obra foi um grande sucesso na Europa na segunda metade do século passado. Infelizmente foi superado pelas obras da escritora britânica J. K. Rowling com o seu Harry Potter. 

As Crônicas de Nárnia tem muitos elementos cristãos, o que me leva a aconselhar aos internautas a lerem os livros da série. Entre os elementos cristãos, temos a figura do leão, que representa a pessoa de Jesus Cristo. Bem, aí está o “por quê” deste post.

Ao ler o trecho do texto citado acima, me deparo com uma reflexão: o leão é um animal selvagem. Quando digo selvagem, estou querendo dizer que o leão é um animal que não pode ser domesticado, ou seja, é um animal que não está adaptado para sobreviver, ou conviver, com a ajuda de (ou sob o controle de) humanos. Não pode ser educado aos nossos costumes, e nem pode ser ensinado para fazer nossas vontades. É um animal que não admite ser submisso a ninguém.

Não acho que foi por acaso que C.S. Lewis elaborou este pensamento. Com essa idéia, o escritor irlandês nos passa a imagem de que Jesus Cristo, sendo Deus, não pode ser domesticado. Deus não pode ser ensinado nos costumes dos homens. Deus não pode ser ensinado a fazer as vontades dos homens. Deus não pode ser moldado aos prazeres dos homens. Será que C.S. Lewis já convivia com um evangelicalismo que domesticava a Deus?

Uma coisa é certa: Lewis já apontava um terrível erro do evangelicalismo para o futuro. E esse futuro chegou a nós.

O que estamos presenciando em nossas igrejas é um evangelho onde Deus é ensinado a fazer as nossas vontades. Os líderes eclesiásticos estão apresentando um deus que pode ser moldado aos diferentes problemas da vida, e com um detalhe animador: para cada problema, há uma solução! Por isso, os pregadores evangélicos não medem esforços para trazerem o máximo de pessoas às suas igrejas, prometendo um deus que pode, perfeitamente, resolver qualquer problema da vida: seja enfermidade, seja financeiro, seja na vida amorosa, sentimental… Não há nada mais confortador do que isso: que Deus vive para mim e para resolver meus problemas.

Que tipo de transformação é operada nos corações dos evangélicos? Nenhuma! Por que é o homem que tem que ser transformado? Afinal de contas, Deus me aceita do jeito que sou, não é mesmo? E por isso mesmo, é Deus quem se transforma para ser acomodado às circunstâncias da vida de cada um. A única transformação operada é no status do homem: é só dar alguns R$ 1.000,00 para a igreja que já tenho direito a uma bênção! É só participar de algumas “campanhas financeiras” que a minha empresa irá prosperar! É só dar uns R$ 900 para ganhar uma bíblia (que custa uns 30 reais em algumas livrarias evangélicas) e minha vida já será transformada! É só dar o trízimo (dízimo para cada pessoa da trindade) que minha vida será recompensada! Simples assim!!!

Mas tem também uma mudança na saúde e na vida amorosa. Basta participar de algumas correntes (e levar alguns bons trocados no bolso), que aquele meu amor platônico será finalmente meu, ou que aquele vizinho que botou mal-olhado pra mim será castigado, ou que aquela doença incurável  deixará de existir no meu corpo… Enfim, é uma infinidade de milagres que o deus domesticado irá operar na vida de todo aquele que se mostrar generoso ($$$$$) para com a igreja, ou para que algum programa de televisão se matenha no ar.

Francamente, estou enojado desse evangelho farrapado, minúsculo e mesquinho pregado nessas igrejas neopentecostais, apresentando um evangelho fácil, que não exige sacrifício do homem, que não exige transformação de vida, que não exige o abandono do pecado, que não exige temor e reverência da parte do homem para com Deus.

Todos esses profetas de Baal, ministros de Satanás receberão as devidas recompensas pelos atos praticados soberbamente e egoisticamente. A parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre (Ap 21.8). Não tenho dúvidas de que muitos desses falsos profetas serão desconsiderados por Deus no último dia: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7.22,23).

Não é Deus que tem que ser domesticado, e sim o homem. É o homem que tem que aprender a fazer a vontade de Deus, a ser educado nos princípios e mandamento de Deus. É o homem que tem que ser submisso à vontade de Deus. Submissão essa que não considera nada em troca, senão unicamente a condição de dependência do homem a Deus. O homem precisar ser ensinado a reconhecer a sua condição  de miséria por causa do pecado. O homem precisa aprender a chorar pelo seu pecado, a lamentar sua depravação, a morrer para os prazeres do mundo, da carne e do pecado e a reconhecer a soberania divina sobre a sua vida. O homem precisar ser ensinado a viver uma vida de acordo com os princípios bíblicos de santidade e pureza, olhando sempre para o alto, onde o seu coração deve repousar.

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Soli Deo Gloria!

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Heitor Alves

Fonte: Blog dos Eleitos  

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PERGUNTA: Sexo antes do casamento é mesmo pecado ou trata-se apenas de mais um dogma imposto pela religião?

RESPOSTA: A natureza humana nunca muda e, por isso, as mesmas inquietações persistem de geração a geração. O corpo grita e “torce” para que alguém venha com uma resposta que traga alívio. Há mais de trinta anos faço palestras para jovens e a necessidade de voltar e continuar voltando aos mesmos temas continua. Então vamos lá:

 

1. A SEXUALIDADE E O PRAZER SEXUAL FORAM CRIADOS POR DEUS E NÃO PODEM SER CONSIDERADOS COMO ALGO SUJO OU PECAMINOSO. A sexualidade foi concedida ao ser humano como um instinto natural para procriar, proporcionar prazer e consumar a aliança entre um casal. É algo íntimo, mas não promíscuo. Velado, mas não vergonhoso.

“Deus Criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: ‘Frutificai e multiplicai-vos! Enchei a terra e sujeitai-a!… Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne. E viu Deus tudo o que havia feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:27-28, 2:24, 1:31).

“Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. E porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha? Eis que os caminhos do homem estão perante os olhos do SENHOR, e ele pesa todas as suas veredas.” (Pv 5:18-21)

 

2.  A UNIÃO SEXUAL É UMA DÁDIVA DE DEUS PARA SER DESFRUTADA EM AMOR, DENTRO DE UM RELACIONAMENTO DE PROFUNDA INTIMIDADE E SEGURANÇA: O CASAMENTO. O sexo só é saudável e abençoado por Deus quando concilia amor, santidade, satisfação mútua, integridade, compromisso, responsabilidade, entrega e dignidade. E este nível de compromisso só é possível dentro do casamento.

Casamento é uma cerimônia pública perante Deus e a sociedade, onde o casal faz uma aliança indissolúvel (1). Obviamente esta cerimônia sofre variações conforme a época e o local. Um casamento entre judeus há quatro mil anos antes de Cristo, com certeza era diferente de um casamento na China durante a Idade Média, por exemplo. Mas não mudou de nome e nem deixou de existir. Nos nossos dias, envolve um contrato civil feito em cartório. Com a assinatura deste contrato, o casal recebe uma certidão de casamento, ou seja, um documento que comprova que ambos estão casados. Sem esta certidão, não há casamento.

“O marido pague à mulher o que lhe é devido, e da mesma sorte a mulher ao marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido. Do mesmo modo o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.” 1 Co 7:3-4

“Vós, mulheres, submetei-vos a vossos maridos, como ao Senhor. Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Por isso, deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e se unirá a sua mulher, e serão os dois uma só carne. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher respeite a seu marido.” Ef 5: 22, 25, 31 e 33.  

“Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1Cor 7.9). O texto é claro e não dá margem para que aliviemos nossos desejos sexuais fora do matrimônio.

 

3. SEXO FORA DO CASAMENTO NÃO CUMPRE OS PROPÓSITOS DE DEUS, POR ISSO É PECADO. Coabitar “maritalmente” com alguém ou manter relações sexuais com um parceiro NÃO É CASAMENTO, com ou sem amor. Quando Jesus estava conversando com a mulher samaritana, ele foi bem claro quando disse: “…o homem com quem você mora agora não é seu marido” (Jo 4:16-18). Confirmando o conceito de que não basta morar junto ou ter relações sexuais para se considerar casado. Jesus nunca considerou legítimo o relacionamento de um casal amasiado.

As relações sexuais fora do casamento nunca foram aceitas, nem em Israel, nem na Igreja Primitiva. Basta atentar para a enorme quantidade de leis contra a fornicação e a impureza sexual e os inúmeros mandamentos que fortalecem o casamento como instituição para o povo de Deus em todas as épocas.

Qualquer tipo de intimidade sexual fora do casamento é chamado na Bíblia de “porneia” – termo original grego que significa prostituição. Traduzido também em algumas versões como fornicação, adultério ou imoralidade sexual. Segundo J.H.Thayer, um dos maiores especialistas em grego bíblico, este termo era usado para descrever todo gênero de relação sexual ilícita, ou seja, fora do que Deus estabeleceu para a espécie humana: o casamento monogâmico entre um homem e uma mulher.

“Mas a prostituição, e toda a sorte de impureza ou cobiça, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos.” Rm 5:3  

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concuspiscência, e a avareza, que é idolatria. Por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.” Cl 3:5-6  

“Os alimentos são para o estômago, e o estômago para os alimentos; Deus, porém, destruirá tanto um como os outros. Mas o corpo não é para a prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o seu corpo. Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o que se prostitui, peca contra o seu próprio corpo.” 1 Co 6:13,18  

“Receio que quando for outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da impureza, prostituição e lascívia que cometeram.” 2 Co 12:21

 

4. O CASAMENTO É UMA CERIMÔNIA QUE OFICIALIZA A UNIÃO DE UM CASAL. NÃO É INVENÇÃO DE HOMENS, MAS DE DEUS. NÃO É DOGMA RELIGIOSO, É BÍBLICO. Li há pouco tempo um artigo, cujo autor afirmava que casamento não é bíblico porque Adão e Eva não se casaram, e Isaque deitou-se com Rebeca assim que a conheceu… Ora, ora… Quanta ignorância!!

Adão e Eva não tiveram testemunhas humanas, mas receberam a bênção de Deus (2)! Quanto a Isaque, não sabemos ao certo o que aconteceu (3). Quem estuda um pouquinho de teologia, sabe que, muitas vezes, a narrativa bíblica não dá detalhes da situação, fazendo com que o leitor desapercebido pense que os fatos foram consecutivos, o que nem sempre é verdade. Um exemplo clássico disso é o capítulo 4 de Gênesis, que conta que Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel. Caim matou Abel, saiu de casa e se casou com uma mulher. O que aconteceu antes e depois do nascimento de cada um, o nascimento de outros filhos, a formação de outras tribos, e outros detalhes é omitido nas Escrituras com uma única razão: não era importante. Logo, o fato da Bíblia não detalhar o casamento de Isaque não significa que ele não se casou!!! Por outro lado, mesmo que ele não tenha se casado oficialmente, isso não significa que Deus tenha aprovado sua atitude. No início dos tempos, práticas como o incesto, poligamia, escravidão, apedrejamento e tantas outras, faziam parte do contexto cultural do povo de Israel, nem por isso, refletiam os propósitos de Deus.

Jesus Cristo, em seu ministério, por várias vezes denunciou práticas e cerimônias desnecessárias e puramente legalistas, como se lavar antes das refeições, guardar o sábado, não comer na companhia de “pecadores” e a circuncisão, mas nunca disse nada, direta ou indiretamente, contra a cerimônia de casamento. Pelo contrário, confirmou-a várias vezes (Mt 19:1-8, 22:2; Lc 20:34; Jo 2:1-2). Se o casamento fosse algo irrelevante ou desnecessário, com certeza o Mestre nos teria deixado tal ensino.

As Escrituras falam de casamento e de prostituição. E não há absolutamente nenhum respaldo bíblico para deduzir que sexo e casamento são a mesma coisa. Antes, alerta: sexo sem casamento é prostituição.

“Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. Mas, se te casares, com isto não pecas; e também, se a virgem se casar, por isso não peca” 1Cor 7.2, 28  

“Quero, pois, que as que são moças se casem, gerem filhos, governem a casa, e não dêem ocasião ao adversário de maldizer; porque já algumas se desviaram, indo após satanás” 1 Tm 5:14-15  

“Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará.” Hb 13:4

 

5. CARÍCIAS ÍNTIMAS E SENSUAIS FORA DO CASAMENTO TAMBÉM É PROSTITUIÇÃO. O ato sexual não se resume à penetração do órgão genital masculino no órgão genital feminino, mas envolve todas as emoções, sensações e carinhos que fazem parte da intimidade sexual. Assim sendo, o casal que não “chega nos finalmentes” mas acaricia, beija, abraça e alisa (chegando ou não no clímax) além dos limites de um relacionamento fraternal, está sim transgredindo os planos de Deus. Jesus afirmou que só em olhar para uma mulher com intenções de cobiça já é adultério, quanto mais dar vazão a esses desejos sexuais.

Certamente não é fácil manter a pureza no relacionamento de namoro e noivado. Mas atração física pode e precisa ser contida até que chegue o momento certo. Através do Espírito Santo de Deus, somos livres para não pecar. Aquele que está em Cristo não é mais escravo dos desejos da carne, nem de suas paixões e concupiscências. Auto-domíno é fruto do Espírito em nossa vida. Pelo amor de Deus, não somos bestas reféns do próprio cio! É possível esperar! É possível controlar-se! Para isso, é importante que adotemos corretos padrões de pensamentos e vigiemos nossos olhos. Aquele que só pensa em sexo e enche seus olhos de pornografia, com certeza não conseguirá se conter. É preciso, acima de tudo, decidir ser puro.

“Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.” Mt 5:27-30  

“Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra; não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.” 1 Ts 4:3-5

“Fiz aliança com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem? Que porção teria eu do Deus lá de cima, ou que herança do Todo-Poderoso desde as alturas? Porventura não é a perdição para o perverso, o desastre para os que praticam iniqüidade?” Jó 31:1-3 

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” Fl 4:8

 

6. OS MANDAMENTOS DE DEUS NOS FORAM DADOS PARA NOSSA PRÓPRIA EDIFICAÇÃO E NÃO TORTURA. Deus não é um ser sádico que fica lá no Céu inventando maneiras de fazer seus filhos sofrerem. Ele nos ama, e todas as suas ordenanças tem o propósito de nos abençoar e estão dentro da nossa capacidade de cumpri-las.

Se Ele nos fez seres sexuados por que não podemos expressar nossa sexualidade da maneira como bem entendemos? Por que precisamos esperar até o casamento? Por que precisa ser feito com amor? Por que tantos limites? Por que a família é a organização mais importante para nossa saúde emocional e social. Se nos deixarmos dominar por nossos impulsos sexuais, a família desmorona, trazendo consigo conseqüências inimagináveis para a nossa sociedade.

Infelizmente, o mundo caminha dentro de sua própria cosmovisão egoísta e imediatista. O que era imoral há tempos atrás hoje já não o é. Entretanto, como filhos da Luz, precisamos tomar a decisão de não permitirmos que o mundo molde nossos valores, a ponto de negarmos os princípios divinos. Somente através de uma íntima e ininterrupta comunhão com o Criador poderemos vencer.

E se alguém errar? Nunca é tarde para recomeçar. Deus perdoa todos os pecados, desde que os confessemos e abandonemos. O Criador é paciente e nunca desiste de nós. Ele é todo amor! E o Deus das novas oportunidades estará sempre de braços abertos para todo aquele que, com o coração sincero, reconhecer suas limitações, falhas e iniqüidades, e buscar a santificação.

“Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” 1 Jo 6-9 

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Rm 12:1-2 

“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera.” Is 64:4

“Mas, como está escrito: as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” 1 Co 2:9

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma facção emerge no meio do cristianismo, afirmando que princípios como os que descrevi acima é coisa de “crente descontextualizado”, “atrasado”, “religioso” e “de consciência pequena”. Vangloriam-se em seguir uma verdade que “liberta” e não que “escraviza”. A estes digo: sim, a verdade liberta. Mas…. liberta de quê? Para quê? A vida com Cristo não consiste em sermos livres para fazermos “tudo o que der na telha”, desde que a consciência não nos condene – isso seria relativizar o pecado. Não senhores, a Verdade nos liberta DO PECADO, DOS VÍCIOS, DO DOMÍNIO DOS IMPULSOS DA CARNE, ao mesmo tempo que gentilmente nos aprisiona… não a leis, costumes, tradições, regras e fardos humanos, mas a Cristo e sua vontade. Quem define o que é pecado não é o homem ou a mulher, mas sim Deus.

Nunca imaginei que parte da igreja evangélica chegaria a esse nível de cegueira espiritual! Pasmo diante de posicionamentos de pastores, famosos e anônimos, que afirmam que casamento é uma invenção dos homens e que, se o sexo for com amor e responsabilidade, é legítimo diante de Deus…

Pessoas que extraem da Bíblia apenas o que está de acordo com seu preconceito sobre o assunto, ignorando todo o resto… Mentes doentes e cegas que preferem seguir seu coração enganoso (4) a guiar-se pela Palavra… Muito bem, façam o que quiserem! Cada um dará contas de si mesmo a Deus. Mas, como o apóstolo Paulo, não consigo deixar de sofrer dores como de parto (5) por esta igreja permissiva e licenciosa.

Ai, meu Deus, como dói! Paulo nunca pariu, mas eu já. Duas vezes. E posso dizer que a dor do parto é bem mais suave, pois perdura algumas horas e depois passa. Atinge o corpo no extremo do suportável, mas traz à luz o milagre da vida. Quanto à dor pela apostasia dos membros do corpo de Cristo, essa não passa, apenas cresce, e não gera nada a não ser mais dor: frustração, decepção, descrença, solidão…

E eu, que não são famosa nem nada, apenas sigo seguindo… na esperança de poder declarar, como Paulo: “Combati o bom combate, cumpri a carreira e guardei a fé” (2 Tm 4:7).

(1) Rm 7:2-3

(2) Gênesis 1:27-28

(3) Gênesis 24:63-67

(4) Jeremias 17:9

(5) Gálatas 4:19-20

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e Educação Religiosa
Marília/SP
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mediante citação da fonte e autoria.

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A igreja evangélica produziu em seus celeiros uma leva de pastores/pensadores que, decepcionados com as teologias vigentes, resolveram inventar novas.

A teologia, por ser humana, nunca conseguiu nem conseguirá responder a todas as inquietações e anseios do nosso espírito. É preciso, pela fé, aceitar as dúvidas. Mas há os que não se conformam com a finitude humana e tentam, dentro da nossa burra “sabedoria”, encontrar respostas para as indagações da fé.

Nessa onda, a idéia de “desconstruir” vem acompanhada de novas filosofias, novas formas de interpretar a Bíblia, novos retratos de Deus. Tempos atrás, tentaram convencer o mundo de que o diabo era uma invenção da era medieval; agora tentam convencer a igreja de que o pecado é uma invenção da religião. Isso me dá náuseas. Unem-se a tais pseudo-pensadores uma leva de gente descontente com a Igreja, com Cristo e consigo mesmo.

Nesse mundo gospel marginal não estão aqueles que foram injustiçados pelos fariseus modernos, mas sim aqueles que não tiveram coragem para negarem-se a si mesmos ou forças para carregarem suas próprias cruzes.

Sim, pois seguir a Cristo é coisa pra “macho”! Não há espaço para covardes ou almáticos. Há que se ter coragem para lançar a mão no arado e não olhar prá trás, para não se amoldar aos padrões do mundo, para ser crucificado com Cristo dia após dia.

Corruptos, imorais, intelectualistas, alcoólatras, mentirosos, pessoas presas aos próprios vícios, ao invés de enfrentar a dor oriunda da renúncia à concupiscência dos olhos, à concupiscência da carne e à soberba da vida, optam pelo caminho mais fácil: “se não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”. Vai daí que surge então esse bando de descontentes, achando-se os “donos da cocada preta”, os mente-abertas iluminados, o grupo privilegiado o bastante para receberem do Céu as novas revelações, o novo evangelho.

Não senhores, não vou pelo caminho largo! Essa ladainha de cristianismo light é “conversa pra boi dormir”, discurso de enganar trouxa. Eu quero é Deus!!! Simples assim :)!

 

Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros do corpo de vocês ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros do corpo de vocês a ele, como instrumentos de justiça.” Rm 6:12-13

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Ser Igreja

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Márcia Cristina Rezende

Bacharel em Teologia e em Educação Religiosa

Marília/SP

 

Permitida reprodução e distribuição sem fins lucrativos

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O equilíbrio parece monótono, por isso é tão pouco atraente. Há que se buscar os extremos e viver novas aventuras e desventuras, tornar a vida emocionante, arriscar-se… Esta é a filosofia de muitos que, infelizmente tem contaminado também a Igreja de Cristo.

A Bíblia Sagrada é a referência central de certo e errado, o prumo através do qual todas as demais coisas precisam passar para serem qualificadas.

Entretanto, muitos têm facilmente se distanciado do equilíbrio da Palavra e optado pelos extremos.

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À direita temos os “reacionários” – fundamentalistas zelosos que se orgulham em seguir à risca todas as regras e leis. Avessos a qualquer pensamento um pouco mais aberto, aferram-se a tradições humanas e nelas constroem suas religiões. Criam fardos, por julgar poucos os que já existem. Santarrões que valorizam em demasia as aparências, usos e costumes, carolices e rezas, identificando como pecado tudo que fuja dos padrões de normalidade estalebecido por sua própria imaginação.

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À esquerda, bem distantes, estão os “revolucionários” – adeptos da modernice, vão contra tudo que tenha qualquer tipo de conexão com a tradição. Extremamente liberais, acreditam que a graça de Cristo nos exime de qualquer responsabilidade. Nada é pecado, desde que sua consciência não o condene. Não existem regras, leis, mandamentos, cada um é livre para fazer o que quer, afinal, Jesus ama e aceita a todos.

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Os “reacionários” classificam como pecaminoso o simples ato de assistir a um programa de TV. Enquanto os “revolucionários” afirmam que sexo antes do casamento, se feito com amor, é sempre abençoado por Deus.

Os “reacionários” dizem que uma mulher que usa maquilagem e jóias é mundana, está possuída pelo espírito de jezabel. Enquanto para os “revolucionários”, tanto o aborto quanto o uso da mini-saia são direitos da mulher e em nada influenciam seu relacionamento com Deus.

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Mas a busca da Igreja de Cristo não deve ser por um extremo ou por outro, mas pelo equilíbrio da Palavra. Simples assim :). Ao invés de se desgastar no esforço de criar caminhos próprios, que nunca levam a lugar nenhum, mais simples é seguir o caminho já determinado por Jesus – o único que leva à Verdade e à Vida.

Tentar comprimir a Palavra em tradições humanas é arrogância. Aproveitar-se da liberdade em Cristo para atender aos desejos da carne é devassidão.

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Portanto, seja simples e siga pela fé, ancorado pela Palavra, “… não se desvie dela, nem para a direita nem para a esquerda, para que você seja bem sucedido por onde quer que andar.” Js 1:7

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Márcia Cristina Rezende
Bacharel em Teologia e  Educação Religiosa
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